A aula não teve nada de especial. Para ser bem sincera, mal prestei atenção. Eu só pensava no pequeno pedaço de papel que estava dentro da minha mochila naquele exato momento. O mesmo com o endereço de Justin Bieber. Imagine se alguém o pegasse? O que seria de mim? Ou pior. O que seria de Justin? Eu estava com um grande pedaço de ouro dentro da minha mochila, praticamente.

Mas enfim. Voltei para casa, almocei e fui para o meu quarto. Escolhi minha roupa, tomei um banho, me vesti e arrumei a bolsa. À essa altura, eram 13h30m. Dei uma checada no facebook e no twitter e desliguei o computador. Depois, desci até a sala.

– Mãe, Brian, to saindo — avisei.

– Espera! Onde você vai? — minha mãe perguntou.

– Uhm.. Pra rua!

– Selena...

– Ok. Vou pra casa do Justin. Tchau mãe, até depois!

– Tá, mas se comportem!

– Mãe, por favor né..

– Você entendeu.

– Infelizmente.

Então saí. Como minha mãe é maliciosa, nossa. Mas enfim. Na minha bolsa, estavam meu celular, minha carteira, as chaves de casa e o endereço do Justin. Peguei o pedacinho de papel amassado e dei uma olhada. Eu não fazia ideia de onde era aquele lugar. Pelo visto era super afastado. Tentei perguntar para algumas pessoas se elas sabiam dessa rua, mas nenhuma soube. Então perguntei para mais uma.

– Oi senhor, você pode me dizer onde fica essa rua? — peguei o papelzinho e mostrei.

– Ah, é meio longe — ele respondeu.

– Mas você sabe onde é?

– Sei.

– E... pode me dizer?

– Posso.

– ... Então. Onde é?

– Ah.

Ele era meio lerdinho pois era idoso. Ele me explicou que eu teria que pegar três ônibus diferentes para chegar próximo de lá. A não ser que eu quisesse ir de táxi e pagar uma fortuna. Então me dirigi até o ponto de ônibus e peguei o primeiro.

Depois que peguei os três ônibus, fui andando até a casa dele, utilizando o Google Maps. Cheguei na frente da casa dele mais ou menos às 14h20m. Uau. A casa era enorme. Eu hesitei por alguns segundos antes de tocar a campainha. Mas acabei tocando mesmo assim. Logo Justin atendeu, com um sorriso no rosto.

– Sel, você veio! — ele disse.

– Sim, eu vim! — falei, e ri. Ele riu também.

– Achei que não viesse, são quase duas e meia...

– Desculpa, demorei pra achar.

– Tudo bem. Entra!

Então eu entrei. A casa era perfeita. Muito bem decorada e organizada. Provavelmente ele não morava sozinho.

– Senta! — ele sugeriu, já sentado no sofá, indicando para eu sentar ao seu lado.

– Claro — falei e sentei. — Que casa linda.. Você mora aqui sozinho?

– Não, minha mãe mora aqui comigo — ele respondeu, sem jeito. — Mas ela não tá agora. Ela saiu.

– Ah bom.

E nós conversamos um pouco. Até que ele perguntou:

– Você... joga video game?

– Jogo. Mas não lá em casa, porque não tenho um.

– Quer jogar?

– Ai Deus... Qual?

– Bom, temos várias opções aqui. Xbox 360 com kinnect entre outros complementos, Wii e Play Station 3. Qual você quer?

– Xbox. Qual jogo?

– Topa o Dance Central?

– Que isso?

– Pra dançar, ué.

– Ah. Não sei...

– Tá com medo, é? — e ele começou a fazer barulhos irritantes de galinha.

– Não! Tá.. eu jogo esse.

– Yes.

Logo começamos a jogar. Até que é bem legal, e eu achei super fácil. Ganhei dele 5 vezes, e ele 4 de mim.

– Ok, chega — ele disse.

– Que é? Cansou de perder? — impliquei.

– Não, é que esse jogo cansa mesmo.

– Aham, sei — e nós começamos a rir.

– Que tal um jogo mais suave?

– Como assim?

– Já sei que você é uma boa dançarina. Mas quero descobrir um outro talento seu..

– Ahn? Justin, no que você tá pensando? — fiquei confusa.

– Já jogou Lips?

– Não.. Como é?

– Vou colocar e você vai entender.

Ele colocou o jogo e me deu um microfone na mão. Então eu entendi tudo.

– Ah não. Não, não, não, não e não — falei.

– Por que não? Vaaaaamos, joga!

– É injusto, você vai ganhar.

– Talvez não. E não precisa ser afinado para ganhar, só acertar a letra.

– Não Justin.

– Por favoooor! Quero te ouvir cantar! — e ele fez uma carinha daquelas irresistíveis.

– Tá bom. Mas espero que você não fique desapontado comigo depois disso.

– Não vou ficar.

E ele escolheu a música. Era "Two Is Better Than One". Ele começou a cantar e, no refrão, eu comecei a cantar também, só que bem baixinho. Depois continuei cantando na segunda parte da música, e ele parou de cantar, e ficou me ouvindo. E no refrão ele voltou. Quando acabou a música, ele começou a rir e olhou para baixo.

– Que foi? Qual é a graça? — perguntei.

– Nada. É que sua voz é linda, e eu não sei por que você achou que eu ia ficar desapontado com você.

– Minha voz não é linda, a sua que é.

E nós nos sentamos.

– Sel, sua voz é linda sim! É suave, e perfeita. Não sei como ainda não virou cantora — ele disse.

Eu admito que gosto de cantar. E muito. Mas não acho que sou uma boa cantora. Acho que sou só mais uma. Uma em um milhão.

– Obrigada. Mas eu não acho isso — eu agradeci.

– Por que não? Deveria achar.

– Porque não daria certo! Tem tantas garotas por aí com vozes maravilhosas. Não sou nada demais. E além de tudo isso, sou tímida. Não consigo entrar no palco que eu fico muda.

– Mas você se deu bem quando foi a OLLG.

– Claro, eu não tinha que cantar, né!

– Mesmo assim.

Nós ficamos uns segundos nos encarando, quando ele disse, bem próximo de mim:

– Você é perfeita, Sel.

E ele me beijou. Sim, ele me beijou. Não foi muita coisa, foi só um selinho, mas mesmo assim. Meu coração foi quase parar na boca.

– Justin... — interrompi. — N-não... e-eu... — e me levantei. — Melhor eu ir.

– Não, Sel.

– D-desculpa.

Peguei minhas coisas e saí, completamente confusa com o ocorrido. Isso realmente aconteceu? Não deveria acontecer. Foi tudo muito rápido. O show, nossa suposta amizade, e agora esse beijo. Realmente, eu mal o conhecia. Digamos que ele não fosse famoso, e eu o conhecesse assim, do nada. Então eu tenho dois encontros com ele, talvez nem isso, e ele me beija. Não faria sentido!

Voltei para casa o mais rápido que pude. Entrei e subi correndo as escadas. Minha mãe ficou confusa.

– Selena? — ouvi ela dizer lá da sala.

Eu entrei no meu quarto direto. Joguei minha bolsa na cadeira e deitei na cama. Não sabia o que fazer nem o que pensar. Então, liguei pra Demi.

– Alô? — ela atendeu.

– Oi Demi, sou eu, Sel.

– Oi Sel! Parece preocupada, o que foi?

– Vem aqui pra casa e eu te explico.

– To indo.

E nós desligamos. Logo minha mãe entrou no quarto.

– Filha, tá tudo bem? Chegou cedo... São 16h.

– To bem mãe.

– Você não parece bem — e ela sentou na minha cama, do meu lado.

– Eu to mãe, sério, só vim mais cedo.

– Ok. Quando quiser me contar, me chama — ela acariciou meu cabelo e saiu.

Ela sabia. Ela sempre sabia quando eu não estava bem ou não queria contar algo pra ela. Óbvio, ela é minha mãe. E estava certa. Eu ainda não conseguia contar pra ela o que tinha acabado de acontecer.

Uns minutinhos depois a camapinha tocou. Ouvi que minha mãe atendeu, e a Demi começou a subir as escadas. Logo ela entrou no quarto. Eu me levantei e dei uma abraço nela, e pedi pra entrar e fechar a porta.

– Demi, eu to confusa. Muito confusa — falei.

– O que aconteceu?

– Ahm... Justin me beijou.

– O QUÊ?

– É. Ele me beijou.

– Como? Onde?

– Na casa dele. A gente tinha cantado juntos em um jogo do Xbox, o Lips, e ele disse que eu cantava bem. Então a gente começou a conversar, e eu dizia que não, eu não achava isso. E daí ele disse: "Sel, você é perfeita", e ele me beijou. E depois eu me levantei e saí. Não do nada, eu gaguejei algumas coisas, e daí eu saí.

– Ai. Meu. Santo. Deus.

– Pois é, e agora eu não sei o que fazer.

– Primeiro. Por que você saiu de lá?

– Porque não fazia sentido! Eu conheci ele pessoalmente à poucos dias, nós só tivemos um encontro sem ser esse de hoje e o do show, que não conta. E agora ele me beija e eu não sei mais o que fazer. Eu to confusa!

– Ok. Entendi, eu acho. Mas enfim, você esperava que acontecesse alguma coisa entre vocês?

– Não sei, talvez no futuro, mas não agora. Foi muito rápido.

– Mas aconteceu. E agora não tem volta. Você quer continuar a falar com ele?

– Acho que quero...

– Você quer que agora aconteça algo com vocês ou prefere esquecer ele? Tipo, agora ou nunca.

– Não existe a opção "no futuro"?

– Não.

– Beleza.. Essa pergunta é difícil.

– Eu sei, mas você precisa de uma resposta.

– Eu sei. Tá. Ahm... Eu não quero esquecer ele. Mas não sei se to preparada pra algo mais forte agora.

– Então não faz nada.

– Como assim?

– Espera. Ele provavelmente vai te ligar ou dar algum sinal de vida. Quando isso acontecer, você vai saber o que fazer.

– Será?

– Vai por mim.

– Ok. Obrigada, Dems.

– De nada.

Depois disso ela continuou lá em casa e jantou conosco também. Então ela voltou para a casa dela e eu fui deitar, após me arrumar para dormir. Demorou alguns minutos, mas eu dormi.