One-Shot
6 One-Shot - Sasuke e Sakura
Notas iniciais
Ela estava firmemente resolvida a tudo fazer para afastar Sasuke; e se hesitava, era por uma compaixão afetuosa, pois ela sabia o quão penosa lhe seria a partida. Mas naqueles dias, ela sentia-se cada vez mais pressionada a tomar uma atiitude. Seu marido jamais tocava no assunto, assim como ela também sempre guardava silêncio a respeito, motivo pelo qual, mais do que nunca, ela desejava provocar-lhe, através de atos, que seus sentimentos eram dignos dos dele.
Era domingo antes do Natal, ele foi visitar Sakura à noite e encontrou-a sozinha. Ela estava ocupada em arrumar alguns brinquedos com que pretendia presentear os irmãos no Natal.
Sakura: O senhor também terá o seu Natal, se for bem-comportado.
Sasuke: E o que significa ser ‘bem-comportado’? Como poderei sê-lo, o que devo fazer? Minha cara, Sakura!
Sakura: Quinta à noite é véspera de Natal, as crianças virão, o meu pai também, e cada um receberá o seu presente. Ai o senhor virá também, mas não antes. Peço-lhe, é necessário que assim seja, peço-lhe pelo meu sossego... as coisas não podem continuar assim como estão, não podem.
Sasuke: Não podem continuar como estão? – disse tristonho
Sakura, sentindo o terrível estado em que essas palavras o tinham precipitado, procurou distraí-lo com diversas perguntas, mas em vão.
Sasuke: Não Sakura, não a verei mais!
Sakura: Mas por quê? Sasuke, o senhor pode, o senhor deve tornar a ver-nos, apenas precisa moderar-se. Oh! Por que o senhor teve de nascer com essa impetuosidade, com essa paixão irrefreável por tudo que desperta sua atenção! Peço-lhe – pega na mão dele –, contenha-se ! O seu espírito, seus conhecimentos, seus talentos, não mlhe oferecem as mais diversas satisfações? Seja um homem e ponha de lado essa triste afeição por uma criatura que nada pode fazer senão comparecer-se do senhor.
Sasuke rangeu os dentes e a olhou sombriamente.
Sakura: Reflita por um momento apenas, Sasuke! O senhor não sente que está enganando a si mesmo? Que está se destruindo deliberadamente? Por que eu, Sasuke? Justamente eu, que pertenço a outro? Por que isso? Temo, temo que seja apenas a impossibilidade de me possuir que torne esse desejo tão ardente.
Sasuke: Palavras sábias! Muito Sábias! Será que não foi Naruto quem fez essa observação? Diplomática! Muito siplomática. – ironizou.
Sakura: Qualquer um pode faze-la. E não existirá no mundo inteiro alguma jovem que possa satisfazer anseios do seu coração? Empenhe-se, procure-a, e eu lhe asseguro que a encontrará. Porque há muito tempo me preocupa, pelo snenhor e por nós, o isolamento a que se condenou nos últimos tempos. Uma viajem poderá, deverá distraí-lo. Procure, encontre alguém digno do seu amor, depois retorne, e deixe-nos usufruir juntos da felicidade proporcionada por uma verdadeira amizade.
Sasuke: Isto poderia ser impresso e recomendado a todos os professores. Querida Sakura, dê-me apenas mais algunas dias de sossego, tudo há de se arranjar!
Sakura: Peço-lhe apenas uma coisa, Saskue: não venha antes da véspera de Natal!
Sakura encontrava-se num estranho estado. Após a última conversa com Sasuke, ela havia sentido quão penoso lhe seria separar-se dele, e o quanto ele haveria de sofrer se fosse obrigado a afastar-se dela.
Ela estava sozinha, nenhum dos irmãos brincava ao seu redor, e seus pensamentos devaneavam silenciosos em torno de sua situação. Via-se unida para sempre a Naruto, um homem cujo amor e fidelidade conhecia, que amava de todo coração e que, tão sereno e digno de confiança, parecia predestinado pelo céu a ser esteio de uma mulher honrada, permitindo-lhe que sobre ele contruísse a felicidade de sua vida. Sentia o que sempre representaria para ela e as crianças, Por outro lado, Sasuke se lhe tornara uma presença tão cara, desde o primeiro momento em que se tinham conhecido a afinidade de seus espiritos se havia manifestado de modo tão agradável, o longo do tempo em que desfrutara de sua companhia, diversas situações que tinham vivido juntos, tudo isso deixara uma imprssao indelével em seu coração. Estava habituada a partilhar com ele tudo o que sentia e pensava, e a separação ameaçava causar um vazio em todo o seu ser, que não poderia ser preenchido novamente. Oh, que felicidade seria poder transforma-lo num irmão! Se ela tivesse podido casá-lo com uma de suas amigas, haviria até mesmo a esperança de restabelecer a harmonia de seu relacionamento com Naruto!
Mentalmente ela tinha passado em revista todas as suas amigas, uma por uma, mas em todas encontrara defeitos, a nenhuma ela o teria cedido de boa vontade.
Foi somente a partir dessas reflexões que ela sentiu profundidade, embora sem conscientizar-se por inteiro disso, que seu desejo secreto era conserva-lo para si própria. Ao mesmo tempo, sabia que não podia e não devia conserva-loo. Seu coração estava oprimido, e uma nuvem sombria turvava o seu olhar.
Eram seis e meia quando ouviu Sasuke subindo a escada.
Sakura: O senhor não cumpriu com a palavra!
Sasuke: Eu nada prometi.
Sakura: Então, ao menos, o senhor devia ter atendido ao meu pedido. Eu havia lh pedido isso pela nossa tranquilidade, sua e minha.
Ela mal sabia o que dizia ou fazia, ao mandar chamar duas amigas, para não ficar a sós com Sasuke.
Ele colocou alguns livros que havia trazido sobre a mesa, pediu outros, e Sakura ora desejava que suas amigas chegassem logo, ora que não queria que viessem nunca. A criada voltou, dizendo que ambas as amigas mandavam pedir desculpas e não poderiam vir vê-la.
Sakura: O senhor não tem nada para ler? – ele apenas gesticulou um não com a cabeça – Ali, na gaveta encontra-se a sua tradução de alguns cantos de Ossian. Não os li ainda, pois sempre esperava que o senhor os lesse para mim, mas nunca houve oportunidade.
Ele sorriu, foi buscar os cantos, um arrepio percorreu-o ao toma-los nas mãos e seus olhos estavam cheios de lagrimas, quando os foleou. Sentou-se novamente e começo a ler.
Uma torrente de lágrimas que brotou nos olhos de Sakura, aliviando o seu coração oprimido interrompeu a leitura de Sasuke. Ele atirou-se aos pés de Sakura, tomou-lhe as mãos e comprimiu-as contra seus olhos e testa. Naquele momento, um pressentimento de seu designo pareceu percorrer a alma de Sakura. Seus sentidos se confudirão, ela apertou-lhe as mãos, premiu-as contra o peito, inclinou-se para ele com uma emoção melancólica e suas faces ardentes se encontraram. O mundo inteiro apagou-se ao seu redor. Ele a envolveu com os braçoes, apertou-a contra o peito e cobriu com beijos impetuosos os seus labios trêmulos e balbuciantes.
Sakura: É a ultima vez, Sasuke! Nunca mais há de ver-me,
Lançando um olhar cheio de amor sobre o infeliz, ela correu para o aposento contiguo e trancou a porta.
Sasuke: Sakura! Sakura! Só mais uma palavra! Um adeus!
Ela não respondeu. Ele esperava, suplicada, esperava. Finalmente, afastou-se com grande esforço exclamando:
Sasuke: Adeus, Sakura! Adeus para sempre!
Por volta das onze horas, Sasuke perguntou ao criado se Naruto já tinha retornado. Respondendo afirmatovamente, o criado desse-lhe que virá alguém conduzindo o seu cavalo. Sasuke, então, entregou-lhe um bilhete aberto, contendo as seguintes palavras:
“O senhor poderia emprestar-me as suas pistolas para uma viajem que enciono fazer? Adeus e felicidades.”
O aparecimento do criado de Sasuke, causou-lhe o maios embaraço. Ele entrefou o bilhete a Naruto, que, despreocupadamente, se voltou para a esposa, dizendo-lhe:
Naruto: Entrega-lhe as pistolas. Diga-lhe que desejo boa viagem.
Essas palavras atingiram Sakura como um raio. Ela levantou-se cambaleante, sem saber ao certo o que acontecia ao seu redor. Lentamente caminhou até a parede, em seguida, tremula, retirou as pistolas, limpou a poeira, e lá quedou hesitante. Assim teria permanecido por muito tempo se um olhar inquiridos de Naruto não a forçasse a mover-se.
“Elas passaram por tuas mãos, tu as limpaste, eu as beijo mil vezes, pois as tocaste! E tu, espírito do céu, favoreces o meu designiio, tu, Sakura, passas oa instrumentos às minhas mãos, tu, de cujas mãos desejava receber a morte, e de quem a recebo agora!”
Sasuke: Elas estão carregadas – é meia noite! Assim seja então! – Sakura, Sakura! Adeus! Adeus!
Um vizinho viu o clarão da póvora e ouviu o tiro, mas como tudo voltasse a ficar em silêncio, não deu maior atenção ao fato. Às seis horas da manha seguinte, o criado entra no quarto com a lamparina. Encontra o amo estendido no chão, a pistola e o sangue. Chama-o, sacode-o, e não recebe nenhuma resposta. Sasuke agoniza. Ele corre em busca do médico, procura Naruto. Sakura ouve o soar da campainha, um temor apodera-se de todos os seus membros. Ela acorda o marido, ambos saltam da cama, o criado, soluçando e gaguejando, dá-lhe a notícia, Sakura desmaia aos pés de Naruto.
O velho bailio, assim que soube da noticia, veio rapidamente e beijou o moribundo, vertendo as mais ardentes çágrimas. Seus filhos mais velhos, chegaram logo em seguida e, caindo junto ao leito com a mais intensa expressão de dor, beijaram as mãos e a boca do falecido. O maior deles, a quem Sasuke sempre dedicara carinho especial, uniu seus lábios aos dele, até o último suspiro, quando foi preciso arranca-lo dali à força. Sasuke morreu ao meio-dia. A presença do balio e as providencias por ele tomadas evitaram um tumulto. À noite, por volta das onze horas, ordenoi que sepultassem o infeliz no local que ele próprio havia escolhido. O ancião e seus filhos acompanharam o séquito, Naruto não teve forças para faze-lo. Temia pela vida de Sakura. Trabalhadores transportaram o corpo. Senhum sacerdote esteve presente.
Àpos a sua morte, fora encontrava uma carta lacrada e sobre a escrivaninha de Sakura.
“Está decidido Sakura, desejo morrer e escrevo-te isto serenamente, sem exaltação sentimental, na manha do dia em que te verei pela ultima vez. Quando leres esta carta, minha cara, a terra fria já estará cobrindo os restos rigidos deste infeliz, deste homem desassossegado, que nos ultimos momentos de vida não conhece doçura maior do que falar contigo. Tive uma noite terrivel. Ela fortaleceu minha decisão. Quero morrer! Ontem, ao afastar-me a custos de junto de ti, com os sentidos em medonho tumulto, o coração sufocado por todos os tormentos que tenho sofrido, sentindo um frio pavoroso invadir-me em face da existencia sobria e sem esperança ao teu lado – mal pude chegar ao meu quarto. Fora de mim, cai de joelhos, e vós, ó Deus, me concedestes o último consolo das lagrimas mais amargas! Mil planos, mil perspectivas turbulhonaram na minha alma e, por fim, lá estava ele, firme, inabalavél, o último pensamento: quero morrer! Deitei-me, e agora, de manha, na tranquilidade do despertar, ele ainda continua firme e forte no meu coração: quero morrer! Não é o desespero, é a certeza de que atingi o limite do sofrimento e de que me sacrifiquei por tí. Sim Sakua, por que hei de ocultar-te o que penso? Um de nós três precisa desaparecer, e sou eu quem deve deixar de existir. Oh, minah querida, neste coraçãodilacerado muitas vezes insinuou-se com violencia o pensamento de – matar teu marido! – a ti! – a mim mesmo! Que seja então! Quando nume bela noite de verão, subires a colina, lembra-te de mim, de como tantas vezes me viste surgindo do fundo do vale, indo ao steu encontro. Depois volve os olhos para o cemitério, na direção do meu túmulo, sobre o qual a aragem estará agitando a grama alta, à luz do sol poente. Eu estava calmo, quando comecei a escrever, agora, choro como uma criança, ao antever tudo em imagens tão nitidas.
Não estás a minha espera! Será hoje, ou nunca mais. Na véspera de Natal, tuas mãos estarão segurando, tremulas esta folha de papel, e tuas lagrimas queridas a molharão. Eu quero, preciso! Ah, como me sinto bem tomando minha decisão.”
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