Onde você está?

1 Capítulo 1: One shot


Notas iniciais
Eu estava com outras idéias também, mas essa permaneceu mais forte na minha cabeça e acabei não resistindo. Coisas bobas se passam na minha cabeça o tempo todo e espero que vocês se divirtam com essa.

— O que diabos está acontecendo aqui? — Ela sussurrou passando a mão no rosto, antes mesmo de abrir os olhos.

Nossa bebê estava chorando incansavelmente, e por mais que eu tivesse feito de tudo para fazer ela se calar, sempre que ela colocava as mãozinhas em meu rosto, ela voltava a chorar. Eu sabia que Tasha estava cansada, pois ela havia passado o dia todo cuidando de Isa enquanto eu resolvia uns problemas da nossa casa, mas Isa era apenas uma bebê de 4 meses e não sabia disso, não poupando sua mãe de seus choros quando tudo o que ela merecia era dormir.

Ela olhou para o lado direito, onde eu estava virado para ela e Isabella estava chorando, passando de forma descoordenada suas mãozinhas em meu rosto. Eu olhei pra ela com infelicidade por tê-la acordado, mas ela sorriu pra mim com uma paciência que eu jamais pensei que ela tinha, mas que aparentemente a gravidez fez ela adquirir.

— Não é sua culpa. — Ela disse me olhando rapidamente, após sentar-se e pegar nossa filha em seus braços, colocando-a pra mamar.

— Eu não devia ter acostumado ela a dormir conosco. — Eu respondi me justificando.

— Se ela não dormisse, você não dormiria preocupado com ela. Conosco. — Ela disse me olhando.

Isa agora se calava provando do leite de sua mãe. Eu me sentei ao lado delas. Suspirei fundo. Ela me olhou novamente.

— Eu aprecio sua preocupação conosco. — Ela disse sorrindo de maneira tão angelical embora parecesse tão cansada.

Observei no silêncio e na pequena luz do abajur a mulher da minha vida amamentar nossa bebê. Enquanto a menina sugava seu leite, ela passava seu dedo em sua testinha, brincando com seus cabelos. A menina olhava hipnotizada pra ela e ela sorriu. Eu involuntariamente sorri também. Juntei meus dedos aos dela, na mão em que estava desocupada pois ela usava o braço pra apoiar nossa bebê em seus braços.

— Você é a melhor mãe que ela poderia ter. — Eu disse olhando-a. — E a melhor noiva que eu poderia ter.

Ela me beijou em resposta e sorrimos. Isa tirou sua boca dos seios de sua mãe, parecendo satisfeita, o que nos fez quebrar nosso beijo para que Tasha se ajeitasse para não sujá-la com leite materno. Ela logo se aconchegou em silêncio nos braços de sua mãe, voltando instantaneamente a dormir. Observamos ela por um tempo, perplexos por quão linda ela era e do quão apaixonado estávamos por ela, e entre nós mesmos.

— Ela é tão linda. — Ela sussurrou.

— Igual a você. — Eu disse olhando pra ela, colocando atrás da orelha uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. — E eu não sei se é a melhor hora pra dizer isso, mas você fica ainda mais linda assim cuidando de mim, e da nossa menina. E não só por fora, mas também por dentro.

— Shiiiii — Ela fez olhando pra Isa.

Aconchegando-a em uma fralda mais grossa e balançando-a, até que ela se levantou e a colocou no berço que estava a nossa frente. Isa calada estava e calada ficou e ela suspirou feliz com isso, voltando pra cama.

Nos deitamos e ela virou-se pra mim, colocando sua mão sob meu ombro. Eu a aconcheguei e coloquei nos meus braços, fechando a distância entre nós e beijando carinhosamente seu pescoço.

— Você também é um ótimo pai, Roman, mas eu sei que foi você que fez Isa chorar. — Ela disse com um pouco de humor, mas fechando seus olhos de cansaço.

— Sério? — Perguntei assustado, embora sempre acreditando no dom materno de Tasha.

— Sim. — Ela disse gesticulando com a cabeça e logo depois riu.

Eu também ri, embora tivesse confuso. Tasha deve ter notado minha confusão.

— Sua barba. — Ela disse enfim.

— Eu tirei porque li que poderia arranhar a bebê. — Eu expliquei.

— Lendo dicas paternas, Roman Kruger? — Ela me perguntou com deboche e eu sorri.

— Sim. Em alguns meses estarei lendo dicas matrimoniais para que isso não aconteça. — Eu respondi com humor e ela me abraçou forte.

Ela voltou a suspirar cansada, fechando os olhos e eu sussurrei para que ela se virasse. Me coloquei ao seu lado e logo estava fazendo uma massagem como ela merecia. Deslizava minhas mãos em suas costas e sentia o alívio percorrer seus músculos, e também seu rosto pois ela sorria.

— Você sabe que eu apenas tirei a barba para não machucar nossa bebê, sim? — Eu disse por fim colocando um assunto ali.

Ela abriu os olhos, levantando o pescoço de modo desajeitado para onde eu estava e viramos, para que eu fizesse massagem agora em seus pés.

— E isso é bom. Eu disse que você é um grande pai. — Ela disse me olhando nos olhos, como quando ela sempre queria me convencer de algo.

— Mas ela chorou ainda assim.

— É que ela identifica sua presença a noite tocando seu rosto. Hoje ela tocou e havia algo diferente. Ela é uma criança recém nascida e não entende que as coisas podem mudar e permanecer sendo o que são, então ela achou que poderia não ser você.

Suspirei desapontado. Ela voltou a me olhar.

— Isso é sinal que ela confia em você. — Ela disse tentando me confortar.

A massagem havia terminado, e ambos pareciam mais relaxados. Não só nós dois, mas Isa dormia tranquilamente a nossa frente. Voltei para o meu lado da cama, mas logo Tasha estava se reencostando em mim. Eu a abracei e ficamos de conchinha. Ela entrelaçou as pernas dela na minha e pousei meu queixo em seu pescoço, até que ela riu.

— É realmente estranho. — Ela disse de repente num sussurro.

— O que? — Perguntei confuso.

— Sentir seu rosto sem a barba. — Ela disse rindo.

— Prometo nunca mais tirá-la assim totalmente. — Disse sério.

Ela virou-se pra mim, depositando um selinho em meus lábios.

— Pelo menos eu sei que você ainda é você. — Ela disse enfim. — E eu sou grata por isso.

— Eu também sou grato. — Respondi até que ela voltou a sua posição na minha frente, amarrada em meus braços e dormiu instantaneamente. — Eu sou super grato por poder ter vocês aqui agora — Eu sussurrei pra mim mesma, no que mais pareceu uma oração de agradecimento a Deus por isso.

Notas finais
Eu sempre achei engraçado quando isso acontece com criança. Minha primeira ideia era com Kurt, mas Roman tem mais barba então me pareceu mais atraente. Deixe-me saber o que você achou dessa história!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!