One Love, One Lie
2 Continuação
Agora escrevendo isso eu percebo o quanto éramos ingênuos naquela época, e achamos que éramos realmente incríveis e adultos, maduros, mas, percebo também que isso era só uma mascara, um querendo parecer mais esperto para o outro, e éramos felizes só nos não sabíamos disso.
Mas, depois que cheguei ao orfanato novo dividindo o quarto com você, que é mais velho que eu, já podia ter saído daquele lugar, mas, em vez disso você ficou lá comigo durante mais sete dolorosos meses ate que eu pudesse sair de lá também, hoje eu percebo alem de tudo que já mencionei, que aquela ingenuidade é o que nos mantêm juntos até hoje, apesar de você não mais estar fisicamente ao meu lado, a gente sente falta dessa época, mas, depois que saímos, não tentamos nenhuma faculdade nem nada, vivíamos de favor na casa de amigos, e fazíamos uns bicos para sustentar o pouco que a gente precisava pensar, era divertido, mas, as vezes faltava aquele espírito de lar mesmo, e tinha o inconveniente de que nem sempre os amigos podiam receber a gente, as vezes a gente ficava sem ter onde dormir, naquele tempo a gente ate achava graça e ria disso tudo. Se o tempo fosse algo que a gente pudesse parar, ou simplesmente guardar no bolso e usar ele quando convém, seria muito melhor, eu iria parar o tempo naqueles anos e fazer o tempo ser maior quando eu estivesse com você. Mas, não foi assim.
E eu me arrependo de cada segundo com você, não que não tenham sido os melhores momentos da minha vida, mas, é que agora que você esta tão longe, eu vejo o quanto eu dependia de você, alias, quando a gente se encontrar de novo, você ainda vai querer segurar na minha mão?
Chegou um ponto que nem nos mesmo não queríamos nos manter na casa de amigos, precisávamos arranjar um lugar pra ficar, onde fosse um lugar só nosso, eu e você, minha única verdadeira família, já que nunca tive uma, nem mesmo amigos eu tive, sempre foram só colegas. Nada alem disso. Talvez, eu esteja parecendo hipócrita quando digo isso, mas, sinceramente todos aqueles que passaram pela minha vida, e se diziam meus amigos, não fazem diferença, se ainda estivessem aqui, eu ia continuar gostando deles, mas, se algum dia chegassem perto de mim e falassem que iriam se mudar de cidade no dia seguinte por causa de uma oportunidade de trabalho numa banda como você fez, talvez eu não ligasse, e não doeria tanto como doeu quando você o fez.
E depois de dois meses correndo atrás de um emprego fixo, eu consegui, enquanto você fazia pequenos shows em bares com uma banda qualquer, ganhando alguma coisa, alugamos o nosso apartamento, que em algum momento seguinte, compraríamos com nosso próprio dinheiro, tenho orgulho disso. Embora não fosse mais criminoso, o terrível vicio do cigarro ainda me seguia como sombra, e você só me enchia o saco para parar com isso. Obrigado.
É claro, fico feliz pelo lugar que você esta hoje, mas, sinto sua falta, e como sou muito egoísta, não quero que você ande com aqueles caras, como é mesmo o nome? Acho que tem um que chama Kira, Kiro, sei lá, não é?
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