Notas iniciais
Hey o/ Capítulo com música, cliquem no link ;) Boa leitura!

Apenas quando a multidão se dissipou foi que puderam ter um pouco de calma. Percebendo que Natsu começava a ficar irritado com todo o assédio após sua “apresentação”, Lucy os levara até um dos corredores mais vazios do shopping, se ainda conhecia bem aquele lugar. Sarah, a gerente, era a única que não podia reclamar de todo aquele aglomerado de pessoas. Seus lucros diários com certeza duplicariam, se até mesmo não triplicassem. Para o casal, todavia, não era algo agradável. O dia deveria ser deles, e esse era o motivo pelo qual Natsu dispensara completamente toda aquela atenção, sem deixar a educação de lado. Não expulsava os que vinham puxar assunto com ele, mas seu desconforto era notável. Apenas um cego não perceberia. Não havia como Lucy, que o conhecia tão melhor do que os outros, não perceber, chegando a ficar até mesmo constrangida por ter criado aquela situação.

Praticamente não havia lojas no corredor em que estava o banco que encontraram para desfrutar da companhia um do outro. Era o caminho mais remoto para as escadas que levavam ao estacionamento; dali era possível observar parte da praça de alimentação, mas o contrário não acontecia; no meio dele, apenas alguns bancos de madeira e um pequeno balcão onde eram vendidos acessórios para celulares se faziam presentes. O lugar perfeito para um pouco de paz, com certeza.

― Nunca pensou em seguir uma carreira desse tipo, como músico? ― a loira perguntou fitando um anúncio na parede a respeito de um show de uma banda aparentemente famosa, porém da qual nunca havia ouvido falar antes.

― Eu? Como músico? ― soltou uma risada seca. Natsu estava tão próximo dela, sentado de lado, com uma perna sobre o banco, o braço esquerdo sobre o encosto e a mão direita sobre sua coxa, que podia sentir seu calor a aquecendo. ― Não, nunca daria certo.

― Por que? Você não é ruim.

― Se eu sou bom ou não, que diferença faz? Eu acabaria detestando de qualquer jeito. De que adiantaria fazer algo que eu não gosto só porque talvez seja bom? ― pelos muito recentes acontecimentos, Lucy chegou à conclusão de que aquela fora uma pergunta idiota. Arrependeu-se de imediato por tê-la feito, mas pouco depois Natsu lhe deu um sorriso, afastando suas preocupações. ― Além do mais, se eu acabasse ficando famoso, várias mulheres iriam correr atrás de mim. Não ficaria com ciúmes?

Lucy sorriu, deixando que seu olhar recaísse sobre ele. A habilidade de espantar qualquer assunto incômodo que fosse e fazê-la rir era algo que apenas ele possuía, tornando-o único.

― Bobo. ― murmurou baixo.

― Ouvi dizer que só um bobo reconhece outro, sabia?

― Mas eu não seria boba. ― Lucy estendeu ainda mais o sorriso, assemelhando-se a uma criança que planejava travessuras. Foi a primeira coisa que ele pensou quando viu as curtas em seu rosto, e estava certo. Sempre estava quando se tratava de Lucy. A loira segurou o capuz da blusa de Natsu e o puxou, cobrindo-lhe a cabeça. ― Faria questão de deixar claro a todas elas que você é meu.

― E como iria fazer isso? ― a provocou, ajeitando novamente o capuz.

― Eu não sei, daria um jeito. ― sua face se tornou pensativa, olhando de canto para o braço do rosado no banco. ― Escrever “propriedade de Lucy Heartfilia” na sua testa parece um bom começo.

― Com tinta permanente? ― perguntou, arqueando a sobrancelha.

― Que diferença faz, Natsu? É, pode ser, tanto faz. ― de repente percebeu que estavam debatendo os detalhes de uma situação hipotética que jamais viria a acontecer, e aquilo lhe pareceu tão ridiculamente engraçado que não conteve o riso.

― Eu sou alérgico ― Natsu sorriu de canto. ― Não quer um namorado morto por causa de uma reação alérgica, quer?

― Você é alérgico à tinta permanente? ― o questionou desconfiada. Natsu nunca havia mencionado nenhuma alergia, ao que se lembrava.

― Não. ― outra vez riu. ― E também não sou um músico famoso.

― Bobo. ― Por sua brincadeira, o rosado acabou por ganhar um delicado e fraco tapa no braço. Assemelhou-se muito mais a um carinho do que uma agressão verdadeira. Lucy suspirou alguns segundos após, olhando-o com um sorriso. Seu olhar logo depois foi atraído para a praça de alimentação, onde o sorriso morreu encruzilhado por antigas lembranças ao avistar uma mãe aninhando um pequeno bebê nos braços. Distraída, mal sentiu quando Natsu apoiou o queixo em seu ombro, procurando pelo ponto o qual Lucy fitava com tanta atenção.

― O que está olhando? ― perguntou, sem sucesso.

― Às vezes fico imaginando como tudo teria sido se meu filho tivesse nascido. ― Natsu endireitou-se no banco, carregando uma expressão séria e prestando atenção em cada palavra de Lucy. “Meu filho”. Era tão estranho para ela dizer aquilo, pois aquele fato fazia parte de um passado que queria de toda forma esquecer, mas, por mais que tentasse, não conseguia. ― Isso é algo muito estranho?

Ela estudou o rosto de Natsu, pensativo. Estava feliz ao lado dele, sem dúvida. Apenas desejava que o tivesse conhecido antes de todos. Talvez se estivesse sempre ao seu lado, suas infelicidades antigas tivessem sido reduzidas. Mas aquilo não era algo que cabia a ela, muito menos a ele.

― Não, não é estranho. Nem um pouco.

Retribuiu a resposta de Natsu com um meio sorriso. E ele lhe sorriu completamente em troca.

― Desculpe, não deveria estar falando disso. Sobre o passado.

― Eu não me importo, sério. O passado não faz diferença nenhuma. Só o presente e o futuro importam. E pode apostar que não vai haver outra pessoa neles para você senão eu.

― Você é muito convencido, boy.

― Eu estou errado, por acaso?

― Não, não está.

Lucy sorriu. Percebeu o olhar oscilante de Natsu, hora em seus olhos, hora em seus lábios, e conhecia aquela sua mania muito bem para saber o que ele desejava com aquele simples gesto. O puxou pela blusa para perto de si e o beijou calmamente, aproveitando que estavam em um lugar praticamente vazio. Sua mão automaticamente subiu até o pescoço do garoto, enquanto sentia a dele subindo para sua cintura. Em um dia frio como aquele, o calor de Natsu, principalmente o de seus lábios, era extremamente agradável, e teria continuado o beijo por quanto tempo lhe fosse permitido se algo não a estivesse incomodando: O olhar fixo da vendedora de artigos para celulares no casal.

Ainda durante o beijo, abriu os olhos, certificando-se de que não era apenas uma sensação.

― O que foi? ― perguntou o garoto, ao perceber que seu beijo não mais estava sendo correspondido.

― Aquela vendedora ― acenou com a cabeça discretamente em direção à jovem moça, porém Natsu não se deu ao trabalho de olhar. ― Não para de olhar para nós.

― Não ligue. Finja que só há nós dois aqui.

Ele retomou o beijo, pouco importando-se com quem os observava ou não. Lucy até tentara fazer o mesmo, atender ao pedido do rosado e fingir que não havia outras pessoas no lugar, mas era praticamente impossível ignorar o fato. Sentia-se incomodada. Afastou-se outra vez, interrompendo o beijo sem aviso.

― Não dá, Natsu. Não consigo.

O rosado bufou, percebendo que não haveria saída fácil naquela situação. Espiou por cima do ombro, e, tão rápido quanto seu olhar identificou a vendedora, voltou a olhar para Lucy, até com certo pânico, talvez. Fato notado por ela assim que ele se virou.

― Você a conhece? ― desconfiou, as sobrancelhas formando arcos. Natsu franziu a testa e sorriu, aparentemente tentando disfarçar.

― Eu? Não! Claro que não.

― Você a conhece ― e não havia sido uma pergunta daquela vez. ― Mente muito mal, Dragneel. Quem é ela?

Natsu relaxou, desistindo de manter uma farsa que já havia falhado.

― Tá, eu a conheço. De muito tempo atrás, antes mesmo de você vir para Magnólia. Ficamos algumas vezes, e acho que para ela aquilo deve ter constituído um tipo de relacionamento sério.

― Mas não para você. ― Lucy adivinhou. Não era surpresa, definitivamente. O passado de Natsu era algo que sabia muito bem não ser do seu gosto. Mas era imutável, tanto quanto o dela. Nenhum dos dois lhe agradava e nenhum dos dois podia ser mudado, portanto não ocupava sua mente distraindo-se com eles, exceto quando aqueles passados batiam à sua porta.

― Não para mim ― concordou. ― Enfim, quando percebi suas reais intenções em tornar aquilo algo sério, tentei desaparecer da vida dela.

― Você fugiu? Sem sequer dar explicações?

― Eu sei que não foi uma das melhores opções, não foi um ato honrável, mas eu era só um garoto naquela época, não pensava muito no que fazia, só fazia. De qualquer forma, ela era louca. Passou a me perseguir depois que eu sumi. Deu muito trabalho conseguir finalmente me livrar desse problema.

― Mas então você nunca terminou oficialmente? ― Natsu assentiu desconfiado. ― Isso quer dizer que eu sou praticamente sua amante.

O garoto franziu as sobrancelhas, fingindo-se irritado.

― Não exagere, Lucy. Não era nem um relacionamento de verdade.

― Você não o terminou, de qualquer forma. ― Natsu bufou. Por que tinha de ter ser apaixonado por uma garota tão complicada? ― Mas agora tem a chance de terminar.

― Como é? ― perguntou assustado. Lucy não podia estar falando sério. ― Ouviu quando eu disse que ela é louca? Não vai levar a nada, loirinha. Escute o que eu digo.

― Está com medo, Natsu? ― a loira sorriu de maneira provocadora, desafiando-o.

― É claro que não.

― Então vamos, se não está com medo.

Lucy se pôs de pé, segurou a mão de Natsu e tentou puxá-lo. Por um momento o rosado resistiu, nem sequer precisava se esforçar para vencer a garota naquele cabo de guerra cujo cabo era seu próprio braço. Era várias vezes mais forte que ela. Mas, com a insistência da loira, acabou por ceder, bufando.

― Não é uma boa ideia, estou te avisando.

Foi praticamente arrastado lentamente, sem vontade alguma, com Lucy agarrada ao seu punho, até o pequeno balcão-loja. A garota parou em frente à vendedora, com Natsu logo atrás de si com cara de poucos amigos. Deu-lhe um sorriso gentil, o qual não fora retribuído.

― Oi ― a cumprimentou de forma tímida, ainda segurando o garoto, talvez prevenindo-se para o caso dele tentar fugir, o que realmente não achava ser improvável. ― Percebi que você olhava com muita atenção para nós e gostaria de dizer que talvez houve um engano por parte do entendimento de fatos antigos-

A vendedora, cujo crachá dizia ser Sue seu nome, interrompeu rudemente a fala de Lucy.

― Desculpe. Apenas fiquei surpresa pelo fato de o shopping estar permitindo a entrada de animais. Um cachorro e uma burra.

Na expressão de Lucy, sua boca se abria em um perfeito “o”, processando as palavras e a falta de respeito da garota para com os dois. Natsu nada fez para interferir o tempo inteiro. Apenas observava.

― Como é?

― Não ouviu direito? Além de burra é surda? Claro, porque para estar com ele ― sugeriu, apontando para Natsu. ―, só pode ser.

― Bem, pelo menos não foi a mim que ele deixou. ― a loira rebateu irritada. De forma alguma levaria para casa desaforos de alguém que nem lhe conhecia.

Ainda não. Espere para ver, tenho certeza de que não demorará até ele te chutar também.

― De qualquer maneira, acho que isso é algo que diz respeito apenas a nós dois. ― Lucy puxou Natsu, andando em direção às escadas. O rosado escondia um sorriso. Como havia dito, aquela conversa não levaria a nada, e amava estar certo. Porém, antes de ir embora, Lucy virou-se e deferiu algumas últimas palavras à vendedora: ― E pelo visto não sou a única “burra” aqui, não é? Porque se entende o que eu digo, quer dizer que também o é.

Não esperou para ver qualquer que fosse a resposta que a garota lhe daria, apenas seguiu em frente com Natsu em seu encalço. Poderia muito bem ter se metido no meio da discussão, mas tentara avisar a Lucy de que aquela não seria uma conversa produtiva.

Assim que desciam o primeiro lance de escadas, ele riu enquanto observava a aparente irritação de Lucy.

― Pode dizer.

― Dizer o quê? ― a loira perguntou.

― Que eu estava certo.

Em meio ao riso de Natsu, sem que ele pudesse de forma alguma esperar por aquela reação, ela o puxou para si, encostando-se à parede, e lhe beijou de forma desesperada, deixando lentamente seus dedos entrelaçarem-se nos fios de cabelo de Natsu. Num primeiro momento, o rosado não esboçara reação, mas logo retribuíra. Mais tarde viria a conhecer aquele hábito de Lucy. Quando algo a estressava, e esse algo não o envolvia diretamente, ela descontava o stress nele, da melhor maneira que o garoto poderia querer.

― Ela te deixou mesmo irritada. ― comentou sorrindo. Lucy o ignorou de início, dando-lhe apenas um olhar diretamente nos olhos, e voltou a descer as escadas, como se nada tivesse acontecido.

― Não estou irritada. ― mentiu mesmo sabendo que ele perceberia.

Assim que chegaram ao estacionamento, Natsu parou, com uma das mãos atrás da cabeça e a face pensativa.

― Lucy ― a chamou, fazendo-a parar também ―, acho que perdi o carro. ― deu a noticia de forma a parecer o mais inocente possível.

― Como você perde um carro, Natsu?

― Não consigo me lembrar onde foi que o estacionei.

― Francamente, Natsu. ― Lucy suspirou. ― Só não perde a cabeça por ela estar grudada ao corpo.

A dura tarefa de procurar pelo carro, a qual não seria tão difícil assim se o tamanho do estacionamento colaborasse, tomou praticamente meia hora do tempo dos dois, contudo finalmente o encontraram. Apesar de Natsu ter escondido o fato de que não havia de forma alguma “perdido o carro”. Não era tão idiota assim. Só queria talvez arrancar alguns risos de Lucy com sua trapalhada. Apenas ele tinha o direito de irritá-la, e qualquer outro que tentasse fazê-lo estaria se metendo com ele, portanto teve que interferir de alguma forma.

No carro, Lucy se encontrava pensativa, observando através da janela e preocupando-o, ainda mais após sua tarefa ter falhado.

― Tem certeza de que não está irritada? ― perguntou quando estavam próximos de passar em frente à entrada do shopping. ― Está um pouco estranha.

― Há alguma chance de o que aquela garota disse sobre você ser verdade? ― rebateu sem desviar o olhar das portas de entrada. Pequenos pingos de chuva batiam no vidro, fazendo-a se lembrar que no dia em que quase se beijaram naquele mesmo local, quase dois anos antes, também chovia. Era nostálgico. Não se arrependia do táxi ter chego no exato momento, pois de jeito nenhum um beijo na entrada do shopping teria sido mais especial do que o primeiro beijo dos dois, após seu sequestro. Quase um conto de fadas, seu príncipe salvando-a...

― O que? Claro que não! ― respondeu aflito, imaginando ali o começo de uma discussão que definitivamente não desejava. ― Você sabe muito bem que não é como ela, e sabe o porquê.

― Exatamente. ― a loira finalmente movera seu olhar para Natsu. Com um sorriso no rosto, para alívio dele. ― Eu sei disso, então por que teria motivos para me irritar?

***

― Você está muito vulnerável assim, sabia?

Na calma da sala de estar vazia, exceto por eles, os móveis e o som da televisão, o passado estava deixado para trás, assim como acontecimentos não tá agradáveis no meio do dia. Ali, com Lucy sentada no tapete e Natsu deitado usando seu colo como travesseiro, hora fitando o teto, hora com os olhos fechados, relaxando com o suave toque da garota em seus cabelos, esperavam por Gray ― que estava já muito atrasado, aliás ― e o resto dos amigos. A loira estava ansiosa para revê-los.

― Vulnerável para quê? Um beijo? Aceito sem problemas. ― retrucou. ― Não pode fazer nada demais, Lucy.

― Posso lhe fazer cócegas. ― Lucy respondeu arqueando as sobrancelhas. Continuava a acariciar o cabelo macio de Natsu, divertindo-se ao perceber que em alguns momentos sua expressão mudava, parecendo-se com um gato manhoso.

― É, grande coisa. De qualquer forma, eu não iria sentir nada, porque agora já sei o que planeja.

― Como pode ter certeza?

― Como você pode ter certeza de eu não tenho certeza? ― o rosado rebateu.

― Bem, isso é fácil. Vou refutar sua teoria.

― É mesmo? ― na expressão de Lucy obteve sua resposta. ― E como planeja fazer isso?

― Assim.

Agilmente, a loira jogou a camisa do rosado em seu rosto, cobrindo-o ao mesmo tempo em que deixava seu abdômen desprotegido. Antes que ele pudesse esboçar qualquer reação, atacara-o em uma onda de cócegas. Provou-se estar certa em sua teoria, pois não apenas conseguiu fazer com que ele sentisse-se incomodado, como também o assustou a ponto de o rosado bater a cabeça na mesa de centro ao tentar se levantar. Parou imediatamente as cócegas ao perceber e se pôs em uma crise de risos, desculpando-se.

― Isso foi golpe baixo, Lucy. Eu não estava preparado. ― reclamou enquanto ajeitava outra vez a camisa e massageava sua testa no local atingido.

― Me desculpe, Natsu. ― disse, ainda rindo. Delicadamente depositou um beijo na marca vermelha. ― Mas a culpa foi sua por ser teimoso. ― poucos segundos depois a campainha tocou. ― Cuidado para não bater a cabeça outra vez.

Natsu apenas lhe lançou um olhar carregado de sarcasmo ao se levantar, sem bater na mesa.

― Já estava na hora desse idiota chegar.

Caminhou sem pressa até a porta. Respirava de forma apressada quando a abriu, tentando recuperar o ar perdido pouco antes. Ainda sentada, Lucy espiou para que pudesse ver Gray, e tinha razão quando pensou que ele não havia mudado.

― E aqui está o idoso do dia! Feliz aniversário, babaca! ― Gray disparou imediatamente, abraçando rapidamente e de forma desajeitada o rosado. A caixa que trazia nas mãos o atrapalhava. ― Ei, cara, acho que a cor dos seus cabelos decidiu invadir seu rosto. Está um pouco rosa.

― Engraçado. ― Natsu rebateu. O moreno não precisava de convite para entrar no apartamento, portanto não o esperou para entrar. A caixa que trazia foi deixada sobre o balcão, despertando a curiosidade do rosado. ― O que é isso?

― Comida. Imaginei que, folgado como é, não se daria ao trabalho de preparar nada. E uma festa não é uma festa sem comida. ― Gray se virou, e somente nesse momento pousou seus olhos em Lucy, que, ao contrário dele, o acompanhava com o olhar desde que entrara na casa. ― Natsu, quem é essa? Lucy não vai ficar nem um pouco feliz em saber que você andou trazendo outras garotas para cá, ainda mais tão bonitas assim.

Lucy estendeu o sorriso. Obviamente era mais uma das brincadeiras de Fuulbuster, era impossível não reconhecê-la. Levantou-se e caminhou até ele, abraçando-o.

― Bom te ver também, Gray. ― disse, sufocada com o abraço apertado do moreno.

― Não imaginei que estaria aqui, esse babaca aí não me disse nada. ― após encerrar o abraço, continuou: ― Você arruinou meus planos, Lucy. Agora vou ter que ligar para todas as strippers e cancelar. Desculpa, cara ― disse a Natsu, que encontrava-se sentado de braços cruzados no apoio do sofá. ―, não dá para fazer isso com sua namorada aqui.

― Ah, não se preocupe ― interferiu a loira, dando uma piscadela para Natsu. ― Quando todos forem embora posso substitui-las apenas para ele.

― Ei, Gray, não planeja ir embora muito tarde, não é? ― o rosado comentou em tom de brincadeira.

― Não estava pensando muito nisso. ― o rapaz levou a mão até o queixo e forçou uma expressão pensativa. ― Mas agora que mencionou, parece uma boa ideia passar a noite aqui.

― Faça isso e irá acordar com uma parte a menos no corpo amanhã. ― ameaçou falsamente o rosado, deslizando até a almofada do sofá para poder se sentar ao lado de Lucy, enquanto observava Gray ir até o extremo oposto do estofado, completamente relaxado, como se estivesse em sua própria casa.

― Quanta hostilidade, meu caro amigo. ― comentou. Gray era estranho em alguns aspectos. Estava sempre usando camisa social, a daquele dia em questão era da cor roxa, porém esse tipo de vestuário formal era totalmente contrário à sua personalidade. ― Então, quando chegou, Lucy?

― Ontem. Natsu também não sabia. Quis fazer uma surpresa. ― enquanto falava, sentiu os braços do garoto rodeando sua cintura e sua cabeça apoiada em seu ombro. Pelo canto do olho, o viu sorrindo discretamente.

― Ah. Isso é ótimo. Mais um belo casal feliz... ― o ar com que Gray mencionara aquilo soara tão melancólico que ela chegou a sentir pena do moreno. Natsu a mantinha informada sobre a relação entre ele e Juvia, a qual não andava nada bem pelo fato dela aparentemente ter perdido todo o interesse que antes mantinha por ele, justo quanto percebera que a amava.

― As coisas com Juvia continuam ruins? ― não era necessária uma pergunta para saber a resposta. Ela estava escrita na face do moreno.

― Ei, não me entendam mal. Estou muito feliz por vocês dois, de verdade. Mas gostaria de ter a mesma sorte. ― murmurou com o olhar baixo.

― Se houver algo em que possamos ajudar... ― a loira sugeriu, e no exato momento Gray ergueu novamente o olhar.

― Talvez haja. Aproveitando que ambos estão aqui, se importariam de ir a um encontro duplo e tentarem me ajudar com Juvia?

Vendo a expressão no rosto de Gray, tornou-se praticamente impossível recusar o pedido de ajuda. O casal aceitou, por mais que, no fundo, Lucy pensasse que aquilo não seria de grande auxílio. Se Juvia não nutria mais os mesmo sentimentos por ele, o que poderiam fazer? Mas talvez, talvez apenas, pudessem ajudá-lo em alguma coisa. Esperava que sim.

Levy chegou pouco tempo depois de Gray, e revê-la foi para Lucy quase tão bom quanto reencontrar Natsu. Era sua melhor amiga, afinal. Havia tantas coisas para colocar em dia em conversas com ela que durante a pequena reunião mal estivera com Natsu, desconsiderando o fato de que o apartamento era um cubículo e que de qualquer canto da sala/cozinha podia vê-lo, conversando com Gray ou com os outros. A verdade era que rever cada um dos seus amigos a fez se sentir bem como não se sentia há meses. Era maravilhoso se sentir em casa outra vez.

Quando chegara o momento de cortar o bolo que Gray havia trazido, todos se reuniram em volta do balcão na cozinha, com exceção de Natsu, que estava do lado oposto.

― A quem irá dedicar o primeiro pedaço, senhor idoso Dragneel? ― Erza perguntou sorrindo. Gray logo respondeu por ele.

― Ah, que grande dúvida! ― exclamou. ― É uma troca equivalente. Ele dá o primeiro pedaço a Lucy, e ela dá outras coisas a ele. Claro que é dela.

― Gray! ― e sua resposta lhe rendeu um belo tapa no braço vindo de Levy, além de risos e bochechas avermelhadas por parte de Lucy.

― Estou errado? Estou, Natsu? ― insistiu.

― De certa forma ― o garoto sorriu de forma travessa. ―, não ― o braço de Dragneel também não fora perdoado, mas o agressor da vez fora Lucy, bem ao seu lado.

― Além do mais, Levy ― Gray continuou. ―, o que vem de baixo não me atinge, ok?

Levy bufou. Típico de Fuulbuster fazer piadas a respeito de sua altura. Dele e de Gajeel, que não conteve seu estranho riso ao concordar com Gray.

― Ande logo com isso, Natsu. Antes que Gray decida começar um show de stand-up aqui. ― a pequena reclamou. Natsu sorriu. Colocou o pedaço de bolo em um prato e, sem surpresa para ninguém, o ofereceu a Lucy.

― Eu disse que Gray estava certo de certa forma. ― bem, ele estava.

― Acho justo que a pessoa que recebeu o primeiro pedaço faça um discurso ao aniversariante. ― comentou Jellal, debruçando-se sobre o balcão.

― Eu não sou boa com esse tipo de coisa. ― tentou livrar-se da tarefa.

― É mesmo? Tente. ― Natsu cruzou os braços, desafiando-a. Aquilo seria deveras interessante. Gostaria de ouvir o discurso de Lucy.

A loira deixou o prato sobre o balcão, as bochechas ainda mais rubras do que antes. Ajeitou a camisa, preparou a garganta e suspirou. Sem ter a mínima ideia do que dizer, começou:

Bem, vocês conhecem o nosso idoso do dia há muito mais tempo do que eu, e talvez até o conheçam melhor por isso, e com certeza sabem ainda mais o quanto ele consegue ser um idiota irritante na maior parte do tempo. Admiro vocês por aturá-lo há tanto tempo. ― Gray riu, sussurrando um “com certeza”. ― Mas... você é um idiota irritante que nós amamos aturar, Natsu, e eu espero que possamos te aturar por muito mais tempo, porque sinceramente acho que o tempo que convivemos com você não é de forma alguma suficiente. Talvez até cem anos não o sejam. O resto da vida ainda parece muito pouco. Você tem o dom que poucos possuem de fazer as pessoas sorrirem independente da situação. Mesmo suas brincadeiras tornam nossos dias melhores, talvez principalmente elas. Então, faça um favor a todos nós e continue sendo esse idiota completamente irritante, o motivo de vários sorrisos, por muitos e muitos anos mais.

E quando encerrou seu discurso, ainda achando-o incompleto, mas conformando-se com a ideia de que jamais encontraria palavras suficientes para o que ele merecia, viu claramente Natsu sorrindo enquanto vinha abraçá-la. Perto o bastante para que apenas ela escutasse, sussurrou em seu ouvido:

― Eu te amo. ― fortificando sua confissão já muito conhecida, ele encaixou por um segundo seus lábios nos dela. Por mais discreto que houvesse sido, o singelo beijo ainda arrancou algumas palmas dos presentes.

***

Lucy estava sentada no encosto do sofá quando Gray, o último convidado, fora embora. Ouviu Natsu suspirar antes dele virar-se para encará-la, caminhando lentamente em sua direção.

― Foi ótimo, mas com certeza cansativo. ― o rosado apoiou suas duas mãos no estofado, uma de cada lado do corpo de Lucy, muito próximo dela. ― Ei, e sobre aquela promessa que havia feito quando Gray chegou, hein?

― Pensei que estivesse cansado. ― respondeu sorrindo enquanto o olhava.

― Quem disse isso? ― retrucou, aproximando-se ainda mais. ― Estou ótimo.

― É mesmo?

― Com certeza.

Realmente perto demais... o suficiente para que ele a beijasse e a ergue-se em seus braços. Afinal, ainda não passava da meia-noite. Seu aniversário não havia acabado, e ainda sobrava tempo para um último presente.

Notas finais
Deixem suas opiniões, ok? São muito importantes para mim :D Ah, pessoal, apenas para mantê-los mais informados, teremos mais um capítulo, diríamos "filler", depois um pequeno acontecimento de certa importância que deverá durar algo em torno de 3 capítulos, e em seguida começa o foco principal da temporada. Digo isso porque imaginei que esses capítulos meio "fillers" devem estar sendo chatos pra caramba :/ Quis deixá-los mais tranquilos. Bem, não esqueçam dos comentários, e até o próximo o/ Uma última pergunta que me veio à mente neste instante, seria legal se respondessem nos comentários: Qual a música que vocês imaginam que mais combine com Natsu e Lucy? : ) Pode já ter sido colocada na fanfic ou não, só digam uma que lembre vocês desse casal, se tiver alguma. Até o/