Notas iniciais
Eu só quero permanecer... Eu só quero manter esse sonho em mim...

A missão de busca de suprimentos foi um completo fracasso.

Depois da má sorte de terem achado uma criança errante em um dos armários da velha casa, ninguém conseguiu muito mais em outros arredores.

Nem mesmo na floresta, Daryl conseguiu fechar algum animal. Seria decepcionante voltar para casa de mãos vazias, com tantos estômagos vazios os esperando.

Cenas de mordidas de errantes preenchiam a mente de Daryl; e se a morte o supreendesse ali, naquele instante, com tantas coisas mal resolvidas com Carol?

O sentimento que o homem alimentava por ela, era repleto de amor e compreensão. Daryl bem sabia que aquele amor jamais morreria. Ele a amaria mesmo que um dia não fosse mais correspondido.

...

Na volta para a casa, decidiram tomar um rumo diferente pelo o qual vieram.

Acabaram por achar um armazém, com um estoque impressionante de carne e feijão enlatados. O humor dos homens melhorara bastante; resquícios de esperança no coração de cada um ali presente.

Restava apenas uma hora de caminhada para chegarem ao destino final. Todos estavam exaustos.

De passagem, o grupo passou pela tal cachoeira que Daryl um dia quisera levar Carol, para uma tarde romântica.

A pergunta era: Deveria ele tentar mais um vez chegar perto de sua amada?

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Já era noite quase feita quando Daryl, Tyreese e Robert chegaram, literalmente acabados, para junto de Luke, Lauren e Carol.

Luke finalmente saiu de seu estupor e se juntara às duas mulheres; aguardava ansiosamente pelo pai. Quando finalmente o viu são e salvo, correu para o abraço esperado;

Tyreese foi de encontro à Carol, e ofereceu seu carinho, num abraço apertado;

Como de uma hora para outra, Tyreese havia se tornado seu porto seguro? — Carol perguntou para si mesma.

Todas as emoções, todo o estresse, o medo... Foram esquecidos por um segundo; porém, ela desejava mais do que tudo, que Daryl fosse aquele que a envolvia com os braços, naquele momento.

O caipira observava de longe, a cena. O ciúme queimando em sua alma.

O afastamento de Carol para com ele era pessoal. Se ela abraçara Tyreese, por que não ele? Daryl sentia raiva, mágoa, tristeza e abandono. Todos sentimentos em um turbilhão em sua cabeça.

Alguns segundos depois, quando todos estavam acomodados, Lauren passou com passos pesados e decididos por eles.

Se jogou nos braços de Daryl e bem ali, lhe roubou um beijo na frente de todos.

— Mas que porr... — Sua frase fora silenciada pelos lábios de Lauren.

Daryl não mostrou reação a princípio; Lauren era uma mulher bonita, mas tinha aspecto vulgar.

Mas mesmo assim, o caçador fechou o olhos e retribuiu.

Ele não pensou; deixou com que seu instinto guiasse suas atitudes. Ele sabia que o grupo os observava, mas estava fora de si.

Todo o contato com Lauren, durou aproximadamente dez segundos, mesmo que parecesse uma eternidade. Tudo parecia se passar em câmera lenta aos olhos de Daryl.

A expressão de angústia e sofrimento de Carol, o rosto horrorizado de Tyreese e a confusão de Luke e Robert.

...

Carol enterrou o rosto nas mãos, e correu; as lágrimas agora correndo livremente por seu rosto.

Daryl mantinha os olhos em Carol todo o tempo, enquanto Lauren o contemplava.

Tyreese correu atrás dela. Daryl parecia estar com os pés plantados no chão; não conseguia se mover.

...

Após Carol sair em disparada e Tyreese atrás dela, Luke e Robert se retiraram para o quarto.

Lauren deu um último beijo rápido em Daryl, e saiu de vista.

...

Tyreese procurou por Carol, e encontrou-a no quarto que dormiam, na parte de baixo do velho beliche.

Ela mantinha o rosto escondido por entre os travesseiros. Notava-se que ela tremia com os soluços.

Tyreese suspirou e chegou mais perto.

— Ei, Carol. — Ty lhe chama, tímido.

Carol não se vira, nem para de chorar. Não queria falar com ninguém agora.

— Eu sei que a cena que você assistiu foi chocante, mas você não pode deixar se abalar por isso... — Ele coloca a mão em seu ombro, fazendo-a se virar para encará-lo. — Você tem meu apoio em tudo isso.

Carol o olha com gratidão, e aceita o abraço que ele lhe oferece.

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Daryl ainda se mantinha no mesmo lugar em que tantas coisas aconteceram naquele pequeno espaço de tempo.

Não reagia; não acreditava que havia realmente reagido ao beijo de Lauren na frente de seu grande amor.

Ele se sentia sujo, se sentia culpado.

Mas aquilo lhe ocorreu, pela sensação de abandono que o atormentava.

Daryl precisava conversar com Carol. Precisava tirar aquela situação a limpo. Ele não queria ver Lauren. Não queria nunca mais estar no mesmo ambiente que ela, muito menos ter qualquer contato novamente com a loura.

O homem se encaminhou para dentro da casa, tudo estava silencioso.

Foi em direção ao quarto em que dormiam, e ao abrir a porta devagar, viu Tyreese abraçado com Carol, ambos sentados na cama beliche.

— Que porra é essa? — Ele rosnou, surpreso.

Tyreese rapidamente soltou Carol, porém com delicadeza, e virou-se para Daryl.

— Não é uma boa ideia você ficar aqui. Saia, ela não quer te ver. — Tyreese rebate.

Daryl encara por trás do homenzarrão, buscando uma objeção quanto sua presença, todavia ela nenhuma vez o olha no olhos; está virada de costas para o caçador.

Aparentemente indiferente.

O caipira os deixa, com a expressão angustiada e bate a porta, enfurecido.

#

Então é isso. Sozinho novamente.

Mais uma vez, rejeitado.

Eu não me lembro de nada que pudesse ter feito para magoar Carol Dixon, antes do beijo com Lauren.

Eu fazia de tudo para ser perfeito; ela se mostrava sempre satisfeita com minhas carícias, e com meu olhar apaixonado, que só ela tinha o poder de receber.

Carol me mudou; me tornou um homem melhor.

E aqui estou eu, a brigar com a solidão. Sem minha mulher com a cabeça pousada sob meu peito.

Agora minha vida está resumida à uma rotina que não se faz mais presente o amor dela.

Será possível que o filho da mãe que agora se tornara seu "porto seguro" havia conseguido o amor de Carol? Seria possível que ele a roubara de mim?

Algo deve ter acontecido, para um afastamento tão forte em nosso relacionamento, acabar assim.

Carol havia errado comigo primeiro.

Carol havia me rejeitado.

Se ela quiser consertar as coisas, deveria vir esclarecer tudo aqui comigo, e não ficar chorando no abraço daquele infeliz.

A escolha do rompimento foi dela; a partir de agora eu não moveria um dedo para tentar amenizar a situação.

Esse estranho ódio nunca havia me causado tanta dor.

Ódio sim. Possessividade.

Mas em que estou pensando afinal? Toda essa baboseira, esse ódio que alimento, não serve de nada, pois o bendito amor que sinto por Carol, me faz esquecer por um segundo de todos os pensamentos negativos, principalmente o orgulho.

Ela havia partido o coração de quem a amava, jogou no chão, como um qualquer.

Mas ainda assim, sou louco de ainda a aceitar, depois de tudo.

Eu poderia esquecer, outro sonho procurar.

Mas perto dela, meu coração não quer saber de nada, só quer viver essa paixão desesperada, só quer sentir aquele calor mais uma vez.

Não posso resistir, apesar de tudo.

Como é perverso o destino de quem ama...

Toda essa guerra entre amor e razão, me atormentam.

Eu era muito melhor antes de tudo isso.

Antes de Carol, antes de Sophia. Antes desse grupo. Com Merle, eu tinha um comportamento e pensamento de alguém forte, que não teme nada.

E aqui estou eu: Choramingando por uma mulher.

O que Merle diria se me visse agora? Com certeza já teria gritado comigo, e me chamado de fraco. Eu sentia falta de meu irmão. Meu companheiro de toda a vida.

Mas nesse momento, eu agradecia por ele não estar presente; a situação era complicada demais.

Eu só queria que meu amor por Carol superasse tudo, e eu pudesse sentir, a tão rara felicidade novamente.

Notas finais
Talvez o próximo capítulo seja o último. Beijos, meus amores! ♥ Comentem e me deixem saber o que acharam! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.