Onde Tem Ódio Tem Amor
69 Um caminho sem saída
Notas iniciais
Em sua mente imaginara diversas possibilidades de reencontro desde a última vez em que se viram. Pensara em como aquele evento poderia ser completamente desastroso ou sabe-se lá o que se poderia esperar após descobrir que seu namorado teria um filho com outra mulher. Porém em nenhuma de suas ideias, nem em sua mais ínfima hipótese, jamais imaginou que ele ocorreria com Natsu desacordado em seus braços. E definitivamente não queria que fosse daquela maneira. Pensara em uma grande discussão, com disputas de argumentos e seus piores sentimentos vindos à tona. Nunca pensou que o que sentiria ao rever Natsu seria preocupação e ressentimento por não ter acertado as coisas antes.
Tentou acordá-lo com fracos tapas em seu rosto, apoiando a cabeça do rapaz em seu joelho, porém de nada adiantou além de constatar que a temperatura de Natsu estava muito acima do normal. Tentou chamá-lo, mas sua voz saía em sussurros. O nó em sua garganta causado pelo choque em encontrá-lo somado com sua preocupação com seu estado a impediam de falar muito mais do que aquilo. A rua estava vazia, não havia a quem recorrer. Não estavam longe do apartamento, contudo Natsu era pesado demais para que ela conseguisse carregá-lo até lá. Buscou em seu bolso o celular, fazendo a única coisa que vinha à sua mente naquele momento, discando o número quase que instintivamente.
— Gray? — falou assim que o moreno atendeu a ligação. Esperava que ele conseguisse entender suas palavras, pois estava realmente difícil verbalizar em sua condição atual.
— Hey, o que foi? — Gray perguntou, estranhando o tom de voz da loira, considerando-se ainda mais que ela havia saído de sua casa há pouco mais de uma hora e meia em um estado perfeitamente normal.
— Tem algo de errado com o Natsu — ela respondeu, olhando brevemente para o garoto deitado em sua perna, esperando quem sabe que ele tivesse acordado magicamente.
— Como assim algo de errado com o Natsu? Pensei que você não quisesse encontrá-lo.
Até poucos minutos atrás definitivamente não queria, mas naquele momento sentiu-se bem por tê-lo encontrado. Quem sabe o que poderia acontecer se não tivessem se cruzado pelo caminho. Natsu poderia ter ficado inconsciente no meio da rua sem ninguém para socorrê-lo.
— Eu o encontrei enquanto voltava para casa. Ele desmaiou, e está queimando de febre. Você disse que ele esteve tão mal quanto há pouco tempo, não é? Gray, por favor, me ajude, não sei o que fazer.
— Espere aí, estou indo. Onde você está? — quase podia ouvir os passos apressados de Gray andando pela casa.
— A alguns quarteirões do apartamento dele.
— Ok. Chego aí logo.
Sinceramente estava torcendo para que aquele “logo” não fosse apenas uma expressão, pois quanto mais Gray se demorasse, pior ficaria sua situação. Estar sentada no meio da calçada com um homem desmaiado em seu colo não se encaixava muito bem na definição de algo normal para Lucy. Ainda mais considerando que aquele não era um homem qualquer, mas sim o que a fizera acreditar e desacreditar no amor repetidas vezes, em um revezamento que parecia não ter fim.
Era tão confuso estar ali, cuidando de Natsu da maneira como podia, após todas as coisas que haviam acontecido nas últimas semanas. Não conseguiria imaginar-se nesse papel antes, porém ao vê-lo tão mal deixou de importar-se com qualquer orgulho que pudesse ter. No fim, independente de seus esforços para tirá-lo de sua mente, Natsu continuava refletindo em seus sentimentos, brilhando mais forte do que o Sol em um dia de verão. Por mais que tentasse não se importar, não conseguia encontrar o botão de desligar. Talvez ele tivesse quebrado o painel de controle do seu coração, para que ninguém mais pudesse ter sequer a chance de aprender a controlá-lo. Infelizmente, até mesmo Lucy perdera o controle sobre ele.
Natsu continuava exatamente o mesmo, exceto talvez pelo cabelo um pouco mais curto do que se lembrava. Sua expressão, os traços de seu rosto, todos permaneciam como sua memória colocava em seus sonhos todas as noites. Parecia até mesmo que nada havia acontecido, que ainda eram o casal feliz de antes, com pequenas discussões que jamais os fariam terminar um relacionamento tão saudável. Quem dera fosse aquela a realidade, e não apenas uma imagem aperfeiçoada pela imaginação de Lucy.
Os minutos demoravam-se a passar. Era uma tortura ter que esperar pelo socorro, sozinha com aquele que tanto evitara nos últimos dias. A loira perdera a conta de quantas vezes ajustara e reajustara a posição em que Natsu estava deitado, tanto para tentar fazer algo, quanto para evitar que ele sentisse dores mais tarde, quando acordasse, se é que acordasse, hipótese essa que assombrava a mente de Lucy pior do que qualquer outro fantasma. Tentava manter-se otimista, afinal Natsu já estivera naquela situação outras vezes, mas aquele era um medo constante que insistia em bater em sua mente.
O alívio quando Gray estacionou o carro ao lado de onde estava sentada na calçada não foi tão grande quanto imaginou que seria, embora tenha ajudado a diminuir um pouco da tensão que carregara seus ombros durante o tempo que ficou sozinha com Natsu.
— Não devíamos chamar uma ambulância, levá-lo ao hospital, qualquer coisa assim? — A loira questionou, não dando tempo sequer para Gray descer do veículo.
— Quantas vezes um hospital foi útil pra ele numa situação dessas? — respondeu friamente, libertando Lucy do peso de Natsu o colocando em pé e apoiando-o em seu ombro. — O apartamento não é longe, dá para ir andando. Consigo carregá-lo até lá.
— Foram poucas as vezes em que ele tentou, não é uma comparação justa — Lucy rebateu, acompanhando o moreno.
— Se acredita mesmo que teria sido útil, por que não chamou uma ambulância ao invés de me chamar, Lucy?
Estava sem resposta. Sequer havia pensado na possibilidade quando encontrou Natsu. Gray foi a primeira pessoa que veio à sua mente.
— Eu não sei, ok? Talvez por você ser o melhor amigo dele tenha pensado primeiro em você. E também porque não queria ficar sozinha com o Natsu — admitiu, considerando aquela possibilidade como a mais próxima da realidade. Imaginou que, com Gray por perto, não seria obrigada a ficar responsável por Natsu. Ele tomaria esse papel.
Gray parou, olhando para a loira de forma mais compreensiva, por mais que para ele fosse difícil compreender certas coisas. Sua forma de ver os fatos lhe parecia óbvia demais para aceitar outras possibilidades.
— Escuta, Lucy. Você sabe que ele não é um cara normal. O que ele tem não pode ser tratado de maneira normal. Confie em mim, eu sei o que estou fazendo.
— E você por acaso sabe o que ele tem? — perguntou, cruzando os braços. De certa forma, era doloroso pensar que Gray soubesse; que Natsu tivesse contado a ele e escondido dela. Fazia-a pensar no quanto haviam se afastado em um período de tempo tão curto.
— Não, eu não sei. Mas convivo com esse cara tempo o bastante para saber como cuidar disso — mentiu. Claro que sabia, sabia tudo sobre a história do Koscheivich, já que Natsu lhe contara. Contudo, assim como decidira naquela manhã, não cabia a ele dizer a verdade a Lucy.
O caminho até o apartamento seguira em silêncio. A parte mais complicada fora sem dúvida explicar ao porteiro a situação, o motivo de estarem carregando Natsu até sua casa. Disseram que ele havia passado mal e desmaiado, o que não deixava de ser verdade, porém, assim como Lucy, o senhor insistira que deveriam levá-lo até um hospital para que pudesse ser examinado e constatado que não era nada grave. Levou tempo até que Gray o convencesse de que não havia problema nenhum com o garoto, que algumas vezes ele tinha esses súbitos desmaios e que tinham alguns remédios no apartamento.
Apesar do frio que fazia no dia em questão, Gray suava quando finalmente chegaram na casa de Natsu. Subir todas aquelas escadas carregando o rapaz fora um belo exercício e teste de resistência.
— Realmente deveria ter um elevador nesse prédio. E esse idiota foi escolher justamente o último andar para morar — comentou, jogando Natsu no sofá para que pudesse respirar um pouco.
Era estranho para Lucy estar naquele lugar outra vez. Não pensara também em qual e como seria a próxima vez em que entraria por aquela porta. Após ter perdoado Natsu? Voltando para buscar o resto de suas coisas que restaram no apartamento, após um término definitivo? Eram suas opções mais prováveis. Em nenhuma delas constava trazer o rapaz desacordado de volta ao apartamento. Era algo que não poderia imaginar acontecer.
— O que vamos fazer agora? — Lucy perguntou.
— Bom — após tomar um pouco de ar, pegou novamente Natsu em seus ombros, dirigindo-se ao banheiro —, vamos tentar abaixar um pouco a temperatura desse cara. Pode trazer uma cadeira?
— Como assim?
— Uma cadeira. Para colocá-lo.
— Não, quero dizer, como assim abaixar a temperatura dele? — a loira perguntou, confusa, mas obedecendo as ordens de Gray e trazendo uma das cadeiras da sala.
— Um banho de água morna, deve ser suficiente — respondeu, colocando Natsu na cadeira.
— Gray, ele está queimando! E se isso causar um choque térmico ou coisa do tipo?
— Confie em mim, Lucy — era um pedido realmente difícil de ser atendido. A verdade era que as ordens de Gray estavam apenas deixando-a mais nervosa e mais preocupada. — Eu sei que isso não é a coisa mais fácil do mundo para você agora, mas relaxa, ele vai ficar bem.
— É claro que não é! — esteve se controlando desde o momento em que encontrou Natsu, só que não conseguia mais esconder. Estava a ponto de surtar com aquela situação toda. — Faz duas semanas que nós terminamos, isso não é nem de longe tempo suficiente para que eu não me importe com ele, com o que está acontecendo. Se algo acontecer com o Natsu, Gray... Eu não sei o que vai acontecer comigo.
Não era nenhum mistério, mas admitir em voz alta que não importava o quanto tivesse tentado, Natsu não saía de sua mente, era ainda mais excruciante.
— Eu sei, ok? — tentou acalmá-la. Logo depois abriu o registro do chuveiro, regulando a temperatura. — Eu prometo que não vai acontecer nada, logo ele vai estar bem. Agora, pode me ajudar tirando a roupa dele. Você com certeza está mais acostumada com isso do que eu.
Lucy suspirou, obedecendo. Não imaginou que uma tarefa tão simples se tornaria tão complicada. Deslizar suas mãos pelo corpo de Natsu trazia-lhe lembranças que preferia deixar guardadas. Enquanto desabotoava a camisa, parou sua mão por alguns segundos no lado esquerdo do peito do garoto, checando se seu coração ainda batia. Até conseguir sentir, um pavor terrível tomou conta de seu corpo, seguido por um alívio quando percebeu que o órgão ainda funcionava.
Gray também tirou o blazer e a camisa que vestia, e só então Lucy percebeu que o moreno não estava vestido como o habitual, mas sim de modo ainda mais formal. Talvez por esse motivo tivesse tirado as roupas caras, para não molhá-las.
— Você estava planejando sair? — perguntou, enquanto tirava a calça de Natsu, deixando-o apenas com as roupas íntimas.
— Ia almoçar com a Juvia. Tínhamos uma reserva num restaurante no centro da cidade.
— Desculpe por ter atrapalhado seus planos.
— Tudo bem — Gray respondeu, outra vez apoiando Natsu em seus ombros. — Ver o Natsu de roupas íntimas ao invés da minha namorada não era bem o que eu queria, porém isso aqui é mais importante. Eu já fico suficientemente feliz por elas serem escuras. Você pode até gostar da visão que teríamos se fossem mais claras, mas a mim isso daria pesadelos.
— Não é um momento para piadas, Gray — a loira reclamou, parada de braços cruzados enquanto torcia para que a situação não piorasse quando Natsu entrasse em contato com a água.
— Desculpe, só estava tentando aliviar o clima.
Deixaram com que a água caísse sobre o garoto por pouco mais de cinco minutos. O suficiente para molhar seu corpo e refrescá-lo um pouco. Para alívio de Lucy, nada de pior aparentemente havia acontecido. Depois, Gray o deitou na cama, procurando por uma toalha para enxugar a si próprio. Concordaram que isso não era necessário para Natsu, já que seria melhor se o deixassem como estava. Além do mais, sua própria temperatura faria com que ele estivesse seco logo.
— Se não se importa, preciso ligar para Juvia e explicar o motivo de não poder ir ao nosso encontro — o moreno comentou.
— Não é tão tarde, se correr talvez consiga chegar a tempo, Gray.
— Não, tudo bem. Não dá pra deixá-lo sozinho como está, e acho que ambos concordamos que você não vai querer ficar, não é?
Lucy suspirou.
— Não, eu não quero. Mas também não quero que estrague seu encontro por minha causa.
— Relaxa, Juvia vai entender.
Quando Gray deixou o quarto, encontrou-se outra vez sozinha com o que andava sendo seu pesadelo constante. Por um instante não soube o que fazer, então instintivamente trocou a roupa molhada de Natsu por algo seco e o vestiu uma calça, tentando evitar que ele pudesse eventualmente pegar um resfriado. Depois, sentou-se na beirada da cama, ao lado do garoto, colocando a mão dele entre as suas, sentindo o nó em sua garganta formar-se outra vez.
Lá estavam novamente, e Lucy não fazia ideia de como haviam chegado naquele ponto. Sabia as causas, o que os levou àquilo, sabia o quanto ele a havia magoado, mas, depois de tudo pelo que haviam passado, simplesmente não fazia sentido. Por um segundo desejou esquecer o passado, viver a promessa que fizeram de nunca mais deixar que nada os separasse outra vez. Promessas não foram feitas para serem quebradas, então por que o destino os fazia quebrar aquela tantas vezes?
Talvez tivesse se esforçado tanto para esquecê-lo que se esquecera do porquê de precisar fazê-lo, porque naquele momento não conseguia se lembrar. Em algum instante daquele dia acabara se perdendo. Olhando para a face adormecida de Natsu tudo o que conseguia sentir era a saudade sufocando seu coração. Seus olhos marejados voltaram-se para a mão quente do garoto, envolta pelas suas próprias.
— Por que eu sempre escolho os caras errados? — perguntou a si mesma.
Por alguma razão, era uma viciada em acolher o amor daqueles que só a fariam sofrer. Não apenas a respeito de homens, mas sua vida toda se baseara naquilo. Sua mãe, seu pai, Ryan, Natsu. Teria sido muito mais fácil se jamais tivesse conhecido o sentimento que aquelas pessoas lhe trouxeram, porque mais tarde tudo o que restaria era dor. Então, se lembrou do que Natsu lhe dissera uma vez. “O amor não é doloroso. Perdê-lo, é.”. Sabia que aquilo podia até ser verdade, contudo, não se pode perder o que nunca teve, dessa forma evitando o sofrimento. E sinceramente não aguentava mais apenas perder o amor das pessoas.
Seu olhar voltou-se outra vez para o rosto de Natsu, notando um pequeno corte no lado direito de seu rosto. Não se lembrava de tê-lo visto antes, e nem de como ele havia surgido, porém não se prendeu muito a essa questão. Pegou um lenço guardado na primeira gaveta do criado-mudo e limpou o filete de sangue, sentindo que a pele da face de Natsu encontrava-se um pouco áspera, devido à barba que começava a crescer, ainda que fosse imperceptível aos olhos. O rapaz a mantinha constantemente muito bem aparada, fazendo-a passar quase sempre despercebida. Lucy algumas vezes até brincava, pedindo-o para deixar que ela crescesse, pois nunca havia visto nenhum homem de barba rosa, e ele rebatia, falando que já era estranho o suficiente ter o cabelo rosa, se tivesse uma barba também as pessoas iriam acabar parando-o na rua para tirar fotos de algo tão inusitado. A lembrança a fez sorrir fracamente.
— Por que você teve que fazer o que fez, Natsu? — questionou, acariciando a face do garoto. — Depois de te conhecer melhor, eu passei a pensar que você era a pessoa mais confiável na minha vida, e demorou até que eu conseguisse confiar em alguém outra vez. Você tinha que atingir exatamente esse ponto mais vulnerável? Dói tanto pensar em como as coisas costumavam ser. Agora nós temos problemas, e eu tenho medo de que não consigamos resolvê-los.
Sem que percebesse, havia lágrimas escorrendo pelo seu rosto, caindo no peito desnudo de Natsu. Gostaria de pensar que sim, que conseguiriam resolver aquela situação toda, que pudessem voltar e lembrar pelo que estavam lutando. Só que nenhuma das saídas que via era isenta de sofrimento.
Debaixo de sua mão, sentiu o rosto de Natsu se mover. A respiração e os batimentos cardíacos do garoto aceleraram intensamente, começando a deixá-la preocupada. Com uma voz extremamente baixa e carregada de dor, como se pedisse por socorro, ele sussurrou:
— Lucy...
Sem pensar, a loira segurou sua mão e encostou sua testa na dele, tentando transmitir segurança.
— Eu estou aqui — aparentemente funcionara, pois ele voltara ao normal poucos segundos depois. Lucy não tinha certeza, mas pensou tê-lo visto abrindo os olhos alguns milímetros e sorrindo fracamente. — Estou aqui.
Aquilo era demais para ela. Estava começando a se sentir sufocada. Não aguentaria muito mais tempo perto de Natsu, portanto saiu do quarto. Assim que pisou na sala, precisou se apoiar no balcão que a dividia à cozinha para que não acabasse desmaiando ou colocando para fora o que comera no café da manhã.
Tudo o que havia guardado desde que saíra daquele apartamento pela última vez, todas as lágrimas que impediu de caírem durante aquelas semanas, tudo veio à tona no instante em que pisou fora do quarto.
Sentia saudades de todos os momentos bons, de toda a alegria que costumava sentir quando voltou a Magnólia, de Natsu, de rir ao lado dele; sentia medo, pela possibilidade de que algo muito mais sério tivesse acontecido a ele e ela sequer tivesse tido a chance de resolver as coisas, de modo bom ou ruim; mas, acima de tudo, sentia arrependimento, porque a todo instante uma parte dela lhe dizia que a culpa daquilo tudo estar acontecendo era dela própria, que nunca deveria ter desligado o telefone como fizera na discussão que o levou a se embebedar e cometer a besteira que os separou.
Natsu pensava que ela o odiava, e uma parte de si talvez realmente o fizesse, mas não naquele momento, quando sentia demais a falta dele para que sentisse raiva. Não, odiava muito mais a si própria, pelos erros que cometeu. Talvez fosse apenas sua mente tentando enganá-la, tentando encontrar uma forma de livrar Natsu da culpa, sendo ele o único culpado, e de resolver as coisas de forma muito mais fácil, contudo, era o que estava sentindo.
— Ei, tudo bem? — Gray perguntou, andando a passos apressados em direção a loira.
— Não. Nem um pouco — a enchente de lágrimas sufocava sua voz, tornando difícil responder à pergunta. O moreno a ajudou a caminhar até o sofá. — Eu te disse, Gray. Te disse que eu iria fraquejar no instante em que o visse.
Ele a abraçou protetoramente, como um irmão mais velho que protege sua irmãzinha. Lucy aceitou o gesto, escondendo seu rosto na camisa de Gray.
— Não quer esperar até que ele acorde, para resolver tudo isso de uma vez por todas?
— Não. Eu não estou pronta para isso — respondeu, afastando-se alguns centímetros.
— Você nunca vai estar, Lucy. Não é algo para o qual você consegue se preparar. Tem mesmo certeza de que não quer?
— Tenho. No momento tudo o que eu quero é ir para casa.
— Essa é sua casa. E, de qualquer forma, eu não vou deixar você ir embora por conta própria nesse estado. Me deixe pelo menos chamar um táxi.
— Pode me fazer um favor? — a loira pediu. Gray acenou positivamente. — Se Natsu não se lembrar, não o diga que eu estive aqui, ou que o encontrei.
— Por que?
— É melhor assim.
— Lucy, você sabe que não vai poder fugir disso para sempre.
Ela sabia, sabia muito bem. Seus sentimentos eram confusos. Por um lado, queria resolver logo aquela história; mas, por outro, pretendia adiar o quanto fosse possível, pois estava morrendo de medo do veredito final.
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