Notas iniciais

Lembrando que é oneshot. <3

Doce... Doce... Doce... Eu precisava de algo doce.

Meu apartamento; um lugar não tão grande, mas nem tão pequeno, um apartamento para caras solteiros como eu que, bem, não tem muito o que fazer da vida, tem seus amigos, saidas e todas as coisas que um cara normal tem.

Bom, sabem como é... Eu costumo ser muito animado, ou talvez não, não sei explicar ao certo, mas é que hoje... Sim, hoje, algo está diferente, eu estou com uma séria necessidade de açúcar no sangue, mas o problema é, eu não sei cozinhar nada doce mesmo que tenha os ingredientes e... Está calor de mais para sair e comprar um bolo ou algo assim.

Recostei-me ao sofá aproveitando a leve brisa proporcionada pelos ventos naturais que adentravam minha janela, deixei que minha mente vagasse por um lugar cheio de doces... Doces...

- URUHA, ABRE ESSA PORTA!!

Fui despertado de meus devaneios por uma voz irritada na porta, talvez eu estivesse até dormindo já, mas isso não importa. Levantei-me preguiçosamente, dirigindo meu corpo até a porta como se fosse a tarefa mais difícil do mundo, ao abri-la, me deparei com Aoi.

- Mas que coisa nee, a sua campainha deve estar quebrada de novo, já mandei você arrumar isso.

Aoi era meu amigo de infância, então ele não chegou à esperar que eu lhe dissesse pra entrar, apenas o fez, jogando sua mochila no sofá e logo o próprio corpo; o segui e me sentei no braço do móvel enquanto ele suspirava fundo.

- O que foi, florzinha? – Eu perguntei, esboçando um sorriso de canto pelo trocadilho.

- Cala a boca, mulherzinha – Ele riu, me jogando uma almofada e sentando-se – Então, tava fazendo o que antes de eu chegar?

- Doce.

- Doce? – Mais uma vez ele riu, não entendi bem o motivo – E você lá sabe cozinhar?

- Não, sua anta, eu estava pensando em doces... É óbvio que não sei fazer isso.

Ele me olhou de cima à baixo, lançando-me um olhar estranho tal como um sorriso de mesmo jeito, por algum motivo, senti meu rosto esquentar quando o encarei por alguns segundos, então apenas desviei o olhar. O silêncio se manteve por algum tempo.

- Uruha... – Estava certo de que ele o quebraria – Você quer mesmo comer algum doce?

Assenti com um sorriso no rosto, Aoi sempre fazia coisas pra mim então eu já sabia aonde isso levaria.

- Quer que eu faça um bolo pra você?

Ele sentou-se, bocejando enquanto aguardava minha resposta.

- Quero!

Respondi animado, eu realmente queria um bolo agora, e se Aoi não o fizesse, na certa eu bateria tanto nele que iria se arrepender.

- Tudo bem, mas vamos à cozinha comigo... Você tem um avental aí, não?

- Pra que você quer um avental, criatura?

- Oras, eu não vou sujar a minha camiseta nova só porque você quer um bolo.

Bufei, levantando-me e indo até a cozinha, ele me seguiu e encostou à pia até que eu lhe trouxesse um avental. Assim que eu o entreguei, sentei-me em uma das cadeiras próximas à pia, Aoi logo começou a trabalhar, e devo admitir que ele ficara uma graça com aquele avental, os cabelos presos... Parecia um verdadeiro cozinheiro. Apoiei meus cotovelos à mesa e passei à admirá-lo enquanto ele preparava tudo.

- Uruha, você gosta de chantilly, certo?

Estranhei a pergunta, mas não demorei para respondê-la.

- Hum... Gosto sim, por que?

- Você quer que eu te deixe experimentar um pouco quando eu terminar de fazer?

- Ah... – Ele não respondeu minha pergunta no final das contas – Tudo bem, mais doce pra mim.

Ele riu enquanto jogava leite em uma vasilha com mais alguns milhares de ingredientes que eu desconhecia.

- Bom, vamos fazer um jogo então...

- Um jogo? – Perguntei curioso, adorava jogos – Que tipo de jogo?

- É mais um teste, pra ver o que você faria pra conseguir o chantilly.

- O que? – Eu ri divertido – Que tipo de teste é esse?

- Nada, deixa pra lá... Você verá daqui a pouco.

E assim ele continuou por mais algum tempo, o silêncio era tanto que chegava à ser incômodo, mas eu realmente não tinha nada para dizer, até porque, admirar Aoi agora me parecia algo um tanto quanto interessante, não sei dizer exatamente porque, mas ele... Era uma gracinha quando cozinhava.

Mais algum tempo se passou, nesse meio ele andou várias vezes de lá pra cá, pegando ou colocando coisas na geladeira, já havia inclusive colocado o bolo no forno e eu estava incrívelmente ansioso para poder saboreá-lo, mas notei que algo faltava; o tal chantilly que ele mencionara anteriormente, porém Aoi logo retirou um pote com um creme branco dentro, levando até a pia e retirando um pouco dali com uma colher.

- Vem cá.

Ele se virou para mim com a colher cheia de chatinlly, meus olhos brilharam ao ver aquela mistura doce, então me levantei, me aproximando um pouco para que ele me entregasse a colher.

- Abre essa boca, é mais fácil.

Ele sorrira de canto ao terminar a frase, eu bufei e me aproximei um pouco mais, o suficiente para que ele pudesse colocá-la em minha boca, inclusive à abri esperando que ele o fizesse, mas não o fez. Aoi aproximou o rosto do meu, juntamente da colher, com um sorriso tão bondoso que por um segundo pude sentir o doce sabor daquela mistura em meus lábios, mas ele virou a colher em direção à boca dele, lambendo o que continha ali.

- Aoi, seu bastardo! – Disse com um ar de ódio, e estava mesmo – Isso era meu.

Ele deu um riso abafado, passando a língua pelos lábios avantajados, enquanto o dedo escorregava por cima do pote de chantilly ao lado.

- Você quer esse chantilly, Uruha?

- Agora que você fez essa brincadeira, vai ter que me dar o pote inteiro.

Ele colocou-se à frente do recipiente, fitando o creme em seus dedos por um certo momento antes de levá-lo à boca, deixando que seus lábios ficassem sujos com aquilo.

Meus olhos se arregalaram, por algum motivo aquilo me parecia uma provocação muito maldosa da parte dele, já que agora, com os lábios sujos, ele me fitava.

- Se você quer tanto, por que não pega? Afinal, seria um desperdício se eu limpasse isso que ficou na minha boca, né?

Senti um arrepio passar por minha espinha, aquele moreno infeliz estava tentando fazer o que comigo afinal de contas? Não queria saber, eu sou um cara um pouco temperamental e aquela altura, não estava mais prestando atenção no que estava fazendo, apenas me dei conta quando colei meu corpo ao dele em um repente enquanto segurava seus pulsos contra o mármore que moldava a pia, eu havia entrado naquele joguinho sujo.

- Ah, é? – Deixei que minha língua escorregasse pelo canto dos lábios dele — Vou limpar você direitinho então, Aoi.

Ele deu um último sorriso malicioso antes de soltar uma das mãos que eu segurava e levar à minha nuca, entrelaçando os dedos em minhas mechas mais compridas, fazendo com que nossos lábios se juntassem de vez em movimentos desesperados que eram executados por ambos. Eu não sei descrever bem a sensação daquilo, era como uma perfeita dança e ao mesmo tempo, era como uma guerra, mesmo que fosse apenas um beijo como qualquer outro. Resolvi tomar o controle da situação, simplesmente invadindo a boca dele com minha língua, explorando-a para por fim fazer com que esta se juntasse à semelhante, de modo que pude sentir o sabor doce do que antes Aoi havia consumido.

Enquanto nossas bocas se ocupavam com aquilo, deixei que a outra mão dele também ficasse livre, nossos corpos estavam levemente inclinados de modo que Aoi tinha que se apoiar no mármore, mas enquanto isso, eu aproveitei-me de uma de minhas mãos livres para levar está até o abdomen dele, onde deixei que escorregasse livremente por ali, assim eu o acariciava de modo provocante, porém logo o apertei em um ponto relativamente sensível, o que o fez parar o beijo para soltar um breve suspiro.

Por outra vez, Aoi riu, nossas respirações estavam ofegantes por conta da falta de fôlego.

- Vejo que você queria mesmo algo doce, né Uru? – Ele disse em tom de deboche, passando a língua por meu lábio inferior para depois prendê-lo entre os dentes.

- Bom, se você queria me dar o doce, por que recusar?

Dessa vez, quem riu fui eu, enquanto prensava mais nossos corpos, mas ele me afastou.

- Esqueceu do bolo, espertinho?

- Ah, o bolo...

Me amaldiçoei por um certo tempo, ou melhor dizendo, amaldiçoei aquele bolo, mas como um bom garoto, me encostei à mesa continuando a fitar Aoi; os lábios do moreno eram provavelmente os únicos doces que eu precisava e óbviamente, os únicos que eu queria no momento.

~

Doce... Doce... Doce... Eu preciso daqueles lábios doces.

Notas finais

E então amigës, o que acharam?

Pois é, eu acho que ficou um tanto quanto diferente das minhas outras fics. õ_o

Mas eu espero que todos tenham gostado.

E principalmente a mamãe. Q

Bye-nii ~

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!