One Love? Not, Three!
3 Esse povo e seus chás
Notas iniciais
Duas da manhã, era isso que o meu celular me dizia. Eu ainda não tinha dormido, na verdade eu dei um cochilo, mas depois disso nada.
Ando pela varanda impaciente observando as estrelas e sentindo as lembranças de quando eu dançava me invadiram, entrei no quarto e comecei a jogar minhas roupas para o alto. Depois de alguma bagunça as achei: minhas sapatilhas vermelhas – que antes eram rosas- rapidamente as coloquei e sem nem me aquecer voltei para a varanda e deixei meu corpo ser guiado pelo som do vento.
—Ei, bailarina- chamou alguém surrando e me tirando do meu transe- Preciso da sua ajuda.
Olhei para a varanda ao lado da minha e percebi que era Liam, com uma roupa estranha e cabelos bagunçados.
—Sua amiga esta andando igual a uma louca lá em baixo, falando muito rápido e sozinha. Eu quero dormir!
—Ai meu Zeus. Eu esqueci, que péssima amiga eu sou- disse a mim mesma me tocando do que estava acontecendo- Espera um minuto. — pedi correndo para o quarto e pegando uma caixinha dentro da mala, voltei para a varanda e estendia a mão a ele- Ai me ajuda aqui.
Nem esperei ele falar nada, pulei para a varanda dele e fui entrando na casa. Pelo que eles disseram as casas eram praticamente iguais, e agora eu esperava que fossem mesmo por que estou andando igual uma louca atrás da Resto.
— Um, nove, quatro, cinco, três, zero, dois, dois, sete...- ela falava rápido e andava de um lado para o outro na cozinha. Coloquei a caixa na mesa e me aproximei dela:
—Lah, calma, respira!- a abracei de lado e guiei ate a mesa, assim que ela se sentou comecei a futucar os armários de Liam em busca de uma chaleira – Então o que acha de chamarmos a Laura e irmos às compras amanhã?
—Luíza, nós acabamos de chegar, serio que você já quer sair?- ao menos com as patadas dela ela se distraia.
Dei de ombros e coloquei a água já morna na caneca junto com um saquê de chá e discretamente dissolvi uma colher do pó que estava na caixinha.
—Pronto bebe isso que você vai ficar bem melhor- Entreguei a ela.
—Você sabe que eu posso fazer meu próprio chá né?! –Assenti de maneira falsa e sorridente.
—Migaaa, bons sonhos e eu vou subir por ter que passar pelo quarto do Liam ainda- dei um beijo em sua bochecha e sai da cozinha, mas antes ouvi um:
— Sapatilhas legais, bom que as usou.
====
—Não esquece que agora é com você- Entrego a caixinha para Liam e continuo- Não espere acabar para me avisar, me fala quando estiver acabando e só uma colher por noite! – o advirto sobre o “pó”.
—Ta eu já entendi, agora me explica o porquê disso.
—Liam, nós matamos pessoas, não é qualquer mente que suporta isso, e a Laísa não consegue dormir sem seu chá, essa substância tira seus sonhos- pulo para minha varanda e antes de entrar no quarto completo- Ah, e ela fala dormindo!
Não me dou a trabalho nem de tirar as sapatilhas e me jogo na cama, sabe aquelas noites em que você esta sem somo e do nada ele vem, pois é, eu sou muito cagada.
*****
Acordar as cinco; banana, aveia e cafeína; corrida no quarteirão; revisão de equipamento; quarenta minutos de aeróbica; trinta de aquecimento; treino pesado ate as dez. É, eu gosto de rotina, é ela quem me mantém sã.
Paro de socar o saco de boxe ao ouvir algo quebrando lá em cima, sem nem me dar ao trabalho de pegar algo subo as escadas do porão correndo e passo pela dispensa como um vulto procurando o que fez o barulho. Uso a mão com cuidado pela mezinha de centro da sala procurando a arma que havia colocado ali na noite anterior, assim que consigo despendê-la da madeira a empunho em mira para uma possível ameaça e subo as escadas para o segundo andar sem fazer barulho.
— Te peguei- grita uma voz assim que viro o corredor. Sem me dar conta de meus atos parto para cima de quem pronunciou tais palavras o derrubando- Ei, calma ai Lara Croft, é só uma brincadeira.
—Não brinque com isso Harry, eu podia ter te matado- esbravejo saindo de cima dele.
—Nossa Luh que drama – ele se levanta ajeitando a roupa e começa a fazer cara de pensativo- Que tal sairmos? Sorvete, depois parque, okay as quatro- diz ele sozinho e de uma vez entrando no quarto.
Meu Zeus é cada anormal na minha vida
===
Não demorou muito a hora em passar, depois de almoçar e ler um pouco resolvi me arrumar, sem muita demora e de um jeito leve despojado, as exatas quatro da tarde esperava Harry no sofá, serio, aquele ser demora mais do que eu para se arrumar, deve estar se maquiando só pode. Ele desceu correndo as escadas abrindo a porta todo apresado.
— Acho que esqueceu de algo não? –comento ainda no sofá ao vê-lo sair pela porta.
— Não, minha carteira esta aqui- responde ele futucando os bolsos- Ah, meu celular, valeu.
—Affs, de mim Harry!
—Claro, achou que eu ia esquecer de você- ele riu, veio ate mim, pegou a minha mão e me puxou para fora, cruzei os braços ao ver a inteligência fechando a casa- Que foi hein?
— O Celular?!
—Ah, é mesmo, nossa....
Xxxxxx
Harry abriu a porta para mim assim que chegamos ao parque.
—A Sorveteria é aqui do lado sabe- começou Harry coçando a cabeça.
— Vamos- Peguei a mão dele achando fofo sua timidez.
Não andamos muito e logo chegamos a sorveteria: Harry pediu um sorvete de chá, eu nem sabia que essa porra existia mano. Eu toda loca pedi um de vodka com Nutella, Harry me olhou como se eu fosse uma aberração, desculpa gente, minha alma de bêbada falou mais alto.
Assim que nós sentamos em uma das fofas mesinhas uma garota chegou e se jogou em cima do Harry, demorei um pouco para me tocar o por que e quando já me aproximava para jogar ela longe seus olhinhos brilhantes e úmidos piscaram em minha direção me estendendo uma câmera. Desculpa mundo não tive escolha! Peguei a câmera e tirei varias fotos deles, afinal ela tinha que ficar bonita também pra mostrar pras inimigas.
—Desculpa por isso- pediu ele após a menina se afastar.
—Harry, são suas fãs, você tem que dar atenção a elas! – faço uma pausa e olho discretamente em volta percebendo uma van preta estaciona a alguns metros da sorveteria e um pouco mais perto uma movimentação incomum- E acho que tenho que me acostumar, namorado.
Me aproximei dele vagarosamente e ou beijei, foi um beijo meio estranho. Admito que sou totalmente culpada em me aproveitar, porem foram poucos segundos ate sentirmos os flashes no rosto e sermos obrigados e correr para o carro, rodeados de gente e de perguntas...
Fale com o autor