One More Chance For Love
8 Perdendo o controle
Notas iniciais
Já haviam se passado quarenta minutos desde a partida de Carol e Beth em busca de utensílios médicos.
Tyreese estava sentado novamente em cima do capô da picape laranja, de guarda.
Steven estava amarrado, imobilizado, se apoiando num Sedã cinza, aparentemente cochilando, e Daryl dentro de seu saco de dormir, ainda desacordado.
Ty queria ter ido com Carol à farmácia, mas Beth, a garota idiota, não saberia vigiar o prisioneiro, e proteger Daryl de possíveis ameaças.
E lá estava ele, babá de dois marmanjos.
Subitamente, ele ouve sussurros quase inaudíveis vindo da direção em que Daryl está.
Tyreese revira os olhos, e vai de encontro à ele.
Daryl não para de repetir sem parar:
— Carol... Carol... onde está...
Tyreese bufa de raiva.
— Ela não está aqui, caipira idiota. Saiu pra procurar analgésicos pra você, enquanto você fica aí gemendo feito uma moça, sendo nada mais nada menos que um peso inútil.
Daryl faz uma careta.
— Se... se eu tivesse... se eu tivesse em melhores condições, eu... eu daria um tiro em você agora mesmo, filho da puta... — diz Daryl, com grande esforço.
— Ora, ora, ora. O paciente achou a voz finalmente. — Tyeese diz, sorrindo sinistramente. —Escuta, esse buraco no ombro que você tem tá doendo tanto assim, ou só tá se fazendo de coitadinho pra Carol ter pena de você? — Rebate Tyreese.
— Eu não devo satisfações da minha vida pra você, idiota. Se você estivesse no meu lugar, não estaria dizendo isso. — Daryl diz, visivelmente aborrecido.
— Ah qual é, a Carol foi lá arriscar o pescoço pra tratar de você, podendo perder a vida por isso. Fica sabendo que se ela morrer, a culpa é sua. — Ty diz, com uma raiva crescente. — E eu vou ser o primeiro a estourar sua cabeça depois disso. — Ele completa.
Daryl apenas olha para ele com desprezo. Não valia a pena discutir com Tyreese. Ele não aceitava o fato que Carol não o correspondia como correspondia a Daryl.
Tyreese, irritado por não receber uma resposta para a discussão, fica cego de raiva, e acerta um chute com toda força na perna direita de Daryl, que grita de dor, tremendo de medo e de frio.
Se as mulheres não chegassem agora, Daryl morreria.
...
Enquanto isso, Carol e Beth permaneciam em silêncio durante todo o caminho de volta, cada uma absorta em seus próprios pensamentos.
Carol iniciava uma batalha dentro de si, a dúvida consumindo sua mente.
Beth estava começando a se perguntar se o estrago que fizera no relacionamento de Daryl e Carol não tinha sido suficiente para a mulher ao seu lado, esquecê-lo de vez. Ela precisaria conversar com Tyreese sobre o ocorrido.
...
A violência de Tyreese não parava por nenhum segundo.
Não era mais seu verdadeiro eu ali.
Espancado um homem debilitado, era um monstro fora de si.
A raiva, o estresse, toda a tragédia da invasão da prisão, tantas mortes de amigos... tudo isso incomodava Tyreese por dentro, destruindo-o.
Ele então olha para Daryl.
O homem que estava conseguindo conquistar a única mulher que ainda se importava com ele.
Maldito caipira.
Tyreese cai no chão, derrotado, lembrando-se de Sasha, os olhos lacrimejando, o coração com um peso e uma culpa gigantescos.
Droga Tyreese! Por que você tem que estragar tudo? Idiota! Idiota!Idiota!
Ele se odiou por dentro.
A essa altura, Carol e Beth estavam a menos de cinquenta metros dali, andando um pouco mais rápido agora, com pressa de chegar e encontrar todos bem.
E assim foi.
Quando as mulheres chegaram, encontraram a cena desastrosa à sua frente.
Tyreese largado como um fardo ao lado de Daryl, chorando a soluçar, enquanto que o outro estava num ângulo estranho — seus membros cheios de hematomas, por conta da surra levada — respirando com muita dificuldade, quase sufocando e gemendo de dor.
Carol gritou por Daryl e correu até ele, preocupada.
Ele não estava nada bem.
Se juntasse o fato da infecção no braço dele estar em pior estágio, ele gemia de dor pela surra levada.
Tyreese mostrava arrependimento, olhava para Carol e Beth com desculpas no olhar.
Ele definitivamente havia passado dos limites, e agora que não estava mais de cabeça quente, viu que o que fizera foi grave.
Mas havia mais alguma coisa errada.
— Oh meu Deus, Tyreese! O que você fez? O que você fez, desgraçado? — gritou Carol desesperada, vendo o estado de Daryl, com a calça suja de lama, vindas dos chutes violentos da bota pesada de Tyreese, e sua expressão de dor, de partir o coração.
Beth olhava para tudo aquilo, chocada.
Não acreditava que Tyreese era capaz de algo assim.
Uma coisa era impedir que Daryl e Carol se resolvessem de uma vez, formando intrigas, e outra era a agressão física e covarde, em um homem que não tinha como se defender.
Mas havia mais algo errado ali. Onde era pra estar o prisioneiro Steven, havia somente as cordas largadas no chão.
— Tyreese, onde está o atirador? O que houve? — diz Beth alarmada, olhando com medo em volta.
Não fosse pelo fato de Daryl estar em pior estado, à beira da morte, haviam perdido o controle da situação com o fugitivo.
Eles estavam expostos, em grande perigo. Ninguém sabia se o atirador havia fugido, ou estava esperando, escondido e silencioso, para atacar novamente.
Os murmúrios incansáveis de Carol eram audíveis no silêncio da rodovia.
— Tudo vai ficar bem meu amor, eu vou cuidar de você, aguente firme, fica comigo, não me abandona, eu te amo — ela repetia sem parar.
Tyreese olhava desesperado para Carol, sua mente girando em câmera lenta.
Daryl estava sendo cuidado com o maior cuidado por ela. Carol realmente sabia o que estava fazendo. A todo momento tirava uma coisa ou outra de dentro da mochila que trouxeram, e avançada na batalha incansável de manter Daryl estável.
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