One Night Stand
12 Como se desesperar
Notas iniciais
— Como assim revistas pornôs asiáticas? — Candy perguntou, com os olhos arregalados e a testa franzida, enquanto mordiscava um sanduiche enorme da Le Pain Quotidien — ele não é algum tipo de psicopata não, né?
— Claro que não — opinou Gwen, bebendo um gole de seu suco — ele só tem um tipo.
Kimberly riu das duas, tomando um bom gole de seu suco de laranja enquanto revirava os olhos. A conversa estava fluindo mais fácil do que ela pensava, suas amigas não tinham colocado pressão nenhuma para cima dela, o que era muito bom.
— Então... — Kim tentou. Ela queria contar para as amigas, e nem sabia por onde começar sem ficar constrangida. Mas os olhares ansiosos das duas só pioravam sua situação. — agora que eu estou meio que morando lá...
— Vocês dois fazem sexo loucamente 24 horas por dia? — Candy sugeriu, rindo logo em seguida.
— Não! Quer, mais ou menos... não.
— Dormiram juntos essa noite de novo? — Foi Gwen que deu o palpite dessa vez. E Kimberly a encarou por alguns segundos antes de responder.
— Hãn...
— Ah, por favor, você vai dizer que estava bêbada de novo? — Guinevere reclamou, revirando os olhos, e chateada por não ter recebido nenhum detalhe picante antes.
— Bom, não — Kimmie disse, meio em dúvida. — na verdade, eu estava, mas não tanto.
— Então, aimeudeus, você lembra? — Candice perguntou, quase saltando de sua cadeira.
A morena não viu outra forma de responder, só balançou a cabeça em afirmativa.
— Conta tudo — Gwen pediu, colocando o seu copo para baixo, realmente interessada. Candy fez o mesmo, e ainda apoiou o queixo nas mãos, esperando um relato completo da última noite.
Mas Kim não estava lá tão segura. Olhou em volta, pela lanchonete, e viu muita gente. Era bem parecido com um formigueiro. Além de que a maioria das pessoas a encaravam, como se tentassem lembrar em que notícia tinha visto seu rosto pelas revistas de fofoca. Ainda tinha uma garota com a última edição da people em mãos, e intercalava o olhar incrédulo da capa da revista até Kim num ar confuso, enquanto a morena se encolhia mais e mais na cadeira.
— Aqui não — ela respondeu finalmente, fazendo suas amigas despencarem os ombros em decepção.
* * * * * *
— Thomas — seu irmão entrou na sala de estar, onde o ator assistia um jogo da NBA pela enorme televisão acima da lareira apagada. Trent lhe entregou o seu celular, que já mostrava uma ligação em andamento — seja legal.
O caçula não entendeu, mas pôs o aparelho na orelha mesmo assim.
— Alô?
— Tommy! — uma voz familiar falou animadamente do outro lado da linha — Soube que está namorando...
Madden revirou os olhos. Já não bastava todos lhe lembrando disso, agora recebia uma ligação da sua própria mãe.
— Oi mãe.
— É verdade? Ela parece ser tão legal. E Trentie disse que ela faz faculdade, que ótimo!
Tom suspirou. Claro que seus pais iriam adora-la, ela é tudo o que eles sempre queriam para ele. Inteligente, legal e não é uma vadia sem-noção, basicamente.
— É, é verdade — ele finalmente disse sem ânimo, para acabar logo com aquilo — então agora eu...
— Devíamos marcar! — a sua mãe lhe interrompeu.
O ator parou de falar, e tentou entender o que tinha ouvido por um ou dois segundos. Ele não via seus pais há meses. Na verdade, só se encontravam em um feriado qualquer que não haja nenhuma festa de famosos. Ele devia imaginar que sua família iria querer vê-lo, mas sua mãe tinha o próprio programa de TV, e seu pai tinha os habituais jogos de tênis profissional, nenhum deles era muito desocupado.
— Hãn...
— Eu e seu pai estamos na cidade, vim dar uma entrevista — ela explicou — então acho que não seria problema, não é?
— Eu... acho que não — Thomas disse, por fim, revirando os olhos novamente. Tentava lembrar se tinha algum feriado importante nessa época, que justificasse o interesse de sua mãe para reunir a família novamente. Ao não se lembrar de nenhum, chegou à conclusão de que ela somente queria dizer o quanto estava feliz pelo seu filho resolver entrar em um relacionamento sério. E Madden respirou fundo ao imaginar o rumo que essa conversa tomaria.
— Ótimo, vai ser sexta de noite então — a Sra. Madden concluiu, satisfeita. Mas pareceu lembrar de um detalhe importante, então tomou fôlego antes de sugerir — não esqueça de levar a Kimberly Sheen. Quero muito conhecer minha nora — e riu. Para o desespero de Tom.
Quando sua mãe desligou, o ator continuou olhando para o telefone atordoado. Ele não queria apresentar Kim para sua mãe. Não porque não queria que elas se conhecessem, claro que não. Mas porque isso, com certeza, faria o relacionamento parecer real. Quer dizer, Tom Madden realmente estava namorando sério, e isso não tinha nada a ver com ele.
Antes, levando em conta que era tudo uma farsa, o garoto até tinha curtido a ideia: Kimberly era linda e muito fácil de conversar. Mas agora ele via no que tinha se metido, e apresentá-la aos seus pais só pioraria tudo isso ainda mais.
— Tom? — Trenton chamou, ao seu lado, pedindo o celular de volta.
— Ah, desculpe — ele murmurou, devolvendo o aparelho ao irmão, que continuou ali de pé, tentando decifrar o que tinha de errado com ele.
— Ela chamou a gente para jantar, não foi? — o mais velho deduziu, e só percebeu que estava correto pela expressão do caçula — Kim também?
Thomas concordou lentamente, ainda encarando o vazio, em choque. Mas logo balançou a cabeça e enterrou o rosto nas mãos.
— Trent, eu sou um namorado!
— Só agora percebeu isso? — o mais velho levantou uma sobrancelha só, sentando-se no sofá branco também.
— Mas você não entende — ele exclamou, em pânico — eu vou ter que dar satisfação onde estou o tempo todo, não vou dormir com mais ninguém e tenho que dar presente todo mês!
Trenton só pôde rir, como se o seu irmão realmente merecesse aquilo.
— Falou como um verdadeiro canalha. Ou melhor, como um verdadeiro Tom Madden.
— Muito engraçado — ele fez uma careta de desgosto e afundou ainda mais em meio a almofadas pretas.
— Olha — Trent pareceu falar sério dessa vez — eu não sei do que está reclamando. A Kim é o melhor que você poderia conseguir, e ela não tem obrigação nenhuma de realmente ser legal com você. Fora essas brigas idiotas de vocês, eu diria que estão muito bem. Ela dormiu com você duas noites seguidas!
— É, acho que você tem razão... — Tom disse, ainda meio desanimado.
— Eu sempre tenho — dito isso, Trent se levantou e contornou o sofá. Lançou um olhar encorajador para o irmão antes de começar a digitar no celular novamente e sumir porta a fora.
* * * * * * *
— Kim, por favor, não suma — Guinevere pediu, enquanto as três já se dirigiam ao carro alugado, que pararam em um estacionamento um tanto longe da Le Pain Quotidien, mas não tinham outra escolha: NY não é um lugar muito fácil para vagas. — entendo que você talvez fique bem ocupada com esse namoro todo, mas não se esqueça de que temos que curtir juntas esse verão.
— E não se esqueça das provas de Zac Posen também, o desfile é no sábado — Candy completou, fazendo cara feia.
— Não vou me esquecer de nada — Kim falou, sorrindo para as duas. — nada vai atrapalhar minhas férias com vocês. Muito menos problemas com garotos.
E as três riram animadas. Candice começou a planejar alguma coisa para fazerem no domingo, depois do desfile, enquanto Gwen tentava argumentar que preferia não ficar bêbada tão cedo. E Kimberly concordava com as duas, mesmo estando ainda muito paranoica. Ela olhava para todos os lados, esperando não ver ninguém com alguma câmera. De vez em quanto, via alguns celulares apontando discretamente, então começou a andar mais depressa.
— Kim, calma — Guinevere riu, aumentando o passo para acompanha-la. — sabemos que quer voltar logo para o seu namorado, mas ainda vamos passar no hotel.
— Com certeza — Candy pulou, animada, enquanto as três entravam rápido no estacionamento. — nunca mais fizemos festa do pijama, mesmo que seja de tarde...
Ela se interrompeu. Na verdade, as três frearam no asfalto do amplo estacionamento aberto. Uma garota, talvez um pouco mais nova que elas, as encarava bem na frente delas, de cara feia.
— Hãn... tudo bem com você? — Gwen perguntou, levantando uma só sobrancelha, desconfiada.
— Claro que não! — a garota falou, como se fosse óbvio. As três amigas se entreolharam, assustadas — Você ficaria bem se alguém roubasse seu namorado, Kimberly?
Kim gelou, era a garota com a revista na lanchonete. Certo, ela pensou com cautela, Thomas havia mencionado algumas fãs que passavam do limite. Mas aquela garota não estava gritando, e nem usava uma camisa “Eu amo Tom Madden”, só estava ali a confrontando, como se realmente fosse namorada dele.
— Eu...
— Não tente se desculpar — ela interrompeu, chegando mais perto — tente ficar longe dele, ouviu? Ou eu vou encontra-la...
— Certo, certo — Candice disse, num tom de voz monótono. — vá escrever suas fanfictions, querida. Só lá você vai conseguir Thomas Madden para você, porque na realidade, ele está muito bem com minha amiga aqui.
— Candy! — Kimmie repreendeu, baixinho, de olhos arregalados. Estava claramente assustada com a ameaça, mesmo que tenha vindo de uma garota muito menor que as três, ainda mais loira que Candice e aparentemente bem delicada. Kimberly a encarou, meio sem jeito.
— Desculpa, mas ele é meu namorado — ela tentou — e, por favor, não me procure.
Dito isso, foi apressada até o carro, com as suas amigas lhe seguindo. A fã bufou, claramente chateada, e saiu do estacionamento. Para o alívio de Kimberly, ela não estava mais a vista.
— Que maluca — Candice franziu o cenho — ela devia guardar as obsessões para ela mesma. Não ficar ameaçando pessoas por aí.
Kim não respondeu, só entrou no banco do carona sem dizer uma palavra. Guinevere e Candy se entreolharam.
— Ela deve estar bem chateada — Gwen adivinhou, olhando com pena para onde sua amiga havia entrado.
— Claro, uma psicopata acabou de ameaçar ela, você não ouviu o que ela disse?
Gwen só revirou os olhos.
— Vamos para o hotel, fazer a melhor festa do pijama para ela esquecer isso.
Nisso Candice concordava, então só mostrou o seu polegar para a amiga antes de abrir a porta do motorista. Guinevere entrou logo atrás.
Fale com o autor