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— O festival —

Birmingham, UK

Faziam vinte anos desde o fim da segunda guerra mundial.

Nós dois namorávamos. O pai dela era um soldado do exército britânico e a mãe era uma confeiteira famosa na cidade. Já o meu pai, era um mecânico e minha mãe era dona de casa. Talvez por conta das diferenças que tinham entre nós dois, elas só ajudaram a nos aproximar. Porém, não foi por conta das diferenças que nasceu o nosso amor, as diferenças talvez sejam os de menos.

Eu lembro vagamente do momento de quando eu conheci Wendy, mas lembro que foi uma das melhores sensações que já senti na minha vida. Eu estava fazendo as tarefas de casa redobradas, pois à noite eu iria pedir dinheiro ao meu pai para ir a um festival que iria acontecer no outro dia, na minha cidade.

Meu pai, Joseph, infelizmente era muito pão duro e era difícil ele me dar alguns trocados, então se eu quisesse dinheiro pra qualquer coisa, eu tinha que me esforçar muito pra conseguir. Mas a parte mais difícil não estava em conseguir dinheiro, e sim em convencê-los a me deixar ir sozinho. Meus pais sempre foram muito protetores comigo e mesmo eu já tendo 15 anos, era difícil eu ir sozinho até mesmo ao mercado.

Com a ajuda da minha mãe, conseguimos convencer meu pai a me dar o dinheiro para eu poder ir ao festival, porém ambos negaram quando eu pedi para ir sozinho ao mesmo. O festival seria amanhã e eu queria muito ir, mesmo que isso significasse desobedece-los e levar uma boa surra.

Então, foi o que eu fiz. No dia do Festival, pulei a janela da minha casa com a ajuda de alguns amigos meus que passavam pela rua na hora, que inclusive, também iam ao mesmo festival. O plano foi um sucesso e todos nós fomos ao festival, haviam luzes em todos os lugares e gente dançando sem parar, aquilo era fascinante. Enquanto alguns meus amigos xavecavam algumas mulheres e a beijavam sem parar, eu ficava apenas sentado em um banco e admirando o som, as luzes e as pessoas que estavam por ali.

Bem, como eu disse, lembro vagamente como conheci Wendy, mas eu acho que foi algo mais ou menos assim:

Lá estava eu, sentado. Observando e admirando o festival, quando uma moça de cabelo tão vermelhos quanto o sangue e olhos escuros feito a noite passou por mim e perguntou:

— Posso sentar-me aqui? — Perguntou a moça de cabelo vermelho

Respondi que sim com a cabeça e ela sentou-se ao meu lado direito. Ela parecia não estar muito feliz, então como um bom cavalheiro que eu era, eu disse:

— Está tudo bem com a senhora, moça? — Perguntei a moça

— Por favor, não precisa me chamar de moça, meu nome é Wendy — Respondeu Wendy, dizendo logo em seguida — Está tudo bem, só acho que esse festival está muito chato, você não acha?

— Sinceramente, Wendy, eu acho que não. — Falei a Wendy — Eu acho que todas as pessoas alegres, a música e o som fazem esse festival feliz.

Wendy olhou para mim e fez uma cara estranha, como se ela não tivesse gostado nenhum pouco da resposta que eu dei. Então, ficamos em silêncio por alguns segundos, e nesses segundos tive a ideia de convidá-la para dançar. Porém, ambos havíamos acabado de conhecer um ao outro e não havíamos ainda tal intimidade.

Então, Robert, um dos amigos que estava comigo, chegou no meu ouvido e cochichou:

— Cara, ela é linda! – Cochichou Robert

— É, mas fala baixo. — Respondi, falando baixinho.

Robert saiu de perto e “reuniu” alguns dos amigos que vieram comigo, um deles foi até a banda que tocava ali e pediu que tocassem uma música lenta, então naquele momento, percebi que eles estavam armando alguma coisa. Robert e Jacob, outro amigo que vinha comigo também, se aproximavam de nós, até que fui puxado de um lado por Robert e Wendy foi puxada por Jacob do outro, então eles nos empurraram rapidamente até onde todos dançavam e saíram correndo.

— Quem eram esses? — Murmurou Wendy, enquanto se recuperava do susto

— Eu não faço a mínima ideia — Falei, movendo a cabeça lentamente para um lado e para o outro

Eu e o Wendy ficamos novamente em clima, então eu me vi obrigado naquela situação em dizer:

— Você quer dançar comigo? — Disse Wendy, antes de mim.

Bem, não sei se é um pouco machista da minha parte, mas eu acho que eu que deveria ter pedido a ela, mas isso não importa tanto assim.

Aceitei dançar com Wendy rapidamente, e assim começamos a dançar. Evitamos olhar um nos olhos do outro, a situação por enquanto não se mostrava nada bem para mim, já que eu estava tendo quase um treco, de tão nervoso que eu estava.

Dançamos por um longo tempo, e fomos um dos únicos que ficaram até a banda ir embora. Após isso, me despedi de Wendy, na esperança de a encontrar futuramente. Mas antes de cada um seguir seu rumo, Wendy perguntou:

— Ah, esqueci de perguntar seu nome, qual é? — Perguntou Wendy

— Me chamo Max, moro na rua Gas. — Respondi e sorri com um sorriso forçado, quase até que assustador.

Após dizer a rua em que eu morava, me senti um idiota. Ela provavelmente já havia perguntado meu nome só por educação. Nos despedimos e cada um seguiu seu caminho. Eu já estava triste por ter quase certeza que ela não iria me procurar, e pior quando eu lembrei que já eram 11:30 da noite e além disso eu ia levar uma surra.

Quando eu cheguei em casa, tudo estava fechado, menos a minha janela. Então, pensei que talvez eles não tivessem percebido que eu tinha fugido, então me animei completamente e subi de volta a minha janela com uma ajuda de uma árvore próxima a ela.

Como eu havia pensado, ninguém percebeu que eu tinha fugido de casa. Então fechei a janela, e tentei dormir. Infelizmente, o sono não tinha vindo pra mim, passei a noite somente pensando e lembrando eu e Wendy dançando, enquanto as horas iam passando e enfim nossos olhos conseguiram se encontrar e ficaram como um forte imã.

Continua...