Onde Tem Ódio Tem Amor

63 I'm giving up on you


Notas iniciais
Sorry pela demora, pessoas. Muitos problemas durante essas semanas e uma autora sem inspiração não colaboraram para que esse capítulo saísse ^^' Muito, muito obrigada a Anika pela recomendação!!! :D Quanto aos comentários do capítulo anterior, prometo que logo respondo, ok, gente? Andei sem tempo nem pra respirar quase e acabou não dando para responder. Boa leitura!

Aquele deveria ser um dia excelente para Lucy. Deveria. Uma pena que nem sempre a realidade obedece aos desejos humanos. Era seu aniversário, em um sábado, pouco mais de um mês depois do de Natsu, e do qual ele aparentemente havia sequer lembrado. Já passava das três da tarde e ele fizera questão de não mencionar uma palavra a respeito da data, fazendo a loira imaginar e ter quase certeza de que havia se esquecido, algo que, não conseguia esconder, deixava-a chateada. Certo, era Natsu, costumava ser um cabeça de vento desmemoriado, mas deveria ter esforçado-se para ao menos daquilo lembrar. Como se não bastasse, a loira precisava ir ao cartório, autenticar alguns documentos, o que definitivamente não formava sua ideia de diversão para seu aniversário.

Quanto a ele, uma semana após a visita à sua avó, ainda não criara coragem suficiente para procurar o homem que o abordara. Aquela história toda parecia loucura em sua mente, não conseguia encontrar uma lógica que se encaixasse em seu problema. Seu pai usara um conteúdo para aparentemente curá-lo da doença, certo, porém que relação isso poderia ter com seus delírios e sua habilidade de não se queimar? O líquido o mudara geneticamente? Isso era coisa de ficção científica, e por mais maluca que fosse sua situação, definitivamente não era ficção.

Eufórica, a loira andava pela casa, com o envelope contendo os documentos em mãos. Natsu acabaria atrasando-a e complicando todos os seus planos, já que faltava apenas uma hora para o cartório de Magnólia encerrar o expediente. Apressava-o, gritando da sala para que se arrumasse logo.

— Calma, já estou aqui — reclamou o rapaz quando saiu do quarto.

— Finalmente — a loira bufou. O olhou confusa quando Natsu parou em frente à porta, com uma expressão pensativa. Já estavam atrasados o suficiente para perder qualquer milésimo de segundo. — O que foi agora?

— Acho que perdi as chaves do carro — comentou, vasculhando os bolsos da calça.

— Como assim, Natsu?

— Eu não lembro onde deixei.

Vendo que o objeto não estava em suas vestes, começou a procurar sobre a bancada da cozinha.

— Você só pode estar brincando comigo.

Era um carro. As chaves de um carro. Como ele poderia tê-las perdido? Estava muito perto de esganar Natsu. Muito, muito perto. Perigosamente instável com relação ao seu humor.

— Relaxa, eu vou encontrar. Por que está tão estressada hoje, hein, Lucy?

A loira sentiu uma enorme vontade de gritar e dizer exatamente os motivos que a estavam deixando daquela forma, contudo, respirou fundo e engoliu as palavras, procurando também pelas chaves perdidas. Já estava perto demais do limite para criar outras situações que com certeza a levariam a ultrapassá-lo.

Durante todo o processo sequer olhava para ele. Olhá-lo irritava-a ainda mais. Pior ainda quando Natsu insistia em perguntar sobre os motivos de sua irritação, o que acontecia quase a cada cinco minutos, ainda que fosse devidamente ignorado. Era um idiota persistente. Ora, ele deveria muito bem saber e consertar a besteira que fez.

— Não está em lugar nenhum, Lucy — comentou, enxugando o suor da testa. — Onde essa coisa foi parar?

— Eu não sei, foi você quem perdeu! E é bom que dê um jeito de encontrar — o olhou furiosa, intimidando-o.

— Eu vou dar um jeito. Se acalme. E quanto às chaves reservas, Lucy?

A loira gelou. Dessa vez, a culpa pela solução não funcionar seria sua.

— Deixei dentro do porta-luvas.

— Quem deixa as chaves reserva dentro do carro? — o garoto questionou, irônico.

— Quem consegue perder as chaves do carro? — Lucy rebateu.

— Qualquer um. Vai dizer que nunca perdeu algo.

Lucy bufou. O dia caminhava de ruim para péssimo com graves tendências a piorar. Desistindo de procurar pelas chaves e considerando o horário, pegou sua bolsa e os documentos e disparou até a porta.

— Ei, onde você vai? — Natsu perguntou.

— Pegar um táxi. Esperar que você encontre algo é como pedir para ficar aqui eternamente.

Para ele, não passava de puro drama. O cartório não era tão longe, não estavam tão atrasados assim. Lucy exagerava demais nas coisas quando se preocupava. De qualquer forma, a seguiu.

Lucy descia as escadas apressada, ignorando os pedidos para que fosse devagar de Natsu. Gostaria de não ouvi-lo falar, apenas que ficasse quieto, naquele momento. Tornaria mais fácil para que se acalmasse, ao contrário dele dizendo para fazê-lo, o que tinha efeito completamente contrário. Não era uma questão de querer. Estava irritada e ponto, não se podia simplesmente mudar algo assim por querer mudar. Era um pouco mais complicado do que isso.

Na rua, o silêncio perdurou enquanto esperavam pelo táxi. E não foi nada diferente dentro do veículo. A expressão de Natsu aparentava que Lucy não era única estressada. Mas, no caso dele, aparentemente fora uma reação em cadeia. O stress da loira o estressou. Ainda assim, como que para irritá-la propositalmente, abriu o vidro do carro, mesmo sabendo que ela detestava andar com o vidro aberto quando seu cabelo estava solto.

— Pode fechar isso, Natsu?

— Está calor aqui, Lucy.

— Natsu, quer, por favor, fechar esse vidro? — o pedido soou muito mais como uma ordem. O rapaz bufou, mas obedeceu.

O tempo, o mundo, até mesmo seu namorado, tudo parecia ir contra Lucy naquele dia em questão. A fila do cartório, mesmo em pleno sábado, encontrava-se gigante. Demorariam séculos ali, com sorte sairiam antes do anoitecer. Pior ainda, aparentemente iria chover, e se molhasse aqueles documentos... Não seria nada bom.

Gostaria muito de apenas ter ficado em casa no seu aniversário, aproveitando o conforto da cama ou do sofá. Mesmo sem Natsu, porque, de uma forma ou de outra, continuaria estando brava por ele ter se esquecido de uma data como aquela. Mas não, pelo contrário. Estava em um cartório, segurando um papel o qual dizia que sua senha era a de número 138, quando ainda estavam no 100.

Os ponteiros do relógio pareciam paralisados. Estava com tanto sono por ter dormido mal na noite anterior graças aos pesadelos de Natsu que sequer notou quando encostou sua cabeça no ombro do garoto e cochilou. Quando despertou, levemente desconcertada por ter usado Natsu como travesseiro estando irritada com ele, sua vez ainda não havia chegado. Ao menos estava bem perto, 136.

Pensou que, ao menos resolvendo aquele problema, estaria livre pelo resto do dia. Pena que pensou errado. E uma pena também ter confiado aqueles papéis a Natsu.

A chuva iniciou-se pouco antes de saírem do cartório. O rapaz se ofereceu para levar os documentos, já autenticados, para que Lucy pudesse segurar o guarda-chuva sem problemas. A loira apenas não cogitou a possibilidade de Dragneel deixar sem querer que os documentos caíssem em uma poça d’água quando estavam próximos ao prédio em que residiam. E lá estavam os dois, em frente ao envelope molhado, sem a menor ideia do que fazer.

— Eu não acredito nisso, Natsu — a loira comentou, incrédula.

— Calma, podemos resolver isso. Podemos voltar na segunda.

— Eu deveria enviar esses papéis amanhã! — a loira explodiu. Olhou uma última vez para Natsu e para os inúteis documentos ensopados e voltou a andar, quase correr, no limite de sua irritação.

— Lucy, me espera.

— Não quero — falou sem olhar para trás, distanciando-se cada vez mais de Natsu. Entrou no prédio já o suficientemente molhada, apesar do guarda-chuva, ao qual deu pouca atenção após o acontecimento. Quanto às escadas, mal olhava o degrau em que estava pisando.

Em resumo, durante seu aniversário de vinte e um anos, Lucy: brigou silenciosamente com seu namorado; perdeu documentos extremamente importantes que tinham relação com a empresa; perdera a chave do carro; e estava com suas roupas e cabelo encharcados. Definitivamente havia sido um péssimo dia.

Natsu apenas conseguiu alcançá-la quando chegaram ao andar em que ficava o apartamento em que moravam. Lucy era bastante rápida quando queria.

— Me desculpa, ok? Eu sei que fiz besteira, mas vai me ignorar por isso, Lucy? — perguntou, segurando-a pelo braço. — O que eu fiz pra te deixar tão irritada?

— Está mesmo me perguntando isso, Natsu?! — a loira exclamou. — Vejamos, no seu aniversário eu fiz o possível e o impossível para conseguir arrumar todos os detalhes e conseguir mudar de cidade, sendo a sócia majoritária de uma grande empresa. Dei um jeito em coisas que pareciam não ter jeito nenhum, só para estar com você. Mas parece que esse esforço todo é unilateral, já que você não se deu ao trabalho de dizer uma palavra que fosse sobre o meu aniversário.

Natsu a soltou, sua expressão parecendo mudar para de compreensão.

— Ah, por isso.

A loira ainda observou-o por alguns segundos, procurando qualquer sinal de arrependimento, antes de se virar e desistir para abrir a porta do apartamento e quem sabe finalmente relaxar um pouco, por mais que parecesse ainda mais difícil tendo voltado com mais problemas para resolver.

Colocou a mão na maçaneta da porta, girou-a, e surpreendeu-se com um coro de “Feliz aniversário!”, vindo de todos os seus amigos mais próximos, presentes no apartamento. Depois, sentiu o hálito quente de Natsu próximo de seu ouvido.

— Qual é, você não achou mesmo que eu tinha esquecido, não é? Você é tão boba, Lucy.

Bem, boba era uma palavra que a definia bem naquele instante, assim como atônita.

— Mas o que é que...

— Feliz aniversário — Dragneel desejou, beijando demoradamente a bochecha de Lucy. — Ah, e quanto aos documentos, aqueles eram só cópias. Os originais estão na sua gaveta, já autenticados. E as chaves do carro na minha gaveta. Eu não sou tão idiota a ponto de perdê-las.

— Como é? — a loira perguntou, confusa, olhando para Natsu.

— A intenção era só te deixar um pouco estressada e te tirar de casa por tempo suficiente — Natsu sorriu. — E então, quer me matar ainda?

— Quero. E muito! — exclamou, abraçando o garoto, completamente mais aliviada. — Mas vamos deixar isso para mais tarde. Tem muitas testemunhas no momento.

***

Aquele dia, que começou indo de mal a pior com tantas confusões, as quais mais tarde a loira descobriu terem sido todas propositais e armadas pelos seus amigos, colocadas em prática por Natsu, atitude muito corajosa, aliás, pois correra sérios riscos à sua vida, tomara um rumo bem diferente durante a noite.

Estava contente, por mais que tivesse se irritado durante o dia. Afinal, Natsu não havia esquecido nada, os documentos e as chaves estavam sãos e salvos, e passou a noite de seu aniversário ao lado de seus amigos, festejando e se divertindo. Tudo ia muito bem, ainda mais quando todos foram embora, quando soube pelo olhar galanteador de Dragneel que sua noite ficaria ainda mais animada.

— Então — começou, andando sorrateiramente até Lucy —, pretende dar um jeito em mim agora?

— Pode apostar que sim. Seu idiota — Natsu enlaçou a cintura de Lucy e aproximou seus lábios dos dela, unindo-os assim que pronunciado o carinhoso xingamento, dando um passo para trás e obrigando-a a acompanhá-lo —, imbecil — outro beijo e outro passo em direção ao quarto —, chato — novamente, o mesmo processo. A cada palavra, um beijo e um passo —, estúpido.

— Suas palavras irão acabar antes de chegarmos até a cama, quer apostar?

— Babaca — tinham acabado de atravessar a porta e as ideias de Lucy já se tornavam escassas —, bobo.

— Bobo? Sério, Lucy? — indagou, jogando-a no colchão. — Pensei que fosse mais criativa que isso, Heartfilia.

A loira sorriu de canto.

— Eu te odeio, Natsu Dragneel.

— É, eu sei — o rapaz a beijou no pescoço, sobrepondo seu corpo ao dela. Antes de qualquer coisa, porém, Lucy queria ter certeza de que ele falara sério quanto aos documentos, portanto, enquanto ele a beijava, virou-se para o criado-mudo, abriu a gaveta e conferiu o envelope que ali se encontrava, suspirando aliviada ao ver tudo na mais perfeita ordem. — Não confia em mim?

— É claro que eu confio — Lucy sorriu olhando-o nos olhos. Confiaria sua vida a ele, sem dúvida. Então, agarrou carinhosamente os fios de seu cabelo e trouxe o rosto de Natsu para junto do seu, ainda que uma ideia brilhando em sua mente a fizesse afastá-lo poucos segundos depois. — Você poderia fazer algo diferente como presente de aniversário, não acha?

O garoto se levantou, arqueando a sobrancelha, querendo muito descobrir o que se passava naquela mente naquele momento.

— Tipo o que?

— Eu não sei — a loira forçou uma expressão pensativa, ajeitando-se na cama. — Algo sensual, como um strip.

Após alguns segundos, que foi o tempo necessário para que o cérebro de Natsu processasse a ideia, ele desatou a rir.

— Você está brincando, não é? — observando a expressão de Lucy, de divertimento e seriedade, obteve sua resposta. — Ah, você não está brincando. Qual é, Lucy...

— Lembre-se que, no seu aniversário, eu atravessei uma parte do país para estar com você.

O rapaz olhou para o teto, relutante.

— Mas... — sem encontrar argumentos que contrapusessem os de Lucy, bufou, vencido. — Ok. — A loira sorriu, divertindo-se com as reações de Natsu. Pegando seu celular, procurou por alguma música que se encaixasse. — O que está fazendo?

— Não é realmente um strip sem música, é?

— É sério? — questionou, perguntando-se se a situação poderia ficar ainda pior para ele. O som da música e a expressão no rosto de Lucy o fizeram ter sua confirmação. — Eu não sei por que ainda duvido de você.

Sem jeito e tentando, de alguma forma que não sabia como, transformar aquilo em algo sensual, começou a desabotoar lentamente os botões da camisa, exibindo aos poucos seu abdômen e sorrindo de uma forma que dizia ao mesmo tempo “é bom que valha a pena” e “você irá me pagar por isso um dia, Lucy”, enquanto observava Lucy segurando o riso. Quando chegou ao último botão, perguntou:

— Já está bom, não é?

— Está ótimo. Pode continuar.

— Isso é ridículo, Lucy — disse. As maçãs de seu rosto completamente coradas quando retirou completamente a camisa e fez questão de jogá-la sobre Lucy. A loira, percebendo seu embaraço causado pela situação, riu.

— O que é isso? Natsu Dragneel está com vergonha? Eu pensei que não iria viver para ver uma coisa dessas — comentou, rindo como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Por outro lado, seu riso acendeu em Natsu uma determinação para levar aquilo até o fim. Vergonha? Ela iria engolir suas palavras ao ver o quão sexy ele poderia ser.

Infelizmente, só pode levar sua promessa até retirar o cinto, já que a campainha tocando interrompeu seu “show”.

— Que pena — o garoto lamentou falsamente. — Eu atendo.

Sequer se deu ao trabalho de vestir a camisa outra vez para atender à porta. Estava calor, principalmente em seu rosto, que, por mais que teimasse em admitir, queimava de vergonha. Lucy ao menos havia desligado a música, seria um pouco estranho atender quem quer que fosse àquele som.

A visita não era nada de importante. Apenas Gray, que havia esquecido o celular no apartamento. Nada de mais, mas o suficiente para Natsu se livrar do strip.

— Essa sua expressão contente não consegue disfarçar em nada a sua alegria, Natsu — Lucy comentou assim que ele retornou ao quarto.

— Não preciso disfarçar. Não tenho habilidade para esse tipo de coisa.

— Bom, para a minha sorte, vou poder rever esse seu talvez único strip sempre que quiser.

— Do que está... — Natsu olhou para o sorriso no rosto de Lucy, então para o celular, e de volta para Lucy, compreendendo. — Não, você não fez isso.

— Pode apostar que sim.

— Lucy, apague esse vídeo — ordenou, andando cautelosamente até a cama, como se Lucy fosse uma gata arisca que sairia correndo ao menor movimento.

— Me obrigue.

— Como é? — perguntou, encarando aquilo como um desafio. Se era assim, então obrigaria. Quando encontrou-se perto o bastante, saltou sobre a cama, tentando agarrar Lucy e o celular. Entretanto, ela era mais esperta do que ele supôs que seria. — Me dê isso, Heartfilia.

— Mesmo que pegue o celular, eu troquei a senha para que não corresse nenhum risco. E até você descobrir a nova já vou ter enviado esse vídeo para vários outros lugares. Não vai conseguir apagar, desista — disse, rindo, tanto da situação, quanto porque Natsu estava apertando sua barriga para conseguir fazê-la soltar o aparelho, fazendo cócegas.

— Você é uma criatura terrível, Lucy.

— Sou? — conseguindo virar-se e ficar de frente para ele, jogou seu braço sobre o pescoço de Natsu, trazendo-o para mais perto, dispersando sua concentração com suas cinturas tão próximas umas das outras. Infelizmente, outra vez a campainha veio a atrapalhá-los. — Quem será dessa vez?

— Pode deixar, eu atendo — o garoto se ofereceu, levantando-se. — Vai ver Gray esqueceu alguma outra coisa.

— Ao menos se vista dessa vez.

Natsu assentiu, pegando a primeira camiseta que encontrou jogada em uma cadeira e vestindo-a. Alguns segundos atrasada, Lucy o seguiu, movida pela curiosidade e, talvez, pelo pressentimento que se seguiu. Quando ele abriu a porta, não conseguiu esconder sua surpresa com a visita inesperada.

— Lisanna? O que está fazendo aqui a essa hora? — indagou, arqueando as sobrancelhas. Lucy espiava de longe.

— Oi. Eu precisava falar com você. Seriamente. E não podia esperar mais tempo.

— Ok. Quer entrar? — perguntou, já tomado pela curiosidade.

— Não precisa, vou ser rápida.

— Tudo bem. Então, o que queria dizer?

— Natsu, eu... — Lisanna suspirou, olhando para os próprios pés antes de voltar a olhá-lo. — Eu estou grávida.

O rapaz fechou sua expressão, confuso. Quanto a Lucy, seu coração palpitava rápido demais, e não era por algo bom dessa vez.

— Que bom... eu acho. Parabéns a você e ao pai da criança.

— Natsu, eu estou grávida de um filho seu — a boca do garoto se abriu, compreendendo sem compreender. Não fazia o menor sentido. Lisanna, desajeitadamente, lhe entregou um papel. — Já vinha suspeitando disso há algum tempo. Peguei o exame hoje e ele confirmou minhas suspeitas.

— Mas... isso é impossível. Nós não... nunca...

Simplesmente não sabia o que dizer, não fazia a menor ideia. E muito menos queria saber o que Lucy diria.

— Nós sim. Há três meses, mais ou menos. Imaginei que não se lembraria. Estava bêbado demais para se lembrar, mas nem eu nem a criança temos culpa disso.

Tinha realmente algumas vagas lembranças de algo que acontecera há três meses, quando ele e Lucy haviam brigado seriamente, porém não se lembrava de nada tão sério ter acontecido. No máximo um beijo.

— Está tarde — Lisanna disse. — Só precisava lhe dar a notícia. Depois conversamos com mais calma. Imagino que, assim como para mim, deva estar sendo um choque para você. Até logo, Natsu. — A albina se despediu.

Assim que ela saiu, deu uma brecha para Lucy. A loira se aproximou, lentamente, seu peito parecendo queimar. Tirou o papel das mãos de Natsu e o examinou. Sem dúvida alguma, o exame confirmava que Lisanna estava realmente grávida. Subiu o olhar, fitando o rosto preocupado de Natsu. Olhou a inquietação e o pedido de perdão em cada um dos seus olhos, para logo em seguida deixar que aquele pedaço de papel caísse no chão e sair para pegar sua bolsa.

Natsu a seguiu.

— Lucy, onde você vai? — questionou, vendo-a arrumando a bolsa.

— Há três meses nós estávamos juntos, Natsu — comentou irritada.

— Não, não estávamos — o garoto respondeu, pondo-se à frente dela. — Nós brigamos e você terminou comigo. Ficamos sem nos falar por uma semana. Não me respondia ou fazia qualquer contato, por mais que eu tentasse. Eu entrei em desespero, Lucy. Nem me lembro do que aconteceu, só de ter bebido muito e ter encontrado Lisanna num bar.

— E só por isso se jogou nos braços da primeira mulher que apareceu na sua frente?! — exclamou, lançando-lhe um olhar furioso. Seus olhos estavam marejados, mas se recusava a chorar na frente dele. Cortou o coração do rapaz vê-la daquela maneira. Era seu aniversário, não merecia aquele tipo de presente. — É bem típico de você, não é?

Natsu suspirou. Tentava não aparentar, mas morria de medo naquele momento, ainda mais quando Lucy colocou a bolsa nos ombros e andou até a porta. Desesperadamente, segurou seu braço e tentou impedi-la.

— Me escuta, por favor. Ao menos espere amanhecer. É perigoso andar pelas ruas sozinha a essa hora.

— Eu não quero sequer olhar para você agora, quanto menos permanecer no mesmo recinto. Me solta, Natsu — ele obedeceu. — E não pense em me seguir, ou eu juro que chamo a polícia, independente de você ser meu namorado... ou seja lá o que for agora.

Nunca se sentiu tão impotente quanto no momento em que a viu atravessar aquela porta. Doeu mais do que provavelmente qualquer outro ferimento físico doeria. Quando prometeu a si mesmo que a protegeria de tudo e todos, não imaginou que a maior ameaça seria ele mesmo. Mal aguentando o peso da culpa, se jogou sentando-se no sofá, levando as mãos ao rosto e pressionando suas têmporas.

As coisas andavam tão bem. Pensava que finalmente tudo daria certo em sua vida. Ter Lucy ao seu lado trazia-lhe uma sensação tão boa. Sempre pensava que acabaria caindo com seus pesadelos e vozes, que enlouqueceria, mesmo assim, todas às vezes ela estava lá para apoiá-lo e não deixar que desabasse. E agora que havia partido, parecia que tudo tinha desmoronado, como um castelo de cartas colocado em meio a uma tempestade. Porque não importava o que fizesse, Lucy sempre acabava escorregando por entre seus dedos de alguma forma, e junto com ela, sua felicidade.

Notas finais
"Então, aí você adiciona um pouco de clichê..." huehuehue. Apenas tenho a dizer que: Parece clichê, é clichê, mas não será clichê. Confiem em mim ;) As coisas estavam bonitinhas demais, né, gente? Tava já na hora de bagunçar um pouco, hehe. E preparem-se, porque quando eu disse para aproveitarem aqueles capítulos bonitinhos é porque daqui pra frente só piora, hue. Quanto ao próximo capítulo, acredito que vocês irão gostar muito porque tem relação com o Natsu, diríamos... de uma forma bem esclarecedora :) E encerremos deixando um clima meio Dom Casmurro: Traiu ou não traiu? shuashuashua. Lembrem-se que comentários são importante e levam a autora a ter mais inspiração e consequentemente conseguir terminar o capítulo mais rápido ;) Té mais o/