One Love Beyond Time
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Lívia chora muito e Emília não sabe o que fazer para acalmá-la. Bernardo observando elas de longe pensou em ir até lá, mas achou melhor esperar um pouco. Emília está segurando a mão de Lívia que a solta chorando ao atravessar a rua para ir a praça em frente a Osteria. Emília grita o nome dela "Lívia!", mas ela faz que não ouve. E Emília corre para alcançá-la, apesar de não ser uma rua não muito movimentada poderia acontecer o pior. Quando um carro vem em sua direção com uma velocidade constante sem aceleração alguma, mas o suficiente para atropelar alguém que passasse sem atenção. Bernardo grita, "Emília!". E ela vira-se reconhecendo a voz de quem a chama e se assusta, seguidamente vira-se para o carro vindo em sua direção. Grita. É possível notar a expressão aterrorizante do motorista. E o pior realmente aconteceu. Não o esperado. Que Bernardo heroicamente se jogasse em sua frente ou pula-se para salvá-la, mas não pôde fazer muito, estava um pouco longe. Em desespero corre para socorrê-la.
As pessoas começam a se aglomerar para ver de perto o acidente. Emília caída no chão, inconsciente, o carro atingiu-a de leve entre o quadril e a perna esquerda, pouquíssimas escoriações no corpo, porém, durante à queda foi inevitável não deixar bater a cabeça, ainda mais pelo enorme susto que sentiu. Lívia, ao perceber que sua mãe não a chamava mais, não gritava por ela incessantemente, olha para trás e acha estranho o ajuntamento de pessoas na rua. Chega o mais perto para observar, e sem realmente saber ou ter a noção de quem está lá sendo o centro das atenções, entra em desespero. Entra em desespero ao ver sua mãe completamente desacordada. Grita por ela como se fosse a única oportunidade de chamá-la, "Mãe!". Grita por culpa, medo, raiva, dor e agonia. Chora! Grita incessante quase esmorecida, "Mãe!!" ao saber que ela, Lívia, foi a causa do acidente. Corre até ela como se não houvesse nenhum empecilho, como se absolutamente nada e ninguém pudessem atrapalhá-la. Bernardo grita o mais alto que suas cordas vocais pudessem alcançar por socorro, e para os curiosos que estão por perto se afastarem. Rosa ver a aproximação de Lívia e a segura com um forte abraço, confortando-a, mas nada disso impediu que Lívia chorasse e gritasse ainda mais, nada impediu que o seu mundo alí desabasse. Emília em choque retorna a consciência chamando por Lívia, e chora. Bernardo vendo-a recobrar-se, pede a ela que se acalme, mas parece não ouvir, só chama por Lívia, está colidindo com sua própria dor, resistindo à vontade de desmaiar novamente, lutando para manter-se de olhos bem abertos. Só que mesmo que tentasse não conseguiria, seu estado de choque é mais forte ao ver a sua filha gritando por ela, "enlouquecida", e não poder fazer simplesmente nada para contê-la do seu medo, uma tortura. Sua voz embargada, mal podia corresponder o desespero da filha que se tremia de pavor. "Lívia, meu amor, estou bem!", "Lívia, não chore, vai ficar tudo bem!", dizia entre um embargo e outro para Lívia que não ouvia atentamente.
— Emília, não force muito! Tente manter a calma e olhos fixos em mim. Vamos, olhe para mim! Preciso que olhe em meus olhos. Por favor, mantenha os olhos bem abertos...
— Mas, minha filha! Minha filha! — Dizia aos prantos.
— Xiiiiii... Não chore meu amor... Ela está bem! Não fale. Você bateu muito forte à cabeça. — Bernardo insistia a Emília com amor, um amor que quem os observava assim, jurariam que são um belo casal de namorados que foram feitos um para o outro sob medida. Ele a segurava a mão inclinando sua cabeça para ele, afim, de que ela o olhasse. O olhasse para ela ver que neste momento desesperador não está sozinha.
E ela chama por Lívia...
"Não chore, Emília, vai ficar tudo bem!". Dizia Bernardo tentando conter as lágrimas. E antes que os olhos de Emília fechassem, pesados, como se estivessem com muito sono, ela o chama, suspira por ele, suspira seu nome como se fosse o último sopro, o último suspiro, "Bernardo!" e desmaia em seus braços. Foi um impulso importante para que Bernardo a pegasse no colo e imediatamente a levasse para o pronto-socorro mais próximo da Osteria. Sabe que ter essa atitude não é considerada como uma das mais qualificadas ou indicadas, ainda mais em casos de atropelamento, mas vê-la em seus braços, estagnada, como se não pudesse fazer nada, seria desesperançoso demais. Esperando a ajuda de uma ambulância que parecia não chegar nunca e a atenção de pessoas que só faziam piorar mais a situação, o faria imaginar que o mais provável acontecesse. O rapaz que inocentemente a atropelou, fez questão de levá-los ao hospital. Enquanto ele corria contra o tempo e o vento, Bernardo com Emília atrás em seus braços, acariciando-a, ansiando chegar o mais rápido possível.
É um desespero total, eles conseguem chegar ininterruptos. Bernardo a carrega até a emergência, dá o nome de Emília que rapidamente é atendida. Agora não está mais em suas mãos, sim nas mãos dos médicos. Lívia está com Rosa e Alice esperando por notícias em sua casa. Rosa a consola.
Bernardo liga para o Raul.
— Raul! Que bom que você atendeu, a Gema está com você? — Fala Bernardo ofegante em desespero.
— O que foi Bernardo, aconteceu alguma coisa? — Pergunta Raul que se assusta com a voz embargada do amigo.
— Emília! Emília, Raul, sofreu um acidente em frente à Osteria, agora estamos no hospital! Por favor, a Gema, Raul! — Diz Bernardo suando frio.
Gema que não pôde deixar de ouvir, toma o celular de Raul grosseiramente.
— Bernardo! O que está acontecendo? Por favor, o que aconteceu com a Emília? — Gema fala querendo chorar.
— Gema, Emília, sofreu um acidente! Acabamos de chegar e ela está sendo atendida. Por favor, é melhor estar aqui quando ela retornar a consciência. Não sabemos ao certo se foi grave ou não, ela bateu forte à cabeça! — Diz Bernardo andando para lá e para cá.
— Ô meu Deus! Como assim não tem notícia? — "Se acalme, Gema!" Dizia Raul do outro lado.
— Como eu disse não temos ainda notícias, acabamos de chegar Gema! Estamos no Hospital Santa Cruz, passo por mensagem o endereço. — Bernardo.
— Está bem, por favor, não saia daí! E Lívia, Bernardo, Lívia está com você? — Gema.
— Está com Rosa, não se preocupe tanto. Venha com urgência, precisam saber mais sobre ela. — Bernardo falando para ela não demorar.
— Ok! — Disse Gema do outro lado da linha dando o celular para o Raul, e os dois vão para o hospital.
Bernardo desliga o telefone e senta cabisbaixo aguardando por notícias. Está destroçado! Só agora percebeu o quão forte, tão intenso, tornou o seu sentimento por Emília. Somente agora descobriu o que realmente sente por ela. Amor! Está apaixonado. Mas não como antes quando beijou-lhe os lábios, foi uma das melhores loucuras que fez em sua vida, é como agora, que ousou sentir perdê-la. E muito mais amá-la após ouvi-la dizer seu nome "Bernardo!". Como foi bom ouvir o som suspirando o seu nome naquela voz, agora sem patadas, farpas ou grosserias, em uma situação completamente desfavorecida e desorientada. Como foi bom salvá-la, mesmo sem ter Emília completa lucidez disso.
Bernardo andando para um lado e para o outro sem notícias, fica mais ainda preocupado. Em instantes Gema chega com Raul aos prantos perguntando pela amiga. Bernardo a responde que não há notícias ainda e que o melhor que eles podem fazer em uma situação como essa, é esperar.
Na casa da Rosa...
— Rosa! A minha mãe vai ficar bem? Ela não vai morrer, né?! Ela não pode morrer! — Disse Lívia sentada no sofá aos prantos.
— Claro que não, meu amor. Sua mãe é forte! Vai ficar tudo bem. — Responde Rosa a passando tranquilidade.
— Eu quero vê-la, por favor, me leve no Hospital. Eu preciso vê-la e pedir desculpas! Eu... — Chorando mais ainda Lívia.
— Lívia querida, é melhor esperar-mos por notícias aqui. Irmos todas para lá pode piorar as coisas! Alice!
— Sim, mamãe! — Responde Alice olhando o estado de Lívia.
— Leve Lívia para o seu quarto e tente acalmá-la, sim? — Rosa.
— Está bem, mamãe! Vamos Lívia, vou te apresentar o meu quarto. — Alice a puxando pelo braço.
— Não! Eu não quero! Por favor, eu quero ver a minha mãe! — Chora Lívia.
— Lívia, meu amor, vamos fazer assim, sobe com a Alice e eu vou tentar ligar para saber notícias, está bem?! Não chore, sua mãe está bem... — Rosa
— Promete que se acontecer alguma coisa vai me dizer? — Lívia.
— Prometo! Leva ela filha.. — Rosa.
— Vamos, Lívia! Não fica assim... — Alice.
E Lívia sobe com Alice soluçando muito.
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