Onde está Wendy?
2 Te vejo altar, querida.
02
— Te vejo altar, querida. —
Birmingham, UK
Quando era de manhã, ouvi um barulho na minha porta, abri meus olhos e vi meus pais, cada um com um cinto na mão. Minha surra havia sido adiada apenas algumas horas. E como se não bastasse, eu tinha que trabalhar mais redobrado ainda para “compensar” eles, de acordo com meu pai.
Mas eu não estava arrependido de nada, tudo foi muito bom, e então fui fazer as tarefas que estavam pendentes. Eu estava terminando de limpar meu quarto, que ficava no 2º andar da minha casa, quando minha mãe gritou:
— MAXWELL, TEM UMA GAROTA QUERENDO FALAR COM VOCÊ, AQUI! — Gritou minha mãe.
Naquele momento, raciocinei rapidamente e pensei que talvez Wendy poderia ter vindo falar comigo, então desci as escadas e fui até o portão, com uma gota de esperança renascendo em mim. Quando cheguei lá, acabei me deparando com uma garota que eu não conhecia, e então meu ânimo mudou totalmente.
Havia uma moça de mais ou menos a idade de Wendy, a moça usava óculos de grau de algumas trancinhas, que era meio moda na época.
Chegando lá, a senhorita se apresentou e disse ser amiga de Wendy, ela disse que Wendy gostaria de encontrar-se comigo em outro lugar, em uma praça que era não muito longe de onde eu morava, ainda no dia. Meus pais já estavam com muita raiva de mim, se eu saísse de novo como fiz, eles provavelmente me colocariam para fora de casa, já que eu estudava muito pouco e apesar de eu ajuda-los, eles sempre diziam que eu não queria com a vida.
Eu pensava e pensava:
Como eu iria convencer meus pais para que eles deixassem-me sair?
Então, naquele exato momento, decidi que a melhor solução, favorecendo-me ou não, era ter uma boa e velha conversa com meu velho, ele que decidia tudo lá em casa. Então, chamei-o para conversar e contei tudo a ele. Eu esperava uma reação totalmente negativa, mas pelo incrível que pareça, recebi o contrário. Lembro claramente da sua expressão de surpresa, e depois do seu estampado no rosto.
— Meu filho, meu filho. Parece que você foi acertado pela flecha do amor. — Meu pai explicou-me. — Nesse caso, não há nada que eu ou sua mãe possamos fazer. Vá.
Após uma longa conversa com meu velho, percebi que já estava um pouco atrasado, não tive nem tempo para me trocar, então fui vestido de uma camisa branca e um suspensório. Corri até o lugar onde éramos para nos encontrarmos e encontrei com ela, ela estava com um casaco preto e rabo de cavalo, após eu ficar admirando-a por um tempo, a elogiei e ela agradeceu. Sentamos e conversamos bastante, apesar que no começo da conversa, eu estava bem nervoso e com receio de eu falar alguma idiotice novamente. Mas no final, acabamos nos beijando. Por mais que aquele beijo fosse na minha bochecha, eu nunca esqueci. Aquela noite me marcou muito, e lembro que foi um dos melhores momentos que vivi com Wendy, só perde para quando nos casamos.
Quando eu comecei a namorar realmente com Wendy, no final de 1965, e foi quando eu decidi realmente estudar, para dar uma vida digna a nós dois, e então, no final de 1972, eu já estava quase me formando e chamei Wendy para conversar em um Café próximo aonde eu morava. Nessa época, eu já não morava mais com meus pais, e sim em um apartamento que eu passava a maioria do dia trancado, estudando.
Conversamos até o Café fechar, já deviam ser umas 17:00 horas da noite e quando nós dois estávamos na porta, prontos para cada um ir para suas respectivas casas, eu toquei o ombro de Wendy e pedi para Wendy virar para mim, lhe roubei um beijo e tirei do bolso da calça, e Wendy nem deixou ao menos eu perguntar, ela já disse de uma vez
— Eu quero. — Disse Wendy, enquanto uma lagrima descia dos seus olhos.
Enrolamos alguns meses, e acabamos marcando nosso casamento para o dia 4 de setembro. No dia do nosso casamento, chamamos a banda que havia ido no primeiro festival que a gente se encontrou, chamei Robert para ser o padrinho e Wendy chamou Anne para ser a madrinha, que resultou em mais um casal.
Eu estava nervoso no altar, infelizmente eu sempre fui muito realista, e sabia que tinha grande chance de Wendy não aparecer, então fiquei muito tempo aflito, até que um ar diferente se espalhou pela igreja e uma sombra se aproximou da porta da igreja. Eu poderia estar cego naquele momento, mas mesmo assim, eu iria saber que a sombra que estava na porta, era o amor da minha vida.
Wendy estava linda, de véu e vestido branco com aqueles cabelos cor de sangue flutuando pelo ar, eu daria tudo que eu tenho para rever aquele momento mais uma vez, foi o momento que deixamos de ser Wendy e Max, e viramos um só. Meu casamento com Wendy, como eu disse, foi o momento mais feliz da minha vida, porém, ao mesmo tempo também foi o pior.
Eu e o Wendy passamos a lua de mel no Havaí, era o sonho de Wendy. Porém, foi meu pesadelo. Quando eu acordei para aproveitar um pouco da lua de mel com Wendy, ela já não estava mais lá. Procurei em todos os lugares, perguntei a todos, chamei até a polícia, mas nunca mais Wendy foi vista por ninguém.
E hoje, só restam memórias do passado, memórias que eu vivi com Wendy e tristeza.
Apesar de eu não ter descoberto nada sobre o paradeiro de Wendy, eu continuo procurando, mesmo na dor. Eu tenho certeza que se eu tivesse desaparecido, Wendy estaria fazendo a mesma coisa por mim.
Fim do segundo capítulo.
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