One Last Time
1 Blank Space
Notas iniciais

Alguns acreditam na ira de Deus, outros, em doença, a maioria sofre com isso e eu, bem, eu nem sei mais em que acreditar.
Se eu falasse isso a alguém a uns 2 anos atrás, brincando com meu irmão mais novo, que estava em um apocalipse zumbi, ou seja lá o que está acontecendo, ririam da minha cara, mas a realidade de hoje não é mais assim.
Já faz alguns meses que eu me separei de minha família, para variar, estou sozinha, e minhas armas são uma pistola calibre 38 e arco com uma aljava de flechas.
O mundo mudou muito, sinto que nele, eu não estava realmente viva, estava apenas sobrevivendo. É isso que as pessoas, ou o que sobrou delas fazem, sobrevivem.
Eu estava detonada, estava suja, com fome, sede, sono, e para ajudar minha situação, dentro de uma floresta, estava escurecendo, e eu tinha uma lanterna, mas chamaria a atenção de grupos canibais ou algo assim, e eu não queria morrer, não agora.
Fui caminhando lentamente, já fazia umas 2 horas que eu caminhava quando no fundo, ao fim da floresta avisto uma.... Cadeia? Estou confusa, na verdade, será que há presos ainda? Apertei o passo e segui até o portão e de relance vi um homem armado numa espécie de mirante.
Aquilo me deu medo, mas ao mesmo tempo, segurança, segurança por ter alguém aqui, o que era bom, me aproximei dos portões então, como em um filme ou livro, eles se abriram, e pra minha sorte, a coisa que eu encontrei do outro lado foi um homem com uma arma apontada para mim.
– Quem é você? – Ele perguntou, tinha cabelos loiros queimados, uma barba não feita, e roupas surradas.
– Melanie, Melanie Hiltter, senhor, por favor, não vim em busca de encrenca ou mortes, apenas que um lugar para dormir e comer com tranquilidade. – Eu disse pondo as mãos pra cima.
– Sou Rick Grimes, você tem um grupo?
– Não, sou só eu senhor Grimes.
– Me chame de Rick, Melanie, eu posso oferecer ao que disse, mas antes, preciso fazer-lhe 3 perguntas. – Ele disse procurando as palavras certas para usar comigo.
Ótimo! Só falta o ‘sr. Grimes’ pedir minha roupa, Deus! Eu não sou tão ameaçadora assim, eu só estou coberta de sangue e sujeira, com arco e flechas e uma arma pedindo onde dormir. Será que é tão difícil entender?
– Tudo bem. – eu disse e ele abaixou a arma.
– Quantos errantes já matou?
– Bem, para ser sincera, nunca contei, mas não foi nada menos que 80. – Eu disse.
– E, quantas pessoas você já matou? – Ele perguntou cauteloso, se estivéssemos no tempo onde pessoas não se transformavam em mortos andantes, diria que ele era um policial.
– 3, Rick.
– E, por que? – Ele disparou essa frase olhando no fundo dos meus olhos, então, fechei a cara, levantei meu olhar para encarar ele duramente e também disparei fria:
– Por que tentaram me matar antes.
Ele desfez a cara de bravo e me lançou um olhar de aprovação, fiquei animada e também tirei do meu rosto a expressão dura que lancei a ele. Será, então irá durar para sempre ou acabará em chamas? Essa pergunta me consumia. Mas, essa era minha chance, minha melhor chance de preencher o espaço em branco que havia em mim.
Fale com o autor