One Shot - Mr. Reese vai ao cinema
1 One Shot - Quero um bilhete para o próximo filme.
–Mr. Reese, Shaw recebemos um novo número – Finch disse enquanto olhava para a foto da mulher que ele fixava no quadro.
–Que ótima notícia – John murmurou ironicamente.
–O número pertence à uma funcionária de um cinema que fica próximo à Broadway na Houston, estou mandando o endereço – Harold Finch ignorou a ironia de John.
–Angelika Film Center & Cafe – Shaw mostrou o endereço no mapa fazendo um bico e erguendo a sobrancelha – Pelo visto iremos assistir à algum filme índie.
–Você não... – John murmurou enquanto a Super-Usuária abre a porta e senta-se no banco traseiro do carro que estavam.
–Que gracinha! – a Super-Usuária dá um sorriso falso encarando John pelo espelho – Desculpe estragar o "programa" de vocês mas, Shaw preciso que você me ajude a convencer algumas pessoas a fazer uma doação de um exclusivo mainframe que nossa amiga necessita.
–John... – Shaw abriu a porta do carro franzindo os lábios e as duas desapareceram quando um caminhão cruzou a rua, John saiu do acostamento e se dirigiu ao endereço que Finch enviara.
–Finch, o que devo fazer? Qual é a ameaça? – John murmurou após estacionar o carro e naquele momento andava pela rua, observando as pessoas à sua volta.
–Margot Davis é formada em direito e há mais de cinco anos largou a profissão e começou a trabalhar na bilheteria deste cinema, não encontrei ameaças contra ela, o motivo da máquina querer protegê-la ainda é obscuro, eu preciso que você se aproxime dela, vá ao cinema, talvez seja a única forma de abordá-la – Finch respondeu enquanto acessava o sistema tentando encontrar informações sobre a mulher.
–Ir ao cinema... – John murmurou alcançando a entrada do edifício, comprou um café e se direcionou rumo ao cinema, os cartazes logo apareceram, uma mostra de filmes estrangeiros estava em cartaz – Poderia ser pior – John murmurou pensando em ver um musical já que estava à alguns passos da Broadway.
–Mr. Reese, existem filmes maravilhosos nessas amostras, documentários, estórias regionais passadas de geração à geração que muitas das vezes conhecemos através de um cineasta que resolve filmá-la para mostrar a realidade de seu povo, de sua região, de seu país – Finch não podia ficar calado, ele era cinéfilo, ávido por novidades.
–Você deveria ter vindo então... – John murmurou tomando seu lugar na fila.
–Boa tarde Senhor – a sorridente mulher cumprimentou John.
–Boa tarde, gostaria de um bilhete para o próximo filme – John disse automáticamente.
–Qual deles? – a mulher sorriu e esperou John responder.
–Qual começa primeiro? – John disse tentando usar um tom simpático – estou fugindo do trabalho... Sabe como é?
–Temos três filmes que começam dentro de cinco minutos, um romance indiano, um documentário japonês e um drama-ação brasileiro – a mulher apontou para os cartazes em miniatura que estavam fixados no balcão.
–Ação... Brasileiro? – John deu um meio sorriso olhando nos olhos da mulher.
–Aqui está senhor, Sala 5B, siga o corredor e logo encontrará a sala – a mulher entregou o bilhete e sorriu.
–Você é muito simpática, muito obrigado – John sorriu e saiu da fila enquanto seu sorriso era consumido instantaneamente e ele andava rumo à sala.
–Mr. Reese – Finch murmurou – com a ajuda de Fusco, descobri que o marido da Srª. Davis foi assassinado durante um assalto à cinco anos, ela estava grávida e perdeu o bebê, depois do funeral ela pediu demissão do emprego e meses depois foi à uma entrevista de emprego neste cinema, não tem contato com familiares ou amigos próximos, parece que se afastou de tudo e de todos que ligaria ela ao marido.
–Recebeu algum seguro de vida? – John perguntou olhando para o filme legendado que começava com uma música e cenas de uma festa, garotas dançando, o narrador, homens segurando armas, policiais, favela, a vida do capitão era o tema do filme? John olhava para a tela, lia as legendas avidamente já que o idioma não adiantava em nada -
Finch o que você sabe sobre esse filme sobre uma unidade da policia do Brasil?
–São treinados para combater o crime de uma maneira direta, anti-mercenários, por quê Mr. Reese? – Finch perguntou tentando esconder sua curiosidade.
–Estou assistindo à um filme brasileiro sobre a vida do capitão desse B.O.P.E. – John murmurou e Finch resolveu deixá-lo assistir ao filme enquanto tentava desvendar o motivo que a máquina havia escolhido Margot Davis.
–Divirta-se Mr. Reese – Finch murmurou e se dedicou à procurar informações enquanto John assistia ao filme brasileiro.
Quando John saiu da sala de cinema como os outros espectadores, a bilheteria estava vazia, aquilo pareceu suspeito, John se dirigiu ao local e começou a procurar evidências que levassem onde a Srª. Davis deveria estar.
–Finch – John procurou contato – estou na bilheteria do cinema e a Srª Davis desapareceu, não encontrei nenhuma evidência de briga, sequestro, nenhuma marca de sangue, você consegue acessar as câmeras de segurança do edifício?
–Um momento Mr. Reese – Finch murmurou enquanto acessava o programa de invasão que lhe daria acesso às câmeras.
–Irei entrar na sala dos funcionários – John encostou na parede e puxou a porta entrando em um corredor que dava acesso ao estoque do cinema e provavelmente onde a Srª Davis fazia suas refeições.
–O prédio não tem muitas câmeras Mr. Reese – Finch avisou enquanto tentava encontrar algum indício suspeito – Acredito que seja mais eficiente fazer uma busca.
–É exatamente isso que estou fazendo neste momento – John murmurou andando pelo corredor e encontrou uma porta trancada, usou sua Glock, deu um golpe seco na maçaneta e com um chute a porta foi arrombada, dentro dela, encontrou Margot amordaçada, vendada, com pés e mãos atados, sentada em uma cadeira virada para a parede. Após retirar a venda, soltou seus braços e pernas e esperou uma reação violenta, mas a mulher o encarava assustada, finalmente retirou a mordaça e lhe deu alguns segundos – Margot o que aconteceu? Quem fez isso com você?
–Eu não vi os rostos, usavam máscaras – Margot disse olhando para John – Você é o homem que estava fugindo do trabalho, não é?
–Sim... – John respondeu com um sorriso por ela lembrar da conversa.
–E esse é seu trabalho? – Margot murmurou sentindo sua voz soar mais aguda que o normal.
–Margot... Eles falaram com você? Falaram entre si? O quê eles queriam? – John murmurou calmamente tentando obter informações, naquele momento ele avaliava os riscos de ser uma operação da "Vigilância", Collier seria louco o suficiente para colocar uma bomba naquele cinema e explodir o prédio? John esperava que a mulher o ajudasse.
–Décima, repetiam essa palavra entre si... – Margot murmurou repentinamente.
–Finch, temos um problema – John murmurou preparando-se para o que aconteceria.
–Mr. Reese, peça a Srª Davis voltar à bilheteria, vou tentar auxiliá-lo, o que a "Vigilância" queria? Tem alguma idéia? – Finch murmurou enquanto prendia Urso na coleira e descia pelo elevador.
–Sem querer ser pessimista mas poderiam planejar explodir o edifício... Margot disse que repetiam a palavra "décima", o que você acha Finch? – John murmurou.
–Bomba... Falarei com Fusco. – Finch murmurou e alcançou o celular para contactar Fusco e pedir sua ajuda enquanto entrava em seu carro.
–Bomba? – Fusco disse exaltado enquanto tentava ouvir o que Finch murmurava – Ei, você está indo para o tal cinema?
–Sim detetive... eu não posso deixar Mr. Reese cuidar disso sozinho, Shaw está fora desse caso e ele tem a Srª. Davis, posso ficar com ela enquanto vocês cuidam da ameaça e talvez consiga mais informações – Finch explicou enquanto o carro ganhava velocidade.
–Margot – John olhava para a mulher e pensava como dizer à ela o que pensava, como não assustá-la, disse fechando o cinema – Você se lembrou de mais alguma coisa?
–Não, eles me vendaram me amordaçaram, eu ouvia os passos, ouvia vozes do lado de fora, ouvia a porta abrir, senti algo roçar em meu rosto, talvez um tecido como seda e senti um perfume, poderia ser uma mulher... – Margot se abraçou sentindo seu corpo arrepiar.
–Mulher? – John franziu as sobrancelhas – Você tem problemas com alguém? Alguma pessoa persegue você? Colegas de trabalho? Vizinhos? Familiares?
–Não... – Margot olhava para John desolada – Não posso trabalhar?
–Vamos esperar um pouco – John esperava que Fusco e Finch chegassem rápido.
–Finch... – John murmurou enquanto Finch se aproximava segurando urso.
–Venha Urso... vamos procurar um brinquedinho... – John saiu correndo com Urso.
– Srª Davis, Meu nome é Harold Finch estou aqui para ajudá-la – Finch murmurou.
–O que está acontecendo? Por quê John fechou o cinema? – Margot perguntou.
–As pessoas que pegaram você... poderiam estar planejando destruir o cinema... – Finch murmurou – Mr. Reese irá assegurar sua segurança e dos espectadores, acho que a senhora ficaria mais tranquila.
–Senhora? – a mulher olhou para Finch com uma expressão irritada.
–Detetive Fusco – Finch acenou e Fusco encontrou Finch e a mulher – John levou Urso para lá, ajude-o por favor.
–Harold... eu não quero nem pensar... – Fusco murmurou e foi andando na direção que Finch apontou.
–O que está acontecendo? – Margot murmurou e encarou Finch – Será que posso saber?
–Você sabe aquele grupo que tem aparecido nos noticiários? "Vigilância", que protestam contra o sistema de segurança anti-terrorista que segundo eles, violam os direitos dos cidadãos? – Finch perguntou à Srª. Davis.
–Eu vi alguma coisa sobre eles nos noticiários – Margot respondeu.
–Estamos supondo que eles a renderam e implantaram uma bomba no cinema... – Finch disse olhando em seus olhos usando um tom firme – Mas é uma hipótese, por isso, Mr. Reese, Fusco e Urso estão procurando por alguma pista. Fechar o cinema foi algo para garantir a sua segurança e dos espectadores, entende isso?
–Finch – John murmurou abrindo uma maleta e constatando que em seu interior havia três blocos de explosivos C4 ligados à um teclado que acionava o timer que estava em contagem regressiva – Existem maletas de explosivos C4 espalhadas pelas salas de exibição, aparentemente seria um atentado, causaria pânico, o timer está marcado para detonar daqui 4 horas.
–O que acontece hoje às oito horas? – Finch perguntou à Margot que o observava.
–Oito? Estréia de um filme de espionagem, muitas reservas foram feitas – Margot respondeu automaticamente.
–Filme de espionagem? – Finch murmurou – Mr. Reese esses explosivos são reais?
–Você deve estar brincando – John balançou a cabeça observando o conteúdo da maleta.
– Srª Davis afirmou que hoje é estreia de um filme de espionagem, poderia ser algum tipo de golpe publicitário? – Finch murmurou e abriu seu laptop procurando informações sobre o filme.
–A coisa parece bem real para mim – Fusco olhou para os explosivos que John observava e murmurou – Peça ao Finch para pesquisar sobre isso.
–Responda ao detetive que já estou fazendo isso Mr. Reese – Finch respondeu automaticamente – A empresa responsável pela distribuição do filme não possui um endereço eletrônico disponível, estou acessando fóruns de cinéfilos para descobrir mais sobre esse filme e a distribuidora.
–Eu não quero apressá-lo Finch – John murmurou e tentou segurar uma risada sem sucesso – Espero que seus amigos tenham boas notícias.
–12 maletas – Fusco murmurou ao lado de John – Se isso for brincadeira... Eu vou pessoalmente prender todos os envolvidos nessa palhaçada.
–Calma Fusco – John murmurou – Vamos deixar Finch fazer o trabalho dele.
–Mr. Reese – Finch respondeu após 20 minutos – tudo que encontrei foi que esse filme entra em cartaz simultaneamente, como é uma produtora e distribuidora desconhecidas existem poucas informações, talvez seja o caso de tentar desarmar uma das maletas e ver o que acontece.
–Vou precisar de um kit – John murmurou para Fusco – Lionel, poderia trazer um para mim?
–Vou ver um jeito de fazer isso... – Fusco saiu andando rapidamente da sala de exibição e tomou o caminho para fora do cinema.
–Finch eu espero que este detonador esteja marcando o horário correto – John murmurou olhando para o Urso que havia deitado ao seu lado.
–Paciência Mr. Reese, o detetive Fusco voltará em breve... – Finch murmurou olhando para Fusco desaparecer rumo à saída.
Cerca de uma hora se passou até Lionel voltar carregando uma grande maleta, andava rumo ao cinema quando dois adolescentes o abordaram.
–Ei gordinho passa a carteira... – um deles apontou um revólver.
–Vocês estão falando sério? – Lionel balançou a cabeça negativamente colocando a pasta no chão e enfiou a mão no bolso puxando a carteira e a entregou para os garotos.
–Olha ele é tira... – um deles jogou a carteira no chão enquanto o outro que apontava a arma arregalava os olhos e dava alguns passos para trás – Não tente bancar o héroi senão vou atirar...
–Vocês deveriam tomar vergonha e irem para casa – Lionel murmurou irritado.
–Casa? – os adolescentes murmuraram e deram de ombros – Queremos tudo que você tenha nos bolsos...
–Tudo bem... – Lionel revirou os olhos e entregou um bolo de papel amassado, algumas cédulas e uma caixinha de pastilhas de menta.
–E essa maleta? – o adolescente com a arma apontou para a maleta que Lionel iria levar para John – O que tem nessa maleta.
–Meu filho, nada que seja útil para vocês... – Lionel murmurou perdendo a paciência.
–Quero essa maleta... – o adolescente apontou para Lionel.
–Está bem... – Lionel se abaixou e aproveitou para sacar a arma escondida na tornozeleira, no exato momento ele ouviu dois disparos e os garotos caíram no chão gemendo.
–O quê você está fazendo Shaw? – Lionel murmurou enquanto Shaw chutava a arma do garoto e pisava em seu joelho baleado.
–Vocês deveriam ter vergonha, não se faz isso com as pessoas – Shaw ajoelhou e bateu a cara do garoto no chão – se eu pegar vocês eu vou atirar para matar seus idiotas.
–O que está acontecendo Lionel? – Shaw perguntou mal-humorada.
–Problemas com a super-usuária? – Lionel perguntou recolhendo seus pertences.
–Onde está John? – Shaw olhou para a maleta e franziu as sobrancelhas.
–É melhor entrarmos logo... – Lionel apontou para o prédio e os dois correram rumo aos companheiros.
– Lionel, Srtª. Shaw... – Finch suspirou aliviado vendo os dois voltando para o cinema.
–Finch... – Shaw deu um sorriso de lábios fechados e balançou a cabeça enquanto acompanhava Lionel pelo corredor que levava as salas de exibição.
–Shaw? – John olhou para Shaw que tirava a jaqueta e se aproximava.
–Bomba? – Shaw olhava para a maleta enquanto John revirava as coisas que Lionel trouxera para ele e agarrava um alicate.
–Circuito fechado, três fios, quatro filas de explosivos – Shaw olhava a maleta enquanto John decidia qual fio cortar.
–Existem parafusos, talvez você devesse desmontar esse teclado, essa tampa parece ser removível – Lionel disse olhando para John inseguro.
–Lionel... – Shaw murmurou – Está com medo de morrer?
–Não é isso... – Lionel respondeu irritado – Só gostaria que houvesse um corpo para meu filho fazer o funeral.
–Vocês deveriam calar a boca – John murmurou deslizando a chave pelo parafuso e retirando a capa protetora do teclado, o telefone de Shaw vibrou e ela atendeu.
–Oi... okay... obrigada... – Shaw murmurou e sorriu encarando John.
–Qual fio devo cortar? – John entendera o telefonema da super-usuária.
–O segundo fio branco que passa por baixo do teclado rumo aos explosivos – Shaw repetiu as instruções.
–Obrigado – John respondeu cortando o fio e o teclado ficou escuro.
–Faltam 11 – Lionel murmurou enquanto Shaw se equipava com um alicate e uma chave de fenda e saía da sala.
Três horas se passaram quando finalmente eles encontraram Finch e Margot na bilheteria do cinema. Margot deixou a emoção falar mais alto e abraçou Finch agradecida enquanto suas lágrimas molhavam o terno cinza que ele usava.
–John, Fusco e Shaw, limparam as salas, levando os artefatos para fora e acenderam as luzes. Finch abasteceu a pipoqueira e distribuiu baldes pelo balcão e os encheu enquanto Margot empurrava a grade e tomava seu lugar na bilheteria.
–Essa pipoca está muito boa... – Shaw falou de boca cheia.
–O segredo é colocar manteiga derretida e depois o sal – Finch murmurou.
–Não sabia que você era especialista em pipoca – Lionel disse pegando pipoca do balde de Shaw.
–Todos nós temos nossos segredos – Finch respondeu com um pequeno sorriso enquanto andavam pela rua rumo ao estacionamento e cada um entrava em seu carro e a máquina os observava, a câmera no sinal oferecia-lhe visão do estacionamento enquanto ela procurava por um novo número.
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