One Love Beyond Time
9 Capítulo 9
Ele fica no hotel onde Emília está hospedada observando o ambiente em que ela estava, sentido o seu perfume inebriante que ainda está por ali. Até pensa em se hospedar lá, para ficar o mais perto dela, mas fazer isso seria uma tentativa muito perigosa de afastar Emília. Seria uma ousadia! O rapaz que fica supervisionando na recepção o pergunta se ele gostaria de alguma coisa, se hospedar talvez, mas Bernardo simplesmente o agradece, e o diz que apenas estava admirando a "estrutura" do lugar. Quando dentro de poucos minutos, Gema, desce as escadas deslumbrante e Bernardo ao percebê-la, não pensa duas vezes para cumprimentá-la.
— Lembra de mim? — Questionou. Bernardo se aproximou vergonhoso com as mãos nos bolsos da calça.
— Sim! Bernardo, não é? — Afirmou. Tirou o óculos do rosto para entender o que ele gostaria, afinal o que ele fazia ali tão cedo? Emília não estava. E ela a contou sobre o que aconteceu com eles.
— Isso! — Exaltou.
— Não sei se o seu amigo Raul lhe contou, mas estamos nos conhecendo e ele falou muito bem de você. Inclusive vamos agora almoçar juntos! — Não se o porquê de ter dito isso ao Bernardo. Mas para iniciar uma conversa...
— Bom saber, Dona gema! — Exalta Bernardo com um sorriso de felicidade. Principalmente feliz pelo amigo.
— Gema, por favor! É, somente Gema... — O pediu. Ela não era tão "velha" para ser tratada com toda essa formalidade. E muito menos casada, por assim dizer.
— OK, Gema! Gema eu queria falar com a Emília, Dona Emília, você sabe para onde ela foi? Nos encontramos aqui não tem muito tempo, só que achei inconveniente perguntar para ela onde iria. Você, você sabe? — Perguntou entusiasmado. Mas pela cara de Gema não sabe se agradou muito.
— Olha Bernardo, eu sou muito amiga da Emília, e ela me falou o que aconteceu entre vocês dois. É... E eu... — Esclareceu Gema.
— Ela contou? — Pergunta impressionado. Se ela contou é porque deu importância a ele. E ao que aconteceu entre eles naquela noite.
— Sim, ela me contou. E eu vou ser bem franca com você. Quais são as suas intenções com a minha amiga? — O indagou Gema franzindo o cenho. O que ele, Bernardo, poderia querer com uma mulher casada? Criar problemas?
— Eu admiro sua lealdade, Gema. As minhas intenções são as melhores possíveis. Sei que ela é uma mulher casada, tem uma filha, mas o que aconteceu entre nós, eu... eu não resisti foi nisso, foi tudo muito de repente! — Declarou engasgado. Deveras não esperava que as coisas tivessem chegado a esse ponto. Emília mexeu muito com ele, e a agora ele mal consegue seguir os seus próprios passos. Ela o "chama" de form absurda. Ele está se sentindo atraído por ela.
— Entendo! Me desculpe se fui indelicada, esse é um assunto entre vocês dois, mas eu e Emília somos praticamente irmãs e posso assegurar a você que não vou permitir que brinquem com ela. Não comigo por perto! Eu o aconselho a se afastar, essa sua aproximação pode atrapalhar o casamento dela. — Foi franca.
— Gema, eu jamais brincaria com os sentimentos da Emília. Sei que nos conhecemos não faz muito tempo, você conhece a história, mas eu jamais a faria mal ou brincaria com ela dessa forma. Eu só preciso conversar com ela e tentar tirar aos poucos o mal entendido que houve entre nós!
— Não sei se é uma boa ideia. Eu apenas estou vendo o lado da minha amiga. E...
— Gema, você acha que eu tenho alguma possibilidade de conquistá-la? Sei que parece uma pergunta sem cabimento, mas você acha que nós dois... — Foi abusado. Perguntou esperançoso. Ansioso para que a resposta fosse "sim". Mas Gema não poderia ser tão verdadeira assim, ainda mais se tratado de Emília. A possibilidade é muito grande, considerando a crise no casamento e o brilho no olhar, os engasgos, o enrolo, quando a própria falava sobre Bernardo. Mas dizer "sim", seria dizer também para ele não desistir dela. E o que Emília iria pensar se descobrisse essa intromissão?
— "Francamente", não! Não acha que está exagerando demais, Bernardo? Vocês se conheceram não tem dois dias, e já acha que teria uma chance!? Não sei se continuar com essa história seria bom para ela. Conhecendo a Emília, ela não é mulher de abrir mão de uma vida casada, por uma aventura. Emília, Bernardo, é uma das melhores pessoas que eu conheço. É uma mulher encantadora, é incapaz de ser feliz ao ver a sua família e seus amigos tristes. É intensa, sabe? 'Uma mulher que não para por uma gripe!" Enfim, ela pode parecer grossa, impaciente, mas no fundo é um doce, ímpar. Não devia falar isso. Se ela souber que estou falando dela para você, é capaz de me matar! — Fechou a boca antes que disse algo de mais. Gema o dizia entre um elogio e outro, a afirmação possível que Emília não largaria Enrico para viver uma aventura de amor. Mas em instantes retorna a realidade sem perder o foco dos elogios, avisando a Bernardo que Emília a esganaria se soubesse que estava falando dela justamente para ele.
— Quando você fala dela seus olhos brilham. Não se preocupe, eu não vou interferir na vida dela. O que aconteceu, aconteceu. Mas ao ouvi-la falar assim, diria até que estou apaixonado por essa Emília, doce, e que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Espero um dia! — Foi sarcástico. Mas o que ele poderia esperar da melhor amiga de Gema? A verdade, é claro. Mas ainda sim ficou impressionado com a delicadeza das palavras que saiam espontaneamente da boca de Gema.
— Sim. A conheço há muito tempo, "desde o século passado" — Brincou. — se é que me entende... Somos muito amigas! — Orgulhou-se dos anos de amizade. — Bernardo, se não se importa, não quero me atrasar. Foi muito bom conhecê-lo, parece ser uma boa pessoa.
— Obrigado, foi um prazer também!
— Mas isso não significa que não estou de olho em você! — Ponderou.
— Claro! Gema, só um momento, para onde ela foi? — Insistiu em saber mais uma vez.
— Hunm... Não vai desistir mesmo, não é?! Ela foi para a Osteria da Rosa, foram almoçar para lá ela e Lívia. Pelas horas devem estar terminando.
— Obrigado, Gema. — Beijo-a a mão. — Divirtam-se!
— Obrigada! — Riu. Sabia que ele não iria desistir tão fácil. E o deixou após ser cumprimentada.
Bernardo sem perder tempo pega o carro e segue rumo a Osteria da Rosa. Sabe que se ela [Emília] o visse por lá não o daria atenção, e incomodada sairia sem explicação. Então, Bernardo vai até lá nem que seja para vê-la de longe. Mais solta, rindo espontaneamente, sem qualquer tipo de estresse ou interferência dele que pudesse impedi-la de ser quem realmente ela é.
Emília está com Lívia terminando de almoçar um prato delicioso de Strogonoff, e convida a Rosa para sentar-se ao seu lado para conversar. Em frente a Osteria, uma rua um pouco menos movimentada, apenas alguns fluxos de carros, do outro lado está uma simples pracinha, porém muita espaçosa que o prefeito da cidade fez para a enorme quantidade de turistas e visitantes que se hospedavam nas Osterias ali perto. Emília até chegou em pensar em mudar-se para lá, mas essa possibilidade não está fora de cogitação, pensaria melhor depois. Durante o almoço Emília sorria por bobagens que Lívia dizia, e Rosa também não pôde aguentar. Bernardo as observava de longe, não queria atrapalhar.
— Rosa, minha filha disse que marcou aqui na Osteria com a sua filha, ela está? Aproveitamos e ficamos para almoçar, acabei me esquecendo de perguntar, não é filha? Estava divino, parabéns, Rosa! — Agradeceu. Emília passava o lenço no lábios para limpar.
— Agradeço por estarem aqui! É uma honra Emília.
— Não precisa agradecer, Rosa, admiro o seu talento pela culinária. E esse Strogonoff estava maravilhoso. Essa Osteria bem estruturada, e convidativa. Pelo movimento aqui deve fazer muito sucesso! Enfim, não quero de forma alguma incomodá-la, deve estar cheio de clientes esperando serem atendidos por você! — Disse Emília com ternura e Bernardo a observa de longe. O carinho com quem falava, a forma como se expressava com as mãos, o sorriso.
— "Magina!" Fique tranquila. Aqui em Bellarrosa tem várias Osterias, mas ainda me impressiono pela quantidade de turistas que escolhem vir para cá. É muito gratificante! Por exemplo, a senhora, uma mulher tão bem sucedida, chique e elegante vindo aqui na minha Osteria. É muito bom recebê-la, espero que esteja gostando de Bellarrosa!
— Estou amando, em partes! Tem coisas que não podemos evitar. Eu só preciso me preocupar, se caso venha me hospedar aqui, daqui uns dias não passo por aquela porta. — Brincou. Eram poucos os momentos que ficava assim, tão descontraída. — Realmente você cozinha muito bem. E Alice? Como eu disse ,Lívia e ela marcaram aqui.
— Foi? Estranho, ela não me disse nada ou devo ter esquecido, são tantas coisas. Vou chamá-la e não demoro! — Disse Rosa ao se levantar da mesa. Estranhou, pois Alice não havia comentado nada com ela, e geralmente, quando algo do tipo acontece, sempre ela fala antes a mãe.
— Está bem! — Sorriu. — Lívia! — A chama Emília que percebia ela distraída.
— Sim, mãe! — A responde com ma expressão nada agradável.
— Aconteceu alguma coisa, meu amor? — Preocupou-se. Parecia tão triste a menina.
— Está tudo bem. Só tenho que falar uma coisa para a senhora!
— Fale, meu amor! — Disse Emília ao levar um copo com água a boca.
— Mãe, eu... — Rosa chega com Alice, e Lívia nervosa tenta falar a mãe.
— Me desculpe, Emília, mas a Alice disse que não marcou nada com a sua filha, deve ter sido algum engano! — Exaltou Rosa abraçada a filha. Quando Bernardo chega para cumprimentá-las.
— É deve ter sido... — Envergonhada. Como a filha pôde mentir? Emília a olhava cabisbaixa. Está impressionada com o que a filha fez, causou para ela uma situação um tanto constrangedora.
— Olá! — As cumprimentou com grande sorriso.
— Como vai, Bernardo? — Rosa o cumprimentava educadamente.
— Estou bem Rosa, obrigado por perguntar! E você, como está? — Foi gentil. Rosa é uma boa pessoa.
— Bem, obrigada! — Sorriu.
— Rosa, eu tenho que conversar com a minha filha, agradeço pelo almoço. Vamos Lívia! — Disse sem dá atenção a Bernardo, o cumprimentar "formalmente", deixando na mesa uma nota a mais do que foi pedido. Apenas o cumprimentou com o olhar. Pega na mão de Lívia e a guia até o carro que está estacionado em frente à Osteria.
— Eu que agradeço! Mas... — Disse Rosa ao vê-la sair sem contar o dinheiro.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou preocupado.
— Não sei o que aconteceu, antes de o senhor chegar estava tudo bem. Bernardo, fique à vontade. Tenho que atender as outras mesas. — O dizia Rosa ao querer sair.
— Hunm... Tudo bem, obrigado! — A disse sem ao menos olhá-la no rosto. Achou muito confuso Emília ter saído assim, após ele chegar. Ela não seria tão inconveniente, seria? Bernardo acredita em ter acontecido algo mais relevante, que as farpas dadas entre eles.
— Lívia, sabe que odeio mentiras! Por que fez isso? Conversamos tanto! Eu não admito mentiras, eu não ando ensinando isso a você! Mesmo que na sua inocência é capaz de entender que é feio mentir! Não ouse mentir para a sua mãe, ouviu bem? Agora, vamos! — Enraivecida. Lívia não era mais nem uma criança de cinco anos. Sabe exatamente o que fez.
— Mãe, deixa eu explicar? — Perguntou já aos prantos.
— Estou ouvindo! — Respondeu Emília. Bernardo as observava de longe e percebia uma tensão sobre elas. Coisa de, mãe e filha? Pensou. Mas como estava longe, não deu para notar realmente o que está acontecendo. Vendo elas assim, agora acredita mais ainda não ter sido ele motivo por ela ter saído assim.
— Eu criei essa desculpa para sair um pouco do quarto! Eu... Eu menti para ter um pouco mais da sua atenção! — Corou o rosto aveludado, vermelho ficou e desesperado quando as lágrimas insistiam em cair. Sabe que o que fez foi errado. Mentir nunca é bom e tem suas consequências. Mas ainda se sente muito sozinha. E foi o meio que encontrou para ter mais atenção.
— Lívia, meu amor, em hipótese alguma minta para a mamãe. Não precisa inventar desculpas, eu viria sem menor problema, meu amor. Olha o constrangimento que a mamãe passou na frente da Rosa e da menina Alice! — Se abaixou para falar defronte a filha. Enxugou as lágrimas acariciando o rosto da sua pequena.
— Eu sei, mãe! Eu nunca vou ser a Alice! — Soluçava. Sentia que Alice era uma boa filha. E com certeza queria quer que a filha se espelhasse. Vai ver era isso que Lívia sempre precisou, de uma boa amizade.
— Lívia, o que está dizendo, meu amor! Você é tudo para mim. — Disse-lhe deixando cair uma lágrima. Também não a esperava.
— Eu sei! Eu sei que a senhora preferiria ter ela como filha! — Exclamou.
Lívia chora muito e Emília não sabe o que fazer para acalmá-la. Bernardo observando elas de longe pensou em ir até lá, mas achou melhor esperar um pouco. Emília está segurando a mão de Lívia que a solta chorando ao atravessar a rua para ir a praça na frente da Osteria. Emília grita o nome dela "Lívia!", mas ela faz que não ouve. A ignora e sai correndo. E Emília corre para alcançá-la, apesar de não ser uma rua não muito movimentada poderia acontecer o pior. Quando um carro vem em sua direção com uma velocidade constante sem aceleração alguma, mas o suficiente para atropelar alguém que passasse sem atenção àquele lugar. Bernardo grita, "Emília!". E ela vira-se para ele assustada, e seguidamente para o carro vindo em sua direção. Grita. E o pior realmente aconteceu. Bernardo não pôde fazer muito para ajudá-la, em desespero corre para socorrê-la.
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