Notas iniciais
Nada simpática.

Não demorou muito até que eu chegasse ao meu destino e os sorrisos me rodeassem, a começar pelo porteiro, que não tinha um dos mais bonitos sorrisos, mas por incrível que pareça foi um dos únicos que me pareceu verdadeiramente sincero e de pura espontaneidade. Eu não retribui, assumo, apenas acenei com a cabeça como um gesto de “agradecimento” e ele se deu por satisfeito com a resposta não muito simpática. Para minha felicidade, ao contrário das ruas, os corredores estreitos estavam aquecidos e lotados, defino aquele momento como caótico ao extremo, mas não dei muita importância, continuei andando até o banheiro, para ver a minha aparência, se estava pelo menos aceitável, já que não era nem um pouco bonita – pelo menos eu não me achava nada atraente ou algo do tipo – e pior ainda, nada simpática. Me esbarrei em uma ou duas pessoas durante esse trajeto não muito longo. Deparo-me com uma menina de ombros caídos, um cabelo grande demais, que já deveria ter sido cortado a muito tempo, usando roupas largadas, sem um pingo de felicidade reluzindo em seus olhos, pelo contrário, olheiras fundas e escuras, como as de uma pessoa que tinha passado a noite em claro rodeado por pensamentos que gritavam no subconsciente e não a deixavam ter um momento de tranquilidade – confesso que a noite passada não tinha sido nada fácil, foi como se a morte dos meus pais tivesse vindo me assombrar durante toda a madrugada e me apontasse como a culpada, afinal eu fui a única sobrevivente, logo a menina que não tinha planos pro futuro, sem animo algum pra enfrentar a vida – mas nada que uma boa maquiagem carregada não resolvesse, e as pessoas já estavam acostumadas a me verem dessa forma, não seria nada estranho. Agradeço a força superior por ter me presenteado com uma amnésia coletiva que afetou aquela escola, já que dois colegas apenas vieram me parabenizar, e sim, eu fiquei aliviada por isso. A manhã se passou sem mais detalhes e na hora da saída fui até meu armário para colocar os livros em seu devido lugar, e passando pela sala da diretoria, uma sombra – que posso afirmar com toda a certeza que nunca esteve naquela selva – me chamou a atenção. Pelo porte, provavelmente seria um menino, coisa que pouco importa, mas é bom as vezes ter pessoas a quem analisar. Sem perder muito tempo continuei meu caminho, coloquei meus livros no armário, peguei minha bolsa, me virei e “bum”, alguém havia me derrubado. Meus fios de cabelos saltaram para o meu rosto e por um momento fique cega e dolorida, a queda não tinha sido nada bonita e por alguma razão senti as pessoas me olhando e algumas rindo do papel de palhaça que acabara de fazer, mas a pessoa por sua parte foi muito gentil, estendeu-me a mão e me ajudou a me levantar e recompor. Depois de recolocar meus pertences em minha bolsa, olhei-o pela primeira vez, e sem dúvida alguma era ele a sombra que tinha visto. Ele sorriu – como qualquer pessoa simpática faria – e se desculpou, seguido de um

–Olá, meu nome é Ian, estudarei aqui – apenas o observei, e com a voz tremula respondi

–Clea, mas não irá querer ser meu amigo, ou na verdade, eu não irei querer ser a sua – me virei e sair, deixando-o sem nenhuma reação.

Notas finais
Críticas são bem vindas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.