One Heart

1 Seu mordomo - Separação


Notas iniciais
Enjoy it!


Mais um dia amanhecia na bela e onipotente Inglaterra. O inverno estava chegando, e os dias ficavam cada vez mais frios. Em poucas semanas, a neve cairia, deixando as ruas no mais puro branco da estação. O lago congelaria, transformando-se numa extensa pista de patinação. Era, afinal, uma estação muito esperada por todos.

O dia já amanhecera para todos na mansão Phantomhive, menos para Ciel. O jovem ainda dormia, quando a luz finalmente penetrou pela janela de seu luxuoso quarto. Era Sebastian, que abria as cortinas.

— Bom dia, jovem mestre – disse Sebastian, sorrindo – Trouxe seu café da manhã.

Ciel abria os olhos, mas definitivamente não queria levantar. Ele já sentia que o inverno estava por vir, então cobriu-se novamente.

— Levante-se, jovem mestre! – Sebastian já puxava o edredom de Ciel.

— Sebastian!!! – o jovem garoto gritou com o mordomo.

— Jovem mestre, você vai se atrasar para o encontro com os líderes da Cia. Trancy.

— Ahh, tenho que lidar com mais alguns vermes ambiciosos... – disse Ciel com um olhar vago.

Sebastian se aproximou do jovem conde, que já estava sentado em sua cama e começou a vesti-lo, como de costume. Ciel continuava com aquele olhar vago, e o mordomo percebeu, mas apenas continuara em silêncio. Logo, havia terminado de amarrar o cadarço das botas do garoto. Então, levantou-se:

— Tome seu café da manhã, jovem mestre, e estarei esperando por você no hall de entrada para sairmos.

O mordomo curvou-se e saiu sem ouvir nenhuma palavra de seu mestre. Ciel mudara o foco de seu olhar, e agora observava alguns pássaros que pairavam por sua janela.

— Livres... – Ciel dizia isso com um certo desejo nos olhos.

Certamente, não era uma manhã comum. Ciel havia tido um sonho que o perturbara. Agora olhava para seu café da manhã, que aos poucos esfriava. Por que Sebastian teria levado a refeição para ele!?

Ciel lembrou-se de seu sonho. Seus pais estavam nele, vivos. Vivos... O jovem conde queria apagar de sua memória o sofrimento que passara quando os pais morreram, mas não era algo fácil de esquecer. No mais íntimo de seu sub-consciente, lá estavam os dois. Sua família. Ciel colocou a mão sobre o olho direito. O olho amaldiçoado pelo contrato que fez com aquele demônio, seu próprio mordomo. Algo estava errado. Por que as coisas não podiam ser como no sonho que ele teve?!

— Ciel! Vá falar com Elizabeth,ela está te esperando lá dentro!

— Tudo bem, mãe – disse Ciel com um leve sorriso, enquanto entrava em sua mansão.

— Ciel-kun!!! – Elizabeth já estava sufocando Ciel em um abraço.

— E-Elizabeth... – Ciel estava perdendo o ar.

— Haha, Elizabeth, não sufoque nosso garoto antes da hora, se não, ninguém irá casar com você! – dizia um jovem alto e belo, que descia as escadas do hall principal.

— P-Pai! – Ciel brigou com o pai, que o deixara encabulado.

— Conde-sama, as rosas já estão nos vasos. Algo mais?!

— Não Finny, muito obrigado! – Respondeu o pai de Ciel, sorrindo.

Ciel voltara a si. Aquela vida normal que ele levava em seu sonho nunca iria acontecer. Seus pais estavam mortos. Seu servo era um demônio que o salvou da escuridão. Aquela manhã ensolarada de primavera nunca chegaria a ocorrer.

Um profundo sentimento de revolta tomou a mente do jovem. Por que sua vida tinha que tomar aquele rumo?! Ciel era totalmente dependente de seu mordomo agora. Tudo estabelecido no contrato que fez com Sebastian. Mas por breves momentos, o jovem conde desejou que sua vida fosse diferente... Que Sebastian nunca chegasse a existir, e que seus pais estivessem com ele.

Ciel não tocou no café da manhã. Apenas saiu de seu quarto e caminhou vagarosamente em direção ao hall de entrada, para encontrar-se com Sebastian. Ao passar pelo quadro de seus pais, ele parou e observou. Não sabia o que estava sentindo, mas não era normal.

— Jovem mestre, vamos?! – Sebastian já entregava o paletó e a cartola de Ciel.

Ciel parou na porta da mansão e fitou os olhos de Sebastian, sem dizer nenhuma palavra. Era incrível como a presença do mordomo enojava seu ser naquele momento. Ele estava confuso, não sabia direito o que fazer. De súbito, tomou uma decisão inesperada:

— Saia da frente, Sebastian... – o jovem dizia, sem olhar para o mordomo mais.

— Jovem mestre!? – Sebastian estranhou a decisão do conde – O que está dizendo!?

— Não quero que me acompanhe, Sebastian, fique na mansão. – Ciel já estava chegando perto da carruagem, que seria guiada por um dos empregados da Cia. Trancy.

— Mas, jovem mestre...

— Já disse pra não ir Sebastian! – o jovem alterou o tom de voz, estava realmente nervoso.

Finny e Maylene estavam por perto, esperando as ordens de Sebastian. Ficaram confusos, afinal, Ciel nunca havia brigado com o mordomo antes.

— ... Jovem mestre, eu... – Sebastian já curvava-se para falar algo, mas Ciel o interrompeu.

— Já basta Sebastian! Você não entendeu!? Não quero que vá comigo, e não quero que me siga! Me deixe ir sozinho, está ouvindo?! Isso é uma ordem!

Sebastian apenas levantou sua cabeça, e viu um profundo sentimento de raiva nos olhos de seu mestre. Ele não compreendeu muito bem, mas não lhe cabia decidir nada. Ele era o servo, só devia obedecer.

Yes, my lord. – Sebastian curvou-se.

Ciel entrou na carruagem, fechou a porta e pediu que o condutor começasse a viagem. Sebastian permaneceu parado na frente da mansão, com uma expressão desagradável.

— O que aconteceu com o jovem mestre?! – Finny perguntou.

— Sebastian-san... – Maylene não gostava da feição de Sebastian.

— Não é nada... E vocês, voltem ao trabalho! – Sebastian respondeu aos dois, olhando o distanciar da carruagem – temos muito o que fazer ainda!

— Sim! – E os dois foram para o jardim.

Sebastian entrou na mansão e pôs-se a pensar. Nunca havia discutido com seu mestre a ponto de deixá-lo sozinho. Por que o jovem conde dispensaria a compania de seu fiel servo? Será que aquela criança estava amadurecendo?

Dentro da carruagem, já na cidade, Ciel olhava a rua, se questionando se teria feito o certo. Por uma breve vez, que seja, ele queria se ver livre do demônio com quem fez aquele contrato. Ciel sentia-se independente e tentava trazer à tona, pelo menos em parte, o sonho que teve.

A viagem pelas ruas de Londres continuava. Ciel já estava impaciente, será que a mansão dos Trancy nunca chegaria!? Estava frio, e Ciel queria logo sair dali e ir para um local mais quente. O jovem conde pôs-se a olhar o anel de brilhantes azul que estava em seu dedo, assim, se distraíra e nem percebera que a carruagem diminuíra o ritmo.

A carruagem finalmente parou. O cocheiro desceu e não abriu a porta para Ciel descer. Saiu e foi falar com um homem de cabelos negros, que estava na porta de uma enorme construção. Ciel estava observando tudo da janela da carruagem, e percebeu que algo estava errado. Ficou um pouco apreensivo, afinal, seu fiel protetor não estava com ele. Lembrou-se de tudo que havia dito para Sebastian, mas soltou seus pensamentos quando o mesmo homem de cabelos negros abriu a porta da carruagem.

— Perdão pela demora, — disse o homem ao abrir a porta – estávamos resolvendo os últimos assuntos.

— Que seja... – disse Ciel, que acabara de descer da carruagem.

Ciel estranhou a construção, pois com certeza não era a mansão dos Trancy.

— Que lugar é esse?! – Ele perguntou ao homem que abriu a porta da carruagem.

— Você já vai descobrir... – Disse o homem, com um sorriso cínico no rosto.

Nesse momento, outro homem, com o rosto cortado e um corpo robusto, agarrou os braços de Ciel e os levou para trás, fazendo com que o garoto não pudesse se mexer.

— O quê?! Me solte!!! – Ciel gritava.

O home tirou um lenço do bolso, encharcado de éter e colocou-o sobre o nariz do jovem garoto, fazendo com que ele respirasse aquela essência.

— O que... – Ciel já estava por perder a consciência.

— Bons sonhos, Conde Phantomhive... — o homem riu, ainda com o lenço no rosto do jovem.

E Ciel desmaiou.

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Notas finais
Ficou bom?! Continuo?!
Sebastian está te seduzindo para mandar reviews
sheuheue

tks a todos