Onde a Mente Descansa
1 Quando a Morte Chama
Alawa andava por um campo florido e verde de mãos dadas com a mãe, a menina de apenas oito anos de longos cabelos negros e pele marrom
como chocolate sorria e gargalhava enquanto dava pulinhos ao lado da mãe que a guiava em direção ao carro. A criança estava muito feliz, ao chegarem perto do carro a menina foi erguida nos braços da mãe e colocada em seu assento, começou a sentir os olhos pesarem, ela estava com sono mas por alguma razão toda aquela felicidade acabara como um tapa.
O sentimento se tornava mais forte a cada momento. Ela começou a se tornar inquieta, logo já estava esperneando e gritando para que a mãe a deixasse sair daquele carro.
O rosto de sua mãe esta sério como nunca antes, estava ignorando a criança chorosa no banco traseiro.
O veículo parou tão abruptamente quanto quando começou a andar, a mulher saiu de dentro e veio em direção a Alawa que chorava inquieta, pegando-a no colo sem nenhuma delicadeza as duas se dirigiam a uma casa enorme branca, velha e com partes desgastas, as portas eram enormes e com um cheiro pútrido. A menina não entendia o porque estava lá, nem porque sua mãe estava fazendo aquilo.
Ao passarem pelos enormes portões a mulher a jogou no chão, fez um sinal a um homem que parecia ser um enfermeiro, e foi em direção aos portões, a criança tentou alcançar a mãe, mas tudo que conseguiu foi um tapa estralado em seu rosto, a menina sentiu uma sensação terrível, fora o fato da mãe a ter deixado, a menina fugiu do enfermeiro que tentou se aproximar dela.
Alawa corria o mais rápido que podia pelos corredores do sanatório, sentia o pequeno corpo deslizar com facilidade. Carregava uma faca que havia achado na cozinha de casa, antes de ser levada aquele local horrível. No pescoço trazia as chaves de um dos quartos do qual ela urgentemente precisava entrar, havia roubado as chaves enquanto um dos enfermeiros estava distraído tentando conter um dos internos durante um surto.
Ela sentia o desespero aumentar cada passo que dava, até que finalmente achou o corredor que procurava, melhor ainda, o quarto que procurava, um quarto um pouco distante dos outros.
Não pensou duas vezes, meteu a chave na fechadura e puxou a porta com toda a força que tinha, um garoto loiro de olhos verdes frios estava sentado na cama. Ele olhou pra a garota sem expressar nada, nem ao menos se levantou. Alawa jogou a faca a ele, que pegou com uma mão habilmente. Parecia relaxado mas seus olhos estava grudados nela, era assustador, seu rosto não demostrava nada mas os olhos deles eram como as de uma cobra pronta para atacar. Se levantou da cama lentamente, sem tirar os olhos de Alawa, ele brincava com a faca a passando pelos dedos.
Ela congelou de medo no lugar, estava esperando o primeiro golpe, tomando fôlego e o máximo de coragem que conseguia tentou falar, mas a voz saiu trêmula como se estivesse com frio.
— Eles estão vindo e vão machucar você, também querem me machucar. Não tenho tempo de explicar, Eliott — pela primeira vez nesse curto espaço de tempo ele ergue uma das sobrancelhas como se questionasse como a criança poderia saber seu nome.
Vozes foram ouvidas os enfermeiros estavam chegando. Alawa correu e se escondeu debaixo da cama de Eliott que não a impediu.
— Eliott, meu menino! — uma das vozes falou
— venha, tenho algo pra você... mas antes me diga, não viu uma garotinha correndo como uma louca? — ele deu risada da própria piada.
Um barulho. Um grito. Uma queda.
Foi tudo que Alawa conseguiu ver e ouvir debaixo da cama. Sentiu algo agarrar seu tornozelo com toda a força e a puxar pra fora sem nenhuma delicadeza. Ela gritou e botou os braços na frente de maneira protetora e se sentiu ser levantada.
Eliott estava parado sujo de sangue olhando para o corpo do homem caido no chão mas ainda segurando uma seringa com algo peculiar dentro. Lágrimas frescas corriam pelo rosto da menina que estava apavorada com tudo que acontecera, não pensou duas vezes, pulou no colo do loiro, entrelaçando suas pernas na cintura dele, e ele por sua vez não recuou apenas ajeitou a menina chorosa em seu colo mas não a confortava, apenas deixava ela chorar molhando sua camiseta.
— Olá criança, Eliott falava com calma mas sem emoção alguma
— acho que temos que conversar — ele falou olhando direto nos olhos inchados em conta do choro da garotinha.
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