One Love Beyond Time
19 Capítulo 19
Notas iniciais
— Tem certeza que é isso que quer, Emília? — Perguntou triste Gema. Será que esse caminho que ela teimosamente deveria seguir?
— É o certo, não é? — Indagou. Procurava nos olhos da amiga alguma resposta para sua "dúvida", torcendo para que Gema confirmasse o que "certamente" não queria ouvir.
— Sou sua amiga há muitos anos Emília. E o certo é a sua felicidade! E pelo o que eu estou ouvindo, não consigo ver "felicidade" nessa sua decisão repentina. Você não está feliz! Como assim esquecer o Bernardo? Se separar de Enrico e viver somente por Lívia!? Emília, Lívia irá crescer se tornar uma mulher bela e feliz, e você? Não pensa em você? Não existe você? — Exaltou muito menos que "resignada".
— Gema, eu o conheço a poucos dias, seria loucura seguir em frente com essa história. E o certo é a felicidade da minha filha! Vou doar o meu tempo a ela, Enrico já é um pai distante não vai fazer tanta diferença. — Lamentou.
— E você? Como fica nessa história? Não acha que a felicidade da sua filha também está com o Bernardo?
— Gema, o que está dizendo minha amiga?! Eu e o Bernardo não temos absolutamente nada, não entendo essa sua insistência! E eu nessa história serei sua madrinha! — irônica. — Esqueça o que ouviu sobre o Bernardo, Gema. Faça de conta que ele não está aqui e vamos seguir em frente, sim? — Pediu.
— Emília! — Exclamou mais irritada.
— Não, não, Gema, por favor, não... Eu não quero mais falar sobre isso. Não se preocupe comigo o importante é que você esteja feliz, não acha? — A declarou com os olhos marejados. A felicidade da amiga de fato a importa, mas isso não quer dizer que isso implica diretamente na sua. Muito pelo o contrário.
— Emília, escreva o que estou dizendo. Se você desistir de ser feliz, eu também desistirei. E nós seremos duas solteironas! — Séria. — Mesmo que eu goste muito do Raul, será passado. Pense bem! Isso se importa tanto a felicidade dos outros menos a sua. Vai mesmo permitir que sua amiga torne-se infeliz?! — Gema a confiou dolorosamente. Ela não é nada boba, mas seria capaz! E sabe que Emília não iria permitir que isso de fato acontecesse. Gema sai do quarto deixando-a gritar sozinha.
— Gema? Volte aqui! Gema, espere, vamos conversar! Ô Gema, não pode fazer isso comigo, viu? — Gritou o mais alto que suas cordas vocais alcançavam. Gema não podia mesmo, mas o que ela poderia fazer senão tentar por esse lado? Saiu do quarto entristecida. Odiava ver a amiga agir de forma tão racional, que no caso não faz o menor sentido. Como Emília tem a audácia de desistir de si mesma? Da própria felicidade?
Emília pensou muito antes de as pálpebras nos seus olhos pesarem e vir adormecer. O que também contribuiu o remédio que o Doutor indicou. Dormiu ainda sem acreditar na proposta da amiga e também por admitir de forma tortuosa, contudo, admitiu, que está loucamente apaixonada por outro homem que não seja o seu marido. Sente-se aliviada por ter falado a alguém o que tanto a incomodava o coração, mas ao mesmo tempo sente-se culpada por apaixonar-se em tão pouco tempo, assim, de repente, por alguém que pouco conhece. Somente o beijo, o cheiro inebriante, o rosto de quem a pouco apaixonou-se, o cabelo na altura dos ombros soltos pelo vento, a força que ele a instigava a amar, tudo isso ainda era o pouco que sabia e sentia por ele, nada mais, e saber tão pouco a indignava, e no entanto, a fazia repensar em tudo que já viveu. Sabe que ele provavelmente sente o mesmo, mas não acha correto levar adiante esse sensação ardente que percorre o seu corpo. Quando soube que ele fez de tudo para ajudá-la, foi a "alegria" que mal coube em seu coração, mas não sabe como poderia reagir diante desse sentimento senão trancá-lo longe dos olhos de outro alguém. "Ah Bernardo! Por que fez isso comigo? Agora não consigo dormir sem que esteja em meus pensamentos..." Ela dormiu com a lembrança de quando Bernardo a roubou-lhe os lábios dando um beijo de tirar o fôlego sem "pestanejar". O que será de Emília nem mesmo ela sabe, mas de seus pensamentos somente haverá um homem.
Enrico chega. Entra no quarto e a encontra dormindo sem nenhum lençol cobrido-lhe o corpo. A admira e lhe cobre. Na posição em que está, parecia sentir frio. Ele toma um banho e se aconchega colocando a cabeça dela em seu peito. A acaricia, e com o movimento feito pelos cabelos sedosos de Emília, a acorda.
— Enrico? — O chamou ainda sonolenta.
— Eu sei... Eu sei... Deixa eu cuidar de você! — Abraçando-a.
— Mas... — Curioso. O olhou ainda confusa estranhando o comportamento que nada parecia gratuito.
— Eu não quero mais brigar, está bem! Não vamos mais discutir por besteiras. Me desculpe, eu fui um bruto, beócio com você. Eu te amo Emília! E você sabe como eu sou, mas nunca deixei de amá-la. É só a minha forma de amar. — Declarou Enrico acariciando-a o ombro e cheirando seus cabelos.
— Enrico eu decidi... — Tentava o dizer algo, mas ele com palavras a impedia.
— Durma, descanse! — Incisivamente. — E quando estiver melhor conversaremos.
Ela não resiste e cede aos carinhos de Enrico e dorme. Apesar de ser inacreditável, o amor de Enrico por Emília é verdadeiro. O "verdadeiro" do jeito dele, afinal, cada um conhece a forma de demonstrar o seu amor, só que muitos não entendem ou preferem não aceitar. O que não se compreende é se esse amor que ele diz sentir por ela e declara é maior ou menor que sua ambição para os negócios. Mesmo ele se declarando e ela o ouvindo com todas as letras que a ama, sente um vazio por tanto tempo ter correspondido a esse amor e só agora que não o ama mais vem demonstrá-lo, com um simples passar dos dedos em seus cabelos ondulados. Mas será que Enrico foi levado mais pela razão do que pela emoção? Será que ele fez essa cena toda só para Emília não pedir separação? A conhecendo certamente pensaria assim, ele tem muito mais a perder do que a ganhar. Emília, filha, um cargo único e excelente na Casa Beraldini, sucesso, respeito das pessoas, entre várias outras coisas. Será? Os seus olhos declaravam isso, suas atitudes também, mas nada o faria acreditar que um dias eles pudessem se separar.
Os dias com Enrico foram bons provavelmente, sem nenhuma briga como o mesmo pediu e disse. Emília apresentou uma grande melhora, sentia-se leves dores na cabeça, mas nada que um bom remédio para contornar ou enganar a sensação de incômodo. Os pontos já haviam sido tirados. Lívia passava a maior parte do tempo com Alice, tornaram-se melhores amigas. Alice por mais que seja uma criança tanto quanto Lívia, a ensinou a ser mais compassiva, a ter temperança e a respeitar os pais e as pessoas a sua volta. Realmente, Emília estava certa, Alice a faria muito bem.
Uma semana e Emília não teve notícias de Bernardo. Só Lívia que mais o via, Rosa o convidava para jantar e ela estava lá sempre para brincar com Alice. E Dorotéia gostou muito de ficar o mais perto de Bernardo com a intenção óbvia de se aproximar do enófilo e escritor. Emília não saía muito, ficava em casa se recuperando ainda mais. Lendo alguns livros e observando sempre Enrico que quase todo dia saía no mesmo horário. Depois da última briga, eles não conversaram mais nada sobre a viagem e o acidente. Ele não insistia para ir embora, sabia que não adiantaria nada. Emília ainda quer muito ficar. Desde que chegou em Bellarrosa após saber do acidente de Emília, fizeram "amor" pelos menos uma vez. Agora era ela quem o estava evitando. E teria sido ainda mais assim se ele não tivesse chegado. Ocupava-se sempre com os negócios e só chegava em casa para brigar. Seu casamento com ele sempre esteve por um fio, uma linha tênue prestes a se romper, ela ainda não percebia, e uma forma de esquecer os problemas era mergulhar de cabeça nos negócios da Beraldini. Bernardo escrevia e pensava em Emília e assim sucessivamente, exaustivo e inconformado. Ainda mais quando Raul o conta que Gema lhe disse que eles [Emília e Enrico] estão bem. Isso fez seu coração arder em ciúmes, a sente mais distante, a última vez que a viu estava desacordada em uma cama de hospital. Mas seu semblante melhora quando Rosa os convida para um jantar, dessa vez, na Osteria. Não mais que ilustre, porque agora sabem muito bem quem são as visitas. Bernardo, é claro, ficou deveras entusiasmado. Ansioso por saber que Emília poderia estar.
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