Notas iniciais
Oi, gente! Tudo bem? ^-^ Até que não demorei tanto para postar esse capítulo quanto pensei que demoraria. Acho que me empolguei, hehe. Bom, pensei em dividi-lo em duas partes, porque ficou gigante, é o maior capítulo da fanfic até agora, mas assim a cena que eu mencionei no capítulo passado acabaria vindo só no próximo, e imaginei que vocês não iriam gostar muito disso, então deixei assim mesmo. Apesar de estar grande, acho que tá bem leve, então espero que não tenha ficado cansativo. E já aviso: é provavelmente o capítulo mais meloso de toda a fanfic, kkkkkk. Bom... acho que era isso que eu tinha para dizer. Boa leitura!

— Tá se sentindo melhor? — O garoto perguntou, após deixar que Lucy chorasse em seu ombro por alguns segundos, sentindo-a segurar o tecido de sua jaqueta tão forte que imaginou se suas mãos não estariam doendo.

A loira se afastou poucos centímetros. Acenou positivamente e secou as lágrimas em seu rosto com as costas de suas mãos. Logo em seguida, analisou melhor o rosto de Natsu, permitindo-se chorar um pouco mais ao ver o estrago causado pela surra. Não era tão grande, mas ainda assim causava-lhe angústia vê-lo naquele estado. Levou sua mão ao rosto do rapaz, acariciando suavemente a pele machucada. Deslizou seu dedo suavemente pelo corte acima da sobrancelha esquerda, descendo até outro ferimento, no lábio superior direito. Depois, desceu sua mão até o abdômen rígido do garoto, levantando a camisa alguns centímetros para verificar o estrago na região, notando a expressão de Natsu mudar para a de alguém que sentia dor.

— Olha só o que ele fez com você.

Em contrapartida às lágrimas de Lucy, Natsu sorriu. Mesmo frente às adversidades, seu sorriso continuava em seu rosto. Sinceramente, não dava a mínima para o quanto estava machucado, contanto que as pessoas que amava estivessem bem. O Koscheivich tinha razão. A dor física não era nada se comparada com a dor emocional. Contudo, aquela era uma moeda de duas faces. Embora estivesse feliz por aqueles que amava estarem bem, sabia que os que amavam a ele não estavam. Sabia que andaram preocupados, e incomodava-o pensar que causara dor a essas pessoas.

— Isso? Não é nada — Lucy riu de forma quase imperceptível. Não sabia se brigava com o garoto por sua atitude quase indiferente frente ao que passara, ou se ficava feliz por pelo menos seu senso de humor ter sido preservado.

— Eu estava tão preocupada. Ryan é um cara perigoso, eu sei disso, Natsu, e quando Gray disse que você tinha ido atrás dele só consegui pensar nas coisas que ele poderia fazer com você. Pensar nele te machucando, pensar que poderia nunca mais te ver, foi horrível.

— Eu sei — respondeu, mais sério dessa vez. Sabia brincar, mas também sabia quando era a hora de colocar uma expressão responsável em seu rosto. Brincadeiras não iriam tranquilizar Lucy. — Me desculpa. Não queria ter te deixado assim. Era a última coisa que eu queria, mas justamente por saber do perigo que aquele cara oferecia é que precisava ir atrás dele. Não dava para ficar sem fazer nada sabendo que você poderia estar em perigo.

— Mas olha onde isso te levou — ela argumentou, aproximando seu rosto do dele.

— Eu não me importo, Lucy, sério. Pelo menos agora posso te manter em segurança — contra-argumentou, levando sua mão livre ao rosto da loira.

— Não devia ter feito isso. Não por minha causa, não para me proteger, Natsu. Se para isso teve que se machucar, então não deveria.

— Eu quis fazer. Sabia dos riscos. Claro que não imaginei que ele fosse atirar em mim ou ser capaz de matar alguém — sentiu Gray estremecer ao seu lado ao pronunciar aquilo —, mas não me arrependo.

— Gente — Levy chamou, atraindo a atenção de todos. — Odeio interromper o momento, mas será que podemos sair daqui? Ouvi dizer que essa floresta é muito usada por assassinos para desovar o corpo das vítimas. Não que eu acredite em fantasmas ou coisas do tipo, é só que esse lugar está me dando calafrios.

Depois de tudo o que soubera sobre a lenda do Koschei e tendo um monstro vivendo dentro de si, Natsu não duvidava nem um pouco da existência de fantasmas. Apesar disso, não tinha medo. Qualquer assombração não seria mais assustadora do que a realidade que já vivia. Contudo, se os boatos fossem verdadeiros e assassinos conhecessem bem aquele local, não queria Lucy ali. Já tinha preocupações suficientes com a segurança dela para somar outras.

Como se entendesse o que o garoto estava pensando, sobre sair daquele lugar o mais rápido quanto fosse possível, Lucy se apressou em passar o braço esquerdo de Natsu por sobre seus ombros, para ajudar Gray a tirá-lo dali.

— Acho que combina com a situação — Gray comentou. Mesmo com a escuridão da noite e seus olhos inchados, Natsu podia ver a preocupação estampada no rosto de seu amigo. Provavelmente pensava sobre o que acontecera com Lisanna. — O cara é um assassino, nosso amigo aqui quase virou um cadáver, que lugar melhor para deixá-lo do que essa floresta?

— Pelo menos iria colaborar com a decoração desse lugar — Natsu respondeu. — Eu seria um lindo esqueleto.

O rapaz sentiu a mão de Lucy apertar suas costas enquanto caminhavam quando fizera aquela piada. Talvez devesse escolher melhor suas palavras. Ryan o deixara vivo, mas não tinha tanta certeza se a loira ao seu lado o deixaria.

— Não ia ser uma boa decoração. Você já é estranho com carne e pele, imagina sem.

— Isso se chama inveja. É muito feio ser invejoso, sabia, Gray?

— Será que vocês dois podem mudar de assunto? — A loira pediu. Natsu sorriu, tentando aliviar a tensão que pairava sobre ela. Lucy estava séria demais, não gostava de vê-la daquele jeito, por mais que soubesse que existiam motivos para isso.

— Você também acha que eu seria um belo esqueleto, não acha, Lucy?

— O que eu acho é que não vai demorar para virar um se continuar falando isso.

— Já disse que senti muita falta do seu senso de humor adorável? — Brincou.

— Depois de tanto trabalho para encontrá-lo, é melhor manter ele vivo mesmo, Lu-chan — Levy comentou, também em tom de brincadeira. Apesar disso, seus olhos permaneciam atentos a todo e qualquer movimento, tremendo de medo, aparentemente. Natsu não tinha certeza se era por causa de fantasmas ou pela possibilidade de encontrarem um assassino querendo terminar seu trabalho por ali.

— É, tem razão, Levy. Ele já deu trabalho o suficiente — Lucy respondeu.

Até mesmo Natsu sentiu-se aliviado quando encontraram o carro de Gray estacionado na beira da estrada, após alguns minutos de caminhada. Verdadeiros os boatos ou não, aquela floresta era provavelmente o lugar mais assustador de Magnólia. Ficava feliz por sair de lá. Sua breve visita não lhe deixou uma boa impressão.

Entrar no carro, porém, foi um desafio à parte. Tinha que manter sua perna esticada, não conseguia movê-la muito bem devido à dor que sentia onde fora baleado. A bala ainda alojada em sua perna parecia se mover cada vez que ele próprio se movia, causando mais sofrimento. A solução encontrada fora deitar-se da maneira que pôde no banco de trás, de forma que ficava praticamente sentado no colo de Lucy. Ao menos podia usá-la como travesseiro. Sua cabeça estava pesada e sentia que acabaria pegando no sono a qualquer momento. Estava exausto. Suas forças haviam se esgotado completamente naquele dia. Um ponto positivo, pelo menos, era que sem energia não corria o risco de sofrer um ataque de Koscheivich.

— Então, vamos para casa, certo? — perguntou, apoiando a lateral de sua cabeça nos peitos da loira, sentindo a mão quente dela repousar em seu rosto, trazendo-o para mais perto, acariciando sua pele de forma confortável.

— Não mesmo.

— Você é muito chata, Lucy — falou, adormecendo logo depois. A garota repousou seu queixo sobre a cabeça de Natsu, deixando novamente as lágrimas escorrerem por seu rosto. Para ela, já estava em casa. Onde quer que estivesse, contanto que Natsu estivesse com ela, sentindo o calor de seu corpo, o toque de sua pele, estaria em casa.

***

No fim das contas, Natsu continuava sendo Natsu. Não conseguiram mantê-lo no hospital por muito tempo, dessa forma, talvez pelo tanto que enchera a paciência dos médicos para ir embora, logo estavam de volta ao apartamento.

Todo ferimento causado por arma de fogo que chegava ao hospital tinha que ser informado à polícia, sendo assim, um alerta já havia sido acionado. Estavam à procura de Ryan, causando alívio em Lucy por saber que ao menos ele seria preso, embora a aflição por ainda não ter sido encontrado a perseguisse. Já Natsu sabia que não era tão simples, por mais que desejasse que fosse. Duvidava que a polícia conseguiria capturar o Koscheivich, afinal, ele era mais esperto do que a força policial. Ao menos torcia para que a busca o mantivesse ocupado demais para sequer pensar em Lucy.

— Realmente deveríamos nos mudar para um prédio com elevador — o garoto reclamou quando finalmente chegaram ao apartamento, com a ajuda de Gray. Levy fora para casa, tinha que trabalhar no dia seguinte, mas o moreno ficara para auxiliar Lucy. Sabia que não seria nada fácil para a loira subir todos aqueles degraus carregando Natsu.

— E você tinha que ter alugado um apartamento num dos últimos andares — Gray respondeu.

— Era um dos motivos que faziam dele mais barato. Ninguém quer subir essas escadas todo dia. Não parecia algo tão ruim até ter que subir estando todo machucado.

— Bem feito — Lucy respondeu, abrindo a porta de casa. — Quem sabe assim você pensa duas vezes antes de se meter em confusão.

— Como se ele pensasse sequer uma vez antes de se meter em confusão, Lucy. Aliás, como se ele pensasse.

— Assim vocês me ofendem. Me fazem parecer o maior arruaceiro do mundo. Eu só estava tentando defender a honra da minha garota, ok?

Sem dar qualquer sinal, no instante em que Natsu pisou no apartamento, Lucy se aproximou. Num rápido movimento, levou suas mãos até a nuca do garoto e grudou seus lábios nos dele, surpreendendo tanto Dragneel quanto Gray, que permaneceu parado feito uma estátua ao lado dos dois, apenas observando.

O beijo deixara Natsu atordoado num primeiro momento, mas de forma alguma relutou ou tentou se afastar. No instante seguinte, apenas seguiu os passos de Lucy, deixando que ela possessivamente dominasse sua boca, e, com a mão que não segurava a muleta que o ajudava a andar, contornou a cintura da loira e a trouxe para mais perto de si, apertando-a contra seu corpo. Aproveitando cada milésimo de segundo daquele contato que tanto sentira falta. Não passou tanto tempo longe de Lucy, mas pareceu-lhe que uma eternidade havia se passado.

Repentinamente, Lucy se afastou, sem dizer uma única palavra, dando as costas para Dragneel, deixando ele e Gray de boca aberta.

— Mas o que... — o garoto tentou perguntar, surpreso. O beijo fora intenso demais, do tipo que Lucy não faria com qualquer outra pessoa por perto, o tipo de beijo que apenas Natsu conhecia. Sabia que ela era reservada demais. Quando estavam com outras pessoas, se limitavam a contatos singelos, nada tão intenso.

— Ei, querem que eu deixe vocês a sós ou algo do tipo? — O moreno perguntou, sem saber exatamente como agir.

— Não, tudo bem — Lucy se manifestou. Em seguida, apontou para Natsu, com uma expressão séria no rosto. — Isso foi por mim, por toda a preocupação que você me fez passar. Eu merecia esse beijo. Você não, Natsu. Você nem deveria ter sentido nada, deveria ter sido como se estivesse assistindo a um filme, vendo sem poder participar. Aliás, acho que não deveria sentir nada por algum tempo. Acho que deveria ficar de castigo. Isso é o que você merece.

— Pode me beijar por você quantas vezes quiser — o garoto respondeu, provocando-a, com um tom brincalhão em sua voz. — E tenho certeza que acabaria sendo um castigo pra você, Lucy. Você não aguentaria.

— Nunca duvide de uma mulher com raiva, Dragneel. A Lucy que você está vendo agora não é a Lucy que você conhece — Gray comentou, sentando-se na poltrona ao lado do sofá, onde Natsu se acomodou, esticando a perna machucada sobre as almofadas.

— Seu amigo é inteligente, Natsu. Escute-o — a loira disse enquanto colocava alguns cubos de gelo num saco plástico, entregando-o para o garoto quando terminou. — Pra diminuir o inchaço do seu rosto. Vou tomar um banho rápido. Fica de olho nele por mim, Gray? Não o deixe fazer nenhuma besteira.

— Pode deixar, Lucy. Vou cuidar bem do nosso amiguinho — o moreno comentou, batendo de leve na perna de Natsu, exatamente onde estava o curativo que cobria seu ferimento, fazendo o garoto gemer de dor.

— Ai! Seu filho da-

Gray apertou novamente o machucado, interrompendo a fala do garoto.

— Olha a boca, Natsu. Sua mãe nunca te ensinou que é feio falar essas coisas? — Gray disse, batendo outra vez no ferimento.

— Lucy! — Ele suplicou. — Não me deixa sozinho com esse cara! Ele vai acabar me matando antes de você voltar.

A loira apenas sorriu.

— Devia ter pensado nisso antes de enfrentar um cara armado. Boa sorte agora.

Entre a cara de Gray de quem iria fazê-lo sofrer ainda mais se permitisse e a expressão sarcástica no rosto de Lucy enquanto se afastava, Natsu não sabia nas mãos de quem estaria em pior situação. Tinha razão quando pensara que estava mais seguro com o Koscheivich do que com aqueles dois.

— Nem vem! Fica longe da minha perna — falou quando Gray ameaçou colocar sua mão sobre os curativos novamente.

— Quanto medo. Parece um gato assustado, Natsu.

O garoto esperou até ouvir a porta do banheiro se fechar para continuar a conversa, dessa vez em um tom mais sério, mudando completamente de assunto.

— Aquele cara é bem mais perigoso do que eu pensava, Gray.

— Sério? Descobriu isso antes ou depois dele matar minha prima e atirar em você?

— Ele não é humano — Natsu continuou, ignorando o sarcasmo do amigo.

— Como assim não é humano? — Gray perguntou, deixando as brincadeiras de lado e ajeitando-se na poltrona. — Ele é como você?

— Ei, eu sou humano. A coisa dentro de mim é que não é.

— Então ele é como a coisa que vive dentro de você?

— Basicamente.

— E o que ele quer com a Lucy?

— Vingança. Sabe, por aquela história dela ser descendente do cara que tentou matar essa coisa. Você também vai ter que tomar cuidado, Gray.

O moreno franziu a testa, confuso.

— Por que? É a Lucy que ele quer, não é?

— Não exatamente.

De forma resumida, Natsu explicou tudo o que o Koscheivich lhe revelara, todo seu plano maquiavélico. Gray atentou-se a cada palavra proferida, entendendo enfim o que Dragneel quisera dizer quando mencionara o quanto Ryan era uma ameaça. De fato, ele era alguém, ou algo, com o qual se deveria tomar cuidado.

— Então, o plano dele é atingi-la emocionalmente?

Natsu assentiu.

— Por isso você e os outros precisam tomar cuidado. Ele vai tentar machucá-los para atingir a Lucy.

— Mas os outros não sabem dessa história toda.

— É, vou ter que dar um jeito de protegê-los — comentou, recostando-se no sofá.

— Não pode proteger todos que a Lucy conhece, Natsu. Não vai conseguir. Nem mesmo você seria capaz disso.

— Ninguém além de mim pode. É o único jeito de mantê-los seguros.

— Você disse que essa coisa é como um jogo para ele. Você vai estar fazendo exatamente o que ele quer. Ele sabe que você é o único que poderá impedi-lo, por isso te contou todo o plano, para tornar as coisas mais divertidas. A única coisa que você vai conseguir com isso é entretê-lo.

— Mas que escolha eu tenho, Gray? — Natsu questionou, em tom de exclamação. — Deixar as pessoas morrerem? O máximo que posso fazer é falar com o Alexei, ver o que ele acha sobre essa situação.

O moreno suspirou, tentando pensar em alguma solução diferente, porém sem encontrar nenhuma que realmente fosse eficiente.

— Não seria melhor se Lucy soubesse de tudo?

— Não. Existe um motivo para Alexei não querer que ela saiba, e ele tem razão. Quanto menos ela se envolver com seu passado, melhor.

— Eu sei, mas parece tão injusto. Todas essas coisas acontecendo envolvendo a ela e a coitada sequer sabe — Natsu concordava. Era injusto, mas também era a melhor forma de protegê-la. — Você também vai ter que tomar cuidado, Natsu. Você também é importante para a Lucy.

— Mas ele não virá atrás de mim enquanto não tiver ferido os outros. Vou ficar bem.

Com isso, ouviram a porta do aposento ao lado se abrir. Aquela conversava terminava ali, querendo ou não. Com Lucy por perto, não poderiam falar sobre aquelas coisas. A loira se aproximou, sem estranhar o silêncio. Sentou-se ao lado de Natsu, deitando sua cabeça no peito do rapaz.

— Há dez minutos você estava brigando comigo, e agora quer deitar em mim. Você é meio bipolar, Lucy — o garoto comentou.

— Você é meu melhor amigo e estava desaparecido. Dá um tempo — a loira respondeu.

— Melhor amigo? Pensei que fosse algo mais — falou, fingindo-se ofendido.

— Namorado é uma palavra estranha. Prefiro te definir como meu melhor amigo com benefícios exclusivos — Natsu franziu a testa, confuso. — Você entendeu o que eu quis dizer, Natsu.

— Estranha.

Lucy sorriu, ajeitando-se ao lado do garoto, posicionando-se de forma confortável.

— Tem uma coisa que eu não entendo — Gray comentou. — Por que ele matou Lisanna? Eu não sabia que eles tinham alguma relação.

— Ele estava manipulando ela, usando-a para atingir nós dois com aquela história de gravidez.

Natsu pensara muito sobre aquilo. Imaginava se os vizinhos já tinham encontrado o corpo da jovem, ou se Ryan tinha se livrado do que restara de Lisanna enquanto Natsu estava desacordado. A cena ainda estava fixa em sua mente. Ryan mirando na jovem garota, seus olhos azuis olhando para Natsu como se pedissem desculpas por toda a confusão que causara pouco antes de perderem o brilho e a vida extinguir-se de seu corpo.

— Eu sei que isso é algo cruel de se dizer, e sinto muito pela sua prima, Gray, claro que não queria que ela morresse, mas não vou sentir falta daquela garota. Não depois do que ela fez — Lucy comentou. Lembrou pouco depois que Natsu presenciara o assassinato, imaginou o quão horrível devia ter sido para ele. Levantou o olhar, observando a expressão do garoto. — Sinto muito que você estivesse lá quando aconteceu.

— Tudo bem.

— Não sei se os pais dela já sabem sobre o assassinato, e não estou com a menor vontade de ser aquele que vai lhes dar a notícia de que sua filha foi assassinada — Gray murmurou, respirando pesadamente. — Bom, vamos mudar de assunto, ok? Vamos falar sobre qualquer coisa, menos isso. Não acho que seja algo agradável para nenhum de nós.

Todos concordaram.

— Você parece cansada — Natsu comentou, olhando para Lucy.

— É, acho que faz mais de vinte e quatro horas que não durmo.

— Por minha causa? — Perguntou.

— Também, mas não só por isso. Lembra daquela entrevista em Nagoya? — Natsu assentiu. — Bom, parece que o jornal tentou usá-la para me prejudicar. Os sócios convocaram uma reunião de emergência para falar sobre, perdemos alguns clientes por causa da entrevista e eles começaram a questionar sobre a minha capacidade de gerenciar a empresa do meu pai.

— Isso é ridículo — o garoto respondeu. — Ninguém naquele lugar é mais capaz que você. Mesmo morando em outra cidade você provavelmente se esforça mais do que qualquer um daqueles caras. Raramente te vejo longe da tela do computador, e você sempre vai dormir no meio da madrugada porque passou a noite toda trabalhando, fora as viagens no meio da semana. E eles nem podem reclamar disso, já que é do seu bolso que saem os gastos com elas.

A loira, porém, não respondeu. Muito pelo contrário, estava confortavelmente de olhos fechados e mão relaxada sobre o peito de Natsu.

— Acho que a Lucy dormiu — Gray comentou.

— É, acho que sim.

Natsu sorriu, observando aquela adorável garota adormecida sobre seu corpo. Mal sabia ela dos perigos que a rodeavam, e ele esperava que continuasse daquela forma. Ao menos daquela forma ela poderia ter um sono tranquilo, pois nem seus piores pesadelos seriam mais assustadores do que a realidade que Natsu lhe escondia.

***

Acordou assustada na cama do quarto. Não se lembrava de ter adormecido e muito menos de ter caído no sono naquele aposento. Sua última lembrança era de estar na sala, conversando com Natsu e Gray. Natsu. Quando se lembrou dele uma sensação ruim percorreu seu corpo. Sentou-se rapidamente, encontrando o garoto ao seu lado, sem camisa, revelando os curativos em seu abdômen, analisando o celular com a tela rachada. O garoto sorriu para ela quando a viu acordada. Lucy suspirou aliviada. Tivera medo num primeiro momento de que tivesse sonhado com o reencontro.

— Por favor, não me diga que você me trouxe do sofá até aqui, Natsu — conhecia seu namorado o suficiente para saber que ele era louco de tentar, mesmo tão machucado.

— Não, pedi ao Gray pra fazer isso por mim. Você ia acabar ficando toda dolorida dormindo lá.

— Ainda bem — respondeu aliviada, ajeitando-se no colchão.

— Não sou tão sem-noção, Lucy — Natsu comentou, largando o celular sobre o criado-mudo. — E não teria como eu conseguir te carregar até aqui. Não sou tão forte assim, por mais que você ache que eu seja.

— Eu não duvido de você, Dragneel.

— Você precisa confiar mais no meu bom senso, Heartfilia — a loira revirou os olhos. Confiaria no bom senso de Natsu. Se ele tivesse algum, claro. — Ei, pode me ajudar? Tem um presente para você ali na última gaveta do seu lado — Lucy franziu a testa. Não era nenhuma data especial, não via motivos para ganhar um presente. Mas, de qualquer forma, pegou o embrulho quadrado guardado na última gaveta do criado-mudo. — Ia te dar isso naquele jantar que preparei, mas, bom, você sabe, não deu muito certo.

— O que é? — Perguntou, curiosa. Tentou descobrir chacoalhando o embrulho, porém sua tentativa não resultou em nada.

— Sabe, geralmente as pessoas abrem os presentes para responder a essa pergunta.

— Engraçadinho — a loira comentou. De qualquer forma, não o questionou mais, rasgando o envoltório colorido. Nunca soubera abrir presentes de forma delicada, de modo que nunca conseguia reaproveitar o papel.

O que encontrou ao se livrar do material que envolvia o tal presente não foi exatamente o que esperava. Afinal, um simples cubo mágico não é bem o presente que se espera ganhar. Bom, talvez a única anormalidade era que aquele objeto era um pouco maior do que aqueles que ela costumava conhecer, tendo cada quadradinho aproximadamente 3cm². Não conseguia entender, portanto direcionou um olhar confuso a Natsu.

— Então? Gostou? — O garoto perguntou, deitando-se na cama e observando-a com a cabeça apoiada na mão.

— Agradeço pelo presente, mas... o que exatamente eu deveria fazer com isso? — Perguntou, tentando fazer com que a pergunta não soasse como se estivesse insatisfeita com o presente. Não esperava por aquilo, mas também não achava justo mostrar-se infeliz com algo que ganhara, ainda mais estando Natsu com uma estranha expressão empolgada no rosto. Tudo bem que aquela era a expressão do garoto em 90% do dia, mas naquele momento parecia haver algo a mais.

— O que as pessoas geralmente fazem com um cubo mágico. Montar, ué.

— É que eu nunca fui muito boa com essas coisas, Natsu — falou com sinceridade. — Na verdade, nunca consegui montar nenhum.

— Bom — começou, sentando-se novamente na cama e aproximando-se da loira —, para a sua sorte eu estou aqui, e costumava ser muito bom com essas coisas quando criança.

— Ok... — Lucy respondeu, mexendo de forma desajeitada nas peças, muito lentamente, como se aquilo pudesse explodir a qualquer momento.

— Assim a gente nunca vai terminar, Lucy.

— Eu não sei por onde começar — argumentou, mostrando a Natsu o cubo mágico com as peças completamente bagunçadas.

— Comece do começo.

A loira parou para lhe lançar um olhar incrédulo.

— Jura, Natsu?

Ele apenas sorriu. Depois, colocou sua mão sobre a de Lucy no cubo mágico, fazendo-a voltar a se concentrar no quebra-cabeças. Apesar disso, a garota continuava sem entender nada do que estava acontecendo ou sequer o motivo de estar fazendo aquilo, para ela era completamente inútil, mas seguiu os passos de Natsu. Se ele queria tanto que ela montasse aquela coisa, devia existir um motivo. Ou não. Talvez o rapaz fosse apenas um obcecado por quebra-cabeças e quisesse passar algum tempo se entretendo com seu hobbie em companhia. Muitas razões passavam pela mente de Lucy, o que a princípio a fez ficar completamente distraída e fora de foco. Apesar de que, mesmo se estivesse se concentrando no cubo mágico, tinha certeza de que continuaria sem conseguir montá-lo.

No começo, principalmente, não fazia ideia do que suas mãos faziam, apenas seguia instintos e movia as peças aleatoriamente. Algumas vezes o rapaz interferia, fazendo um movimento diferente do que ela planejara. Imaginou que ele entendia mais daquela coisa que ela, então não discutia. Contudo, após mais de uma hora tentando resolver aquele insolúvel problema, começou a pensar que nenhum dos dois fazia a menor ideia do que estavam fazendo, gerando discussões do tipo:

— Natsu, é óbvio que se você virar esse pedaço aquele outro vai ficar errado. Pensei que você tivesse dito que era bom nessa coisa.

— Eu sou bom, mas não é tão simples assim montar um cubo mágico, sabe? Exige paciência.

Em geral, logo depois ela bufava, querendo deixar o cubo como estava. Tinha certeza de que não iam conseguir montar, afinal. Porém, Natsu insistia que deveriam continuar.

— Por que? — Ela perguntava. — Por que temos que montar esse negócio?

— Você vai entender quando tivermos terminado.

Três horas depois de terem começado, em plena madrugada, Lucy já não aguentava mais. Estava passando a se sentir irritada, querendo que Natsu lhe dissesse de uma vez qual afinal era a importância daquela coisa tão sem sentido, porque sinceramente ainda não conseguia enxergar. Para ela, era apenas uma brincadeira idiota.

— Não, chega, Natsu, não aguento mais. Até minhas mãos estão doloridas de tanto mexer nesse cubo, minha cabeça está doendo e eu estou morrendo de cansaço — reclamou.

— Precisamos continuar. Confia em mim, Lucy — o garoto respondeu.

— Por que?! — Perguntou, deixando sua irritação explicita em seu tom de voz. — Você sequer me diz qual o motivo de estarmos fazendo isso. É só um quebra-cabeças. E já é tarde.

A loira se levantou, deixando o cubo mágico sobre o colchão e um Natsu com uma expressão apreensiva.

— Ei, por favor, isso é importante pra mim, Lucy. Eu sei que você provavelmente deve estar querendo jogar essa coisa na minha cabeça, mas confia em mim.

Lucy suspirou, cansada.

— Posso ao menos tomar um copo de água antes de continuarmos?

— Claro.

Natsu esperou que ela voltasse para que retornassem ao complicado problema. Percebeu que daquele ponto em diante ela mal olhava em sua cara, provavelmente brava demais com aquela insistência toda. Ele compreendia seus motivos, mas esperava que quando revelasse o motivo de estar insistindo tanto ela também compreendesse os dele.

Depois de mais de cinco horas exaustivas e quase sem pausa, finalmente conseguiram chegar a uma solução. Faltava apenas girar uma única peça para que o quebra-cabeças ficasse completo.

— Até que enfim — a loira suspirou, aliviada. Nesse momento, Natsu tomou o cubo das mãos da garota. — Ei! Agora que chegamos até aqui me deixa terminar.

— Só um momento.

Ele devolveu-lhe o objeto, dessa vez com a parte verde virada para Lucy e a vermelha para o teto. Ela revirou os olhos, incomodada, achava muita frescura que até mesmo o lado tinha que estar como Natsu queria, mas enfim virou a peça que faltava, e, para sua completa surpresa, quando o fez o quadrado do meio do lado verde se abriu, como uma gaveta, trazendo dentro de si, preso ao fundo, um belíssimo anel banhado a ouro, com um pequeno diamante no centro. Sua voz de repente desapareceu. Natsu tinha dito que ela iria entender seus motivos quando tivessem terminado, contudo aquele anel apenas deixara-a mais confusa.

— Natsu... O que é isso?

Ok, agora me dá isso aqui — disse, pegando novamente o cubo mágico, que, Lucy acabava de constatar, era na verdade uma caixa. Sua voz estava levemente falha, a loira percebeu, e o garoto tremia um pouco. Em seu peito, seu coração já palpitava mais forte, esperando pelo que Natsu tinha a dizer. — Fiquei repassando esse discurso várias e várias vezes na minha cabeça, então espero que eu não esqueça de nada, mas lá vai — Natsu suspirou, tomando fôlego e olhando no fundo dos olhos da loira antes de começar. — Sabe, quando eu penso em algo para definir nós dois a primeira coisa que vem à minha cabeça é um cubo mágico, porque, bom, caso você não tenha notado nós dois somos bastante complicados, assim como essa coisa aqui.

— É, eu sei disso — a loira comentou, rindo. Via o nervosismo de Natsu em seus olhos, ao mesmo tempo em que ele parecia extremamente feliz.

— Mas, também assim como esse cubo, nós sempre encontramos uma solução. Por mais difícil que seja. Basta procurarmos. Às vezes é mais fácil, às vezes mais difícil, mas a solução sempre está lá. Nós somos como esse cubo mágico, Lucy. Desde que nos conhecemos, sempre enfrentamos vários problemas. Acabamos de enfrentar um. Nossa relação nunca foi calma. Nunca foi fácil, o que não significa que não valha a pena. Muito pelo contrário, sempre valeu, mesmo com todas as discussões, mesmo com todas as situações que enfrentamos, desde o momento em que nos conhecemos. Algumas, talvez muitas vezes, pareceu que não haveria uma saída, que não conseguiríamos superar algum obstáculo, que nossa história terminaria ali, como quando estávamos montando esse quebra-cabeça. Algumas vezes pensamos em desistir, pensamos que o esforço não compensaria no final, refletindo sobre qual o motivo de se esforçar tanto para conseguir fazer algo dar certo se parece que nunca vamos conseguir. Ficamos muito perto de jogar tudo fora, perdendo a chance de descobrir no fim uma bela surpresa, exatamente como aconteceu com esse cubo mágico. Eu admito que estava mesmo com medo de você jogar esse negócio na minha cabeça. Você parecia bem brava quando eu pedi para continuar.

Lucy novamente riu.

— Eu pensei em jogar, mas vai que isso te machucasse ainda mais. Não estava com vontade de voltar ao hospital.

Seu coração estava apertado em seu peito. Já tinha chorado tanto naqueles últimos dias e, novamente, lá estava, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto enquanto ouvia o que Natsu tinha a dizer. Já supunha o que viria a seguir, mas o discurso do rapaz era a parte inesperada. Em poucas palavras, ele já a havia deixado completamente desnorteada. Em um bom sentido.

— Ao mesmo tempo em que é tão difícil, quando estamos juntos parece que os problemas diminuem. É só comparar as vezes em que enfrentamos algo separados com as vezes em que tínhamos um ao outro. Sempre foi mais fácil quando estávamos juntos. Tenho certeza que teríamos demorado muito mais tempo para montar esse quebra-cabeça se estivéssemos tentando de forma isolada — ele fez uma pausa, tentando se lembrar do que viria a seguir. O nervosismo estava começando a atrapalhar sua memória. — Bem, você sabe que essa relação pode ser difícil às vezes, que pode nos machucar, mas estar juntos é algo que nos faz sentir vivos. E, sabe, eu não me importo de me machucar, porque sei que nós somos mais fortes que isso, que podemos brigar e, não importa quanto tempo depois, em algum momento vamos estar novamente dando risada um do outro, se divertindo. Afinal, as coisas sempre são mais divertidas quando estamos juntos. E esses momentos sempre irão compensar todas as brigas, todas as preocupações e tudo o que puder surgir de ruim.

“Sabe, eu nunca pensei que precisaria de alguém para me sentir bem, que precisaria de alguém para me sentir completo. Acho que eu estava muito enganado, porque tudo em que eu consigo pensar é em você, e tudo fica tão estranho quando você está longe. Eu preciso de você na minha vida, Lucy.

Bom, eu não posso prometer que vai ser fácil, não posso prometer que vamos enfrentar menos problemas daqui pra frente, porque você sabe que as coisas nunca são fáceis quando se trata de nós dois. Desde que você entrou na minha vida ela se tornou uma bagunça, senhorita Heartfilia, mas, sabe, eu não quero que volte a ser como era antes. Quero que se torne ainda mais bagunçada, mais complicada, se isso significar ter você por perto. A vida vai ser difícil de um jeito ou de outro, então eu prefiro que seja ao seu lado, com o seu amor, seu senso de humor, e tudo o que você é. Eu não quero desperdiçar nem mais um segundo, porque eu não sei o que pode acontecer amanhã. Tudo o que eu sei é que quero estar com você. Agora e sempre. ”.

O garoto então tirou o anel de dentro da caixa, deixando-a de lado, oferecendo aquele arco dourado a Lucy.

— Natsu... — tentou dizer, apesar das muitas lágrimas atrapalharem sua voz. O garoto sorria timidamente, de um jeito tão fofo que derreteu completamente seu coração. Ele segurou a mão direita de Lucy com a sua mão livre, olhou novamente em seus olhos e continuou.

— Ei, me deixa terminar, ok? — A interrompeu. Lucy sorriu e assentiu. — Então, Lucy Heartfilia, eu te pergunto: quer dividir uma vida complicada comigo? Quer poder me chamar de seu marido, já que você disse que namorado é uma palavra estranha, e me deixar te chamar de minha esposa? Enfim, quer se casar comigo?

Talvez aquele fosse o momento em que mais ficara nervoso durante toda sua vida. A expressão de surpresa no rosto de Lucy não colaborava com sua situação. Esperava que aquelas lágrimas fossem de alegria. Lucy nunca conversava muito sobre seus planos para o futuro, então ele não tinha certeza se aquilo estava na sua lista de desejos. Antes mesmo de fazer o pedido seu nervosismo já havia começado. Ficara morrendo de medo de não conseguir convencer Lucy a terminar de montar o cubo mágico, estragando todo seu plano. Ou que não conseguissem terminar de montar.

Enfim, depois de segundos que pareceram intermináveis, a loira resolveu se pronunciar, com uma resposta que deixou Natsu ainda mais apreensivo.

— Não.

— Não? — Ele perguntou, tremendo. Aquela era a última palavra que queria ouvir no momento. Aquela era a palavra que mais odiou naquele momento. Não devia ser uma palavra proibida no vocabulário das pessoas naquele momento, ou ao menos no vocabulário de Lucy.

— Não acredito que realmente precisa perguntar para saber a resposta, Natsu — a loira respondeu, sorrindo de orelha a orelha. — É claro que quero, seu idiota.

O garoto suspirou, aliviado.

— Você me assustou, sabia? — Disse, colocando desajeitadamente o anel no dedo anelar direito de Lucy, tomando-a em um abraço logo em seguida, deixando que ela mudasse o curso do abraço e o transformasse em um beijo. — É claro que eu preciso perguntar, são formalidades.

Lucy sorriu ainda mais, apertando-o contra si, sentindo em sua mão o objeto gelado que carregava tanto significado. Quem diria, afinal, que aquele era o objetivo do cubo mágico. Jamais teria imaginado uma coisa daquelas.

— Como você fez isso, Natsu? — A loira perguntou, curiosa. — Como transformou um cubo mágico numa caixa?

— Conheço um cara que fez isso para mim. Quando o cubo está montado, a gaveta se abre. Não sei exatamente como funciona. Tive que vender a moto que eu tinha para conseguir pagar, mas valeu a pena. Acho que esse é o único pedido de casamento do mundo em que a caixa custou mais que o anel.

— Não precisava ter feito tudo isso. Você sabe que de uma forma ou de outra eu teria dito sim.

— Tecnicamente você não disse sim — a loira revirou os olhos. O importante é que havia aceitado. As palavras que usara não importavam. — E eu precisava fazer isso. Eu disse que quando fizesse esse pedido ele seria inesquecível.

De repente, uma lembrança surgiu na mente de Lucy.

— Você disse que ia me dar isso no dia em que preparou aquele jantar — Natsu assentiu. — Então basicamente eu te contei que meu ex tinha me beijado no dia em que você iria me pedir em casamento...

— É, foi um pequeno imprevisto — o garoto confirmou. Lucy levou as mãos ao rosto, cobrindo sua face, envergonhada.

— Não acredito que eu fiz isso.

— Tudo bem. Isso ajudou a fortificar minha teoria do cubo mágico. De que por mais difícil que possa parecer nossa situação, nós sempre encontramos a solução.

— É a melhor metáfora que eu já ouvi.

— Óbvio que é — o garoto comentou, colocando suas mãos na cintura de Lucy e aproximando seu rosto do dela. — Fui eu que criei.

— Convencido — ela respondeu, sorrindo, sentindo logo em seguida os lábios de Natsu tocarem os seus, deixando que ele dominasse sua boca. Meio num beijo, meio num sorriso. Ainda estava em êxtase devido ao pedido de casamento. Sentindo o calor de Natsu, a proximidade de seu corpo, seus lábios nos dela, pensou que nunca tivera tanta certeza quanto a uma resposta de uma pergunta. Também o queria em sua vida, também precisava dele, também não se imaginava longe daquela criatura irritante e extremamente adorável. — Natsu?

— O que? — Ele perguntou, relutando em interromper o beijo.

— Obrigada por fazer parte da minha vida — o beijou novamente, colocando suas mãos no rosto do rapaz. — Obrigada por ser quem você é.

Entre seus lábios, sentiu-o sorrindo.

— À disposição — lentamente, ele arrancou de Lucy a camiseta que a garota vestia.

— Você está todo machucado. Tem certeza de que quer fazer isso?

— Absoluta — foi quando se distanciou para beijá-la em outros lugares de seu corpo que conseguiu ver as marcas nos braços da loira, antes escondidas pela manga da camiseta. Afastou-se alguns centímetros, mudando a expressão de seu rosto para uma carregada de seriedade. — O que aconteceu com você?

Lucy suspirou. Relutava em contar a verdade, não queria estragar aquele momento, mas também não queria mentir.

— Bom, um dia depois de você ter ido embora eu procurei pelo Ryan. Queria dizer para ele não me procurar mais. As coisas não saíram exatamente como eu tinha planejado e ele meio que tentou me agarrar.

— Ele o que?! — O garoto exclamou, ameaçando se levantar. Só não o fez porque Lucy segurava seu punho.

— Foi por causa disso que fiquei com tanto medo quando Gray disse que você tinha ido atrás dele. Soube do que ele era capaz — odiou ver aquela expressão preocupada no rosto de Natsu, sendo que poucos segundos antes ele sorria. — Natsu, não importa mais, ok? Esquece isso, esquece aquele cara. Ele não merece estar nessa noite tão incrível.

— É meio difícil esquecer.

— Eu sei, eu sei que você está com raiva, mas tenta, por favor.

— Tudo bem — Natsu respondeu, acalmando-se. Tentou beijá-la novamente, porém Lucy o parou.

— Quer saber o motivo de eu ter guardado o colar que ele me deu?

— Não precisa dizer, sério. Você mesma disse para esquecermos esse cara, não é?

— Eu sei, mas me deixe te dizer — o garoto bufou. Realmente não via necessidade em saber, mas se Lucy insistia tanto em contar, não ia discutir. Ela segurou as mãos dele, perdendo-se novamente nos olhos de Natsu, como geralmente costumava acontecer quando o olhava, e então disse: — Aquele colar representa alguém que me abandonou num dos momentos em que eu mais precisei de ajuda. Me faz lembrar de tudo que aconteceu por eu ter sido ingênua demais, por ter confiado em alguém que não era digno de confiança. É um constante lembrete de como eu não devo agir outra vez. Já esse anel — falou, mostrando-lhe o objeto e sorrindo ao vê-lo novamente, voltando também a chorar. O recente pedido e as palavras de Natsu ainda estavam em sua cabeça —, esse anel representa o cara que transforma um cubo mágico numa caixa para fazer um pedido de casamento. Representa alguém que nunca para de me surpreender, alguém que me faz rir mesmo em momentos de tensão. Alguém sem o qual eu não consigo me imaginar vivendo sem. Alguém que diz o que se passa pela sua mente, mas que também escuta quando tenho algo a dizer. Alguém que sempre dá o seu melhor em tudo o que faz, que é fraco e ao mesmo tempo forte, mesmo que não goste muito de admitir suas fraquezas. Alguém que me protege, mesmo que isso faça com que ele seja baleado. Não que eu defenda sua atitude, ainda acho que você foi muito idiota em fazer o que fez.

— Levarei tiros por você sempre que for preciso, Heartfilia — ele comentou, sorrindo. — E acho que você acabou de balear meu coração com essas palavras.

Lucy riu, como sempre acabava rindo ao lado dele.

— Natsu Dragneel, eu te amo tanto que não me importaria em viver uma vida de problemas, contanto que você estivesse comigo. Você surgiu na minha vida de forma inesperada, entrou sem pedir permissão, mudando tudo o que eu conhecia. Você é um tipo único de pessoa, e não tem noção do quanto fico feliz por ter você. Você me mostrou para que a vida é feita, e que o amor pode ser algo maravilhoso — as lágrimas escorriam sem controle. Ela deixou que ele as tirasse de seu rosto, e em seguida a abraçasse. Afinal, tudo o que queria era estar ao lado dele. Não só naquele momento, mas pelo resto da sua vida. — Eu amo você. Simplesmente amo.

E afinal, havia coisa mais linda do que simplesmente amar alguém, em toda complexa simplicidade daquele sentimento único?

Amar. Simplesmente amar.

Notas finais
Bom, não ficou exatamente como eu queria que ficasse, porque tenho a incrível habilidade de esquecer tudo sobre a cena que vou escrever quando começo a escrever, mas espero que vocês tenham gostado. Na minha mente, essa é a melhor cena da fanfic, é a cena que representa Natsu e Lucy. Essa metáfora do cubo mágico se encaixa perfeitamente bem nesses dois. Sobre a dica que eu dei no capítulo passado. "OTOTA é como um cubo mágico". Basicamente, isso quer dizer o mesmo que o Natsu disse no capítulo. Por mais complicada que pareça uma situação na história, a solução sempre está lá. E eu acho que isso não se encaixa apenas na história. Por mais complicada que seja uma situação na vida, eu costumo pensar que não existe problema sem solução. Bom, mas voltando para OTOTA, kkkkk. Gente, eu sou uma autora muito óbvia. Deixo pequenas pistas pelos capítulos, a solução sempre está escondida, e aqueles que prestarem atenção vão descobrir o final muito antes dele acontecer ;) Espero que vocês tenham gostado. COMENTEM! Vocês não tem noção do trabalho que deu escrever esse capítulo, gente. Eu revisei muitas vezes, espero que não tenha nenhum erro, aliás, enviei essa cena para algumas pessoas para que elas dessem opinião sobre se estava bom ou não. E agora para postar o capítulo, porque minha internet não quer deixar de jeito nenhum. Enfim, deu bastante trabalho, então, por favor, comentem para eu saber que todo esse trabalho não foi em vão e que a cena não ficou um lixo, ok? Sério, gente. No capítulo passado apenas 3 pessoas comentaram, sendo que o capítulo teve basicamente 40x mais visualizações. Isso dá uma impressão gigante de que o capítulo ficou horrível, acaba inevitavelmente desanimando. É bem ruim ver um retorno tão pequeno quando você se esforça tanto para fazer algo, então conto com a colaboração de vocês para entender o quanto é importante deixar um simples "gostei" que seja. É isso, vejo vocês no próximo o/