Onde esta o meu país das maravilhas?

2 Sem querer derrubo suco na patricinha do colégio.


P.o.v Alice

O dia estava apenas começando. Eu observava o sol pela janela do ônibus.

Todos conversavam, haviam chegado mais amigos nossos, eu apenas concordava, estava pensando em outras coisas. Problemas de adolescente da minha idade. Eu tinha 14 anos, ia fazer 15, estava cheia de problemas, familiares, problemas por dentro, me sentia tão, tão...Estranha, estranha comparado a outras garotas da minha idade.

Mas eu mantenho o sorriso, a graça, o bom humor, a doçura e... as piadinhas sempre.

– Quem um dia irá dizer que existe rasão nas coisas feitas pelo coração — Felipe começou a cantar Eduardo e Mônica de legião urbana.

– E quem irá dizer que não existe rasão — Completou Lua, antes que pudessem começar a cantar o resto da musica eu interrompi.

– Eu, surpresa mãe da foca.

Todos caíram na risada, o ônibus parou bruscamente na porta do colégio e eu fui arremessada para frente caindo no chão. Meus amigos riram para só depois levantarem a bunda do banco e virem me ajudar.

Entramos no colégio e fomos para os nosso armários.

– Atenção alunos, compareçam todos ao auditório. Obrigada. — A voz da diretora ecoou pelos corredores, peguei apenas o material que iria usar nas próximas aulas, meus livros, meu caderno e meu estojo.

Sai andando pelos corredores a procura da Fran ou Lua. Clary, a patricinha do colégio passou esbarrando em mim me fazendo cair no chão. Ela olhou pra mim com um olhar de falsa preocupação.

– Oh, me desculpe Alice, não tinha nem reparado em você — Disse com um tom de falsa preocupação — Quer dizer, alguém repara em você? — Logo depois saiu rebolando pelos corredores rindo com suas amigas. Alguns colegas meus me ajudaram a levantar.

Entrei no auditório e procurei meus amigos, os avistei e eles acenaram pra mim. Andei ate eles e me sentei ao lado da Fran.

– Olá — Me cumprimentou a Lua amigavelmente.

– Olá — Respondi docemente e sorrindo.

Ficamos conversando sobre varias coisas que haviam acontecido durante a semana.

A diretora deu leves batidinhas no microfone. E fez um discurso anunciando que não iriamos mais ter que usar fardamento. Depois de muitos gritos, aplausos, o auditório foi ficando menos movimentado.

Fomos para nossa aula de português, as cadeiras eram em dupla, eu era a unica que ficava sozinha. Fran e Rodriggo, Felipe e Lua, Nathalia e Lorena, Nathalia e Leo, Luiza e Isabella e, e eu.

– Alice, temos uma proposta a te fazer — Disse Lu e Naths chegando perto da minha cadeira. Olhei para elas com uma sobrancelha erguida.

– Conte-me mais. — Elas sorriram e olharam uma para outra.

– O que acha de mudar seu visual e ir comprar roupas novas, cortar cabelo, pintar e tal com a gente hoje a tarde? — Perguntou Luiza empolgada. De todas nós ela é a que mais entende disso.

– Sabe que não precisa fazer isso — Alertou Fran olhando para mim. Pensei um pouco. O que eu tinha a perder? Nada. Só tinha a chance de deixar de ser a "estranha com visual estranho" da sala.

– Eu aceito — Respondi e a Lu bateu palmas. A professora entrou na sala e nos mandou sentar. Ela deu bom dia e começou a anotar alguma atividade no quadro. Peguei meu caderno das sagas que eu mesma fiz e comecei a anotar a atividade no caderno.

Olhei para porta e vi um garoto de cabelos castanhos e olhos verdes meio acastanhados entrando na sala. Ele olhou para sala toda e parou seu olhar em mim. Foi tão rápido, mas nossos olhares se encontraram, meu coração disparou, e pela primeira vez, desejei estar bem arrumada.

Ouvi sussurros entre ele e a professora. Só ouvi quando ela mandou ele se sentar ao meu lado.

Ele andou em minha direção e tirei meus pés da cadeira. Ele se sentou e eu me apresentei.

– Olá, eu sou a Alice — Disse sorrindo. Ele sorriu de volta e apertou minha mão.

– Sou o Eryck — De repente uma das amigas da Clary passou um papelzinho para ele.

"Olá, meu nome é Clary, sabe, te achei muito gatinho, você não vai querer andar com a Alice, a estranha viciada em livros e nessas coisas chatas. Acho que tem vaga para você na nossa turma e sabe, podíamos nos conhecer melhor..." Ele nem leu o resto, olhou para Clary, que sorria e mordia a ponta do dedo. Ele sorriu de volta, por um momento pensei que ele iria aceitar, pensei que ele era como todos garotos que recebiam um bilhete dela. Mas ele apenas rasgou o bilhete e pegou seu caderno sem nem olhar de volta para ela, que estava com um olhar incrédulo. Depois de umas horas em silencio ele puxou assunto.

– Então, você gosta de ler — Perguntou ele parando de escrever e olhando para mim.

– Sim, é como fugir de tudo isso — Respondi sorrindo. — Achei bem, legal da sua parte ter feito isso, a maioria dos garotos se juntam a ela e, bom, começam a me zoar.

– Não entendo, o que ha de errado com você? É linda e, bom, não é como elas — Sorri e antes que eu pudesse responder o sinal tocou para o intervalo.

– Vem, vou te apresentar para meus amigos, se você quiser, é claro — Ele riu e afirmou que queria.

Apresentei ele para todos e fomos em direção a lanchonete. Comprei um suco de uva e fui em direção a mesa. Sem querer, esbarrei em alguém derramando todo meu suco nessa pessoa. Essa pessoa era a Clary.

– SUA GRANDE IDIOTA, ESTRANHA, OLHA SÓ O QUE VOCÊ FEZ!!

– Me desculpa Clary, foi sem querer.

– Mas é claro que foi — Disse ela irônica, num desvio meu ela avançou para me bater mas alguém impediu.

– Qual foi, deixe ela em paz sua vadia — Disse Fran dando empurrando a Clary a fazendo cair. Fomos em direção a mesa enquanto a Fran ia comprar outro suco para mim.

– Alice, aprenda a se defender. — Disse Felipe

–Sei me defender. Apenas não quero arrumar brigas — Respondi.

– Bom, da próxima vez eu mesma bato nela — Disse Lua indignada e eu bati a mão na mesa, peguei meu suco e fui para um lugar menos movimentado.

Subi as escadas e fui para o terraço do colégio, ele estava abandonado, mas eu Lua, Fran, Felipe, Rod, e Nath arrumamos ele, que agora, servia de refugio.

Chutei uma das pilastras e gritei de frustração.

– Vai com calma para não se machucar — Eryck estava apoiado numa das pilastras de um modo sexy, seus cabelos estavam bagunçados e ele tinha um leve sorriso no canto da boca.

– Eu odeio a Clary — Disse chorando e sentando no sofá. — Não vou assistir essas ultimas aulas. Quer me fazer companhia?

– Faço sim, quer conversar sobre..? — Ele sentou do meu lado e eu coloquei minhas pernas em cima das suas.

Ficamos conversando a tarde toda. Ele era diferente de todos garotos, eu sentia. Eu sabia.



Notas finais
Gostaram? Chega de leitores fantasmas, me deixem feliz e comentem. Bye bye lovers
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.