Notas iniciais
Oi, gente! Sei que demorei um pouco, mas foi por uma boa causa. Pra compensar, esse capítulo ficou gigante, e acreditem quando eu digo que tem de tudo nele :) Sem mais delongas; Boa leitura!

— Está fazendo muito frio essa noite — a loira comentou. Checou até mesmo o painel do carro para ter certeza de que o ar condicionado estava desligado, o que de fato estava. Natsu tinha o costume de sempre deixá-lo ligado, algo que irritava-a profundamente. Contudo, o clima gélido da noite era apenas o habitual de Magnólia.

— Quer o meu casaco? — Ele ofereceu. Não fazia diferença para si, já que o frio não o influenciava tanto.

— Não, não precisa — apesar da resposta, Natsu já tirava a peça de roupa e, enquanto o sinal estava vermelho, aproveitou para colocá-la sobre os ombros de Lucy. — Obrigada. Então, como são esses seus amigos que vamos encontrar?

— Bom, Alexei é bastante quieto, não ache estranho se ele não disser muita coisa — " ah, e ele também é seu irmão", acrescentou mentalmente —, mas depois que se conhece ele é legal. Já a Leslie é exatamente o oposto. Extrovertida e animada desde o momento em que você põe os olhos nela.

— Eles são um casal? — Perguntou, curiosa.

— Eles são... complicados — definitivamente, não havia termo melhor para definir aqueles dois. Quando olhou para o lado, Lucy pressionava suas têmporas. — Tudo bem?

— Sim, só um pouco de dor de cabeça. Você guardava alguns comprimidos no carro pro caso de ter uma daquelas crises de dor, não guardava?

Antes de conhecer Alexei, com a possibilidade sempre iminente de sofrer um ataque do Koscheivich, carregava comprimidos para dor a todo lugar que ia. Era melhor do que sentir aquela coisa insuportável que parecia apertar seu crânio contra o cérebro.

— Sim, acho que tem alguns no porta-luvas — respondeu, abrindo o compartimento e tirando uma pequena caixa com remédios de lá. Lucy pegou um dos comprimidos e o engoliu à seco. — Você comeu alguma coisa hoje?

A garota virou-se para a janela. Sabia aonde aquela conversa os levaria. Às "broncas de mãe" de Natsu. Não podia nunca reclamar de qualquer dor que sentia sem ouvir aquele tipo de reclamação dele.

— Posso ter esquecido — respondeu baixo, apoiando a cabeça no vidro gelado. — Eu estava muito ocupada.

— Ocupada demais pra se lembrar de comer? — Questionou, em tom reprovador.

— Tinha muito trabalho acumulado, não foi minha culpa.

— Sabia que você pode comer e trabalhar? Não vai te matar diminuir um pouco o ritmo. Ficar sem comer, por outro lado...

— Eu sei, Natsu — resmungou, bufando. — Eu sou adulta, caso não lembre. Não precisa ficar enchendo o saco, sei me cuidar.

— Não parece que sabe. É sério. Quando você desmaiar por aí por falta de nutrientes vai se lembrar do que eu digo. Aí quem sabe você aprende.

— Nós estamos indo jantar, não estamos? Pessoas geralmente comem em jantares. Pronto, problema resolvido.

— Claro, porque vai fazer muita diferença depois de já ter pulado vária refeições — continuou, estacionando o carro em frente ao restaurante em que tinha marcado de encontrar Alexei e Leslie.

— Já entendi — Lucy respondeu, irritada.

— Se tivesse entendido mesmo eu não precisaria ficar repetindo várias vezes, falando sempre a mesma coisa sem você nunca ouvir. Eu não consigo entender o motivo de você se esforçar tanto. Você prejudica a si mesma só para impressionar pessoas de quem nem gosta. É isso? Porque não faz o menor sentido pra mim.

— Eles já arranjam motivos suficientes para implicar comigo assim, imagine se eu não fizesse o máximo que posso.

— E daí? Deixe eles falarem. A opinião daqueles engravatados vale mais que a sua saúde?

— Tem razão, ok? Você não entende, então não tem o direito de opinar.

— Posso não estar na sua situação, mas sei que nenhum CEO faz tanto quanto você. Você faz mais que o necessário, Lucy, esse é o problema.

A garota bufou, levando novamente a mão ao rosto.

— Natsu, minha cabeça está explodindo. Eu realmente não quero discutir agora.

Ele tirou o cinto de segurança, concordando.

— Ok, mas essa conversa ainda não acabou. Só foi adiada. Você não vai fugir — em seguida, desceu do carro e caminhou até o lado de Lucy, abrindo a porta para ela. — Um dia de folga, só isso que te peço agora. Só relaxa por um dia que seja. Não é pedir muito, vai. Podemos fazer o que você quiser, desde que você não pense em trabalho.

A loira refletiu por alguns segundos, encarando Natsu. Teve uma ideia. Sabia que em condições normais ele nunca concordaria, mas, com aquela troca, poderia funcionar. Insistia tanto naquilo e nunca conseguia o que queria. Era a oportunidade perfeita para uma troca.

— Eu te dou três dias.

— Sério? Tão fácil assim? Se soubesse tinha pedido uma semana.

— É, não exagera. Só quero provar que posso muito bem passar um tempo longe do trabalho, ao contrário do que você pensa.

— Ok. Mas por que três dias?

— Para ir até a cidade da sua avó convidá-la pra festa de noivado e pro casamento.

Era um plano muito baixo. Ele suspirou depois de processar a informação, pensando sobre. A garota o colocara numa situação difícil. Não se dava bem com seus parentes, Lucy sabia disso, mas não conseguia entender seus motivos e vivia insistindo para que ele mantivesse algum contato. Imaginou que em algum momento ela iria requisitar a presença dos parentes dele no casamento. Apenas torcia para que ela não lembrasse.

— Lucy... Outra coisa, tem que ter outra coisa que você queira fazer.

— É pegar ou largar. Podemos ir amanhã mesmo. Além do mais, tem um lugar que eu quero visitar que fica na mesma cidade. Só preciso ligar para o Jun e avisar que vou estar ocupada nesses dias.

Ponderou o máximo que pôde sobre a ideia. Não gostava nada daquilo, mas era o único modo de fazer com que Lucy desse ao seu corpo um pouco de descanso. E, considerando o quanto ela andava lhe preocupando com relação a isso nos últimos tempos, parecia valer à pena.

— Ok. Droga. Tudo bem, podemos fazer isso. Mas não vamos dormir na casa dela. Vamos ficar num hotel.

— Que tal isso. Saímos amanhã cedo, nos hospedamos em algum hotel, depois vamos a esse lugar que eu mencionei; voltamos para o hotel, passamos a noite lá, no dia seguinte vamos visitar sua avó e voltamos pra casa à noite.

— E o terceiro dia?

— Bom — aproximou-se do garoto, colocando seus braços sobre os ombros dele, diminuindo a distância entre seus corpos. — Podemos usar para nós dois.

— Eu gostei dessa ideia — respondeu, sorrindo.

— E também podemos começar a pensar nos detalhes do casamento. Sabe, precisamos começar a planejar essas coisas.

— Ok, já não gostei tanto dessa parte. Não podemos ficar só com a primeira?

— Não.

— Droga. Você vai ser uma esposa muito chata, sabia?

— Fala isso de novo — pediu, sorridente.

— O que?

— A parte do esposa.

— Você vai ser uma esposa muito chata?

— Tirando a parte do chata. Esposa, marido. Soa tão oficial. É meio que sexy.

— Oficial é sexy? — Ele perguntou, arqueando as sobrancelhas, sem compreender.

— É, um pouco — respondeu.

— Você tem problemas, Heartfilia.

— Talvez — disse, seu queixo encostado no ombro dele enquanto sorria. Talvez não fosse exatamente sexy, mas com certeza era muito bom.

— Vocês definitivamente são um dos casais mais fofos que eu já vi.

Por sobre o ombro de Lucy, avistou Leslie se aproximando à passos apressados. A loira desfez o abraço e pôs-se ao lado de Natsu, a mão dele ainda em sua cintura. A primeira impressão que teve da jovem que se aproximava era de que se tratava de uma moça muito bonita, o que poderia preocupá-la pelo tempo que passava perto de Natsu, se não fosse pelo ar de inocência que transmitia. E era definitivamente extrovertida, percebeu quando recebeu um inesperado abraço apertado da garota.

— Oi — disse, desconfortável, sem saber exatamente como proceder. É uma situação estranha quando uma pessoa completamente desconhecida te abraça de forma tão íntima no primeiro momento em que se encontram.

— Você é a Lucy, né? Prazer em conhecer, sou a Leslie — Lucy sorriu em resposta, com as bochechas levemente coradas. — Ei, Dragneel Boy.

— Ei — Natsu respondeu, divertido com a situação. Seus amigos também eram pessoas estranhas, mas gostava deles mesmo assim.

— Aquele ali atrás com cara de sério é o Alexei — o homem respondeu com um aceno rápido. Alto, musculoso, corte militar, a barba por fazer e a expressão séria. Era um conjunto que metia medo em quem não o conhecia. — Estava ansiosa pra te conhecer. Natsu fala tanto sobre você.

— Espero que coisas boas, senão alguém vai levar uma bronca mais tarde — Lucy comentou, brincando, tentando ficar mais confortável.

— Como você é iludida, Lucy. Até parece que eu ia falar bem de você — Dragneel respondeu.

— Ah, então estamos quites. Posso te contar o que eu falo sobre você para a Levy.

— Sim, são coisas boas — Leslie disse. Ainda não estava acostumada ao jeito do casal, então seu modo "carinhoso" de conversar lhe era estranho. — Vamos entrar? Está congelando aqui fora.

As garotas foram na frente, escolhendo uma mesa ao lado da janela, com uma bela vista das estrelas que brilhavam no céu naquela noite.

— O que houve com você hoje? Perdeu a língua? — Natsu perguntou a Alexei quando Lucy e Leslie estavam à certa distância, para que não ouvissem. Lucy, mais especificamente.

— Continuo não achando que esse jantar tenha sido uma boa ideia. Lucy pode acabar suspeitando de algo.

— É, claro, porque com certeza ela vai achar que você é irmão dela. Relaxa um pouco. Nada vai acontecer.

Alexei não respondeu, apesar de seu incômodo não ter desaparecido. Juntou-se às meninas na mesa do restaurante, sentando-se ao lado de Leslie e deixando o lugar ao lado de Lucy para Natsu.

Logo depois, um garçom apareceu para servi-los. Todos, com exceção de Alexei, pediram sucos. Parecia que para ele o álcool era um tipo de solução para seus problemas, uma forma de fugir daquela dura realidade. Impressionantemente, Natsu nunca o vira bêbado. Talvez Leslie já o tivesse, e imaginava que não devia ser uma bela cena, considerando que sua personalidade sóbrio já não era das melhores. Quanto à refeição, pediram o prato especial do chef.

Por debaixo da mesa, Lucy apertou a mão de Natsu.

— Está se sentindo melhor? — Perguntou. Lucy assentiu.

— O que você tinha? — Leslie se intrometeu.

— Só um pouco de dor de cabeça.

— Ah. Poderíamos ter marcado para outro dia se você não estava se sentindo bem.

— Não era nada demais, não precisávamos desmarcar o jantar — Lucy respondeu, sorrindo de canto. — Então, como vocês se conheceram?

— Alexei e eu ou nós e Natsu?

— Os dois casos, acho — estava inicialmente se referindo a eles e Natsu, mas aproveitou a deixa para ter mais assunto naquela conversa. Era horrível tentando encontrar sobre o que conversar, então se podia prolongar algo que já estava sendo discutido, melhor.

— Bom, minha história com o Alexei não é tão longa. Minha família era muito pobre, e quando meus pais morreram eu fiquei sem ter pra onde ir. Alexei me encontrou e me deu um lar, um trabalho. Devo muita coisa a ele. Na verdade, acho que devo minha vida. Não sei onde poderia estar agora se ele não tivesse me ajudado — a ruiva comentou, corando. Excluindo alguns detalhes envolvendo o Koscheivich, a história era verdadeira. Alexei encarava-a de canto, tentando a todo custo esconder um fraco sorriso. Ele podia negar o quando quisesse, mas também nutria sentimentos por aquela garota.

— Nossa. Deve ter sido um período difícil para você.

— Foi, mas no fim tudo terminou bem. Isso é o que importa, né?

— Sim, claro — Lucy respondeu. — E quanto a vocês e esse babaca de cabelo rosa? Como se conheceram?

O garçom voltou trazendo as bebidas. Natsu tomou um longo gole do suco, nervoso com a pergunta. Não haviam planejado uma resposta para ela, apesar de ser óbvio que Lucy iria querer saber. Deviam ter se adiantado, mas não houvera tempo.

— É uma história curiosa, e um pouco parecida com a minha em alguns aspectos. Alexei o encontrou, na verdade. Natsu estava passando mal, no meio da rua, perto de onde moramos. Como seria perigoso deixá-lo sozinho, já que algo poderia acontecer, nunca se sabe, Alexei o trouxe para casa e o ajudou. Acho que ele tem esse impulso de ajudar as pessoas, apesar desse jeito durão. Então, fomos nos aproximando do Natsu — Leslie falava com uma naturalidade tão grande que era quase impossível não acreditar. Ela indiscutivelmente tinha talento para contar histórias. De qualquer forma, não era uma mentira completa.

— Você nunca me contou isso — Lucy comentou.

— Foi no período em que estávamos separados, com toda aquela coisa envolvendo a Lisanna. E depois que a confusão passou não achei que tinha importância contar.

— Bom, mesmo assim, obrigada por terem ajudado. Natsu tem esse costume de desmaiar no meio da rua, aparentemente. Já falei para ele procurar ajuda, mas esse cara é teimoso demais pra me ouvir — ele já tinha procurado ajuda, e ela estava bem à frente de Lucy.

— Amigos servem para essas coisas. Mesmo que só se torne um amigo depois da coisa em si.

O garçom retornou outra vez, trazendo o prato principal. Um tipo de massa com molho branco.

— Ei, Lucy, eu contei que Alexei conseguiu um emprego para mim? — O garoto mencionou, tentando evitar aquele outro assunto. Era melhor se ater às coisas que não necessitavam de mentiras.

— Sério? Nossa, parece que vocês vivem ajudando o Natsu.

— É, ele estaria perdido sem nós dois — Leslie comentou, brincando.

— Que emprego?

— Na academia em que ele trabalha.

— Ah. Ok — respondeu. Talvez a ideia não lhe agradasse muito, mas se Natsu concordava e queria fazer aquilo, estava tudo bem para ela. — Vocês dois deveriam vir à nossa festa de noivado. Parecem ser pessoas importantes para o Natsu.

— Festa de noivado? Vão se casar? — Alexei perguntou, lançando um olhar fulminante para Natsu. Mesmo sem ter crescido ao lado de Lucy, ele era um irmão extremamente protetor. Às vezes até demais.

Era a primeira vez na noite em que Lucy ouvia a voz grossa de Alexei, apesar de já ter notado que por muitas vezes ele a encarava, deixando-a até um pouco desconfortável.

— É mesmo, esqueci de te contar — Leslie disse.

— Sim. Não sabemos exatamente quando, mas sim. A festa é daqui duas semanas, numa sexta-feira. Se quiserem ir, estão convidados — Natsu respondeu.

— Nós iremos, não é, Alexei?

— Claro — ele afirmou, ainda que sua resposta não demonstrasse muito ânimo. Até o momento, sequer havia tocado na comida. Estava apenas bebendo seu uísque.

— Isso é tão legal — Leslie comentou, animada. — Alexei foi casado uma vez.

— Leslie — ele a chamou, interrompendo qualquer coisa que pudesse vir a falar.

— Não deveria ter dito isso? Desculpe.

— Sério? Você nunca me disse. O que aconteceu? — Natsu o questionou.

— Nada aconteceu.

— Hum. Ok.

Alexei com certeza escondia muitas coisas. Uma a mais não fazia diferença para Natsu. Mesmo se insistisse, ele jamais iria contar, de qualquer maneira.

Quando Natsu olhou através da janela, viu uma pessoa parada do outro lado da rua. Seu corpo congelou, seu coração acelerou e sua expressão se fechou. O homem sorria sarcasticamente, provocando-o, com as mãos no bolso da calça, parecendo lhe dar um aviso. Uma hora voltaria a assombrar sua vida, era apenas questão de tempo.

Desviou o olhar. Piscou várias vezes. Depois, voltou a olhar para a janela. O homem tinha desaparecido. Devia estar ficando louco. Sua preocupação talvez estivesse criando uma paranoia.

— Alexei, posso falar com você?

O homem encarou-o com as sobrancelhas arqueadas. Não questionou. No mesmo instante se levantou, acompanhando Natsu até a entrada do restaurante.

— O que foi?

— Eu acho que vi Ryan, o Koscheivich que estava perseguindo a Lucy.

— Onde? — Perguntou, começando a se exaltar. Talvez a pequena reunião tivesse chamado demais a atenção do Koscheivich. Sabia desde o começo que era uma ideia estúpida.

— Do outro lado da rua.

Alexei espiou através da janela.

— Não tem ninguém lá.

— Eu sei, por isso não tenho certeza se o vi mesmo ou se foi coisa da minha cabeça.

— Não estou sentindo outro Koscheivich por aqui, mas com você e Leslie por perto, meus sentidos podem não estar tão aguçados.

— E se ele vier atrás da Lucy?

— Ele não vai se arriscar. Além do mais, você disse que ele está procurando pelas pessoas próximas a ela, e não a ela.

— Mesmo assim, eu não sei...

— Há duas possibilidades. Ou ele está tentando mexer com a sua cabeça, ou sua mente está te enganando. De qualquer forma, eu não acho que algo vá acontecer, mas fique de olho.

Natsu inspirou pesadamente. Não conseguiria relaxar até estarem completamente seguros, porém, não havia nada que pudesse fazer, além de ser cauteloso.

O resto do jantar seguiu-se calmamente. Natsu a todo instante olhava para a janela, mas não avistou Ryan novamente. Alexei também parecia preocupado, contudo, como sua expressão normal era aquela mesma, sua preocupação não era muito notada.

Na volta para casa, Lucy sugeriu que fossem a pé, já que o restaurante não ficava tão distante do apartamento e o céu estrelado estava muito convidativo para um pequeno passeio ao ar livre. Podiam voltar no dia seguinte para buscar o carro, sem problemas. Natsu não gostava muito da ideia após ter visto Ryan, porém concordou, ainda que trazendo Lucy praticamente colada a si, dando a desculpa de que era para aquecê-la do frio.

Sentiu-se um pouco melhor quando chegaram ao prédio. Quanto a Lucy, se arrependeu de ter optado pela caminhada quando viu as escadas.

— Carregue-me, escravo — disse. Estava brincando, mas Natsu levou a sério, pegando-a nos braços. — Ei! Não precisa me carregar mesmo. Você ainda não está completamente bem.

— Eu estou bem o suficiente para aguentar isso, relaxa — respondeu teimosamente, sorrindo de modo provocativo.

— Natsu, você vai se machucar! — Exclamou. Contudo, Natsu já subia os primeiros degraus, e, apesar dos protestos da loira, continuou até chegar ao último. Colocou-a no chão apenas quando pisaram no apartamento.

— Fácil como carregar uma pena.

— Teimoso.

— Eu disse que já estou bem. Você que fica fazendo drama, Lucy.

Estavam sozinhos agora, sem as estrelas servindo como distração. Natsu logo voltaria para a discussão que tiveram no carro, como disse que faria. Gostaria que ele fosse do tipo de pessoa que simplesmente esquece, contudo, quando Natsu dizia "essa conversa não acabou" era porque realmente não tinha acabado. Sendo assim, precisava de algo para distrai-lo, para que não voltasse a discutir, e tivera a ideia perfeita.

— Bom — começou. O sorriso sedutor no rosto e os passos lentos até Natsu —, já que você está se sentindo tão bem, podíamos fazer algo que não fazemos há algum tempo.

Colocou suas mãos sobre o peito de Natsu, arrastando as bordas do casaco até seus ombros, fazendo-o cair no chão.

— Fale mais sobre isso, estou gostando da ideia.

— Você sabe sobre o que eu estou falando — sussurrou ao pé do ouvido, mordendo o lóbulo da orelha do garoto.

— Sei, e adorei isso. Na verdade, acho que você deveria ter sugerido há muito tempo — respondeu, colocando suas mãos na cintura da loira e beijando seu pescoço.

Lucy o afastou, apenas para puxá-lo pela camisa e beijá-lo. Começando com um beijo lento, até o calor preencher seus corpos e o beijo tornar-se algo necessitado. Uma de suas mãos já se emaranhava no cabelo de Natsu, enquanto a outra tratava de puxar a camiseta de manga longa para cima. Natsu ajudou-a, sorrindo entre os lábios dela enquanto jogava a camiseta em algum lugar na cozinha. Não importava onde, amanhã a encontraria. O casaco que Lucy vestia teve o mesmo destino, assim como o cachecol.

Colocou suas mãos no rosto da loira, controlando o beijo, enquanto as dela percorriam seu abdômen, subindo até o peitoral, empurrando-o de leve para longe.

— Entre já nesse quarto, boy — disse, continuando a empurrá-lo, até Natsu tropeçar, sem estar olhando para onde ia, e cair de costas no colchão —, porque essa noite você é meu.

— Uau, que possessiva — comentou, sentindo e vendo as unhas de Lucy arranhando seu tronco, descendo até seu quadril. Ao mesmo tempo, ela beijava seu pescoço, sugando sua pele antes de se afastar. — Quanta violência. Deixando marcas pelo meu corpo. O que as pessoas vão dizer? Vão me achar um moço indecente.

— Quando você já foi decente, Natsu?

— Deve ter havido uma época, sei lá — tentou esconder um baixo grunhido quando Lucy chupou novamente seu pescoço.

— O que foi? Quer que eu pare de deixar marcas pelo seu corpo puro?

— Não mesmo. Pode marcar cada centímetro de pele de Natsu Dragneel se quiser.

Lucy sorriu.

— Vou lembrar dessas palavras.

— Claro que assim eu também ganho o direito de deixar algumas marcas. Tipo uma promoção, sabe? Leve 3 marcas, ganhe uma — disse, tentando inverter a situação, porém Lucy o prensou contra o colchão.

— Não hoje, Dragneel — respondeu, tirando a camiseta que vestia. Aproveitou a deixa também para tirar o cinto de Natsu e abrir sua calça.

— Não me lembrava dessa versão Lucy dominadora. Eu gostei — comentou, apoiando seus cotovelos no colchão. A garota o empurrou, fazendo-o cair novamente.

— Vai gostar mais ainda.

Natsu sorriu, vendo-a tirar de uma vez todas as suas roupas da cintura para baixo, deslizando durante isso seus dedos pelo "mini-Natsu", arrepiando a pele do garoto.

— O que você vai fazer? — Perguntou, recebendo como resposta um olhar provocador. No instante seguinte, sentia seu membro sendo envolto pelos lábios de Lucy.

Levou suas mãos lentamente ao rosto, cobrindo seus olhos e deixando-se apenas preencher com o prazer que aquilo lhe proporcionava, murmurando baixo o nome da loira algumas vezes, praticamente implorando por mais. Seu coração acelerava, assim como sua respiração e o movimento de Lucy.

Quando estava perto de não conseguir mais se segurar, porém, ela parou, deixando-o ali, ofegante, o rosto vermelho devido às suas mãos pressionando a pele. Bagunçou o cabelo, abriu os olhos e olhou para Lucy.

— Você é cruel — disse, com a respiração entrecortada. — Ainda vai me deixar louco. Completamente insano.

— Essa é a intenção — respondeu, sorrindo provocadoramente.

Colocou seu corpo sobre o dele, apoiando seus joelhos no colchão, um de cada lado do quadril de Natsu. Ele se sentou, voltando a beijá-la, com ainda mais fervor do que o beijo anterior. Aproveitava o beijo também para soltar o feixe do sutiã, jogando-o no canto do quarto. Desceu o beijo para a barriga de Lucy, onde prolongou o toque por um pouco mais de tempo, por saber que ela adorava quando ele beijava sua barriga. Depois subiu lentamente até o espaço entre seus seios, beijando e chupando a pele da garota, também demorando-se um pouco mais, apenas para sentir o corpo arrepiado de Lucy quando encostava seus lábios em seus mamilos em contato com o corpo dele. Subiu até o pescoço, deixando, como prometido, algumas marcas. Mordeu de leve o queixo de Lucy, e terminou seu trajeto onde começara, nos lábios.

Com a ajuda de Lucy, tirou as últimas peças que os separavam, as roupas dela da cintura para baixo. Encaixou seus corpos, sentindo as mãos de Natsu deslizarem dos seus seios até sua cintura. Então, deixou que ele assumisse o comando da situação, deitando-a no colchão, com o seu corpo sobre o dela.

Ele enterrou o rosto no pescoço de Lucy enquanto mantinha os movimentos ritmados, aumentando cada vez mais a velocidade, até atingir seu limite. Ouvindo-a ofegar e gemer bem perto do seu ouvido, sorria.

Parecia que havia se passado uma eternidade desde a última vez em que estiveram juntos daquela maneira. E o tempo fez com que o prazer daquele momento se intensificasse muito.

Ele tentou fazer com que durasse o máximo de tempo que poderia. Aguentou até seu limite, sentindo nos últimos instantes Lucy arquear o corpo, gemendo mais alto, respirando de forma rápida e sorrindo, de olhos fechados.

Quando o ato terminou, caiu ao lado dela, no mesmo estado em que Lucy se encontrava. Abraçou a loira, puxando-a para se deitar em seu peito.

— Devíamos fazer pausas mais longas, porque sempre quando voltamos é muito bom. Muito bom mesmo — a loira comentou, ainda tentando normalizar sua situação.

— Não, sem pausas longas. Eu não sobreviveria.

Lucy riu.

— Você não ia morrer, com certeza.

— Nunca se sabe, Heartfilia. Nunca se sabe... Prefiro não arriscar. Sabe quando viciados em drogas passam mal depois de um tempo sem? Então, é quase a mesma coisa.

— Tá me comparando a uma droga?

— Claro. Você é minha droga, Heartfillia — respondeu, depositando um beijo na testa de Lucy. — Eu preciso de um rápido banho gelado. Já volto.

Ele levantou-se, ainda ofegante, o corpo musculoso, levemente suado e, obviamente, ainda completamente nu. Era com certeza uma visão agradável, Lucy pensava. O garoto pegou no armário a primeira roupa intima que encontrou, uma boxer preta, e foi até o banheiro. Admitia ter ficado um pouco decepcionada quando ele voltou usando a peça de roupa, embora ela mesma também tivesse se vestido naquele meio tempo. Não gostava da sensação do seu corpo exposto, mesmo estando apenas ela e Natsu e ele já tendo visto-a nua incontáveis vezes.

— Eu sei por que isso aconteceu. O real motivo. Não que esteja reclamando ou dizendo que foi só por isso — o garoto disse quando voltou. Sentou-se ao lado dela, uma de suas mãos apoiada no colchão, do lado direito do corpo de Lucy, bloqueando completamente qualquer saída que pudesse ter. Do lado direito havia seu braço forte e musculoso; à sua frente o corpo inteiro dele, e à sua esquerda o outro braço, pronto para impedi-la de sair a qualquer momento.

— Isso o quê? — Fez-se de desentendida. Sabia muito bem a que ele se referia. Natsu era esperto.

— O que acabamos de fazer.

— É? E por quê?

— Para tentar me fazer esquecer o assunto que eu disse que iríamos conversar mais tarde. Porque você sabia que eu ia tocar no assunto quando chegássemos.

— Claro que não, Natsu. Eu não faria sexo com você só pra fugir de um assunto — defendeu-se. Estava brava por ele ter sugerido aquilo, apesar de ser verdade, ao mesmo tempo em que o cabelo molhado e bagunçado do garoto fazia-o ficar ainda mais sexy, deixando-a com mais raiva. Queria brigar com Natsu e queria beijá-lo. Sentimentos conflitantes.

— Pra fugir de uma conversa que não quer ter, faria sim. Eu conheço você, Heartfilia.

— Isso é ridículo — respondeu, desviando o olhar. Ridículo e completamente verdadeiro.

— Ei, é sério, Lucy. Você tem que parar de se pressionar tanto.

— Eu não me pressiono. O que tem de errado em dar o máximo de si em algo?

— Nada, eu até admiro isso em você, o modo como sempre tenta fazer seu melhor, exceto quando você vai além disso e começa a prejudicar a si mesma.

— Eu não sei do que está falando, Natsu — ah, sabia, sabia muito bem. Mas não deixaria ele pensar que estava certo. De qualquer forma, não tinha escolha. Precisava fazer as coisas do modo como fazia.

— Você sabe sim, só não quer aceitar — droga, ele era bom. — E você não precisa me dizer o porquê de se esforçar tanto. Andei pensando e acho que sei o motivo.

— Sabe? — Perguntou, voltando a olhá-lo.

— Mesmo seu pai estando morto, você ainda acha que precisa impressioná-lo. Passou sua infância inteira com ele te pressionando, sempre te fazendo pensar que seu melhor não era suficiente, e agora mesmo sem ele aqui você continua agindo como se ele estivesse vendo cada passo que você dá.

Seu olhar mirava a costura do edredon. Qualquer lugar era bom o suficiente para se olhar, desde que não fossem os olhos de Natsu, desde que ele não visse a verdade dentro de si. Não que precisasse, afinal, ele já sabia. Nunca confiara seus segredos a ninguém depois de Ryan, mas com Natsu sequer precisava falar, ele conseguia enxergar fundo em sua alma.

— Isso não importa. Meu pai não vem ao caso.

— Se ele é a causa do seu desleixo com a sua saúde ultimamente, então importa sim.

— Eu não quero falar sobre isso agora, Natsu. Estávamos num momento tão bom. Por que você tem que estragar isso e começar uma discussão? — comentou, ainda sem conseguir olhar para ele.

— Não quer falar disso agora nem nunca — disse, claramente irritado. — Você nunca fala sobre essas coisas, nunca me deixa saber o que está se passando com você, nunca compartilha o que está sentindo, nunca fala sobre as coisas que te incomodam. Caramba, Lucy, eu vou ser seu marido, e você sequer consegue falar sobre essas coisas comigo.

— Se ser meu marido pra você significa só ter que saber absolutamente tudo o que se passa comigo, então talvez não devêssemos nos casar, porque você sabe que eu não sou o tipo de pessoa que consegue fazer isso — respondeu, conseguindo finalmente olhar nos olhos de Natsu. Os seus próprios carregavam lágrimas contidas com muito esforço, enquanto os dele demonstravam surpresa. Não demorou a se arrepender do que tinha falado e, mexendo na aliança de noivado em seu dedo, disse: — Me desculpa, eu não quis realmente dizer isso.

— Eu sei que não quis. É só que às vezes parece que você não confia em mim.

A garota se levantou, caminhando até o armário. De lá, tirou uma pequena caixa e pegou uma foto que estava guardada dentro dela.

— Ok, já que você acha que não confio em você, vou te contar uma coisa que só meu pai e Virgo sabiam, e não porque eu contei, mas sim por estarem envolvidos.

— O que é isso? — Ele perguntou quando ela voltou a se sentar no colchão.

— Uma foto velha. Virgo me mandou um tempo atrás — ela lhe entregou a foto. Se tratava dela e Jude juntos, uma das poucas que tinham. — Presta atenção nessas marcas nos meus braços.

Ele olhou. Duas cicatrizes em seus punhos. Ela não precisava contar para que soubesse do que se tratava. Seu coração começou a bater muito mais rápido do que antes. Checou os braços de Lucy, mas as marcas não estavam mais ali.

— Lucy... Você não tem que me contar.

— Tenho sim, pra você entender de uma vez por todas que não é uma questão de confiança — ele suspirou, sentando-se mais perto dela. Percebia que Lucy começava a tremer, então segurou sua mão, notando o esboço de um sorriso vir e partir. Ela respirou fundo e começou: — Foi pouco tempo depois do meu filho morrer. Eu comecei a ficar mais deprimida do que já estava. Passava a maior parte do tempo sozinha, então minha mente ficava aberta a todo tipo de pensamento ruim — sua voz falhava e lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto. Dava para notar pelo jeito como falava que aquilo era algo extremamente difícil de se lembrar. Conseguia sentir a dor que ela carregava. Abraçou-a, tentando confortá-la. — Então, um dia, eu decidi que não queria mais sentir aquilo, que a dor era forte demais para conseguir suportar. Eu pensava que nunca ia conseguir me livrar daquilo, que nunca seria feliz. Só queria que a dor acabasse. Eu era tão nova e tão idiota por pensar assim, mas era dessa forma que eu me sentia.

Àquele ponto, Lucy chorava tanto que ficava difícil falar. Ele também tentava conter as lágrimas, era horrível ouvir que ela passara por aquilo, que ele poderia nunca tê-la conhecido e que sua vida poderia ter acabado muito mais cedo do que deveria.

— Eu sinto muito — sussurrou perto do ouvido dela, encostando sua testa no cabelo da garota. Ela tentou se acalmar, para continuar a contar sua história.

— Eu peguei uma faca na cozinha sem ninguém perceber, fui até o banheiro no meu quarto e — respirou fundo, tentando conseguir coragem para terminar. — E fiz dois cortes profundos, um em cada punho — Natsu abraçou-a mais forte, deixando algumas lágrimas suas que escaparam sem permissão molharem o cabelo dela. Era bom sentir-se protegida nos braços dele, porque aquelas memórias eram como monstros, prontos para pegá-la a qualquer instante. Ela secou o rosto com as costas da mão, pronta para encerrar seu relato. — Por sorte, Virgo apareceu pouco depois e me encontrou caída no chão do banheiro, com sangue à minha volta. Eu implorei para ela não chamar uma ambulância. Eu não queria ser salva. Não queria voltar para aquela dor. Mas ela chamou mesmo assim. Essa foto foi tirada algum tempo depois disso. Quase não dá mais para ver as cicatrizes atualmente porque meu pai pagou um tratamento muito caro para fazê-las sumir.

— Eu não fazia a menor ideia — disse, virando-a para si, tirando as lágrimas que ainda escorriam pelas bochechas de Lucy e depois encostando sua testa na dela. — Não fazia a menor ideia de que você passou por isso.

— Entende agora? Não é que eu não confie em você, pelo contrário, você é a pessoa em quem eu mais confio no mundo. É que não gosto de falar sobre essas coisas, porque, quando eu as deixo guardadas na minha mente elas parecem menos reais do quando eu falo, como se tivessem sido criadas pela minha imaginação. Porque quando eu falo é como se estivesse passando por tudo outra vez.

Ela enterrou o rosto no peito do garoto, envolta pelos braços de Natsu. Entendia o motivo dela ser sempre tão fechada. Lucy passou pelo inferno e voltou. Era mais do que justo o modo como agia.

— Me desculpa por ser um idiota e ter te forçado a se lembrar.

— Você não é um idiota, só se preocupa demais, e eu não sei como lidar com isso, porque desde que minha mãe morreu ninguém nunca se importou tanto comigo. Ninguém nunca se importou comigo como você se importa, isso ainda é muito novo pra mim.

— Eu sempre vou me preocupar com você, mas tem que me dizer quando eu começar a ser um chato, para que eu possa parar e te dar um pouco de espaço.

Conseguiu ao menos fazê-la sorrir um pouco.

— Eu aviso, pode deixar. Sabe, eu tinha medo de contar essa história para alguém antes.

— Por que tinha medo?

— Porque foi um momento de fraqueza. Eu não consegui ser forte o suficiente naquela hora. Eu simplesmente me rendi. Muitas pessoas julgariam isso mal.

Exatamente como o Koscheivich. Os pesos que carregavam tinham mais coisas em comum do que podia pensar.

— Não foi fraqueza. Eu não sei como dizer isso sem soar como aquelas frases motivacionais, mas você passou muito tempo sendo forte. Chega uma hora em que fica difícil suportar o fardo.

— Acho que sim.

Você está bem? — Perguntou, deslizando seus dedos pelo cabelo da loira.

— Sim, agora sim — Lucy respondeu, deitando-se com a cabeça sobre o peito dele. — Só... me abraça, ok? Só faça o que você sempre fez de melhor e mantém esses monstros longe de mim.

— Como quiser.

Ele a abraçou, o mais forte que pôde. Naquela noite, sabia que seus sonhos seriam açoitados por pesadelos, nos quais tinha de passar seus dias sem Lucy, num mundo em que Virgo não conseguia chegar a tempo. Um mundo no qual ele não conseguiria viver.

Notas finais
Consigo pensar em duas possibilidades agora: ou vocês querem me matar. Ou vocês querem me matar muito lentamente, hehe. Mas, de qualquer forma, acho que era importante mostrar esse fato do passado da Lucy na história. Escrevi esse capítulo de um jeito um pouco diferente do que de costume, não sei se deu pra notar. Achei que ficou melhor, porém desse modo acabo demorando um pouco mais. Mas acho que vale a pena, os capítulos ficam maiores e mais bem escritos. Enfim, digam se concordam. COMENTEM, SEUS LINDOS! Não esqueçam de deixar um comentário, ajuda muito, ainda mais porque esse capítulo deu MUITO trabalho, com hentai e cena dramática, então os comentários fazem sentir que não foi um tempo jogado no lixo. ENTÃO COMENTEM, OK?! BEIJOS ATÉ O PRÓXIMO O/