One Night Stand
6 Tão irritante quanto famoso
Notas iniciais
— Madden, Madden! — Um homem gritava, quando Kimberly e Thomas saíram do restaurante, satisfeitos. Kimberly, ainda inexperiente no quesito “fama”, virou-se para ver quem chamava, só para dar de cara com um milhão de flashes.
— Só ignora — Tom disse, baixinho, no ouvido da “namorada”. E os fotógrafos capturaram o momento, sem culpa.
Kimberly estava assustada no meio de tantos paparazzis, mas sabia que tinha de levantar o queixo e agir confiante. Ela teria que se acostumar com isso nos próximos... O quê? Dias, meses? Anos? A garota não pôde se sentir segura ao lembrar que não tinha entrado em detalhes de quanto tempo levaria essa farsa toda. Ela teria que largar suas amigas, sua família? E trancar a faculdade? Ela respirou fundo, e tentou dispersar esses pensamentos ao sentir um braço de Thomas envolver seu ombro.
— Ei — ele falou, sorrindo propositalmente, para que as fotos tiradas saíssem o mais alegres e românticas possíveis — aparências — Madden lembrou. E Kim, sem outra opção, sorriu de volta.
Quem visse essas fotos poderia até confundi-los com um casal de longa data, ou até com dois jovens extremamente apaixonados, rumo ao “felizes para sempre”. Mas os dois sabiam que eram o oposto disso tudo, que não eram esse Brangelina todo que as pessoas poderiam pensar.
Tiveram que segurar a respiração e a risada na cara, até chegarem a limusine novamente. Os dois se jogaram nos bancos traseiros, exaustos.
— Nunca mais faça isso de novo — Kim reclamou, ajeitando sua jaqueta nova.
— O quê? — Tom perguntou, sem entender.
— Fazer pose romântica, isso é tão estranho...
Thomas riu um pouco, e se aproximou de Kimberly no banco, passando um braço novamente por ela.
— Temos que agir feito namorados, né? — ele disse, num tom sacana e com um meio sorriso.
— Acontece — Kimmie revirou os olhos com o gesto dele, e logo se arrastou até a janela esquerda, para ficar o mais longe dele possível — que namorados não andam sorrindo um pro outro o tempo todo. A gente nem olhava para o chão! Eu poderia pisar num buraco e torcer o pé.
— Não é uma má ideia — ele respondeu, com uma mão no queixo e olhando para cima — aí eu podia ficar com você no hospital e todo mundo ia ver o quão romântico eu realmente sou.
A morena o encarou séria. Como ela iria aguentar tanto tempo ao lado desse cara?
— Você quis dizer o quão romântico você falsamente é — ela disse, enfatizando o “falsamente” com as sobrancelhas arqueadas — não é, amor?
Madden riu, ele tinha percebido que Kim era muito fácil de se irritar. E desde então, não tinha outra forma se se entreter.
— E aí? — ele mudou de assunto — para onde vamos? Quer ir ao seu hotel, pegar suas coisas?
Kimberly olhou para ele indignada pela milésima vez naquele dia. Ela mal tinha passado uma manhã com ele e já odiava cada palavra que saia de sua boca.
— Como assim pegar minhas coisas? — perguntou, com uma risada nervosa — Você está sonhando se acha que vou dormir na sua casa!
A garota realmente achava que ele tinha dito só de brincadeira. Pelo menos, até ver a cara confusa que ele fez depois de ouvir seu protesto.
— É obvio que você vai dormir na minha casa — Tom disse, levantando uma sobrancelha só — ninguém vai acreditar nesse relacionamento se...
— A gente não precisa provar nada a eles! Se você confirma que sou sua namorada, eles acreditam, e ponto final.
— Não é bem assim! — ele rebateu, se perguntando o quê ela não tinha entendido nisso tudo — Kim, eles podem até acreditar que temos alguma coisa, mas vão se perguntar o porquê disso, o porquê daquilo... E o nosso objetivo é cansa-los para que não falem mais sobre isso nas manchetes, lembra?
— Mas... — Kimberly tentou. Mas ela só respirou fundo, reconhecendo onde ele queria chegar.
— Se te faz sentir melhor, você pode dormir no quarto de hóspedes — ele deu de ombros, dando uma sugestão. Ao ver a reação dela com isso tudo, Tom não mencionaria que o seu plano original era ter ela na sua cama novamente.
A garota concordou com a cabeça, meio desanimada.
— Então... hotel? — ele sugeriu novamente, com cautela, percebendo que a paciência do motorista já ia se esgotando por estarem ali parados há tanto tempo.
Kimmie já ia concordar novamente, não estava muito em clima de conversa e discussão. Mas ao invés disso, levou as mãos a testa e arregalou os olhos preocupada.
— Droga! — ela reclamou consigo mesma — Esqueci completamente... A prova final das peças é agora! Esqueça o hotel, você tem que me levar no estúdio de Zac Posen, rápido!
Ela puxou um cartão com o endereço do seu bolso e se esgueirou pelo enorme carro para entrega-lo ao motorista, que ficou satisfeito ao ter algum destino para seguir.
— Para a prova final, então — Thomas constatou, logo depois de Kim sentar-se no banco traseiro novamente.
* * * * * *
— Me deixa na esquina! — Kimberly pediu ao motorista, mas não pôde ver sua reação através do vidro escuro que os separava. Mas ela apostaria que ele ficou bem confuso ao notar que ela não queria ser vista saindo da limusine de Thomas Madden, afinal, quem não iria querer?
— Não quer que ninguém te veja comigo? Isso é interessante — Tom riu, olhando para ela, que roía as unhas de preocupação pela bronca que iria receber de sua assistente ao chegar atrasada.
Kim não tinha cabeça para responder as brincadeiras de seu novo “namorado”, mas ainda assim teve que encara-lo de volta.
— Você bem que está precisando de uma boa dose de vida normal, e menos de arrogância, né?
— Ai, tudo bem, essa doeu — ele respondeu, fingindo estar magoado, mas ainda rindo sarcástico para a garota.
— Aqui está bom! — Kimmie ignorou Thomas e se dirigiu ao motorista, que freou imediatamente na esquina do estúdio.
Ela ajeitou seu cabelo apenas o jogando para trás dos ombros e dobrou a gola da jaqueta corretamente, antes de respirar fundo e tomar coragem para encarar suas amigas.
— Até depois — Thomas disse, fazendo Kimberly se perguntar como tudo isso aconteceu. Ontem ela era só mais uma garota comum, hoje ela está saindo da limusine de Madden, seu namorado. Era muita coisa para um dia só.
A morena não respondeu, só o ignorou novamente, saindo do carro. E isso surpreendentemente fez Thomas se sentir esquisito. Ele não sabia o que era, talvez alguma coisa entre mágoa e frustração, e isso o fez continuar ali parado, só observando Kim sumir na virada da calçada. Mas o que ele sentia, na verdade, o ator nunca tinha experimentado antes. Era a rejeição. E mesmo que ele nunca fosse admitir isso em voz alta, Tom Madden tinha sido rejeitado várias vezes numa só manhã.
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