One Shot

1 Capitulo único


Notas iniciais
Boa leitura

Eu não me lembro desse dia, eu era muito pequeno então vou contar a história como meu pai me contou.

Dia 17 de outubro de 1998

Diana estava doente, ela tinha leucemia, havia passado por diversos tratamentos e estava melhor e logo foi liberada para ir pra casa, mas tinha de ficar de repouso.

Diana é minha mãe. Eu havia nascido á 9 meses, minha mãe perdeu muito sangue durante o parto e ficou hospitalizada por 1 mês e meio, eu era um bebê prematuro então o parto foi muito mais arriscado. Minha mãe só tinha 15 anos, era doente, havia sido expulsa de casa porque estava grávida, teve de largar a escola, ela começou a dar aulas de piano porque era uma das poucas coisas que ela sabia fazer e gostava. Seu tratamento era caro mas meu pai deu um jeito de paga-lo. Na verdade eles á haviam mandado para casa para morrer. Minha mãe não estava melhor, mas também não estava em seu leito de morte, ela não morreria se estivesse no hospital. O médico era um filho da puta, deu alta pra ela só para que pudesse tirar férias. No dia 18 de outubro minha mãe morreu. Meu pai tinha uma amante, Laura, dois dias depois da morte de minha mãe ele se juntou á Laura e se mudou pro Rio de Janeiro. Meu pai era amante de Laura. Eu morava com a minha avó paterna, mas ela faleceu e fui morar com meu pai. Isso tudo aconteceu antes mesmo de eu ter 1 ano de idade. Eu morava com meu pai e consequentemente Laura era intitulada minha madrasta ou algo do tipo, ela até que gostava de mim mas não era o tipo de carinho que uma criança deveria receber. As coisas foram ficando complicadas, um adolescente cuidando de uma criança na cidade grande, ainda por cima sem a mãe. Laura largou o namorado e veio morar conosco, eram brigas atras de brigas, nessa época eu já tinha 2 anos e Laura já agia como mãe, ou era para agir. Laura dava aulas de dança e meu pai fazia faculdade de história natural e fazia estágio em uma escola. Um tempo depois das brigas entre eles terem acabado meu avô faleceu, ele cometeu suicídio. Ele era um velho amargo que só vivia para infernizar o meu pai, mas no fundo amava a minha avó e quando ela morreu ele entrou em depressão. Não aguentou viver sozinho e bem, foi a melhor escolha dele. Meu pai teve de voltar para Resende parar arrumar as coisas do velório, eu fiquei com Laura e nesse tempo ela voltou com o ex-namorado. Quando meu pai voltou laura brigou com ele para que ficasse comigo. Cresci com ela, com algumas visitas de meu pai. Eu tinha uma familia que me amava- em parte- Laura cuidava muito bem de mim, Carlos seu namorado não gostava de mim porque eu não sou filho dele, minha avó me amava e sempre me dava doces. Eu fui crescendo e como toda criança fui fazendo perguntas; — Porque eu sou diferente de vocês? — Porque eu tenho dois pais? — Porque meu outro pai não mora comigo. E eles prometeram me explica tudo quando pudesse. Quando eu tinha 8 anos eles me explicaram, contaram sobre a minha mãe, minha avo, meu avô, as brigas, os amantes. Era muita informação pra uma criança só. Eu me isolei. Um mês depois de terem me contado Laura ficou grávida, só aí ela foi agir como uma mãe de verdade pra mim, mas já era tarde de mais. Um dia ela passou mal e Carlos á levou pro hospital e eu fiquei com uma prima minha, ela tinha 17 anos e as vezes cuidava de mim, ela tinha problemas, ela bebia, usava drogas, nesse dia ela estava muito drogada, se trancou no banheiro e ficou lá por horas, eu estava assistindo desenho e fiquei com fome, fui procurar ela e ela não me respondia, peguei um biscoito e voltei a ver desenho, esse é um dia que eu nunca vou me esquecer., já era noite umas oito horas, por aí, meus pais havia chegado e me perguntaram aonde estava Luana, eu disse que não sabia e eles me encararam e começaram a procura-la, encontraram ela morta no banheiro, ela havia cometido suicidio, misturou varias drogas com bebida e cortou os pulsos. Eu sei vocês devem estar pensando porque eles iriam deixar uma criança de 8 anos com uma drogada, é simples. eles não sabiam que ela era usuária. Eles me tiraram de casa e foram para a delegacia, lá estava o meu pai e os pais de Luana, eu estava assutado e chorava muito só me acalmei quando meu pai me pegou no colo e me tirou de lá, eu comecei a passar mal e meu pai me levou pro hospital enquanto esperava minha vez de ser atendido uma maca passou as pressas pelo saguão, era uma garota ela tinha a minha idade, perguntei pro meu pai porque ela estava lá e ele nem teve tempo de responder quando a mãe da menina entrou correndo e gritando — Salvem a minha filha, ela só tem oito anos. Por favor. — e a garota sumiu entrando para uma sala. Irônico é que, aquela garota era minha vizinha e fui descobrir isso um tempo depois. Os meses se passaram, fiz aniversário e Laura chamou todas as crianças da rua, inclusive a garota do hospital, ela virou minha amiga e consequentemente o melhor amigo dela, Evandro, virou meu amigo também, eramos inseparaveis, faziamos tudo juntos, levavamos a culpa juntos, apanhavamos juntos, coisa de criança sabe? Dois anos se passaram e já eramos pré-adolescentes, Evandro arrumou uma namorada, Renata deu o primeiro beijo e eu fiquei pra trás até que me colocaram em uma brincadeira e eu dei meu primeiro beijo também. Com 11 anos tive minha primeira paixão, Gabrielle, eu a achava perfeita, ficamos, namoramos por dois anos, nada de anormal aconteceu nesse meio tempo, até que eu descobri que ela me traia, como todo apaixonado fiquei mal, chorei, pensei em morrer e foi isso que eu fiz, era como se ela tivesse acendido uma chama dentro de mim que me fez explodir e colocar pra fora toda a dor que eu já havia sentido, não ser tratado com carinho pela pessoa que eu chamo de mãe, ser o desgosto do marido dela, meu pai aparecer duas vezes ao ano e a casa virar de cabeça pra baixo por causa disso, eu aguentei tudo calado, sempre tentei amenizar as coisas, era bom aluno para que minha mãe não reclamasse, mantinha a casa arrumada, praticava esportes tudo para ser o filho perfeito dela e acabar com as brigas, mas não adiantou, se eu fizesse uma coisa errada como deixar toalha molhada em cima da cama eu apanhava, era sempre assim e quando meu pai vinha me visitar era duas vezes pior, ela brigava com Carlos por causa dele e descontava a raiva em mim, eu aprendi que nessa época do ano eu não deveria falar nada que não fosse necessário, Gabrielle fez com que eu percebesse quanta dor eu tinha dentro de mim e eu comecei uma "onda" de suicidio. Me jogava na frente de carros quando andava de skate, atravessava a rua sem olhar, me afogava, usei drogas e bebi, só parei quando eu morri de verdade, eu estava andando de skate e bati na mureta do viaduto cai lá em baixo, quebrei 12 ossos, abri a cabeça e perdi muito sangue, pros paramédicos eu havia morrido, na ultima tentativa eu voltei a respirar, fiquei em coma por quase 3 meses, meu pai foi meu doador de sangue. Depois disso fui morar com ele em Resende,de novo, ele já havia terminado a faculdade e estava trabalhando como professor, moravamos na casa do meu avô- aquele que se suicidou- comecei a ir no piscicologo, voltei a praticar esportes, me tornei uma pessoa normal, assim que fui avaliado pelo piscicologo como "bom para convivio social" eu voltei para o Rio de janeiro, mas tinha consultas todo mês, comecei a praticar esportes, fiz aula de violão, minha vida estava normal. Eu estava normal. Meus pais, Laura e Carlos voltaram a brigar por minha culpa, meu irmão já havia crescido ele tem 7 anos e eu 15, Laura me mandou de volta para morar com o meu Pai e eu reencontrei uma amiga minha de infância Bianca, sempre brincavamos juntos, ela foi a minha primeira namoradinha, sabe aquela coisa de criança de dar as mãos e beijo na bochecha? então. Ela é mais velha que eu e ainda gostava de mim. Uma noite meu pai havia ido dormir na casa da namorada, Mia, e Bia dormiu aqui em casa, eu já não era virgem, mas ela era, ela disse que me amava e que seria muito especial se a primeira vez dela fosse com o seu primeiro amor, e assim foi. Tudo como ela imaginava, a musica, o lugar, a pessoa. Não posso negar que foi um momento especial na minha vida também, saber que alguém me ama, e ter essa pessoa pra mim. Nossa amizade continuou, rolaram outras vezes mas nunca falamos em namoro, as férias chegaram e Evandro veio para cá passar as férias comigo, um defeito dele é que ele é filho da puta, ele ilude as garotas, namora com elas, transa com elas e trai elas, sempre é assim, ele acabou ficando com a bia, e o ciclo aconteceu, mas dessa vez teve uma mudança, Bia está gravida e não sabemos de quem é o filho, Evandro não assumiria, eu vou assumir. Eu sei que vivi pouco mas passei por muita coisa e ser pai aos 15 anos é a melhor coisa que já me aconteceu. Só quero dizer uma coisa pra você que leu esse texto.

Tome cuidado com as pessoas, por mais próximas que sejam elas podem estar mentindo, sua vida nunca vai ser tão ruim como você imagina, por favor não cometa os mesmos erros que eu, ou meu pai, ou a Laura. Não cometa suicidio isso não resolve nada. Não se afaste isso não resolve nada. Apenas viva a sua vida como você quer e realize os seus sonhos, porque por mais que o seu passado seja ruim, a sua vida ainda pode ser boa, assim como a minha está sendo.

Passei por muitas coisas fora essas da oneshot, sofri bullying e fui acusado de se gay, tive meu coração partido mais de uma vez mas isso são detalhes

Notas finais
Sei que é confusa mas é a minha vida, quero que saibam que de certa forma só a escrevi porque precisava mostrar vocês que o seu passado não faz o seu futuro, eu passei por coisas que não desejo pra ninguém e agora to no melhor momento da minha vida. Era o meu sonho ser pai e agora eu vou ser. Sinto que a minha vida esta começando agora então quis colocar tudo isso pra fora, alguém precisava saber disso e mesmo que niguém leia, já esta sendo um grande alívio.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.