Onde Tem Ódio Tem Amor
10 Inteligência Vs. Força
Notas iniciais
Poucos centímetros separavam os dois, Lucy podia sentir o cheiro embriagante do rosado, estava ainda mais forte por ele ter saído do banho há tão pouco tempo, aquilo invadia suas narinas. Era hipnotizante, o cheiro lutava para tomar o controle da mente de Lucy, enquanto ela tentava resistir friamente.
Ela pensava no quanto não deveria sentir aquilo, se ao menos pudesse escolher por quem se apaixonar, tentava se convencer de que não estava apaixonada por aquele garoto, mesmo que no fundo soubesse que a verdade era outra. “Seria tão mais fácil se pudéssemos controlar o coração, ...
– Nee Lucy, eu não sabia que seu coração bate tão rápido quando está perto de mim.
...literalmente”
– Isso é uma alucinação sua. Não sei do que está falando.
– Não é alucinação, eu posso ouvir e, a essa distância, sentir. Está batendo mais rápido que o normal. Mas não se preocupe, eu geralmente causo este efeito nas garotas.
Ele sussurrava perto do ouvido de Lucy. O tom rouco de sua voz tornava-a ainda mais sedutora. Tudo nele complicava a situação de Lucy, o corpo bem definido, a voz sedutora, o cheiro enlouquecedor.
– Você realmente se acha não é.
– Eu não me acho, apenas digo a verdade. Mas você não respondeu minha pergunta. Então, devo te beijar ou não?
– O que eu acho é que você deveria me soltar, AGORA!
– Totalmente impossível. Eu não estou com a mínima vontade de te soltar, loirinha.
Aquela seria uma guerra para Lucy: Seu coração e Natsu contra sua mente. Seria uma guerra dura, haviam batalhas interiores e exteriores, primeiro teria que vencer seu coração. Essa não era a parte mais difícil, o maior problema seria a guerra externa, contra Natsu.
Ele possuía força, então ela não tinha nenhuma chance de vencê-lo corporalmente. Teria que usar sua inteligência. Começou a analisar a situação. Ela apoiava suas mãos na cama, tentando se impulsionar para trás e assim se livrar de Natsu. Isso não dava certo, pois ele era muito forte e a segurava firmemente, mas pode perceber que ele tomava cuidado para que ela não pressionasse seu peito, e foi assim que chegou a chave para seu problema.
Depois do ocorrido com certeza os músculos de Natsu estavam completamente doloridos, uma leve pressão sobre eles faria com que ele sentisse muita dor. Seria cruel, mas Natsu merecia.
Não havia falhas em seu plano, Natsu escolheu o momento errado para provoca-la. O único problema para Lucy era que assim ela estaria em contato direto com os músculos do rosado, teria que ser forte e resistir.
Ele era um idiota, isso não iria mudar não importando o que acontecesse, e ela não se permitiria se apaixonar por ele de maneira alguma.
Com seu plano completo ela sorriu, Natsu podia ser mais forte, ela poderia não ganhar dele em força, mas ele nunca a derrotaria quando se tratava de inteligência.
– Por que está sorrindo assim Lucy? – Ele perguntou ao perceber o sorriso repentino que apareceu no rosto da garota.
Achou estranho, afinal era para ela estar irritada, e estava até poucos segundos, mas então de repente ela sorriu, um sorriso que não previa nada de bom para ele.
– Nee Natsu, não vai mesmo me soltar?
– Não, sem chance, não vou te soltar.
– Tudo bem, não se arrependa depois.
– O que você está planejando Lucy?
– Nada de mais, apenas algo que vai fazer você se arrepender de não ter me soltado quando pedi.
Lucy jogou todo o seu peso sobre o peito do garoto. Ele não teve tempo de dizer nada, pois assim que Lucy colocou seu plano em prática ele sentiu uma forte dos nos músculos pressionados.
– AHHHHHHHHHHHHH.........L-Lucy........s-sai de........cima.......de m-mim.
A dor dificultava sua respiração e, consequentemente, a fala.
– E se eu não quiser mais sair? – Ela disse no mesmo tom sedutor com o qual ele falava antes, somente para provoca-lo. Sua vingança estava sendo melhor do que esperava.
– I-Isso é...........t-tortura.
– Eu te pedi para me soltar antes. Você pode ser forte, mas nunca vai me vencer em inteligência Natsu.
Ela se divertia com a situação, não por causar dor em Natsu, na verdade aquela era a parte que ela menos gostava, mas ao menos aquela vez ele estava sob o controle dela, não o contrário.
“Não posso te vencer usando a inteligência é? Vamos ver”. Ele pensou.
– L-Lucy......por favor.
– Ah você sabe pedir por favor, que coisa interessante.
– N-Não estou pedindo.....p-por mim. Acontece que........c-caso você não se lembre.....e-eu ainda estou vestindo s-só a toalha...............e com v-você em cima de mim d-desse jeito.........meu amiguinho de baixo fica....u-um pouco agitado.
Imediatamente Lucy saiu de cima de Natsu e da cama. Estava com o rosto corado. Ele suspirava aliviado, a dor passava aos poucos. Estava com os braços estendidos na cama e os olhos fechados, os abriu lentamente, mostrando também um sorriso.
– Até que enfim, pensei que fosse morrer – Ele disse.
– V-Você é um pervertido mesmo.
– Não posso te vencer em inteligência não é? Eu sabia que se dissesse isso você ia sair de cima de mim o mais rápido possível. Mas isso que você fez foi cruel, se aproveitando da minha fraqueza causada por ter salvado sua vida, você é uma mal agradecida, loirinha.
– Foi culpa sua por não ter me soltado. Você que pediu por isso.
– Mesmo assim foi cruel.
– Que seja. Eu vou ligar para o meu pai e avisar sobre o incêndio.
– E como eu vou me trocar?
– Não sei.
Lucy saiu do quarto sem deixar o rosado falar mais nada. Assim que ela saiu ele começou a refletir sobre o que acontecera. Ele nunca havia sentido aquilo, o cheiro de Lucy, a sensação que o contato do seu corpo com o dela provocava. Ele nunca havia provado nenhuma daquelas sensações com outra garota que ele estivesse interessado, sensações tão boas. “Esqueça isso Natsu, ela pode ser no máximo sua amiga, não se apaixone por ela, você não pode se apaixonar por ninguém”.
Ela foi até seu quarto, ainda pensando em Natsu, pegou seu celular e discou o número do celular de seu pai. Ele não demorou a atender.
– Lucy, como estão as coisas? Você está bem?
– Sim, tirando um pervertido que mora do outro lado do banheiro, sim está tudo bem.
– Pervertido? Escute Lucy, se esse garoto encostar um dedo em você eu mando um segurança até ai para acabar com ele entendeu? Então me avise.
Se o seu pai soubesse do que pervertido acabara de fazer.......mas Lucy decidiu não contar nada, apesar de tudo Natsu salvou sua vida.
– Sim, tudo bem. Como estão as coisas por aí?
– Ah, está tudo bem.....
Natsu havia terminado de se trocar, apesar de não ter colocado a camisa. Saiu do quarto e ouviu a voz de Lucy vindo do quarto da loira. Encostou seu ouvido na porta para ouvir melhor.
– Que bom que está tudo bem aí. Preciso te contar uma coisa, houve um incêndio na escola, ela foi completamente destruída........................voltar para casa? Não parece uma má ideia, não vamos ter aula mesmo.
Natsu congelou ao ouvir aquilo. Ele não queria que Lucy fosse embora, gostava muito de sua companhia. A quem iria irritar se ela não estivesse mais ali? Apesar de tudo se acostumou com a presença da loira, não conseguiria ficar naquela casa sem ela, se sentiria muito solitário. Ao ouvir a noticia ele se distraindo e sua mão bateu na porta. Torcia para que Lucy não tivesse ouvido.
– O que foi isso? Espere um pouco pai.
Ela sabia muito bem a causa do barulho, um pervertido, irritante, que tinha o dom de tira-la do sério chamado Natsu.
Ela abriu a porta bruscamente e Natsu caiu no chão.
– Ai Lucy, hehe, sabe....eu – Ele dizia sorrindo enquanto passava a mão pelos fios rosa de seu cabelo tentando pensar em alguma desculpa.
– Para o seu quarto, AGORA.
– Certo mamãe. — Ele tentou se levantar, mas não conseguia – Lucy, pode me ajudar?
Ela segurou a mão de Natsu e o ajudou a se levantar. Ele começou a caminhar até seu quarto, se apoiando na parede. Lucy voltou ao seu quarto.
– Oi pai......não era nada, só o pervertido que eu falei tentando ouvir nossa conversa. Sobre o que você falava, eu bem que gostaria de voltar para casa, mas não posso, preciso ficar aqui para saber o que o diretor vai fazer. Como está a empresa?............Você não devia trabalhar tanto, vai acabar ficando doente deste jeito............tudo bem, mas não trabalhe tanto ás vezes, já perdi a mamãe, não quero perder você também....................Ah, pai, poderia comprar um celular novo para mim? Eu deixei o meu na escola e ele foi destruído no incêndio..........Sim, eu estava lá, mas o pervertido que mora aqui me salvou.........sim, por mais incrível que pareça foi ele que me salvou, falando nisso poderia comprar um celular novo para ele também? Eu o odeio, mas ele salvou minha vida.........obrigado. Tenho que desligar agora...........também te amo, tchau.
A loira desligou o telefone e caminhou até a sala. Natsu estava sentado no sofá sem camisa assistindo TV.
– Eu não te pedi para ficar no seu quarto?
– Eu fui até lá pegar as muletas e vim aqui. Não se preocupe, não ouvi sua conversa. — Ela caminhou até a geladeira, para pegar um pouco de água – Lucy...
– O que foi?
– Você não vai voltar para sua casa, vai? – Ele perguntou sério, estava preocupado com a resposta.
– Bem que eu queria, mas não posso, preciso saber o que o diretor Makarov vai fazer.
Natsu sorriu, Lucy se sentou ao lado do rosado no sofá.
– Ainda bem, se você voltasse quem eu iria irritar.
– Você é o principal motivo para eu querer voltar para casa.
– Admita que você gosta da minha companhia Lucy – Ele disse se aproximando de Lucy e voltando a utilizar seu tom de voz sedutor. Ela se aproximou dele também, seus rostos estavam a centímetros de distância.
– Natsu... – Ela começou a dizer calmamente, com um leve sorriso no rosto;
– Sim?
– ...até um zumbi seria melhor companhia que você.
– Assim você me magoa Loirinha. Mas um zumbi iria comer seu cérebro.
– Ainda assim seria melhor companhia que você – Ela se afastou novamente, Natsu também se afastou, esticando seus braços sobre o sofá.
– Mas pensando bem você estaria segura com um zumbi – Lucy voltou seu olhar para ele. Curiosa para saber o porquê dele ter dito aquilo – eles gostam de cérebros.
Ele estava praticamente insinuando que a loira não possuía um cérebro, e isso não a deixou muito contente.
– O que você disse seu flamingo?! Eu sou muito mais inteligente do que você!
– Flamingo Lucy? Não pensou em nada melhor? – Ele disse rindo. Ela resmungou algo que ele não entendeu e voltou a olhar para a TV.
– Natsu coloque em outro canal, esse filme é muito chato.
– Não é chato, é um clássico.
– Como você consegue gostar disso? Bem, a cor do seu cabelo já diz um pouco do seu péssimo gosto. Por que alguém pintaria o cabelo de rosa?
– Ei! Meu cabelo é natural!
– Claro, como se eu acreditasse. E coloque uma camisa.
Natsu recolocou seu sorriso pervertido no rosto, e Lucy sabia que quando aquele sorriso vinha, nada de bom podia ser esperado, aliás, nunca nada de bom podia ser esperado de Natsu segundo ela.
– Por quê? Não consegue prestar atenção na TV com meus músculos a mostra? Você precisa aprender a se controlar Lucy, eu sei que sou um pedaço de mau caminho irresistível, mas ainda assim precisa se controlar.
Lucy ainda se impressionava com o quanto aquele garoto podia se achar, mesmo que ele estivesse certo sobre ela se sentir ainda mais atraída por ele quando ele se encontrava daquela maneira, faltava muita humildade para Natsu.
– Acha mesmo que poderia ser algo assim? Eu nem estou interessada na TV, quanto menos no seu corpo. Pelo contrário, você deveria colocar uma camiseta para que eu não fique cega.
– Não minta para si mesma Lucy. Eu não estou com vontade de colocar, e também é meio complicado com uma mão só.
Lucy se levantou suspirando.
– Tudo bem, eu te ajudo.
– Tudo isso só para não ter que ver meu peito desnudo?
Alguém bateu na porta quando Lucy ia responder. Ela foi atendê-la. O garoto que encontrou na rua no dia anterior era quem estava lá, Sting.
– Sting, como vai? – A loira disse sorrindo.
– Bem, muito bem, acabei de arrumar minhas coisas...
Natsu, curioso sobre quem estava à porta caminhou até Lucy. Alguém que ele não conhecia, falando com Lucy como se fossem amigos, isso parecia estranho a ele. Não se deu ao trabalho de pegar as muletas, andou até ela se apoiando na parede, a tempo de ouvir o que o loiro tinha para dizer.
– ...sabe, eu estava meio solitário esta noite então resolvi vir aqui, você aceitaria jantar comigo em algum lugar?
– Claro, será ótimo.
– Ela não pode ir
Natsu estava parado ao lado de Lucy, a interrompeu quando a loira estava falando. Ele não iria deixa-la sair com um cara que mal conhecia. Olhava sério para Sting, como se o mandasse embora com o olhar.
Sting pensava no que um cara sem camisa estava fazendo na casa de Lucy. Já Lucy estava irritada com Natsu pelo que ele disse, ele não podia mandar nela, nem impedi-la de sair com alguém, ele não era ninguém tão intimo a ponto de lhe dar ordens, então por que motivo não queria deixa-la ir?
Notas finais
Natsu ciumento a vista. Espero que tenham gostado do capitulo, se gostaram deixem um review.
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