Onde Tem Ódio Tem Amor
39 Um beijo à luz do luar
Notas iniciais
19h da noite e nem um sinal sequer de Lucy. O garoto já se encontrava impaciente esperando na sala do pequeno apartamento. Não era para menos. Esperava-a ali há mais de meia hora, perguntando-se o porquê de toda aquela demora. Ele mesmo demorava menos de quinze minutos entre tomar banho e se vestir. A sua vista, aquela parecia uma tarefa tão simples.
Suas pernas se moviam de forma incessante, batendo a frente da sola do sapato no piso. Conferia o relógio do celular de minuto em minuto. Além do mais, aquela roupa estava lhe incomodando, o smoking preto e a gravata borboleta de mesma cor. Nunca fora de gostar de se vestir de maneira formal. Uma camiseta e uma bermuda ou calça estavam ótimos. Mas não podia ir vestido daquela maneira a um baile.
― Ei, Lucy, estamos atrasados. ― Gritou.
― Tudo bem, já estou indo.
Assim que ele ouviu o barulho da porta se abrindo, se levantou e a olhou. Sua boca instantaneamente se abriu. “Perfeita” era uma palavra que ainda estava longe de conseguir descrevê-la. Mesmo a deusa da beleza Afrodite a teria invejado naquele momento. O vestido cor de vinho que ia até pouco a mais da metade de suas coxas, destacando seu corpo esbelto; o cabelo preso em um coque com algumas mechas enroladas soltas; o brinco de cristal; a maquiagem leve que realçava a cor de seus olhos. Tudo lhe recaía de forma tão perfeita que, aos olhos do rosado, Lucy parecia ter sido desenhada por anjos, ou por deuses.
― Natsu, há um pouco de baba escorrendo do canto da sua boca. ― Comentou brincando enquanto sorria levemente corada. Não havia nada, mas a cara de Natsu tornou impossível não dizer aquilo.
O garoto finalmente acordou do transe em que entrara a partir do momento em que a vira. Fechou a boca e andou dois passos, para poder examiná-la melhor.
― Eu não duvidaria nem um pouco de que isso é verdade. ― se aproximou mais alguns passos. Apenas dois não eram suficientes, precisava estar mais próximo. Olhou-a de cima a baixo e exclamou: ― Uau! Você está linda! Ainda mais do que o de costume.
Lucy corou. Seu rosto tomando um tom parecido com o do vestido.
― Você também. Fica bem de smoking.
― Esse negócio incomoda. Não é nem um pouco agradável. ― Natsu reclamou. ― Bem, temos que ir, senão chegaremos lá e o baile já terá acabado. Vamos? ― Perguntou, lhe oferecendo seu braço em L. Lucy aceitou.
― Vamos.
Mesmo atrasados, o casal desceu os degraus sem pressa nenhuma. Natsu havia alugado um carro para levá-los com o dinheiro que tinha guardado da mesada que ganhava de sua tia. Obrigação imposta pela justiça. Ela teria que sustentá-lo até que o garoto completasse os estudos. Ou seja, a partir do ano seguinte, ele teria que ganhar o próprio dinheiro para se sustentar, coisa que andava preocupando-o. Teria que estudar e trabalhar ao mesmo tempo, pois não queria passar o resto da vida preocupando-se com dinheiro. Queria ter uma profissão, se formar em alguma coisa, apesar de ainda não ter certeza de em que. Seu esporte não era tão popular no Japão para que pudesse tentar uma carreira profissional, e também não queria aquilo como trabalho. Era apenas um hobbie.
Ao chegarem à portaria do prédio, não passaram despercebidos ao Sr. Lopez, o porteiro do período da noite. Um senhor de pouco mais de cinquenta anos, levemente calvo, muito simpático e imigrante espanhol com descendência japonesa. Viera ao Japão reencontrar sua família e acabara ficando, porém o máximo que conseguira fora aquele emprego. Era um país cruel com estrangeiros não muito avantajados em se tratando de questões financeiras.
― Boa noite, senhor Dragneel, senhorita Heartfilia. Estão muito elegantes esta noite. ― Cumprimentou o senhor.
― Obrigada, senhor Lopez. ― Lucy agradeceu sorrindo.
― Posso perguntar onde estão indo?
― Baile de formatura. ― Natsu respondeu.
― Ah. Bem, divirtam-se.
Agradeceram e se despediram do homem. O carro os esperava parado bem em frente ao prédio. Natsu abriu a porta para Lucy do lado do passageiro e se dirigiu ao assento do motorista, para surpresa da garota.
― Não sabia que você dirigia.
― E dirijo muito bem, se quer saber.
Colocou o cinto, conferiu o retrovisor e ligou o motor. Fazia muito tempo que não dirigia, esperava ainda se lembrar de tudo. E não acabar ficando enjoado no meio do caminho, claro. Isso também era importante. Só havia acontecido uma vez em toda sua vida. Naquela ocasião, tivera que mudar seu trajeto e fazer uma visita ao hospital. Esperava não ter o azar de uma recaída bem naquela noite.
Para sorte de Natsu, isso não aconteceu. Em poucos minutos estava deixando Lucy na entrada do colégio para estacionar o carro. Não foi muito difícil achar uma vaga, mas esta ficava um pouco distante da entrada. Ao voltar, ofereceu novamente seu braço a Lucy, que novamente aceitou, e se puseram a andar em direção ao som alto.
A festa aconteceria no campo, ao ar livre. Um bar havia sido instalado em um dos cantos e caixas de som podiam ser vistas em cada um dos quatro cantos. O lugar estava cheio de estudantes. Alguns dançando, outros bebendo ou apenas parados em algum canto, conversando. Este último era o caso de Levy, Gray e Gajeel. Erza e Jellal, não estavam junto ao grupo. Dançavam muito próximos um do outro na pista de dança. E Juvia conversava com outras pessoas, recebendo por várias vezes olhares de Gray. E Natsu e Lucy logo se juntaram aos três.
― Até que enfim vocês chegaram. ― Gray reclamou, recostando-se no bar com as mãos nos bolsos. Assim como Natsu e a grande maioria dos homens ali, vestia smoking. Porém parecia muito mais relaxado do que os demais.
― Não enche, olhos caídos. ― Natsu retrucou.
― Lu-chan! Você está linda! ― Elogiou Levy, que vestia um vestido azul tomara que caía rodado. Gajeel permaneceu calado, tão relaxado quanto Gray.
― Obrigada, Levy-chan.
― Por que demoraram tanto? ― A pequena perguntou.
― Parece que atingir um nível perfeito de beleza demora um pouco. Não é, Lucy? ― O rosado respondeu, deixando novamente Lucy extremamente corada, e Levy os olhando com um olhar que sugeria coisas além do que ela falava.
A música que tocava até então havia acabado, iniciando-se uma nova outra. E, como se Natsu nunca tivesse dito nada, Lucy segurou sua mão e o puxou sem muita força, apenas para chamar sua atenção.
― Eu adoro essa música! Vamos dançar, Natsu.
― Hein? Mas nós acabamos de chegar. ― Reclamou preguiçosamente.
― Por favor. ― Pediu segurando a mão de Natsu com suas duas mãos e puxando-o novamente. O rosado bufou, mas cedeu, seguindo-a até a pista de dança. Como não ceder àquela expressão pidonha, afinal? Ele ao menos achava impossível.
Ela contornou o pescoço de Natsu com as mãos enquanto ele as colocou na cintura da loira, movendo-se lentamente ao ritmo da música.
― S-Sobre o que você disse. ― a loira começou a falar, desviando o olhar para que Natsu não visse seu rosto vermelho. ― Obrigada!
― Só disse a verdade. ― Respondeu, dando de ombros, como se fosse algo óbvio. Depois riu. ― Ei, Lucy, você fica muito fofa corada, sabia?
― C-Cala a boca.
Ela não sabia explicar exatamente o porquê, mas Natsu estava diferente aquela noite. De certa forma, ainda mais irresistível.
Na segunda música dançando, o casal fora interrompido por, para insatisfação do rosado, Loke.
― Me concede uma dança, senhorita? ― o ruivo perguntou, estendendo a mão.
― Não, ela não lhe concede nada. ― Natsu respondeu.
― Natsu! ― Lucy exclamou levemente irritada. Dirigiu-se ao garoto e lhe deu a sua resposta: ― Claro, Loke.
Tendo sido trocado por um ruivo engomadinho que odiava, o rosado voltou a se juntar a Levy e Gray. Pediu uma bebida no bar e se sentou ao lado de Levy. Gajeel havia sumido, não estava mais com os dois.
― Parece que você foi trocado, cara. ― Gray o provocou.
― Cala a boca, Gray. ― O rosado respondeu e resmungou baixo: ― Aquele idiota...
― Natsu, você nunca me disse o porquê de você e Loke brigarem tanto um com o outro. ― Levy comentou.
― Essa é fácil. ― disse Gray. ― Loke pegou sua namorada atrás das arquibancadas uma vez em uma situação meio comprometedora com o Natsu.
― Situação meio comprometedora... ? ― Levy repetiu lentamente.
― É. Sabe, quase se comendo.
― Sim, eu entendi, Gray. Não precisava explicar. Mas não acredito que você fez isso, Natsu.
― Eu não tenho culpa se a garota era inteligente e preferiu a mim a esse magrelo. E isso foi há muito tempo. Há dois anos. Ele é quem nunca esqueceu essa história. ― Natsu bebeu um gole de sua bebida, olhando fixamente para Lucy e Loke na pista de dança. ― E agora ele faz de tudo para me irritar. Olhem isso, por que está tão grudado nela? A música é agitada! ― Levy riu da reação de Natsu. ― E agora está sussurrando no ouvido da Lucy! Esse cara é um abusado! Vou dar um jeito nisso já!
Natsu largou a bebida em cima do balcão e deu um passo, sendo interrompido pela voz de Levy.
― Parece que temos alguém com ciúmes aqui. ― Comentou. Gray sorriu de canto, concordando.
― Só estou indo tomar o que é meu. ― Natsu respondeu com os braços abertos. ― Ou devo ficar vendo aquele idiota dando em cima da garota que eu amo sem fazer nada?
Ah, aquelas palavras saindo da boca de Natsu realmente surpreenderam Levy e Gray. O moreno fingiu uma crise de tosse ao ouvi-las, e Levy se levantou, sorrindo.
― O que você disse, Natsu?
― É, é isso mesmo que vocês ouviram. Eu amo a Lucy.
Levy procurou seu celular na pequena bolsa que carregava e ligou a câmera. Definitivamente precisava guardar aquele momento.
― Pode repetir isso?
O rosado revirou a cabeça, mas repetiu.
― Eu AMO a Lucy. Amo aquela garota problemática, atrapalhada e azarada. Amo quando ela sorri, ou quando cora com algo que eu digo. Amo sua voz, seu rosto, seu jeito. Simplesmente a amo, ok?! Satisfeita?! Agora posso ir até lá e tirá-la de perto daquele engomadinho?!
― Pode, claro. ― Levy respondeu, totalmente satisfeita.
Natsu bufou e acelerou o passo, empurrando todos que estavam em seu caminho para chegar até Loke e Lucy. E, quando finalmente se aproximou dos dois, afastou o garoto da loira com a mão.
― Ok, acabou seu tempo.
― Não me lembro de ter estipulado um tempo. ― Loke respondeu.
― Pediu uma música. Sua música já está no fim.
― Mas ainda não acabou. Lucy ainda é minha.
― Não. Não é. ― Natsu retrucou, irritado. E Lucy, ao perceber o clima tenso que pairava por ali, se intrometeu.
― Ei, vocês, parem com isso. Não querem causar confusão no meio do baile, não é?
Loke se afastou.
― Está certa, Lucy. Não vale a pena estragar esta bela noite.
Natsu encarou-o até que ele sumisse de vista. Tomou Lucy novamente para si, puxando-a pela cintura e repousando suas mãos ali. A garota retribuiu, envolvendo novamente o pescoço do rosado. Uma nova música se iniciara, já muito conhecida por Natsu. E perfeita para aquela noite.
― Não era você quem há pouco tempo não queria dançar? ― Lucy perguntou.
― Mudei de ideia.
― Você é muito estressado, Natsu. ― A loira comentou, a respeito do comportamento do garoto.
― Eu não. Ele é que é um idiota que me tira do sério.
― E o que ele fez para te deixar tão irritado? ― Perguntou novamente.
― Viu o modo como ele te agarrava? Como ficou sussurrando no seu ouvido?
― Ele pelo menos tem uma pegada melhor do que a sua, sabia? ― A loira o provocou.
― Aposto que não.
― Como pode ter tanta certeza disso?
― É bem simples. Tenho a certeza baseando-a em alguns fatos.
― É? Que fatos?
― Esses: Ele por acaso consegue te deixar tão arrepiada quanto eu com apenas um toque? ― deslizou a mão direita por sobre o vestido de Lucy apenas alguns centímetros. ― Consegue mexer com você do jeito que eu mexo? Consegue provocar tantos sentimentos quanto eu ao fazer isso...
Completou sua fala com um ato inesperado: Beijou-a. Um beijo lento, calmo, porém tão intenso quanto seus sentimentos. Invadiu a boca de Lucy e nem sequer houve resistência por parte dela para impedir essa invasão. Simplesmente deixou-o entrar e aproveitou-se do calor que ele lhe proporcionava. Sentiu seu coração disparar e tudo ao redor dos dois congelar. Apenas um beijo à luz do luar
Uma guerra entre suas línguas se iniciou. E ela a perdia com muito prazer. Gostava de tê-lo dominando a situação, do modo como com aquele gesto ele a fazia sentir-se como se estivesse nas nuvens. Perderam a noção de quanto tempo aquele beijo durou. Talvez mais de um minuto. Não se importaram com isso. Quando Natsu se afastou, levou sua boca até o ouvido de Lucy, os dois ainda movendo-se ao ritmo da música. Ela sorriu com o rosto encostado no ombro de Natsu, e, mesmo que ele não pudesse vê-la, sabia que ela sorria.
― Você planejou isso, não é? A música e o beijo.
― Uma completa coincidência, eu juro.
― Sei... E por acaso irá repetir essa “coincidência” no refrão? ― A loira perguntou. Seu tom de voz parecia ansiar por uma resposta positiva.
― “So baby i’m alright with just a kiss goodnight” ― Cantou junto com a música, ao mesmo tempo respondendo à pergunta da loira. ― Por que? Gostaria que ela se repetisse? ― Perguntou sorrindo.
― Foi apenas uma pergunta.
― Claro... ― O rosado olhou disfarçadamente para o local onde se localizava o bar, ainda com a boca próxima do ouvido de Lucy. Levy e Gray olhavam para os dois enquanto sorriam e cochichavam coisas um para o outro. ― Há dois stalkers curiosos nos espionando do bar. ― Lucy riu, sabendo muito bem quem eram aqueles dois stalkers. ― E agora Gray está fazendo sinal de positivo com as duas mãos enquanto olha para cá rindo...
― Idiota. ― Lucy comentou, ainda sorrindo.
― Sim. Muito idiota.
― Natsu ― o chamou afastando seu rosto. ―, você percebeu que a música acabou, não é?
― Sim, percebi. Apenas não queria interromper o momento. ― Ele sorriu e também se afastou, segurando a mão de Lucy. ― Está com sede?
Lucy assentiu e o seguiu até o bar, onde Levy e Gray os encaravam sorrindo maliciosamente. Depois da cena que presenciaram, Natsu e Lucy não teriam nem mais o privilégio de negar que nutriam sentimentos um pelo outro. Não comentaram nada sobre o assunto durante um bom tempo, porém. E logo Gray os deixara para tentar convidar Juvia para uma dança, que foi incrivelmente aceita pela mesma. Juvia andava evitando o moreno e estava cada vez mais próxima de Lyon, antigo amigo de infância de Fuulbuster. Somente após isso ele percebeu que realmente gostava da garota de cabelos azuis. Um pouco tarde demais.
Até o fim da festa, o casal se alternou entre danças e paradas no bar para reidratar o corpo. Depois, enquanto a última música tocava, Natsu pediu para que Lucy o seguisse até um local mais vazio utilizando a desculpa de que ali possuía uma vista melhor da “surpresa” presente em todas as festas de formatura do Fairy Tail High School.
O tal lugar era um pequeno morro localizado perto do campo. Não havia ninguém mais ali além dos dois, e dali podia-se ver todo o campo. Sentaram-se na grama, esperando pela “surpresa”.
― O que é, Natsu? ― Perguntou pela milésima vez, irritada por Natsu não lhe contar.
― Eu já disse. Você irá ver. ― olhou de relance para a garota. Os pelos de seu braço estavam levemente arrepiados. ― Está com frio?
― Um pouco.
Natsu tirou o casaco do smoking e o colocou sobre os ombros de Lucy, tentando aquecê-la. Não sentia muito frio após ter se movimentado tanto, não fazia diferença para ele.
― Obrigada. ― A garota agradeceu olhando nos olhos de Natsu e sorrindo, prendendo-o novamente em seus orbes castanhos.
Um barulho alto de algo que se parecia com uma explosão foi ouvido ali por perto, movendo a atenção de Lucy. E este barulho logo se seguiu de outro. E outro. E outro. E logo o céu inteiro naquela região estava iluminado por diferentes cores de fogos de artifício. Uma chuva de cores misturadas entre amarelo, vermelho, verde, azul, roxo, prata, etc.
― Então era isso? ― Lucy perguntou sorrindo.
― Sim. Todos os anos eu subia até o terraço do prédio em que morava com a minha tia e ficava admirando isso, me perguntando como seria quando chegasse a minha vez.
― É bonito. ― A loira comentou, deitando a cabeça no ombro de Natsu enquanto observava os fogos.
― É. É sim. ― Ele concordou, olhando-a pelo canto do olho. Mas não falava exatamente da chuva de fogos de artifício...
Ficaram em silêncio e imóveis até que o espetáculo acabasse. E então Lucy repentinamente perguntou:
― Como foi?
― O que?
― A sua vez. Você disse que ficava se perguntando como seria. Agora que chegou, como está sendo?
Natsu sorriu e deu um fraco riso, movendo o olhar para o céu e procurando a resposta, que por acaso sabia muito bem qual era.
― Perfeita.
***
Quando chegaram ao apartamento, Natsu entrou primeiro. Seu coração batia muito mais rápido do que o normal. Estava com medo. E ansioso. E nervoso. E com medo. Mas, apesar de tudo isso, não iria desistir. Iria levar o que havia planejado até o fim.
― Tenho que admitir, foi uma noite ótima. ― Lucy comentou, jogando o casaco sobre o sofá. Natsu fez o mesmo com a gravata. Virou-se e a olhou.
― Concordo. Mas corrigiria uma coisa aí.
― O que? ― A garota perguntou arqueando a sobrancelha.
Natsu deu dois passos na direção de Lucy e parou em frente a ela.
― A noite não acabou. Na verdade, ela mal começou.
Ele colocou suas mãos na cintura da loira, aproximou seu rosto do dela, inclinou levemente a cabeça e a beijou.
De início ela não sabia exatamente o que fazer. Com os dois sozinhos ali ele a pegara desprevenida. Sentia-se muito mais vulnerável do que quando ele a beijou horas atrás, na frente de tantas pessoas. Mas, apesar disso, retribuiu o beijo, levando as mãos aos ombros de Natsu.
O que começou como um beijo calmo, totalmente sem pressa, se tornou em algo necessitado e urgente, com intensidade ainda maior. Um beijo quente. Lucy mal percebeu quando suas mãos foram parar no meio dos fios rosados do cabelo de Natsu; ou quando as dele grudaram-na ao seu corpo, prendendo-a a ele.
A passos curtos, ele a levou até próximo à porta do quarto da loira e a prensou na parede entre as duas portas, a do quarto e a do banheiro. Sua mão direita desceu lentamente até a coxa da loira, apertando-a de leve e arrancando um baixo gemido da garota.
Afastaram os lábios, ofegantes, para buscar recuperar o ar perdido após aquele beijo, porém continuaram com as testas coladas. Lucy moveu o olhar para baixo, para os botões na camisa de Natsu. Sua mão deslizou pelo rosto de Natsu, encostando o polegar nos lábios rosados do garoto; continuou descendo, passando pelo seu pescoço e parando nos botões da camisa.
Ambos sabiam aonde aquilo iria os levar se continuassem. E, cada um por seus motivos, temiam o que viria a seguir tanto quanto ansiavam por isso.
― Tem certeza disso? ― Ele a olhou nos olhos e perguntou para ter a certeza de que estariam livres de qualquer futuro arrependimento. Ela, que até então mantinha seu olhar fixo nos botões da camisa de Natsu, moveu seu olhar para os olhos dele.
Pensou por alguns segundos, acenou positivamente e respondeu:
― Sim.
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