Notas iniciais
Espero que gostem c:

''Christine, Christine... meu anjo''
Eu ainda sonhava constantemente com as suas palavras, com a sua voz doce que tinha o poder de me hipnotizar e de me deixar em êxtase. Sonhava com o meu Anjo da Música, com o amigo que me dera a voz e me ensinara a cantar. O Fantasma, entretanto, ainda assombrava meu pesadelos. Sempre me lembraria das horas sombrias que passei na Morada do Lago, de Piagi, de Buquet, do lustre e dos suplícios de Rauol.
Fito o pomposo vestido branco diante de mim. O casamento será amanhã ao por do sol e eu não deveria estar mais feliz e realizada ao invés de estar sentindo essa angústia? Amanhã irei me casar com meu melhor amigo de infância- e eu amo Rauol, tenho certeza disso — e essa não é uma felicidade desejada por muitas?
Então por que esse aperto no peito?
Vou até a janela e miro o belo jardim da propriedade do De Chamgy. Mudei-me para cá após aquela terrível noite — meu noivo temia que eu permanecesse na ópera — e Madame Giry veio temporariamente para ajudar-me com os preparativos do casório.
Ao ver o céu azul um pensamento me ocorre, e se... Não, Christine. Isso é loucura.
Mas e se....
Quando dou por mim, já coloquei minha capa e estou descendo as escadas as pressas, tenho que ir antes que o bom senso me impeça
-Onde vai, minha querida?- Madame Giry aparece na porta que da do terraço para a sala e me observa com seus olhos severos.
-Vou...visitar o tumulo de meu pai. Além disso estou nervosa e inquieta. Quero cavalgar um pouco e sentir o ar puro.
-Mas Christine, já já anoitece. Não é de bom tom uma moça prestes a casar ficar andando por ai sozinha. Ainda mais uma futura Condessa!
-Eu sei, mas- tomo suas mãos e a olho do modo mais terno que consigo- eu realmente preciso... falar com o papai... por favor...
Madame Giry enfim concede. Dou-lhe um abraço e um beijo carinhoso e parto. A propriedade dos De Chamgy não fica muito longe de Paris, de modo que preciso de apenas 15 minutos cavalgando para chegar à cidade e mais cinco para chegar à ópera, a qual deve estar completamente vazia agora por conta do fim da temporada. Por conta disso, paro na entrada dos fundos e abro-a com uma chavinha que fica escondida na batente da porta e só os mais antigos colaboradores da ópera sabem dela.
Caminho por aquele lugar que um dia foi a minha casa, onde eu encontrei um lar e uma família após a morte de meu pai. Vou até o palco, lembro-me da primeira vez que cantei aqui
Think of me
Think of me foundly, when
we've say goodbye
Aquela noite mudou minha vida para sempre. Nela, nasceu Christine Daaé, cantora em ascensão e grande promessa de Paris. Vou em cada canto da ópera: meu antigo camarim, a sala de ensaios do corpo de baile e, finalmente, o terraço. Já é noite e o céu está sem luar. Derramo uma lágrima tímida pensando naqueles tempos. Sem me dar conta, começo a cantar para a noite
Angel of music
Hide no longer
Come to me strange angel
-Flattering child. O que faz aqui, Christine?
Viro-me de supetão e procuro o dono da voz. Conheço-a muito bem para me enganar, afinal foi ela que cantou para mim durante meses e foi por ela que voltei à ópera esta noite. O Fantasma estava escondido atrás de uma estatua — que ironia — de anjo. Na escuridão da noite, consigo apenas distinguir sua máscara branca e os contornos de seu chapéu e de sua capa.
-E por que me chamava? Acaso já não tem seu noivo e tudo o que mais queria? Para que voltar e me torturar?
Eu estava paralisada sem saber ao certo o que responder.
-Eu não.. vim aqui para isso. — murmurei — Tenho que ir embora, desculpe.
Tive que passar ao lado dele para poder chegar a porta do terraço, nisso ele segurou minha mão, seu toque me pegou de surpresa e eu a puxei de volta rapidamente.
-Desculpe-me — ele olhava para mim, mortificado — não devia ter me atrevido, desculpe.
-Não é isso..
-Não — ele me interrompeu — Fui muito mal com você da última vez em que nos vimos, Christine. Se você puder me desculpar, por favor — então, para meu completo choque, ele caiu de joelhos e começou a chora.
Fiquei aturdida. Meu anjo chorava ajoelhado aos meus pés. abaixei-me e o abracei, dizendo que estava tudo bem. — eu entendia seus atos agora, pois Madame Giry contara-me toda a história daquele menino no show de horrores que nunca recebera um ato de carinho a vida toda — Ele, como da primeira vez, congelou ao meu toque e demorou algum tempo até me abraçar de volta e, quando o fez, foi desajeitadamente, como se tivesse receio de me tocar. Senti seu corpo tremer. Depois de alguns minutos, sussurrei mais uma vez que precisava ir embora.
-Não. Por favor, fique — ele pediu — ao menos deixe esta pobre alma ouvi-la cantar mais uma vez. — pedido este que não tive coragem de recusar — Mas, você se importa se formos à minha Morada? Meu piano soa muito melhor que este piano velho daqui!
Com certeza muitas pessoas achariam uma insensatez sem tamanho voltar àquele lugar, especialmente depois de tudo o que ocorreu. Mas meu anjo me despertava tanta confiança e estava tão calmo e gentil que não hesitei em pegar sua mão estendida e deixar ele me conduzir até sua casa
A Morada do Lago parecia a mesma da última vez. O piano, o trono, o macaco de brinquedo, o quarto dele e o nicho onde uma vez houve uma boneca que era cópia perfeita minha vestida de noiva estavam todos no mesmo lugar. Ele me levou até seu piano e começou a tocar de modo excepcional, seus dedos deslizavam sobre as teclas de marfim produzindo uma melodia deliciosa que eu conhecia muito bem, pois ele me ensinara durante os meses de ensino.
Quando a ultima nota soou, pousei minha testa sobre seu ombro — Obrigada — eu disse.
-Oh Christine, minha Christine, pensei que nunca a ouviria cantar novamente!
Sorri e olhei para ele. Seu rosto estava a centímetros do meu e, então, nunca vou saber como, nos beijamos. Um beijo terno e calmo, o qual, para minha surpresa, não pareceu errado.
- Christine... — ele murmurou e colou sua testa a minha.
-Meu anjo... — murmurei
- Meu nome é Erik — ele revelou enquanto brincava com meus dedos — eu adorei esse nome, na verdade.
- Eu gosto — sorri.
Ele me beijou outra vez e outra e mais outra. Nossos corpos estavam colados e ele passava a ponta dos dedos em meus braços, fazendo um caminho de fogo. Erik foi me puxando lentamente para seu quarto, sempre me olhando nos olhos. Eu sabia o que iria acontecer e desejava que acontecesse. Porém Erik parecia com medo, pois parou em meio aos beijos e me olhou apreensivo.
-Não posso fazer isso, Christine, você é tão pura, não posso...
- shhhhh — eu fiz — não pense em nada além de nós dois. Mas antes, se você me permitir...
Tirei sua máscara e seus cabelo falsos com leveza. Ele ficou de olhos fechados e comecei a beijar cada centímetro do lado direito de sua face. Suas mãos apertaram minha cintura e eu senti uma gora salada em meus lábios.
— Você é a primeira pessoa que não sente repulsa ao tocar em mim. Que aceita meus carinhos, que aceita meu amor — E me beijou mais ardentemente ainda.
Tirei seu casaco e senti seus braços , eram agradavelmente fortes. Suas mãos desceram até a parte de cima de meu vestido, que foi tirada as pressas, deixando meu corpete a mostra. Logo, o resto de meu vestido foi pelo mesmo caminho, bem como o seu paletó. Quando eu estava só com a roupa de baixo, ele começou a beijar todo meu corpo, fazendo-me ficar arrepiada — coisa que ele percebeu e o fez sorrir de um jeito satisfeito. Tiramos os restos de nossas roupas e ele ficou em cima de mim, abriu minhas pernas e... ah isso é tão bom. Doe, é claro. Eu havia sido avisada. Mas foi uma dor prazerosa, que me fez rolar os olhos e morder os lábios. Ele ia cada vez mais forte, suas mãos e sua boca brincavam com meus seios e eu agarrava seus poucos cabelos e passava minhas mãos e unhas em suas costas. Chegamos ao ápice juntos, os dois corpos tremendo levemente de prazer. Ele olhou para mim, sorriu, me deu um selinho e se aconchegou nos meus braços. Fiquei dando beijinhos em sua cabeça.
-Pensei em ir embora — ele disse de repente — para os Estados Unidos, talvez. Pensei várias vezes em ir ver você cantando , mas nunca tive coragem, achava que não merecia e, para mim, se eu não pudesse a ouvir cantar outra vez, do que me valia ficar aqui e ser lembrado de Christine diariamente?
- Eu estou aqui agora, não precisa se preocupar com nada — Disse-lhe
-Medo pode se tornar amor, anjo, eu lhe disse. — e adormeceu antes que eu pudesse lhe dizer que o amava.
-Amanhã, meu amor — sussurrei para ele e fui dormir mais feliz do que já tinha estado em toda a minha vida.

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Acordei assustada. Quantas horas havia dormido? E onde estava Erik?
-Anjo? Erik? — Chamei pela Morada. Não obtive resposta.
Comecei a me desesperar e a gritar o nome dele. Voltei ao quarto e verifiquei que suas roupas bem como sua máscara haviam desaparecido.
-Ele foi embora — murmurei — não posso acreditar.
Sentei-me no chão e solucei forte. Por fim, percebi que não podia mais estar ali. Tinha que voltar para casa e tentar me explicar. Certamente estariam todos a minha procura e teria que ter uma boa história para encarar Madame Giry. Sai da ópera e fiquei feliz de ver que ainda não havia amanhecido, porém já se viam os primeiros raios de sol no horizonte. Cavalguei o mais rápido que pude e, quando cheguei, contei uma história qualquer de nervosismo e ansiedade que, para a minha surpresa, ela aceitou. Pedi aos criados que preparassem um banho e, em seguida, deixassem-me sozinha. Chorei minha alma na banheira. Ele foi embora. Acordei decidida a jurar meu amor e ele tinha ido embora.
No fundo eu sabia o por que de sua partida, mas não queria aceitar. Por fim, Madame Giry bateu na porta chamando-me para me arrumar para o casório e, assim, horas depois, tornei-me a Duquesa De Chamgy.

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Os enjôos começaram um mês depois. Foi confirmado que eu estava grávida e Rauol me girou no ar. Eu chorei- de felicidade pois um dos meus sonhos era ser mãe — e de culpa, já que eu sabia e sentia a verdade. Gustave nasceu 8 meses depois. Trouxe ainda mais alegria à nossa casa e eu acabei me proibindo de pensar em tudo o que havia acontecido. Mas, as vezes, quando olhava nos olhos de meu filho, reconhecia o mesmo olhar penetrante do Anjo da Música.

Notas finais
E ai, curtiram? Deixem-me saber nos comentarios c:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!