One Love Beyond Time
15 Capítulo 15
Enrico chega a tempo no Hospital. São quase sete horas da manhã e Bernardo não havia ligado ainda para Gema. Emília dormia profundamente bem, não havia tido mais delírios ou pesadelos. Gema então liga para o Raul e os dois estão a caminho do Hospital.
— Senhora Emília Beraldini! — Disse Enrico rispidamente sem cumprimentar.
— Bom dia, senhor! Quem gostaria? — Uma outra funcionária, Maria, substituta de Adriana pela manhã.
— Sou o marido dela! Me disseram que ela está internada aqui neste hospital! — Exaltou no mínimo impaciente.
— Vou verificar! O senhor aguarde um instante.
— Sim, eu espero! Se soubessem com quem está falando, não me faziam esperar! Era só o que me faltava. — Resmungou. O que queria mesmo era logo ver a Emília.
— O que disse, senhor? — Maria o questionou.
— Nada! Por favor, verifique logo em qual quarto ela está! Estou ansioso! — Disse bronco.
— Ela está neste primeiro corredor à direita, dobre o setor A, e na primeira porta do lado esquerdo entre, senhor. — Foi apenas o que Maria disse. Enrico, é claro, saiu sem agradecer.
Bernardo está com Emília no quarto. O Doutor Herbert Fernandes chega para saber se Emília acordou bem e se está melhor, mas ela ainda não havia acordado.
— Senhor Boldrin, bom dia! Vejo que não conseguiu dormir bem durante a noite. — Entrou o Doutor falando diretamente a Bernardo.
— Bom dia, doutor! É, não consegui mesmo, não tirei os olhos dessa mulher. — O sorriu. Com os olhos visilmente inchados da noite mal dormida o cumprimentou. Não podia mesmo tirar os olhos dessa incrível mulher.
— E como está sua esposa? Dormiu bem durante a noite? — Indagou o Doutor ao se aproximar do leito. Emília ainda dormia solenemente. Bernardo então se aproximou para lhe relatar em partes o que havia ocorrido, mas é bruscamente interrompido, quando chega na sala uma visita um tanto inusitada. Enrico. A face do homem celeremente se enraiveceu ao ouvir a forma como se referiu o doutor ao homem desconhecido a sua frente como "sua esposa". Entrou mesmo sem bater. Depois dessa ninguém iria "interditá-lo".
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui!? Como assim, "sua esposa"? — Furioso indagou. Impossível as mãos de Bernardo não ficarem gélidas. O fitou dos pés à cabeça ainda estagnado, deveras não esperava conhecer Enrico Beraldini de forma tão inesperada. O doutor o olhou sem entender o que aquele homem mal educado dizia. Como ele pôde invadir, assim, sem educação alguma o quarto de um paciente? Pensou.
— Me desculpe, mas quem é o senhor? — Indagou o Doutor ao homem a sua frente ainda atônito.
— Ora, sou o marido dela, Enrico, pelo menos há alguns anos. Agora pode me explicar, por que se referiu a este cara como marido da minha mulher? — Esbravejou. O Olhou perplexo.
— Agora eu que não estou entendo mais nada! — O respondeu mais sincero ainda. Olhou para o Bernardo.
— Sem problemas Doutor, deixa que eu explico. O que aconteceu aqui foi um equívoco! — Se aproximou. Saiu de perto do leito de Emília e deu início a explicação, mas Enrico foi incisivo.
— Equívoco? E o senhor nem tão pouco o corrigiu! — Sorriu em deboche. Ficou com mais raiva ainda. — Isso é um ultraje!
— Senhores! Eu vou pedir que não briguem aqui, sua esposa — fixou os olhos para o Bernardo e rapidamente se corrigiu — quer dizer! Sua esposa está se recuperando de um acidente. Insisto que... — Pedia pacientemente o Doutor tentado apaziguar a situação. Quando Gema chega no quarto com algumas coisas de Emília nas mãos. E se surpreende ao ver Enrico e Bernardo no mesmo quarto. Isso, no mesmo quarto. Será que ele sabe que Bernardo passou a noite no quarto com Emília? Se perguntou ainda perplexa ao vê-los se encarando.
— O senhor podia pelo menos se preocupar com sua esposa! Não ouviu que foi um engano? Não percebe que sua esposa está acamada e ainda dorme? — O exaltou Bernardo. "Que falta de bom senso tem este ríspido homem!" Pensou. Mas convenhamos que ter ouvido o que ouviu em uma situação como essa foi deveras constrangedora. Bernardo o encarou. Também deixando explícito sua raiva e descontentamento. A questão é, como ele pode preocupar-se mais com o título de homem casado do que com sua própria mulher? Um tanto contraditório em relação ao "título".
— E quem é o senhor para falar comigo nesse tom? Quem pensa que é para dizer a mim o que devo e o que não devo fazer? — Aproximou-se com um olhar severo. Como quem quer colocar alguém em seu devido lugar. Foi possível notar-se Enrico dando "bufas" de raiva.
— Eu sou... — Se aproximava Bernardo. Quando Gema percebe que a estranheza poderia piorar ainda mais, os interrompe.
— Bernardo! — Exaltou Gema em um tom mais fora do que o comum. — Olá, bom dia à todos! Por favor, venha comigo! — Diz sem graça olhando para os "cavalheiros" no quarto apontando para o Bernardo.
— Mas Gema! — Quis insistir.
— Por favor, Bernardo... Preciso falar com você meu amigo. — O pediu quase o implorando. Olhou para os outros rapazes na sala com um sorriso de canto como se nada tivesse acontecido. Então Bernardo resignado, sai do quarto e conversa com Gema que está visivelmente preocupada com a situação que causou. "Bernardo, este é o marido de Emília. É melhor você ir!". Mas ele insistia em ficar. Enrico vendo que o rapaz que quase foi aos murros saia da sala, aproximou-se do leito de Emília. Ela acorda com a impressão desconhecida do ambiente.
— Enrico? — Perplexa. Com a voz esmorecida tentava ficar confortável a cama.
— Oi, meu amor, como está se sentido? — A questionou com um olhar mais preocupado.
— Eu? — Impressionada. — Estou um pouco melhor, vendo tudo ainda muito confuso e com muita dor de cabeça! Eu estou surpresa, não imaginava que viria aqui em Bellarrosa. Está aqui há muito tempo? Quando chegou? — O perguntou. E espontaneamente o segurou a mão. Realmente está surpresa.
— Eu estou aqui, não estou? — Disse em um tom ríspido e friamente. Não conseguia ser mais carinhoso. — Vem cá! Deixa eu te dá um abraço! — Pediu puxando-a suavemente, considerando o seu estado frágil.
— Eu estou com medo! — O declarou pela primeira vez sua insegurança.
— Não tenha medo! Eu estou aqui para protegê-la. — Aproximou-se um pouco mais beijando-a a testa.
— Obrigada, obrigada por vir! Enrico, queria mesmo falar com você, precisamos conversar... — O fitou nos olhos.
— Emília, depois, está bem?! Não ver que está abalada emocionalmente? Preciso que melhore! — Pediu. Emília concordou e ele a abraçou.
Urrum... — Faz Emília também retribuindo o abraço.
Ele a aconchega em seus braços. A beija. Beija-lhe os lábios, o rosto, a testa, a cabeça como um pai amado beija carinhosamente sua linda filha. Gema os olhava de longe. Vira-se para a porta e olha Bernardo os observando escondido. O ver destroçado, sente-se incomodada, não queria que as coisas fossem assim. Bernardo está perceptivelmente com o semblante alterado. Vermelho de ciúmes ao ver àquele homem abusado acariciando o rosto de sua tão amada. Insistentemente cai uma lágrima e quando ver Gema o observar, corre para o mais longe que poderia daquele hospital. Gema o seguiu antes mesmo que ele fosse de vez embora, mas ele já estava muito longe.
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