One Last Night
1 Capítulo 1
O ônibus parou bruscamente, fazendo com que o corpo de Kim voasse para frente. Kim era uma garota muito jovem, por assim dizer. Tinha apenas dezenove anos, era rodeada de amigos; por mais que soubesse que poucos eram realmente verdadeiros. Família, bem, isso ela não tinha. Perdeu o pai ainda menina, a mãe morreu de câncer quando Kim tinha quinze anos. Daí em diante, passou a morar com a avó, que também veio a falecer, seis depois de a neta ir morar com ela. Começou a morar sozinha dois meses depois da morte da vó e sua vida se tornou um escuro beco sem saída.
Kim desceu cuidadosamente os degraus do ônibus, cuidando para não perder o equilíbrio, já que usava um salto agulha de quinze centímetros. Os cabelos naturalmente ruivos estavam presos em um rabo de cavalo e usava um vestido preto que definia perfeitamente suas curvas. A bolsa não parava de escorregar de seus ombros pequenos. Andava tranquila, observando as ruas de Seattle.
Um tropeço, seguido por uma queda. Talvez o destino, talvez coincidência, mas Kim veio a cair próximo a uma placa de “pare”. Ninguém ofereceu a mão para ajudá-la, pelo contrário: alguns riam dela. Seu pé direito doía, e ela não conseguia se levantar. Até que...
– Olá! – um rapaz a cumprimentava ao mesmo tempo em que estendia a mão para ela se levantar. – Parece que precisa de uma mãozinha.
– Obrigada... – Kim disse timidamente, tirando a mão do chão. Sua mão ossuda tocou a dele, e ela sentiu uma sensação diferente, diferente de todas as que sentira na vida. Era como se aquela mão fosse a que pudesse aquecer suas mãos sempre frias.
– É o que dá andar com esses sapatos. – o rapaz falou, apontando para os saltos de Kim. Ele estava quase paralisado pela beleza dela, seu olhar confuso e até seu visível nervosismo.
– Eu vou tentar usar sapatilhas da próxima vez. – Kim disse, entre um riso nervoso. – Preciso ir. Minhas amigas estão me esperando. – ela olhou na direção do bar e viu as quatro moças na porta.
– Se cuida. – o jovem disse, enquanto ela ia embora caminhando meia mancando.
– Pode deixar. – ela respondeu. Ele a viu partir, e guardava a imagem de seus olhos extremamente verdes se estreitando com os dele. Os cabelos ruivos de Kim balançavam conforme ela andava lentamente, e ele não pôde resistir.
Kim sentiu a mão de alguém agarrar seu pulso. Ao virar-se, o reconheceu como sendo aquele que a ajudou a se levantar.
– Como é o seu nome? – ele pediu em tom desesperado. Sua mão ainda não havia largado o pulso da garota.
– Me chamo Kim. – ela respondeu surpresa, pois pensava que ele nem sequer se lembraria dela. – E você?
– Me chamo Willian, mas pode me chamar de Axl – ele respondeu. Seu cabelo castanho e liso escorria pelo peito, os olhos no mais escuro castanho, as roupas inteiramente de couro, o lenço azul cobrindo-lhe a testa e os visíveis sinais de Rock N’ Roll. Kim se perguntou qual era a utilidade de saber seu apelido, já que, em sua mente, não se veriam outra vez. – Axl Rose.
– Legal te conhecer, mas minhas amigas estão me esperando. – Kim estava nervosa, muito nervosa. Nunca se sentira assim, e nem esperava que um dia sentisse. Mas aquele rapaz, aquele Axl Rose, consegui criar borboletas em seu estômago em questão de minutos.
– Até algum dia. – Axl disse sorrindo, sabendo que se veriam novamente.
– Até. Espero te ver algum dia. – tentou controlar o corar das bochechas e o sorriso, mas foi impossível. Ele deixou que ela fosse. Estava entorpecido por aquela garota. Ele a observou cruzar a rua, enquanto puxava o vestido para baixo. Parecia tão tímida, mas tinha um jeito atrevido ser.
...
– Oi, Lucie. – disse Kim, um tanto sem vontade. Por mais que gostasse de seus amigos, estava enjoada da vida que vinha levando há três anos. Havia outras três garotas, mas nenhuma delas era sua amiga de verdade. Lucie era uma moça de cabelos pintados de loiro, extremamente liso, amante dos vestidos curtinhos e um cigarro estava preso em seus dedos. Às vezes, Kim se perguntava se eram essas as pessoas que considerava suas “amigas”. Dirigiram-se a mesa e uma de suas amigas, Milly, chamou o garçom.
– O que vai querer? – Milly pediu para Kim. Ela pensou um pouco antes de responder.
– Pra começar, um copo de cerveja, bem cheio. A mais forte que tiver. – desde a morte de sua mãe, beber era uma das coisas que mais amava fazer. Afogava toda a dor e todo o rancor que sentia. Nunca se sentiu pronta para senti-los. Suas amigas pediram licor, e pareciam que já começavam a ficar bêbadas.
– Quero te apresentar um amigo. – Lucie disse, dirigindo-se a Kim. As palavras saíram um pouco enroladas, já que acendia outro cigarro. Vale dizer que Kim não fumava.
– Que amigo? – Kim pediu, bebendo um gole da cerveja.
– Espere aí! Vou chama-lo – disse Lucie, animada. Um minuto depois, ela estava de volta, com um rapaz alto ao seu lado. Kim cuspiu a bebida de volta no copo quando reconheceu quem era o “amigo”: Era Axl Rose.
– Kim?! – Axl disse surpreso.
– Vocês se conhecem? – pediu Lucie, não entendendo mais nada.
– A ajudei a se levantar uns minutos atrás – ele respondeu.
– Vamos beber alguma coisa? – pediu Kim, tentando quebrar o clima de confusão.
– O que vai beber? – ele respondeu.
– Que tal uma rodada dupla de vodka? – respondeu Kim, em tom desafiador.
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