One Night Stand
10 Culpas e desculpas
Notas iniciais
Ao chegarem no “palácio Madden”, Trent já pediu para alguém preparar o quarto de hóspedes para Kimberly. A garota não estava exatamente muito confortável com a situação. Ela tentava se convencer que dormir ali seria o mesmo que um hotel, nem iria lembrar que estava na casa do ator mais famoso do momento. Mas nem com isso ela conseguia se enganar: sabia onde estava, e isso só mexia ainda mais com seus pensamentos caóticos. Kim não parava de pensar nas consequências desse plano aparentemente perfeito. Pensava em todos os seus conhecidos que a viriam com outros olhos, os inimigos que criaria... e além disso, era difícil aguentar essa farsa sem nem ter ideia até onde iria se prolongar.
Respirou fundo, sentando-se no enorme sofá branco, e já largando suas bagagens no chão. Ela sabia que era forte, mas estava fraquejando essa confiança toda, o dia mal tinha acabado e ela já não aguentava mais.
Tom encarava o rosto de Kimmie, que estava com os pensamentos nas nuvens. Ele devia estar feliz por não ter arranjado uma namorada histérica e louca — como a maioria de suas fãs —, mas ao invés disso, sentia-se culpado por ter arrastado ela para o seu inferno pessoal. Ele tentava juntar as palavras certas em sua cabeça, enquanto criava coragem para falar com Kimberly.
— Hum... tudo bem? — ele perguntou. E logo se arrependeu ao ver o rosto surpreso dela ao ser acordada dos devaneios, talvez Tom tivesse que deixa-la fugir da realidade um pouco mais.
— Tudo, eu só estava pensando... — e deu de ombros, forçando uma expressão indiferente. Mas Thomas sabia que ela só queria ir para seu quarto e ficar sozinha, não estava num clima de conversa.
O problema era que o ator não desistia assim tão fácil.
— Você não devia se preocupar tanto — ele sugeriu, se sentando ao seu lado, numa tentativa de deixa-la mais confortável. — talvez devesse ver o lado positivo das coisas.
— Como o quê? —perguntou, interessada.
— Não sei — ele admitiu, sorrindo de lado para ela. — isso é com você. Só acho que...
— Está dizendo que eu sou pessimista.
— Bem, você é — Madden teve que dizer. Ele tentou amenizar mais sua afirmação, com uma expressão engraçada e as palmas das mãos viradas para cima. Mas ela realmente só tinha se irritado durante o dia, a maioria dos momentos que ele a vira sorrir foi para manter as aparências diante das câmeras.
— Claro — respondeu sarcástica, já voltando a revirar os olhos. — me desculpe se não consigo ver o lado bom de ser afastada de minhas amigas e ter minha vida inteira exposta na mídia.
Tom respirou fundo. Ela fazia isso em todas as discussões. Enquanto ele tentava acalma-la, Kim virava o jogo e sempre ficava irritada. Não havia como ter uma conversa saudável com ela.
— O que você queria? Que deixássemos tudo como estava? O escândalo seria ainda maior, e não ficaria nada bem apara o seu lado.
Kimberly fechou os olhos, tentando manter a calma. Essa tinha sido a gota d’água na sua cabeça. Ela tentava parecer uma namorada legal, e até se divertiu em alguns instantes, mas a angústia dentro dela só crescia a cada minuto que passava dentro dessa confusão enorme. Então teve que se levantar, erguendo o tom de voz.
— Eu não pedi para me meter nisso tudo! — Kim explodiu, cruzando os braços. Se estivesse num desenho animado, sua cabeça agora estaria pegando fogo. — Começou quando você dormiu comigo...
— Ei — Thomas interrompeu, também se levantando. Gesto que a garota não achou nada justo, considerando a diferença de altura dos dois. — até onde eu sei, é preciso dois para o sexo.
Ela fez uma careta e respirou fundo, desviando o olhar. Olhava ao redor com ódio e arrependimento, como se soubesse que ele tinha razão, mas não iria mesmo concordar em voz alta. A verdade era que ela se culpava mais que ninguém por isso. Mas tentava insistentemente descontar em Thomas, porque uma pequena porcentagem de culpa estava com ele naquela noite — mesmo que a maioria estivesse com ela.
Kim sentou-se novamente no sofá, exausta. Talvez as discussões consumissem mais energia do que ela imaginava. A morena achava que se elevasse a voz mais uma vez, cairia desmaiada ali mesmo. Teve que se esforçar ainda mais para manter a calma.
Tom continuou ali parado, de pé e ainda encarando o lugar que ela antes ocupara.
— Eu... — ele tentou, depois de perceber que tinha dito uma tremenda besteira.
Ele não pretendia magoá-la. Talvez tenha perdido a cabeça por alguns instantes — efeitos colaterais da convivência com Kimmie, notou —, mas a deixar desse jeito não era seu objetivo.
— Deixa para lá — ela balançou a mão, mas seus olhos estavam bem fechados, como se segurasse o choro. — eu sei que a culpa é minha.
O ator a encarou com cautela, e respirou fundo antes de sentar-se ao seu lado de novo.
— Desculpa. A culpa não é sua... — disse, olhando para qualquer lugar menos para ela. Não queria ver o seu rosto cansado e sofrido, ainda mais com a suspeita que ela poderia fraquejar a qualquer momento.
Em compensação, foi Kimberly que o examinou. Thomas realmente parecia chateado, e não fingindo compaixão para terminar com ela na sua cama novamente, como a garota suspeitava. Mas ainda assim ela não se convenceria, afinal, todo mundo sabia que Tom Madden era um grande ator, não é?
— Se eu não estivesse tão desesperada por diversão — ela lamentou para si mesma, ignorando completamente a presença dele ali. — ou se não tivesse bebido tanto...
Tom balançou a cabeça, saindo de seu transe e retribuindo o olhar pesado dela. Os dois se encararam por alguns segundos, que passaram como longos minutos, antes do garoto abrir um sorriso desafiador para ela.
— Quer saber? — ele riu, tomado por uma súbita diversão. — A culpa não é de ninguém. A culpa é do álcool.
Kim revirou os olhos e riu junto, mas o ato saiu mais como um deboche.
— Isso parece mais as desculpas que os bêbados usam para se livrar dos problemas.
— Exatamente — Tom aprofundou seu sorriso de um só lado, trazendo aquela expressão só sua que tanto havia irritado Kimmie naquele dia. Mas naquele instante, só a fez rir mais — e, você sabe o que dizem, “se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
De início, a morena não entendeu o que ele quis dizer. Só quando o ator se levantou e foi até sua mini adega perto da mesinha de centro, ela percebeu do que precisava naquele momento.
— Duas garrafas — ela sugeriu, com um sorriso travesso nos lábios. E estreitou os olhos ao receber a expressão surpresa de seu “namorado”.— e não preciso de taça.
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