One Heart
3 Seu mordomo - Aconchego
Notas iniciais
No quarto dos empregados, Maylene, Finny e Bard estavam acordando. Ao saírem do quarto, estranharam a mansão tão calada e quieta. Bard foi até a cozinha e estranhou a ausência de Sebastian preparando o café da manhã para o jovem conde. Finny foi até o quarto de Ciel, que estava com a porta aberta e alguns pertences do garoto sobre uma mesinha. Maylene se dirigiu ao jardim.
— Sebastian....-san?! – Maylene se espantou em ver Sebastian sentado à porta da mansão – Você... passou a noite aqui!?
— Bom dia Maylene... – Sebastian olhava apenas para os grandes portões que davam a saída da mansão.
— Sebastian-san... por que o jovem mestre ainda não retornou!? Já estamos ficando preocupados...
— Não sei, Maylene... – Sebastian levantou-se.
— Eu sei que você deve estar preocupado também, mas entre e tome o café da manhã, antes que você se sinta mal, ok?! – Maylene tentou ser gentil, mas o mordomo sequer olhou para ela.
Sebastian sabia que seu jovem mestre estava correndo perigo. Passou toda a noite na frente da mansão, esperando que o garoto desse a ordem para que ele fosse salvá-lo. Mas nada. Sebastian não ouviu nenhum chamado.
O dia já estava claro, e pela grade da janela do porão, a luz do sol penetrava. Uma música ecoava:
London Bridge is broken down
Falling down, falling down,
London bridge is falling down
My fair Lady…
Na mente do garoto, tudo não passava de uma simples ilusão. Mas ao abrir os olhos, Ciel percebia no que estava envolvido.
— Levante logo, moleque! – Zack chutou Ciel para que ele acordasse.
— Seu... – Ciel contorceu-se no chão de dor.
— Sem gracinhas pirralho, ou vai apanhar mais! Levante logo! – Zack já puxava Ciel pela blusa, levantando-o e o levando para fora do porão – Hoje você vai receber sua “recompensa”...! – e saiu rindo com o garoto.
Ciel não tinha forças para falar nem para andar. Suas mãos ainda estavam amarradas. Seus olhos, manchados pelas lágrimas da noite anterior, mal se abriam. Seu rosto estava muito machucado. O jovem resolveu novamente refugiar-se em seus pensamentos, e para amenizar toda a dor, lembrou-se de seu sonho.
Na mansão Phantomhive, os empregados não conseguiam mais trabalhar. Estavam preocupados com o jovem mestre, e resolveram agir por si mesmos:
— Eu vou até a cidade procurar informações! – Disse Finny, com firmeza.
-E eu vou até a casa de Lady Elizabeth, para tranqüilizar-la se ela desconfiar de alguma coisa! – Maylene estava decidida.
-Não acha que devemos chamar a Scotland Yard?! – Tanaka já pegava o telefone, mas todos foram parados por Sebastian.
— Finny, se o jovem mestre desapareceu, não adianta ir até a cidade. Maylene, se você for até a casa de Elizabeth, ela irá desconfiar que algo está errado. Tanaka, chamar a polícia é muito arriscado. – Sebastian dizia tudo com um semblante gélido.
— Mas Sebastian! Vamos ficar parados sem fazer nada?! – Bard gritou com o mordomo.
— Acalmem-se e deixem que o jovem mestre resolva seus próprios problemas... – Sebastian virou-se para os empregados, que permaneceram em silêncio.
Era uma grande área livre. Um local amplo, totalmente sujo, coberto de uma vegetação rasteira, típica de locais abandonados. Zack acabara de trazer o garoto para fora, e a claridade perturbava os olhos de Ciel.
— Ahhh, bom dia, Conde Phantomhive! – Jonh falava mais cinicamente como nunca – Como passou a noite!?
— ... – Ciel mal levantava a cabeça.
— Diga-me, essas amarras estão muito apertadas?! – John falava das cordas que estavam nas mãos de Ciel – Quer tirá-las?!
— Seu verme... – Ciel ainda tinha a mesma coragem do que sempre.
— Ora, estou te fazendo um favor, não fique bravo...
Zack foi até o garoto e desamarrou suas mãos. Seus pulsos estavam completamente marcados e feridos pelas cordas. O anel de brilhantes azul caiu do dedo de Ciel.
— Haha, o que temos aqui... uma jóia?! – Zack pegou o anel, rindo.
— Tire suas mãos imundas dele! – Ciel tentou avançar contra Zack, mas foi barrado por mais dois homens, que o seguraram pelos braços.
— Vejo que é algo importante para você, Conde... Permite-me?! – Jonh já pegava o anel de Ciel – Hmmm, é um belo anel... Deixe-me adivinhar... presente de seu pai?! – John colocou o anel no dedo.
— Desgraçado... – Ciel estava enfurecido.
— Não, melhor... foi o que sobrou daquele maldito Phantomhive não é?! Depois que ele morreu, só uma jóia azul sobrou daque—
— Cale essa boca!!! – Ciel gritou.
As lágrimas brotaram como de impulso pelos olhos do garoto. Novamente ele estava chorando. Por que chorar pela morte dos pais?! Ciel nunca havia feito isso. Por que agora?! A mente do garoto estava completamente abalada... tudo por causa daquele sonho...
— Olha, quem diria, o conde Phantomhive chorando, feito uma criança... ah, estou comovido! – Jonh ria – Façam essa criança parar com isso! É nojento!
Os homens que seguravam Ciel novamente bateram no garoto. Zack cortou o rosto do jovem bem acima de sua sobrancelha, fazendo com que o sangue escorresse pelo seu olho e por seu rosto, misturando-se com suas lágrimas. Ciel não agüentava mais, e apenas caiu no chão.
— Está doendo, jovem conde?! – E John se levantou da cadeira em que se encontrava.
Novamente Sebastian encontrava-se no jardim, em meio a todas aquelas rosas brancas. Com a chegada do inverno, logo todas elas desapareceriam do jardim. O mordomo pegou em uma rosa, e rapidamente ela morreu em suas mãos. Como uma coisa tão bela poderia perecer tão rapidamente...
Ciel já não tinha esperanças de sair vivo dali. O único que poderia salvá-lo era seu fiel servo. Ciel não queria chamá-lo, mas simplesmente não queria morrer. O garoto levantou com dificuldade, e fitou John, que estava na sua frente.
— Suas últimas palavras, Conde Phantomhive... – E John puxou uma arma de seu bolso, apontando-a para Ciel.
Ciel ficou estático. Talvez era mesmo aquele o seu fim. Mas antes, ele sabia o que deveria fazer. A liberdade que ele tanto quis levara-o para seu próprio fim. Talvez seu destino fosse morrer ali... ou ficar preso ao contrato que fez com aquele demônio para sempre. Ciel nunca pensou que diria aquilo, mas sem receios, pronunciou duas palavras:
— Perdão, Sebastian... – E Ciel tirou o tapa olho de seu olho direito.
Finalmente, o mordomo havia escutado seu nome.
— Hey, o que é isso no olho dele?! – Zack assustou-se.
-Tanto faz, a terra vai comer esse olho mesmo! – John riu e disparou contra Ciel.
O garoto fechou os olhos.
E o barulho do tiro ecoou por todo aquele lugar.
(...)
— N-não pode ser...! – John olhou pasmado para o garoto.
Roupas pretas, luvas brancas, e a bala do revólver em sua mão. Ciel sentira que estava envolvido nos braços de alguém e que não estava morto. Resolveu abrir os olhos.
— Sebastian!??!!? – Ciel espantou-se como nunca antes.
— Andou chorando, jovem mestre?! – O mordomo via que o rosto de Ciel estava manchado pelas lágrimas.
— Sebastian... por que?! Eu não dei a ordem para que... – Ciel foi interrompido antes que terminasse sua fala.
— Eu ouvi o meu nome, jovem mestre... – Sebastian sorriu.
Os homens de John estavam muito assustados. Como aquele homem conseguira parar uma bala!?
— Com licença, jovem mestre. É hora de acabar com isso... – O mordomo disse rindo, e deixou Ciel encostado na parede, avançando pra cima daqueles homens.
-Sua... aberração!!! – John atirava em Sebastian, mas era inútil.
O mordomo, com toda a habilidade que tinha, usou das próprias armas de cada homem ali presente para atacá-los. Sebastian viu que Jonh estava com o anel de Ciel, e terminadas suas façanhas com os capangas de Jonh, o mordomo avançou sobre ele.
— Isso pertence ao meu jovem mestre – Sebastian deu um sorriso para John, mas um sorriso gélido.
— A...AHHHHHHH – John caiu ensangüentado ao chão.
Ciel observou tudo de longe. Seu fiel servo havia lhe salvado. Ele levantou com certa dificuldade, enquanto Sebastian se aproximava novamente.
— Jovem mestre, eu não matei aquele ali... Talvez ele sirva para dar algumas respostas... – Sebastian já estava bem perto de Ciel – Tome. – E o mordomo colocou o anel no dedo do garoto outra vez.
Ciel não conseguia dizer nada.
— Ah, jovem mestre, você está sangrando. Não acha que devemos voltar para a mansão para cuidar desses ferimentos?! – Sebastian sorria calmamente – Eu prometo fazer aquela torta de chocolate com nozes que você gosta tanto! – E novamente ele sorriu.
Ciel não disse nada. Olhou para o mordomo e fez algo que nunca pensara em fazer, mas simplesmente o impulso veio até si.
O jovem conde abraçou Sebastian com todas as forças que tinha.
Sebastian ficou estático. Não disse uma palavra sequer.
Os dois permaneceram em silêncio por um breve momento. Sebastian não entendia o que o mestre estava fazendo e qual era o sentido de tudo aquilo, mas deixou que o jovem continuasse o abraçando. Mas não podia ficar assim...
— Jovem mestre... – Sebastian resolveu tomar a palavra.
Ao perceber o que estava fazendo, Ciel empurrou Sebastian bruscamente para frente e desfez o abraço. Ele não sabia o que dizer, nem como olhar para o mordomo.
— Você... – Ciel perdera as forças. Estava fraco, e acabou desmaiando antes de se explicar.
Sebastian avançou para pegar o garoto em seus braços e não deixá-lo cair. Ele olhou bem para o mestre, para seu rosto, manchado de hematomas, sangue e lágrimas.
— Vamos voltar para casa, jovem mestre... – Sebastian sorriu, pegou Ciel nos braços e caminhou para fora daquele lugar.
Finalmente, o sofrimento tinha chegado ao fim.
Ou não...
Notas finais
Confesso que ela me encantou tanto a ponto de me inspirar em escrever essa fic [junto com o lançamento da 2ª temporada neh? >D]
Pena que isso talvez nunca vá acontecer de verdade u_ú...
então... devo continuar?!
Sebastian terá que seduzir vocês de novo para mandarem reviews?! ò_ó
shuehseuhe
tks
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