Onde Tem Ódio Tem Amor

25 How can i love when i am afraid to fall in love?


Notas iniciais
Oi, pessoal!

Como eu disse, dia 21, capítulo novo. O motivo de eu querer tanto postar hoje é porque hoje é meu aniversário : ) (aceito comentários, favoritos e recomendações, como presente, rsrsrs)
E quem ganha presente são vocês. Se bem que eu queria tanto postar esse capítulo que postá-lo é como um presente também.

Espero que não tenha ficado cansativo, afinal, ficou com mais de 4.000 palavras.
Ah, tem música, quando a letra aparecer cliquem no hiperlink. Por favor, leiam a parte em questão enquanto a ouvem, a cena fica muito melhor com ela.

E uma última coisa, mas não menos importante, muito pelo contrário: Muito obrigada a glau martins e a Expectropatrono (eu não lembro se tinha agradecido antes, então estou agradecendo agora) pelas recomendações!!! Muito obrigada, mesmo!!! Eu amei!!!

Boa leitura!!! Vejo vocês nas notas finais o/

O loiro apenas observou a curta discussão em silêncio. Tentava controlar o sorriso que tanto queria se formar em seu rosto. Porém não poderia deixá-lo aparecer, mostrá-lo à Lucy poderia arruinar todo o seu plano. Era quase impossível, entretanto, esconder a felicidade que o penetrava naquele momento. Sorria e comemorava internamente. Tudo dera tão certo, e nada havia sido planejado, fora apenas um acaso Natsu aparecer ali exatamente naquele momento. A sorte estava conspirando a seu favor. Estava na hora de terminar o serviço.

Já Lucy olhava diretamente para a porta pela qual o rosado passara segundos atrás. Sentia algo estranho. Medo, talvez. Foram tantas as vezes em que aquele garoto a salvara que ficar afastada dele parecia deixá-la vulnerável. Ele lhe dava uma sensação de segurança, e a falta dele, insegurança.

Estava irritada com ele, e por isso dissera aquelas coisas, não que não fossem verdades. Mas, por que afinal estava irritada? Somente por tê-lo visto beijando Lisanna? Ele era livre para fazer o que quisesse, não era problema dela, aquilo não deveria deixá-la irritada. Só sabia que definitivamente não queria ver o rosado tão cedo, ainda mais imaginando que ele também não queria vê-la.

― Lucy, está tudo bem? ― O garoto perguntou com uma falsa preocupação expressa em sua voz.

― Está, é só... acha que ele estava falando sério?

― Sobre qual parte? Bem, se for sobre você se mudar para o meu apartamento eu apoio totalmente. ― disse sorrindo. Sim, era sobre aquilo que Lucy havia perguntado.

― Eu não sei se é uma boa ideia, mas não quero voltar para casa sabendo que corro o grande risco de ver o Natsu.

― Se quiser passar apenas essa noite lá, eu durmo no sofá e você na cama.

Lucy hesitou por um segundo. E se Natsu tivesse razão e Sting não fosse quem aparentava ser... ? Não, impossível. Ele sempre era tão gentil e bom com ela, o jeito como a tratava não parecia ser fingimento. Tratou de expulsar logo aquele pensamento de sua mente. Era por culpa de Natsu que ele surgiu, de tanto o garoto repetir que Sting era uma má companhia.

Por fim, aceitou o convite. E após uma breve discussão, causada por Lucy não aceitar que o dono da casa dormisse no sofá enquanto ela, a visita, dormiria na cama, ficou decidido que fariam como Sting sugerira, mesmo que ainda fosse contra a vontade da loira.

***

O rosado socou a parede, descontando sua raiva no gesso que cobria o reboco, por pouco não o rachando, tamanha foi a força descarregada naquele gesto. Iria cumprir o que prometera a todo custo. Aquela garota não era um problema dele, não havia porque protegê-la se ela não queria isso. Por que a segurança de Lucy era tão importante para ele? Queria acreditar que não era, porém não podia negar que, mesmo naquele momento, cada parte do seu corpo estava tensa pensando no que poderia lhe acontecer, nos perigos que ela corria.

Estava nervoso, precisava relaxar. Tomou um banho e tentou se concentrar nos programas que estavam sendo transmitidos na televisão. Nem ao menos sabia o que assistia, apenas olhava fixamente para a tela, tentando focar sua atenção nas imagens. Não adiantava, certa loira invadia seus pensamentos e o impedia de realizar tal ação.

Lucy.

As horas se passavam e Lucy não retornava ao apartamento. Ele superficialmente não se importava, tentando enganar a si próprio pensando que era melhor daquela maneira, mas no fundo sua preocupação apenas aumentava.

Não soube como, mas conseguiu dormir. Muito mal, entretanto. Teve um pesadelo extremamente parecido com o que tivera quando estava hospedado na antiga casa de Lucy. Estava em um quarto em chamas, não via ninguém daquela vez, nem ouvia nada. Apenas uma cena se projetava à sua frente: Seus pais o abraçando, com lágrimas nos olhos, quando ele ainda era um pequeno bebê.

Não sabia nem se era uma cena real, era muito novo para lembrar caso aquilo realmente tivesse acontecido, mas ficou curioso com o porquê de seus pais estarem chorando.

Era doloroso vê-los novamente, mesmo que em sonho.


No dia seguinte não fez nada além de ficar sentado no sofá, se distraindo ― ou pelo menos tentando ― com a televisão. Lucy não dava noticias, nem sequer apareceu no apartamento, coisa que só aumentava a preocupação do rosado. Aquela garota parecia um fardo para ele, mesmo não querendo pensar nela, pensava. Era inevitável.


O celular tocou. O visor mostrava que era Gray quem ligava para o rosado. Pegou o aparelho preguiçosamente e atendeu à ligação.

― O que você quer, Gray?

― Assim, direto? Sem nem dizer oi? ― O moreno caçoou. Natsu bufou, não estava com muito humor para as brincadeiras de Gray.

― Oi, Gray. O que você quer?

― Oi para você também, Natsu. Não posso ligar para saber do meu querido amigo?

― Não tem coisa melhor para fazer? Tipo, comer alguém, ou ser comido, já que você gosta disso também.

― Desculpe, acho que você está me confundindo com você.

― Sério, o que você quer?

― Lisanna, aconteceu algo com vocês dois? ― disse, indo direto ao ponto. ― Ela parecia meio magoada quando eu falei com ela.

― Eu só dei um fim a aquela história toda, disse a verdade.

― Ah, isso explica muita coisa. Só liguei para saber sobre isso, estava preocupado com ela e queria saber o que havia acontecido, mas agora faz sentido ela estar daquele jeito. Tenho que desligar, estou atrasado para uma coisa.

― Que coisa?

― Uma coisa. ― Gray respondeu simplesmente e desligou. Não era também de grande interesse para Natsu saber o que seu amigo fazia ou deixava de fazer, perguntou apenas por curiosidade.

Próximo do fim da tarde o rosado já não aguentava mais. Decidiu andar pelo quarteirão e ver se encontrava Lucy andando por ali. Nenhum sinal dela. O celular da loira apenas chamava, ninguém atendia. Ela devia estar mesmo muito irritada com ele, pensava. E assim, não insistiu mais em procurá-la, talvez ela não quisesse ser encontrada, não por ele, pelo menos.


Mais uma noite se passou, a segunda que Lucy não dormia em casa. Aquilo definitivamente não era normal. Ela nem ao menos havia voltado para casa para pegar roupas ou qualquer outra coisa necessária. Algo havia acontecido, ele sentia isso, e quando se tratava de Lucy seus instintos não podiam ser ignorados. Parecia ter um sensor de perigo com relação à loira. Sempre sabia quando algo acontecia.


Ao se aproximar do meio-dia, ligou para Levy, apenas para ter certeza de que Lucy não estava com ela, e também para avisar à amiga sobre o desaparecimento da outra.

― Levy, você viu a Lucy? ― Perguntou de imediato, assim que Levy atendeu.

― Não. A última vez que a vi foi quando vocês vieram aqui. ― As suspeitas do rosado se confirmaram, Lucy não estava com Levy. ― Aconteceu alguma coisa? ― perguntou, notando o tom aflito na voz do rosado.

― Eu acho que sim. Faz dois dias que ela não dorme em casa, na verdade desde aquele dia eu não a vi mais.

― Espere, como assim, Natsu? ― Levy perguntou, preocupada.

― Depois que voltamos da sua casa, naquele dia, nós dois discutimos, e desde então eu não a vejo. Não é como se ela não quisesse apenas me ver, se fosse só isso imagino que ela teria ido até a casa de alguém, e antes teria pego suas coisas aqui, mas ela não fez isso. Você é a melhor amiga da Lucy, se fosse algo assim ela teria falado com você primeiro. Levy, se algo aconteceu...

― Calma, Natsu. Vamos encontrá-la, procure pelo bairro, eu vou procurar por aqui.

Levy encerrou a ligação.

Natsu não achava que seria muito útil procurar pelo bairro, mas mesmo assim o faria, era a única coisa que poderia fazer, afinal. Ainda não havia tempo suficiente do sumiço de Lucy para que pudesse informar à polícia; ele não fazia ideia de onde ela poderia estar.

Ao sair do prédio, encontrou Sting colocando algumas coisas dentro de um carro. O rosado havia se esquecido de que ele estava com Lucy quando os dois discutiram, porém as lembranças voltaram assim que o viu, e logo de imediato partiu para cima do loiro, segurando-o pela gola da camiseta e o jogando contra o carro. A rua estava praticamente vazia, apesar de estarem no começo da tarde.

― Onde ela está?! ― Natsu perguntou.

― Do que você está falando, seu maluco?!

― Você sabe muito bem! Onde a Lucy está?!

― Como você quer que eu saiba onde ela está?!

― Eu tenho certeza de que você tem algo a ver com o sumiço dela.

Sting riu e desviou o olhar para o lado. Se soltou de Natsu e começou a desferir uma série de golpes no rosado. Natsu não conseguia se defender bem, já que o loiro era rápido demais.

― Temos uma coisa inacabada, não acha? ― Disse enquanto dava uma joelhada no estômago de Natsu. Após vários socos e chutes o garoto acabou caindo no chão. ― Torça para que o velho Heartfilia traga o dinheiro, ou nunca mais verá sua amiguinha.

Sting pensava que Natsu estava desacordado, e apenas por isso dissera aquilo. Virou-se para o carro, disposto a finalmente abandonar aquele lugar, quando sentiu alguém o puxar de volta e dar-lhe um forte soco no rosto, tão forte que fez com que ele desmaiasse: Natsu. O garoto estava muito bem acordado e ouvira o que o loiro havia dito. Reuniu todas as forças possíveis para se levantar e lhe dar aquele soco. Algumas vezes conseguia adquirir uma força sobre-humana, ainda mais quando sua força de vontade era grande demais, como naquele momento.

Aquilo era um sequestro, então... Claro! Como não havia pensado nisso antes?! Sabia muito bem onde Lucy poderia estar, ou pelo menos, era para lá que seus instintos diziam para que ele fosse.


[Flashback on]


Um dia antes...


― Bom dia, Lucy. Dormiu bem?


― Bom dia, Sting. Sim. Obrigada por ter me deixado passar a noite aqui.

― Sem problemas. Às vezes é meio solitário morar sozinho, é bom ter uma companhia de vez em quando.

O relógio pendurado na parede mostrava que ainda eram nove horas da manhã. Com a cabeça fria, Lucy pensou que o melhor a se fazer seria voltar para casa. Natsu também já deveria ter esquecido o que aconteceu. Eles discutiam tantas vezes, mas no fim, sempre voltavam ao normal.

― Obrigada mesmo pela hospitalidade, Sting, mas acho que tenho que ir para casa.

― Tem certeza? Eu não acho que seja uma boa ideia, o Natsu parecia bem irritado ontem. Espere mais um pouco. ― Lucy suspirou. Talvez Sting estivesse certo.

― Talvez, mas não quero te incomodar mais.

― Não é incômodo, não se preocupe com isso. ― Sting ficou em silêncio por alguns segundos, parecendo pensar, e então segurou o braço de Lucy, a puxando para fora do apartamento. ― Vem comigo, quero te mostrar um lugar.

― Que lugar?

― Surpresa.

Ela o seguiu, sem questionar. Quando passaram pelo andar de baixo, Lucy olhou de relance para a porta do apartamento em que morava, sentindo uma angústia em seu peito. Pensando novamente, fora muito grossa com Natsu no dia anterior, precisava se desculpar com ele.

Saindo do prédio, Sting andou até um carro estacionado ali perto, abrindo a porta do lado do passageiro para que Lucy entrasse.

― Não sabia que você tinha um carro. ― Disse, enquanto se sentava.

― Tenho, só não costumo usá-lo com frequência.

Sting a levou até um simples parque, localizado na parte sul da cidade. Não era um lugar grande, mas sua beleza era imensa. Árvores de todos os tipos, flores, um pequeno lago. Realmente um lugar muito bonito.

Ficaram lá até o fim da tarde, quando o Sol começava a se pôr, e então voltaram para casa... ou pelo menos era para lá que Lucy imaginava que estavam indo.

De repente o trajeto mudou. Para voltarem até o prédio em que moravam deveriam seguir a norte, porém Sting virou para oeste. Pelo que a loira sabia, não havia como chegar ao mesmo destino por aquele caminho.

Olhou de canto para Sting, notando que o garoto estava tenso e sorria ligeiramente, de forma quase que imperceptível.

― Sting, para onde estamos indo? ― perguntou séria, não estava gostando daquilo. Ele não respondeu. ― Para onde estamos indo, Sting? ― Ela insistiu.

― Cala a boca. ― Ele respondeu friamente, sem mover os olhos.

― O... O que?

― Eu disse para calar a boca. ― O que havia acontecido com o doce e gentil Sting? Ele mudara totalmente e de forma tão repentina, se tornando completamente o oposto do que era antes. Sting riu, ainda olhando para frente. ― Devia ter ouvido o seu amigo, Lucy.

― Do... Do que está falando, Sting? Está me assustando.

― Eu sinceramente pensei que não conseguiria, por causa daquele cara irritante, mas você facilitou tudo, desvalidando tudo o que ele dizia.

― O que está acontecendo, Sting?! ― Ela continuava perguntando, mesmo que ele não respondesse, completamente assustada.

― Você é burra ou algo do tipo?! ― Ele exclamou, finalmente olhando para Lucy. ― Isso é um sequestro!

― O... O que? Mas... E tudo o que...

― Tudo o que eu te disse? Meu comportamento? Tudo era uma farsa, um disfarce. E não consigo acreditar em como você caiu tão facilmente.

Ela não conseguia acreditar, estava atônita, perplexa demais para ter qualquer reação. No fim das contas, Natsu sempre esteve certo, e ela nunca lhe deu ouvidos, sempre contestou quando o garoto dizia que Sting não era quem dizia ser. Estava sentindo ódio de si mesma por ter sido, novamente, tão ingênua.

Em uma tentativa desesperada tentou abrir a porta do carro para fugir, mesmo que este estivesse em movimento. A porta estava trancada. Tentou retirar o cinto, também não conseguiu. Não havia como escapar, estava totalmente presa.

― Você seria mesmo louca de pular de um carro em movimento, Lucy?

― Por que? Por que se aproximar de uma pessoa para fazer isso?

― Porque torna tudo muito mais fácil; é mais difícil sermos pegos. Geralmente aquele que se aproxima não é quem termina o serviço, mas nesse caso, abrimos uma exceção. Aquele garoto de cabelo rosa estava nos atrapalhando tanto que eu mesmo decidi terminar isso.

Os dois passaram a ficar em silêncio. Lucy pensou em todas as formas possíveis para escapar, mas nenhuma seria viável. Se tivesse ouvido Natsu... Era tarde demais para arrependimentos.

Em poucos minutos chegaram a um armazém abandonado, onde dois homens esperavam por Sting. Ao chegar, os dois seguraram Lucy e amarraram suas mãos e pés. Ela tentou se debater para fugir, porém não conseguiu. Eles a levaram para dentro do armazém e a deixaram em um canto próximo a um monte caixas.

― Já ligaram para o velho?

― Já sim. ― Um dos dois respondeu. ― O de sempre, ficou desesperado e disse que iria pegar um voo imediatamente para cá. Logo estaremos com o dinheiro na mão, cara.

― Pediram a quantidade combinada?

― Sim, dez bilhões de ienes.

De onde estava, Lucy riu com escárnio, chamando a atenção dos três. Por fora a garota demonstrava uma calma inacreditável, porém por dentro estava tremendo de medo, totalmente apavorada e rezando para que aquilo fosse apenas um pesadelo.

― Vocês acham mesmo que minha família possui todo esse dinheiro?

― Torça para que tenham, ou não queira saber o que irá acontecer com você. ― Sting respondeu.


Não havia um quarto, ou uma sala, onde poderiam deixar Lucy, portanto ela passou a noite naquele mesmo canto, tendo que dormir de forma totalmente desconfortável, usando as caixas ao seu lado como travesseiro. Os três se revezavam na tarefa de vigiá-la. Teriam que esperar até o dia seguinte para ver o dinheiro do resgate, o tempo necessário para que Jude Heartfilia viesse até Magnólia.


No dia seguinte, próximo do meio-dia, Sting se retirou do esconderijo, dizendo que iria até o apartamento pegar suas coisas, e deixou seus dois cúmplices vigiando Lucy. Mal sabia ela que aquela seria sua melhor chance de sair daquela situação...


[Flashback off]



Os dois homens que deveriam vigiar a garota haviam saído pouco depois de Sting, há aproximadamente uma hora, e nem eles, nem Sting, haviam retornado. Não disseram o motivo para Lucy, simplesmente mandaram-na se comportar. Sinceramente, aqueles eram péssimos sequestradores, afinal, haviam deixado a vítima sozinha, sem nenhuma vigilância, proporcionando chances de fuga a ela. Ou talvez apenas confiavam demais em seu trabalho.


Enquanto estava sozinha tentou de todas as formas se soltar, porém não conseguiu. Com o tempo acabou desistindo. Começou a pensar em como seu pai deveria estar naquele momento, ciente do perigo que ela corria. Pensar nele sofrendo por causa dela... era doloroso. Sua família definitivamente não tinha todo aquele dinheiro. Os negócios não estavam tão bons. Ela tremia somente por pensar no que iria acontecer com si própria. Estava morrendo de medo, mas não queria demonstrar fraquezas.

― Aquele camarão estava ótimo!

Os homens haviam voltado. O coração de Lucy acelerou por culpa do medo.

― Com certeza! E quando recebermos o dinheiro desse serviço iremos comer camarão todo dia!

Eles entraram no campo da visão de Lucy enquanto estavam rindo. O mais magro se aproximou da garota e se agachou, ficando da mesma altura que ela.

― Você até que é bem bonita, hein? ― Ele disse, colocando a mão no queixo de Lucy.

― Tire sua mão de mim.

― E é bem selvagem também, não é? ― disse novamente, a soltando ― Ei, Frank, o que acha de nos divertirmos um pouco enquanto esperamos pelo dinheiro?

― Sem a permissão do Eucliffe? Tem certeza?

― Que diferença faz? O trato é entregá-la viva, certo? Vamos fazer isso.

― É, pensando bem, você tem razão. ― O segundo homem concordou, se aproximando enquanto sorria.

O pânico invadia cada vez mais Lucy. Ela tentou novamente soltar-se das cordas, e, como em todas as vezes anteriores, não conseguiu. O primeiro homem arrancou bruscamente a blusa que ela vestia, deixando-a, da cintura para cima, vestida somente com o sutiã branco. Ela apenas podia ver os olhares dos dois, enquanto gritava para que se afastassem dela. Algumas lágrimas escaparam, não conseguia ser tão forte para contê-las. Um barulho ao longe os interrompeu, e ela agradeceu mentalmente por isso.

― O que foi isso? ― O segundo homem perguntou.

― Eu não sei. Vá checar.

O homem obedeceu. Passaram-se cinco minutos e ele ainda não havia retornado. O primeiro homem foi verificar o que havia acontecido, deixando Lucy sozinha. Mais cinco minutos se passaram e nenhum sinal dos dois, até que alguém tapou a boca de Lucycom a mão e, em um ato automático, ela tentou gritar.

― Shh, calma, sou eu.

Natsu.

Ela olhou para ele assustada e aliviada. O rosto de Natsu estava um pouco machucado, um corte acima da sobrancelha esquerda e outro no canto direito da boca. Ele começou a desamarrar as cordas que prendiam os pés e mãos da Lucy. Em seguida pegou-a no colo, tratando de tirá-la dali o mais rápido possível. Aquele lugar lhe dava arrepios.

Ela rodeou o pescoço de Natsu com seus braços e enterrou sua cabeça na curva do mesmo. E nos braços dele desabou, não conseguindo mais guardar todas aquelas lágrimas que caiam com tanta intensidade.

Não fazia ideia de como ele a havia encontrado, como ele sabia que ela estava naquele lugar, apenas estava extremamente agradecida por isso. Natsu sempre a salvava, afinal, mesmo depois de tudo o que aconteceu.

Ele sentia seu estômago doer por causa dos golpes que levara de Sting, e isso dificultava um pouco a tarefa de carregar Lucy, mas não se importava. Ouviu-a chorando e a sentiu apertando sua jaqueta. Estava bravo com ela por não tê-lo ouvido, mas vê-la daquele jeito era horrível.

Quando já estavam longe o bastante do lugar ele a colocou no chão, tirou sua jaqueta e a colocou nela, para que tivesse algo para se cobrir da cintura para cima além do sutiã. Lucy voltou a abraçá-lo, com ainda mais força do que antes, enquanto Natsu retribuía o abraço. Na segurança dos braços dele, chorava ainda mais. Uma mistura de emoções. Alívio, arrependimento, etc. Ele realmente não suportava vê-la daquela forma.

― Mas que droga, Lucy! Era tão difícil assim para você simplesmente me ouvir?! Olhe só o que aconteceu! ― dava a bronca enquanto a apertava ainda mais contra si. Ela continuava com a cabeça apoiada em seu ombro e as mãos segurando a camisa do rosado, ouvindo todas as suas palavras e aumentando ainda mais seu arrependimento. ―. Quantas vezes eu lhe disse para ficar longe daquele cara, hein?! Quantas vezes eu te avisei?! Que droga! ― repetiu ― Da próxima vez em que eu te disser para ficar longe de alguém, me obedeça!

Ficaram alguns segundos em silêncio. Ele respirou fundo e afrouxou o abraço. Lucy entendeu que ele queria que ela olhasse para ele, e assim o fez. Com uma das mãos Natsu enxugou algumas lágrimas que ainda caíam e deslizavam pelo rosto da garota. Olhar para os olhos dele, carregados de preocupação, a deixou mais calma e conseguiu controlar um pouco o fluxo das lágrimas.


“Heart beats fast


Colors and promises

How to be brave

How can I love when I'm afraid to fall

But watching you stand alone

All of my doubt suddenly goes away somehow

One step closer” ♪


― Bem, apesar de tudo, está tudo bem agora. Você está bem. Não precisa mais chorar, eu estou aqui com você.


Ele sorriu timidamente, apesar da preocupação, em uma tentativa de confortá-la. As lágrimas finalmente cessaram, deixando apenas um rosto molhado. Ela estava tão próxima dele. Seu coração batia em um ritmo frenético, e não sabia mais se era por causa do medo, já que não o sentia com tanta intensidade. Talvez... talvez fosse por causa dele.

Os mesmos pensamentos passavam pela mente do rosado. Em seu peito, seu coração estava descontrolado. Ele desviou o olhar para os lábios levemente vermelhos de Lucy, depois voltou a olhá-la nos olhos. Apenas poucos centímetros os separavam naquele momento.

― Natsu... me perdoe. E... obrigada, por tudo. ― Ela quase não conseguia falar, tanto por causa da situação pela qual passara, quanto por causa de Natsu.

― Não... não precisa agradecer.

Estavam tão próximos naquele momento. Ele mal conseguia se concentrar, ou se segurar, muito menos ela. Sem que percebesse, Lucy se aproximou ainda mais de Natsu. Ele, que antes olhava novamente para os lábios da garota, a olhou nos olhos, bem a tempo de vê-los se fechando, quase ao mesmo tempo em que os dele próprio se fecharam, enquanto sentia os lábios de Lucy encostando nos dele.

Natsu abriu um pouco a boca, fazendo com que seus lábios se encaixassem. O lábio inferior dele entre os de Lucy, enquanto o superior dela estava entre os dele.


“One step closer


One step closer” ♪


Os braços de Lucy contornaram ainda mais o pescoço de Natsu, o trazendo para mais perto dela enquanto aprofundavam o beijo. Ao sentir sua língua encostar na dele foi como se um choque percorresse todo seu corpo. Uma sensação tão indescritível e tão boa, algo que nunca sentira antes em toda sua vida.


A língua dele explorava cada canto da boca de Lucy, massageando a dela própria. Ele dominava completamente o beijo, e fazia aquilo com tamanha maestria. Um beijo tão calmo, cheio de carinho, coisa que o rosado nunca fizera, nunca antes beijara alguém daquela forma.

Quando o ar lhes faltou, afastaram-se um pouco, apenas o suficiente para encherem de novo seus pulmões, sem abrir os olhos, e logo voltaram ao beijo terno.

As mãos de Lucy passeavam calmamente pelos fios rosados de Natsu. A garota esqueceu-se de tudo o que havia acabado de acontecer, ele a livrou de todo o medo que sentia momentos antes.

Corações totalmente descompassados, respirações aceleradas. Eram tantas as sensações e sentimentos que os penetravam naquele momento. Aquele beijo podia durar para sempre, não iriam se importar. Não naquele instante.

Apesar de tudo, Natsu sentia como se não devesse fazer aquilo. O mesmo acontecia com Lucy. Ela sentia medo, medo de se apaixonar novamente por alguém que só a faria sofrer. Ele sentia culpa, estava descumprindo a promessa que fizera. Não que tivesse escolha, afinal, não podia controlar seus sentimentos, mas mesmo assim. Queria tanto sentir aqueles lábios nos seus para sempre, mas não podia e não devia. Fizera uma promessa, e deveria cumpri-la.

Era errado. Era um erro. Ambos pensavam. Porém, também era um sentimento inevitável, incontrolável.

Notas finais
Estou ouvindo fogos de artifício, é isso mesmo?
Até que enfim isso aconteceu!!! Acho que era o que vocês mais queriam que acontecesse nessa fanfic, né? Eu sei que demorou muito para acontecer, mas espero que a espera tenha valido a pena.

E como sempre, deixem reviews dizendo o que acharam do capítulo, é muito importante para mim.

Até o próximo o/