One Month With One Direction
2 Capítulo 2
– Vai, Laura... Você tem que falar isso... É a sua chance... — ela insistiu, quando a gente finalmente saiu para o recreio. Arrancou o fone do meu ouvido, pra ter certeza de que eu estava ouvindo.
– Me diz um motivo pra eu fazer, Gabi.
– Você tem a chance de passar um mês com eles.
– Vou te dar cinco motivos pra não fazer: eu não sei falar inglês direito, eu vou me embolar toda, eu vou fazer papel de idiota, eu não vou ganhar e eu só vou criar expectativas inúteis.
– Você fala inglês super bem, vai ensaiar e fazer direitinho, não vai fazer papel de idiota, vai ganhar e vai superar suas expectativas. Cinco motivos pra você fazer.
Eu bufei.
– Você é uma chata.
Ela deu de ombros.
– Acho que sou mesmo.
– Ai, como eu odeio passar maquiagem.
– Você precisa. Tem que estar linda naquele vídeo.
Olhei pra ela, com uma cara de "como se isso fosse possível". Ela tinha inventado de me maquiar pra gravar o vídeo, porque, afinal, “os meninos iam ver e eles tinham que ter uma boa impressão logo de cara”. Aquilo, na verdade, me deixou meio deprimida, porque eu lembrei de todas as fãs lindas que iam mandar vídeos, com um inglês perfeito, criativas, fãs desde o começo, com CDs, pôsteres, camisas e tudo mais. É claro que elas iriam ser escolhidas. Aquilo me deu vontade de lavar o rosto e ir assistir TV, esquecer toda essa história de vídeo e um mês com eles. Não criar expectativas, não se decepcionar. Mas eu não tinha coragem de falar isso pra Gabriela, porque ela ia começar a me irritar, dizendo que eu tinha que fazer, e a me fazer mil perguntar sobre o motivo de eu desistir, e eu não queria responder. Então eu continuei ali, fazendo careta e espirrando com todo aquele pó.
– Ok. – ela disse, quando finalmente terminou. – Eu leio as perguntas e você responde. Tomara que eles pelo menos entendam o que a gente vai dizer, meu inglês é horrível.
– Se ficar muito ruim, a gente coloca legenda. – disse, rindo, para disfarçar o nervosismo. Aquilo era ridículo, ficar nervosa pra fazer um vídeo que eles veriam em 3 segundos, ignorariam e nunca mais se lembrariam.
– Ok. – ela disse, mais uma vez. Pegou a câmera, posicionou em cima da cômoda, apertou o botão, pegou o papel e ficou parada do meu lado. Me sentei na cadeira e respirei fundo.
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