One More Time
1 Prologo
Notas iniciais
Espero que gostem de lê-la tanto quanto estamos gostando de escrevê-la.
Caroline parou o carro em frente a garagem da minha casa e me ajudou a pegar todas as sacolas enquanto eu retirava a chave de dentro da bolsa. Abri a porta e ela entrou junto comigo.
- Muito obrigada pela ajuda, Car – disse – Acho que eu posso me virar sozinha daqui.
- De maneira nenhuma – avisou – Não vou deixar você levar todas essas coisas pesadas lá para cima sozinha.
- Não está tão pesado assim – revirei os olhos passando mão na minha enorme barriga de 7 meses de gravidez – Já basta o Damon me tratando como uma invalida, você vai fazer isso também.
- É melhor você parar reclamar, Elena, não vai adiantar nada – mostrou a língua para mim antes de subir as escadas correndo.
Não tinha mais nada que eu pudesse fazer a não se segui-la. Ela estava no quarto da minha filha, tinha colocado as sacolas em cima do trocador.
- Eu já te disse alguma vez o quanto eu acho esse quarto incrível – comentou enquanto olhava para todos os cantos do comodo.
Seite-me na cadeira de balanço que iria usar para amamentação. Minhas costas estavam me matando, mas pelo menos Mia tinha parado de me chutar, coisa que ela andava fazendo com bastante frequência nos últimos dias.
- Só toda vez que você veio aqui – ri.
- Mas é mesmo! — afirmou – Você e o Damon fizeram mesmo um bom trabalho. A Mia vai ser uma criança muito estilosa.
Assim que eu fiz a ultrassonografia e a médica confirmou que eu teria uma menina, comecei a arrumar cada pequeno detalhe do quartinho da minha filha. Pintei as paredes de rosa, os móveis com a mesma cor ou em tons muito parecidos e sem contar com as roupinhas, mas é claro que ainda faltavam algumas coisas como um pequeno estoque de fraldas que já vamos começar a comprar. A principio Damon afirmou que estava sendo um pouco exagerado, mas ele fez todas as minhas vontades e sei que está tão empolgado quando eu.
- Lena, eu preciso ir embora – Car avisou enquanto olhava a hora no relógio do celular – Ainda preciso entregar um trabalho na faculdade e também vou sair para jantar com o Stefan hoje a noite. Você vai ficar bem aqui sozinha?
- Claro que vou ficar bem, Caroline, já disse que não precisa se preocupar – garanti – Divirta-se com o Stef hoje a noite e não se esqueça de que se não usarem camisinha isso aqui pode acontecer – apontei para a minha própria barriga.
- Pode deixar amiga, eu tenho juízo até de sobra – aproximou-se e deu um beijo na minha bochecha – Tchauzinho para você também, Mia.
Ela saiu e eu ainda fiquei um pouco sentada na cadeira de balança. Depois de algum tempo levantei com uma certa dificuldade e comecei a arrumar as roupinhas que eu comprei no armário da minha filha, cada uma mais bonita do que a outra, mas também, ela só merece o melhor.
Eu e Damon nos conhecemos desde pequenos, morávamos no mesmo bairro de classe média de Toronto. Como ele é dois anos mais velho, estava protegendo eu, Caroline e Stefan, o irmão mais novo dele, dos caras mais velhos do parquinho e depois de um tempo ninguém mais brigava com a gente por causa dele.
Não sei quando foi que a nossa amizade acabou se transformando e amor, acho que simplesmente aconteceu. Começamos a namorar quando eu tinha 13 anos e ele 15, demos o nosso primeiro beijo e perdemos a virgindade juntos. Não demorou muito para Car e Stef começarem a namorar também e sempre saímos em dupla.
Os dois anos em que ele esteve fazendo faculdade em Los Angeles e eu ainda estava em Toronto no Ensino Médio foram o mais longos da minha vida, mas eu sabia que isso era por pouco tempo e o dia em que eu recebi a carta de aprovação da UCLA foi o mais feliz da minha vida. Passei a dividir um apartamento com minha melhor amiga, mas passava mais tempo com Damon do que qualquer outra coisa. Menos um anos depois descobri que estava grávida.
A maioria das pessoas surtaria ao saber que teria um filho aos 19 anos, mas esse não foi o meu caso, em nenhum momento passou pela minha cabeça abortar ou dar o bebê para adoção. Amei a minha pequena Mia desde o primeiro momento em que soube que ela estava dentro de mim e a criaria mesmo que meu namorado não nos quisesse. Claro que isso não aconteceu, Damon ficou tão radiante com a notícia de que seria pai quanto eu fiquei e me pediu em casamento na mesma hora. E foi que fizemos apenas um mês depois, tendo como testemunhas Stefan e Caroline.
Agora faltam apenas dois meses para o nascimento da minha filha e mal posso esperar para finalmente tê-la em meus braços.
- Lena, você está em casa? — ouvi a voz de Damon na parte de baixo da casa.
- Estou no quarto da Mia! — gritei de volta para ele, ouvi passos na escada e no corredor até meu marido parar no batente da porta.
- Oi, meu amor! — me deu rápido selinho nos lábios – Como é que estão as duas mulheres da minha vida?
- Estamos muito bem – não pude deixar de sorrir ao ouvi-lo falando assim.
Damon se ajoelhou ficando na altura da minha barriga. Deu um beijo na região e deixou as mãos no mesmo lugar esperando o costumeiro chute, mas não aconteceu nada.
- Hoje ela está muito preguiçosa, está dormindo desde cedo – expliquei – Mas não se preocupe, Meredith disse que isso é normal, desse ser cansativo para um bebê ficar se mexendo o dia inteiro.
- Mia! — começou a “falar” com a nossa filha – Sou eu, o papai! Dá um chute para mim, só um bem pequenininho.
Ficou algum tempo esperando, mas nada aconteceu, nem ao menos a senti dar uma pequena mexida, o que normalmente acontece, mesmo que ela não chute. Damon apenas se levantou dando um suspiro frustrado.
- Não adianta ficar com essa cara, Damon – comentei – A Mia nem ao menos nasceu e já tem personalidade, só faz as coisas quando ela mesma quer.
- Tudo bem, já que não tem jeito mesmo – revirou os olhos – Mas assim que ela voltar a chutar me avisa.
- Pode deixar – garanti.
- Pela quantidade de sacola imagino que você tenha feito mais compras – comentou – Não sei por que eu ainda me surpreendo.
- Caroline me chamou para irmos dar uma volta no shopping e quando passei por uma loja de bebês não resisti e entrei – expliquei.
- Tudo bem Lena, é a nossa primeira filha e você está empolgada com a aproximação do nascimento dela e por isso fica comprando tudo que vê pela frente – comentou – Mas a Mia é uma só, não vamos ter gêmeas, muito menos trigêmeas. Bebês crescem rápido e dúvida que ela vá usar metade dessas roupas.
- Pode ficar tranquilo, Damon, eu comprei vários tamanhos diferentes justamente para ela ir crescendo e as roupas vão cabendo – falei – Além disso, você acha que a Caroline vai deixar a afilhada dela repetir alguma roupa?
- Péssima hora que eu concordei de você convidar a Caroline para ser a madrinha – cruzou os braços – É sério, vocês vão transformar a minha filha em uma viciada em compras antes dela completar um ano.
- Deixa de ser exagerado, Damon – dei um selinho nele – Eu estou com fome, o que acha de pedirmos comida japonesa?
- É uma ótima ideia – concordou.
Logo chegou a noite e estávamos nos preparando para deitar. Mia ainda não tinha voltado a chutar e mesmo fingindo que estava tudo bem tenho de admitir que estou um pouco ansiosa, só por precaução vou ligar para a minha obstetra amanhã bem cedo.
Sem tem minha filha me chutando toda vez que eu respiro pensei que fosse dormir muito bem hoje, mas não foi isso que aconteceu. Comecei a sentir uma cólica muito incomoda, essa não era a primeira vez, nos três primeiros meses de gravidez sentia muita dor e a doutora Fell avisou que isso podia voltar a acontecer quando o bebê estivesse perto de nascer.
Decidi levantar para ir ao banheiro e senti um líquido escorrer pela minha perna. Quando olhei percebi que era sangue, meu coração parou uma batida.
- Damon! — comecei a sacudi-lo – Acorda, amor, por favor!
- O que foi que aconteceu? — ele se sentou totalmente sonolento – O que aconteceu, Lena?
- É sangue! — mostrei para ele – Por favor, Damon, precisamos ir ao hospital! E se acontecer alguma coisa com a nossa filha!
- Fica calma, Lena, não vai acontecer nada com ela – passou a mão pelo meu rosto tentando me acalmar – Se arruma e me encontra lá embaixo, enquanto isso eu vou ligar para a doutora Fell.
- Certo! — concordei com a cabeça.
Menos de dez minutos depois estávamos saindo de casa. Passei todo o caminho com a cabeça encostada no vidro da janela do carro, algumas lágrimas involuntárias escorreram pelo meu rosto, coloquei uma das mãos na minha barriga e percebi que estava tremendo.
- Fica tranquila, meu amor – disse para acalmá-la, mas na verdade eu é que estava nervosa – Eu e seu pai não vamos deixar que nada aconteça com você.
Quando chegamos ao hospital minha médica já estava me esperando com uma cadeira de rodas. Ela me ajudou a sair do veículo e a me sentar antes de entrarmos no local.
- Meredith, eu não sei o que está acontecendo – segurei a mão dela – Por favor, não me deixa perder a minha filha.
- Fica calma, Elena – disse em um tom de voz tranquilo – Vamos até a sala de exames e vamos vez o que está acontecendo para você ter esse sangramento.
Meu marido já tinha estacionado o carro e segurou a minha mão me acompanhando até a sala de exames.
- Damon, infelizmente você vai ter que ficar esperando aqui fora – Meredith disse assim que paramos em frente a porta – Eu venho te avisar assim que souber de alguma coisa.
- Por favor Meredith, deixa o Damon entrar conosco – pedi, queria ele ao meu lado nesse momento.
- Infelizmente não posso, Elena – explicou – Essas são as normas do hospital.
- Eu não vou sair daqui, meu amor – ele me deu um beijo no topo da minha cabeça – E assim que a doutora Fell deixar, vou ficar lá com vocês duas até você enjoar de mim.
A enfermeira me ajudou a trocar de roupa antes que eu deitasse na maca. Meredith começou a passar a mão pela minha barriga, percebi que ela estava com a testa franzida.
- Diga-me uma coisa, Elena – pediu – Como ela tem se comportado nesses últimos dias?
- Está tudo normal, como sempre – dei de ombros – Só hoje que ela ficou paradinha o dia inteiro, mas você mesma me disse que isso era normal.
- Sim, eu disse mesmo – concordou com a cabeça, mas não estava demonstrando muita certeza sobre isso – Vamos fazer a ultrassonografia e ver como está essa garotinha.
Passou o gel na minha barriga e começou a passar o aparelho e logo a imagem começou a se formar naquela do computador. Na mesma hora percebi que tinha alguma coisa errada, normalmente Mia começa a se agitar toda na hora da ultra e também já começo a sentir o seu coraçãozinho batendo acelerado, nenhuma das duas coisas tinha acontecido.
A doutora Fell não ficou muito tempo ali, logo retirou o aparelho de ultrassonografia e colocou em cima da mesa aonde estava o computador.
- E então doutora, o que está acontecendo – decidi perguntar, mesmo não tendo certeza se queria ouvir a resposta.
- Olhá, Elena, você vai ter que ser muito forte agora – deu um longo suspiro antes de continuar – Um sangramento forte como o seu não é comum no último trimestre da gestação e quando você me disse que ela não tem se mexido o dia inteiro fiquei mais preocupada ainda.
- Meredith chega de enrolação, por favor – pedi.
- Não consegui ouvir os sinais vitais dela na ultrassonografia – continuou – Infelizmente você perdeu o bebê.
Comecei a chorar descontroladamente. Não era possível que isso estava acontecendo, só podia ser um pesadelo.
- Não, não é verdade – consegui dizer por fim – Deve ter algum engano, não posso ter perdido o meu bebê.
- Infelizmente é verdade – ela não conseguia me encarar direto nos olhos nesse momento – Abortos espontâneos no final da gravidez não são tão comuns, mas acontecem.
- Eu estive aqui há duas semanas e estava tudo bem – lembrei – Você me disse que agora era só esperar a hora do parto e agora você me diz que meu bebê está morto!
- Sinto muito! — falou – Agora precisamos ir para o centro cirúrgico retirar o feto de dentro de você.
- Tirar a minha filha! — coloquei a mão protetoramente na barriga, mesmo sabendo que não tinha mais nada lá dentro – Não pode fazer isso.
- Ela já estava totalmente formada, só precisava crescer um pouco mais antes de nascer, seu organismo não vai absolvê-la naturalmente – tentou explicar – Se ela continuar ai dentro vai te causar uma infecção forte e você pode morrer.
- Tudo bem, eu não me importo – dei de ombros – Nada mais faz sentido sem a minha filha.
A última coisa de que eu me lembro foi da enfermeira se aproximando com uma injeção e injetando no meu braço. Não demorou muito para eu sentir os meus olhos pesando.
Quando acordei estava em um quarto de hospital. Virei para o lado e Damon estava sentado em uma poltrona, assim que me viu se levantou e foi até aonde eu estava.
- Oi, Lena! — passou a mão pelo meu cabelo – Finalmente você acordou. A doutora Fell precisou te dar um calmante, você estava muito nervosa.
Percebi que seus olhos estavam vermelhos, sinal de que tinha chorado.
- Foi tudo verdade, não é? — ela balançou a cabeça afirmativamente, ainda tinha esperanças de que tudo não tivesse passado de um pesadelo e eu ia acordar e estaria na minha casa e com a minha filha ainda dentro de mim – Desculpa!
- Você não tem que se desculpar, meu amor, não foi sua culpa – disse – Esse tipo de coisa acontece.
- Mas nós dois estávamos tão empolgados com a ideia de sermos pais, estava tudo pronto para recebê-la – as lágrimas voltavam a se formar no canto dos meus olhos – Isso é tão injusto.
- Eu sei disso Lena, acredite, eu também estou arrasado – enxugou o rosto, percebi que ele estava tentando não chorar na minha frente – Nós dois ainda somos novos e podemos ter outros filhos.
Queria dizer que não queria ter outros filhos e sim a minha Mia. Mas sabia que não adiantaria nada eu ficar desesperada agora.
- Liguei para o Stefan assim que você entrou na cirurgia – mudou de assunto – Ele a Caroline estão ai fora e ela quer te ver.
- Não quero ver ninguém, Damon – avisei – Não nesse estado, tenho certeza de que a Car vai entender.
- Claro que ela vai entender – balançou a cabeça afirmativamente – Também liguei para a sua família. Seu pai não pode sair de Toronto agora por causa do trabalho, mas sua mãe está vindo para cá e deve chegar a Los Angeles amanhã, disse que vai ficar aqui o tempo que você quiser.
- E eu imaginando que minha mãe viria aqui somente quando nossa filha nascer para me ajudar nos primeiros dias dela em casa – comentei – Em vez disso ela vem para garantir que eu não enlouqueça com a perda do meu bebê.
Voltei a chorar descontroladamente, Damon fez com que eu deitasse a cabeça no seu ombro e ficou passando a mão pelo meu cabelo. Ouvimos a porta abrindo, era Meredith com uma prancheta não.
- Com licença — disse – Bom, Elena, seu exame de sangue ficou pronto e está tudo certo com você. Amanhã de manhã você já pode ir para casa.
- Que legal! — disse com uma falsa empolgação.
- Eu sei que agora pode não parecer, mas você vai superar isso – passou a mão pelo meu braço – Você tem o seu marido, os seus amigos, seus pais e seu irmão e todos estão aqui te apoiando.
Não disse nada, ela tinha toda razão. Mas no momento eu não conseguia pensar em nada, aquela vazio no meu peito era muito grande e tenho certeza de que nunca será preenchido.
- Doutora Fell, sei que esse não é o melhor momento para perguntar isso – Damon voltou a falar – Mas você tem alguma ideia do que causou a morte do nosso bebê?
- Infelizmente não sei – respondeu – Já sabemos que não foi nenhum problema com a Elena e precisamos esperar que alguns exames feitos no feto fiquem prontos, mas pode ser que a gente nunca descubra o que foi que aconteceu. Só peço a vocês a mesma coisa que com todas as minhas pacientes depois de sofrerem um aborto espontâneo, esperem um pouco até tentarem ter outro filho, pelo menos uns seis meses.
- Está bem! — meu marido afirmou e eu permaneci calada.
- Acho melhor você descansar mais um pouco, Elena – avisou – Trouxe um remédio para te ajudar a dormir.
- Não quero dormir mais! — reclamei.
- Mas o melhor para você agora – lembrou – Vamos não seja teimosa, sou sua média e sei o que é melhor para você.
Ela injetou o calmante no meu soro e não demorou muito para eu começar a sentir uma sonolência.
- Damon! — segurei a mão dele – Fica aqui comigo até eu dormir.
- Claro, meu amor – deu um beijo no topo da minha cabeça – Eu estou bem aqui com você.
E ele ficou lá comigo até que eu finalmente cai na inconsciência.
Notas finais
Eu disse que era para vocês prepararem os lenços.
Bom, é isso, espero que não continuem lendo.
Comentem e digam o que estão achando.
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