One Heart!
15 - Confiança.
Notas iniciais
Empurro Adrien e o encaro atentamente. Passo a mão pelo seu cabelo dourado, pelo contorno do seu rosto. Olho fixamente em seus olhos verdes.
— Marinette ...
— Você sempre soube que eu gostava de você, teve tanto tempo para dizer que queria alguma coisa comigo ... Agora que está noivo dá a entender que gosta de mim?
— É sério que é isso que você está pensando? – Ele quase ri.
— Você quer que eu pense o que? Que estou ficando maluca? Porque acho mesmo que você é o cara por quem estou apaixonada. – Dizer isso é bem estranho.
— Espera, o que? – Ele me encara, seus olhos parecem brilhar no escuro como vaga-lumes.
— Eu sei, é confuso.
— Não é, seu coração ... Acelera por mim Marinette. Voce sabe disso. – Sei mesmo, mas se eu estiver certa (O QUE EU TENHO CERTEZA QUE NÃO ESTOU, PORQUE VOCÊS SÃO CLARAMENTE AGUA E VINHO) você é Chat Noir. Porque só ele consegue fazer eu me sentir assim. Eu tenho certeza.
— Isso ta errado Adrien. – Me afasto dele.
— Se você tiver certeza do que quer, eu acabo tudo com a Lovely. Mas precisa ter certeza porque ...
— Certeza de que você é ele ou de que o amo? – Disparo o encarando.
— As duas coisas. – É ele. É o Chat Noir! Como pode ser? Esse “E se” vai me enlouquecer.
Respiro fundo tentando me controlar. Ele sabe que sou a Ladybug. Se ele sabe e o Chat Noir, porque não tentou nada quando e viu da ultima vez? Não podemos pronunciar porque se for verdade é como revelar nossas identidades secretas.
Eu quero gritar.
— E ai? O que me diz?
— Quer que eu diga que amo você e que sempre amei? Que quero ficar com você independente do que isso traga de conseqüências para nós? – O loiro se aproxima de mim e segura minha mão me tranqüilizando automaticamente.
— Sim. Quero. Você não acha que já esperamos demais? – Ele pronuncia as palavras com tanto cuidado – Vamos fazer dar certo.
— Mas e se não for você e se não for eu?
— Não vamos viver no escuro! – Quando escuto isso não posso mais ter duvidas – Você tem idéia do que estou arriscando aqui? – Ele dá um sorriso leve. Eu entendo o que ele quer dizer.
Entrelaço meus dedos nos seus. Aproximo meus lábios dos dele e dou um beijo demorado.
— Eu me apaixonei por você de novo não foi? – Digo para ter certeza que não é uma coincidência.
— É, não conseguiu resistir né? – Seu sorriso é o mesmo sorriso zombeteiro e meus olhos se enchem de lagrimas. Eu queria tanto poder falar sobre isso abertamente, mas apenas uma palavra pode fazer tudo desaparecer – Hey, Estou aqui. Com você. – Ele me abraça e eu me agarro a ele. Escutamos gritos e eu dou um pulo me afastando dele.
— Fique aqui! – O loiro corre em direção ao salão de festas e eu o deixo ir. Afinal, ele não pode se transformar na minha frente.
— Marinette, isso pode dar muito errado ... – Tikki surge ao meu lado.
— É ele. Não precisa me dizer em voz alta pra saber que é.
— Podiamos ver com a Sally se algo pode ser feito – Eu a corto.
— E colocar em risco tudo ? Tikki eu não posso! – Eu a seguro gentilmente.
— Mas Marinette, de repente, as coisas deram errado no passado justamente porque não foram feitas da maneira certa!
— Vamos pensar sobre isso, agora Tikki, transformar! – Me transformo e vou até a área da festa.
—-
O salão virou o um mundo de doces, como Candy Land.
— Ou ele é fã do Willy Wonka ou é fã da Katy Perry. Você decide – O tom zombeteiro do gatinho me chama atenção.
— Mas o que ... – Chat Noir está preso na parede pelo que parece ser uma gosma de mashmellow.
— Espera Ladybug, se você encostar vai ficar grudada aqui em mim. – Suspiro.
— Pra onde a criatura foi? – Digo olhando em volta.
— Ladybug, que bom que você veio! Eu estava contando com isso! – O homem com cartola realmente é inspirado no velho Willy, me pergunto se o akuma esta na cartola ou na bengala que ele carrega.
— Gatinho, não acha que essa seria uma boa hora para usar seu cataclismo? – Digo já me preparando para usar meu talismã.
— Vamos com calma joaninha, não quer saber o que fiz com todos daqui? – Ele dá um sorriso largo ajeitando o chapéu.
— Não importa, quando você estiver derrotado, todos voltam ao normal.
— Hmm, vejo que você mudou como Hank Moth me avisou. – Um frio passa pela minha espinha.
— Porque você não chama seu amiguinho para batermos um papo? Eu realmente estou com saudades sabe – Chat Noir surge do meu lado, apesar da piada, seu semblante está sério.
— Ainda falta muito pra isso acontecer Chat Noir, mas confesso que seria, interessante. A dupla imbatível junta novamente – Ele pega sua bengala e atira balas assim do nada, nos fazendo pular feito pipoca.
— Meus Deus! Parece que ele não ta pra brincadeira! – O gatinho fala e eu pulo para dentro do salão pela janela.
Lá consigo ver todos os convidados congelados como se estivessem hipnotizados.
— Açucar faz isso? – O loiro diz meio assustado.
— Acho sim, melhor dar um tempo em doces – Dou de ombros, passo por todos e não vejo a Lovely – Espera, cadê a Lovely? – Essa mulher ...
— O que foi my Lady?
— Chat Noir ... Essa mulher, ela é estranha ... – Ele me fita com seus olhos de gato reluzente.
— LadyBug! – Escuto a copia do mestre chocolate me chamar – Eu decidi te tornar a minha noiva!
Ele aparece pulando de um lado para o outro. E eu o olho desconcertada.
— E o que seu maluco?
— Sabe, você é forte. Bonita e agora, está presa – Ele sorri e quando e olho pra baixo vejo que pisei no que parece ser um tapete de chiclete.
— Cara, eu sei como ela é encantadora, mas já tem dono. Sorry. – Chat Noir pega o bastão e quando está se aproximando eu o grito para ficar longe.
— Para ai! Olha pro chão! – Varios pedaços imensos de chiclete. Se o gatinho conseguir chegar perto de mim antes do maluco ele pode destruir esse tapete – Talismã! – Grito e um esqueiro cai em minhas mãos.
— Vish – O Gatinho vai até o vilão e começa a lutar com ele enquanto eu analiso a cena.
Açucar, fogo. A pele dele, parece ser feita de açúcar, talvez eu consiga, derrete-lo!
— Chat Noir! Me tira daqui! – Grito pra ele que dá um golpe de capoeira no homem que vai parar colado em seu próprio tapete grudento.
— Arrrrrrgh! – Ele grita.
O gato corre até mim e usa seu cataclismo novamente.
— É melhor correr, ele não vai ficar preso por muito tempo – Ele já está puxando o gato pelo rabo e o jogando longe.
— Você acha que vai aonde? – Ele está centimentros de mim, eu vou andando pra traz mas ele me pulveriza com açuca que vai endurecendo aos pouquinhos.
— Droga, tenho que chegar a mesa de Buffet.
O homem caminha devagarzinho ate mim enquanto eu vou congelando aos poucos. Mal consigo falar agora.
— Nossa, você ta tão doce. Perfeita – O homem dá um beijinho na ponta do meu nariz e eu quero vomitar – Mas primeiro, preciso dos seus brincos – Nesse momento sinto alguém puxar o isqueiro da minha mão.
Chat noir acende um pano embebido no álcool e enfia em uma garrafa de espumante quebrando na cabeça do maluco que pega fogo e derrete restando só a cartola pra contar historia. Me esforço para me mexer e jogar o talismã pra cima desfazendo tudo.
— Ufa! Não era bem o que tinha em mente, mas funcionou. – Digo sorrindo aliviada.
— Bom, ele ia te beijar, e eu nunca deixaria afinal, to esperando isso a anos! – Ele empina o nariz me fazendo rir.
As pessoas olham uma pras outras assustadas. Pego a cartola e a rasgo deixando o akuma voar. O capturo e o solto em seguida.
— Tchau, tchau borboletinha – Olho em volta tentando achar a anfitriã da noite.
— Ta tudo bem? – Ele diz já me puxando para sair do salão antes que as pessoas se aglomerassem a nossa volta.
Eu apenas balanço a cabeça afirmando. Quando saímos eu o encaro, ele parece tão normal. Tão Chat Noir.
Preciso falar com a Sally, a Tikki tem razão, eu não quero cometer mais erros.
— Bom, foi ótimo te ver my Lady. Mas ...
— Vai lá. – Aceno pra ele antes de sumir na escuridão.
—-
— Tikki, descansar – Volto ao normal e ela me encara com seus grandes olhos escuros – Vamos falar com a Sally.
— Otima decisão. Tenho certeza que é a melhor decisão a tomar! – Ela abraça minha bochecha carinhosamente e eu volto pra festa procurando a Sally.
As luzes já voltaram ao normal e a festa está mais vazia. Acho que o povo ficou assustado.
— Marinette! Eu te procurei por todo canto – Luka chega preocupado, ele me segura pelos braços enquanto Alya me olha dando de ombros.
— Eu estava, congelada la fora. Que maluco assustador – Dou um riso sem graça.
— Ai amiga, virar um torrão de açúcar até que e interessante, confessa – Ela dá uma batidinha em mim com o cotovelo.
Vejo Nino entre as pessoas vindo em nossa direção, ele não está fantasiado. Realmente devia estar fora da cidade.
— Alya, acho que tem alguém te procurando – Ela vira pra trás e vê o moreno que quando a nota dá um sorriso de pura felicidade – Ele gosta de você de verdade, não consegue ver?
Ela engole seco e respira fundo.
— Eu espero que você tenha razão. – Ela me encara com seus olhos âmbar e vai de encontro a ele.
— Vamos dançar? – Luka diz me chamando a atenção. Eu disse que era um encontro então, é o mínimo que devo fazer.
Dançamos várias musicas animadas e quando chega na lenta ele me puxa pela cintura para colar seu corpo ao meu. Me sinto completamente desconcertada.
— Errr ... – Seus olhos azuis me dizem que ele sabe que nada vai rolar.
— Tudo bem, eu entendo. – Ele diz desviando o olhar – Mas, não vou desistir. Não ainda.
— Luka ... Eu sinto tanto ... – Eu começo mas ele me corta.
— Não sinta, tenha orgulho da decisão que tomar. Assim como eu terei da minha. – Me deixa um tanto confusa – Não que eu esteja agorando vocês dois. Eu quero que você seja feliz Marinette e sei que posso fazer isso melhor do que ele.
Eu não digo nada, apenas queria que ele pudesse encontrar alguém que o amasse de verdade, com todo coração. Como eu amo o Adrien.
Esse pensamento me pega de surpresa.
Terminamos a dança e eu saio em busca da Sally. Eu a encontro no terceiro andar andar observando todos lá de cima.
— Oi – Digo pulando em cima dela.
— Oi! – Ela me abraça pelos ombros – Arrasou lá embaixo e aquele cara que está com você é LINDO – Ela suspira.
— Você está vestida como o leitão? – Digo ao ver as orelhas e o nariz de porquinho.
— É, cortesia da Lovely. Entende porque estou aqui em cima né?? – Ela diz envergonhada.
— Porque faz o que ela manda?
— Ela é a noiva do meu chefe. Me deu a fantasia junto com o convite. Não tinha muito o que fazer – Ela dá de ombros.
— Olha Sally ... Eu queria te falar sobre uma coisa ... – Eu começo.
— Eu já sei, a Alya descobriu né? Eu já esperava por isso – Ela me olha séria – Podemos confiar nela? Digo não é só perigoso pra você, mas pra ela também. – Ela fixa seus olhos castanhos nos meus.
— Ela era a Rena Rouge e nunca disse isso pra ninguém, confio nela cegamente.
— Hmm , então tudo bem. Acha que ela ainda tem capacidade para se tornar a Rena Rouge? – Ela diz pensativa.
— Sim! Claro! – Digo de prontidão, a loira balança a cabeça e volta a olhar a multidão lá embaixo.
— Tem mais uma coisa ...
— Posso ser sincera com você? – Ela diz sem me olhar – Isso já deu errado inúmeras vezes. Você tem que voltar no tempo pra concertar e tudo é esquecido novamente.
— Mas você não sabe ...
— Você quer contar para o Chat Noir quem é não é? – Ela se volta pra mim de novo.
— Você vai levar a Tikki embora de mim se isso acontecer? – Dou um passo pra trás involuntariamente.
— Você não deve revelar sua identidade porque é perigoso para você e sua família, fora que você ter um caso com ele não vai ajudar muito – Eu fico boquiaberta.
— Como sabe de tudo isso? – Ela dá um risinho.
— Você é transparente como água Marinette , escolhi você porque confio em você. – Ela me abraça e diz baixinho — Se for uma situação excepcional que vocês não tenham culpa. Nada poderá acontecer.
Ela me solta e volta a observar todos. Quer dizer que não posso dizer, mas se acontecer por motivos de força maior, tanto eu quanto Adrien podemos continuar com nossos miraculours.
Fale com o autor