Onde Tem Ódio Tem Amor
22 O início do plano
Notas iniciais
Capitulo mais cedo de novo. Eu disse que iria me esforçar para trazê-los mais cedo, então...
Boa leitura!
― Está tudo bem mesmo? Sem ressentimentos? ― A loira perguntou, pegando com o garfo um pedaço de pizza do prato a sua frente.
Natsu passara a manhã inteira trancado dentro do seu quarto, sem dar sinal de vida, saindo somente na hora do almoço, sendo vencido pela fome. Além do que, na noite anterior, depois de voltar para casa totalmente encharcado dos pés à cabeça, não dirigiu mais nenhuma palavra à Lucy. Fatos estes que a deixaram preocupada.
― Por que eu teria algum?
― Você está estranho. E te conhecendo, achei que ficaria mais irritado por causa da discussão de ontem, e que não me perdoaria tão facilmente. O que aconteceu?
― Não aconteceu nada.
― Não. Tenho certeza de que algo aconteceu. O Natsu que eu conheço não me perdoaria tão facilmente.
― Talvez então seja você que não me conhece tão bem assim.
Não era essa uma verdade. Lucy sabia muitas coisas sobre aquele garoto de estranhos cabelos rosados sentado na cadeira a sua frente. Sabia que ele contava com seus dezenove anos, assim como ela; sabia que seus pais haviam morrido em um incêndio causado por ele próprio, quando criança; sabia que ele era do tipo que se importava mais com curtir a vida do que com planos para o futuro; e sabia também sobre o fato mais estranho a respeito de Natsu: sua imunidade ao fogo.
― Não aconteceu mesmo nada? ― Perguntou com um ar duvidoso.
― Certo, quer mesmo saber? ― Lucy assentiu. ― Eu apenas pensei um pouco.
― Pensou? Como assim? E você pensando? Essa é nova...
― Sim. ― respondeu, ignorando a provocação da loira. ― Deve ter tido algum motivo para você ficar daquele jeito, e embora eu tenha ficado sim irritado por você ter me tratado como tratou, não fiquei realmente bravo. Você tinha um motivo, não é? ― Lucy assentiu meio relutante. Não queria que Natsu soubesse sobre sua história, e esse foi um dos principais motivos que a fez ficar tão irritada com o rosado, no dia anterior. ― Então, eu seria idiota se ficasse ressentido por isso.
De certa forma, Natsu estava sendo muito... maduro? Ele havia pensado na situação da loira, e procurou entendê-la. Uma atitude muito madura, realmente. Nunca esperaria algo assim vindo daquele garoto. Não dele.
― Tudo bem... ― Disse, se levantando com o prato e o colocando dentro da pia.
― Vamos esquecer o dia de ontem, pode ser? ― Sugeriu Natsu, também se levantando.
― Tá, pode ser. Uma última pergunta: Para onde você foi ontem?
― Só fiquei andando.
― Com aquela chuva?
― É, por que não? Andar sob a chuva às vezes pode ser muito bom, sabia? Lava a mente.
― Sei...
― E Lucy?
― Sim?
― Hoje é seu dia de lavar a louça. ― Disse o rosado, já voltando para o seu quarto.
― Acho que seria um bom pedido de desculpas se você trocasse de lugar comigo.
― Não mesmo.
O clima, antes sério, foi substituído por outro mais descontraído, a prova disso eram as risadas de Natsu e Lucy. Porém, logo este clima bom se transformaria em outro, cheio de preocupação.
Enquanto caminhava, Natsu sentiu uma dor lancinante e quase insuportável. Sua cabeça era o principal foco, porém aquela sensação estava sendo sentida por todo o seu corpo. Seus pés não aguentaram seu peso e seus joelhos logo bateram bruscamente no piso de mármore. Colocou as mãos sobre a cabeça, a pressionando, como se tentasse diminuir o que sentia. A dor era forte demais, nunca sentira nada parecido antes em toda sua vida.
― Natsu!
Lucy, ao ver o estado do garoto, largou o guardanapo com o qual enxugava as mãos em cima da pia e correu para socorrê-lo. Já ele, não prestava atenção em nada que acontecia ao seu redor. Sua visão estava turva, não conseguia ouvir nenhum som vindo do ambiente em que estava, apenas uma voz, e não era a de Lucy. A voz dizia “Me ajude.”, nada mais, e era a mesma que escutou certa vez, em um pesadelo totalmente estranho que teve, quando estava em Nagoya.
Caiu ainda mais, apoiando os cotovelos no chão. Fechou os olhos, pressionando as pálpebras com força. Sentia Lucy ao seu lado, o chamando, porém ele não respondia, nem ao menos dava atenção. Aos poucos a dor diminuía, até desaparecer por completo, deixando-o ofegante e com a garganta seca. Abriu novamente os olhos. Sua visão ainda estava um pouco turva, mas melhor do que antes.
Com um pouco de esforço ― e também com a ajuda de Lucy ― se sentou, apoiando as costas no parte de trás do sofá. Olhou para o teto, se perguntando o que acabara de acontecer com ele.
― O que foi isso, Natsu? ― Lucy perguntou, o olhando preocupada. No momento em que viu o estado do rosado, segundos antes, entrou em pânico. Natsu, após aparentemente ter melhorado, estava pálido e tremia.
― Eu não sei. ― Respondeu com um pouco de dificuldade. Resquícios da dor que sentira ainda o perturbavam.
― Vamos, vou te levar ao hospital. ― Disse, começando a se levantar, porém, o rosado segurou seu punho.
― Não, eu já estou bem, não é necessário.
― É claro que é! Você quase desmaiou!
― Eu estou bem, sério.
Lucy, vendo que não adiantaria insistir, cedeu, ainda que achasse melhor o rosado visitar um médico. Porém, não podia obrigá-lo.
― Fique aí, vou pegar um copo de água para você.
O rosado assentiu. Sua respiração já estava quase estabilizada. O que aconteceu fora muito estranho, realmente, mas após toda aquela sensação ruim passar, se sentia como antes. Não iria de forma alguma contar para Lucy sobre aquela voz, era loucura. Ele deveria estar enlouquecendo. Mas nunca se sentiu tão são. Além do que, aquela voz era real, não uma alucinação.
(...)
Já era quase fim de tarde, a noite aconteceria a festa de aniversário de Erza, e ela havia convidado tanto Natsu, quanto Lucy.
― Tem certeza de que está bem o suficiente para ir, Natsu? ― Lucy perguntou, apenas esperando o rosado terminar de se arrumar para saírem.
― Nunca me senti tão bem, Lucy.
― Eu não sei se é uma boa ideia. Você deveria ficar em casa e descansar.
― E perder a festa da Erza? Não mesmo! ― Disse, terminando de arrumar a camisa. ― Vamos.
A manhã para o rosado não fora muito agradável, ainda mais após sentir uma dor tão intensa quanto a que sentiu, mas a tarde havia sido muito boa, com direito a uma Lucy preocupada e cuidando dele o tempo todo, coisa que adorava. A festa a noite só poderia deixar o dia melhor; e tudo continuaria muito bem, se não tivessem encontrado Sting no corredor.
― Ei, Lucy, aonde vai tão linda assim? ― O loiro perguntou, assim que botou os olhos em Lucy.
― Obrigada. À festa da Erza. Ela te convidou também, não é? ― Sting, além de ter se aproximado mais de Lucy, ficara próximo de todos os seus amigos, com exceção de Natsu e Gray, claro. ― Você não vai?
― Não vai rolar. Mas divirtam-se por mim.
― Ok, te vejo amanhã, então.
Natsu comemorava interiormente por não ter que se preocupar com um loiro abusado perto da sua Lucy naquela noite. A tal festa seria muito melhor sem a presença do garoto que tanto odiava, e que, por algum motivo, lhe enchia de preocupação quando se aproximava de Lucy.
(...)
O salão de festas da casa de Erza estava lotado. Havia pessoas ali que Natsu jurava nunca ter visto antes em toda sua vida, isso levando em consideração que Erza era uma amiga muito antiga, a conhecia desde o dia em que se mudara para Magnólia, o mesmo dia em que conheceu Gray.
― Natsu, Lucy! Que bom que vieram! ― A ruiva disse, os recepcionando. Após ambos terem dado os parabéns a anfitriã, Natsu continuou a observar a lotação daquele lugar. Algumas pessoas dançavam ao som da música agitada, outros comiam ou conversavam. Mas dentre todos que estavam ali, o garoto tinha certeza de que conhecia menos de 10%.
― Erza, não há pessoas demais aqui? ― O rosado perguntou.
― Sim, eu não sei de onde surgiram tantos convidados, a lista não passava de cem, talvez até menos. Acho que as coisas... saíram um pouco do controle. Bem, de qualquer forma, aproveitem.
Provavelmente os convidados em excesso eram penetras, que entraram sem que os seguranças percebessem.
Logo Lucy encontrou Levy, e após três copos de bebida, Natsu já nem se importava mais com as duas. Conversava com outras pessoas, ou dançava animadamente na pista de dança com outras mulheres, enquanto Levy e Lucy o observavam, murmurando coisas como “o Natsu não tem jeito mesmo”, para decepção de Lucy. Talvez, muito no fundo... quisesse que o rosado a chamasse para dançar. Porém, como ele não o fazia, apenas conversava com outras pessoas e bebia.
― Boa noite, senhoritas.
Um garoto, aparentemente vinte anos, ou menos, se aproximou. Estatura mediana, cabelos castanhos e olhos de mesma cor. Era até muito bonito. Segurava dois copos de bebida na mão, e não deveriam ser dele, afinal não dava nem um gole.
Começou a conversar com as duas garotas, era simpático também, e engraçado. Não demonstrava ter interesse nas duas, parecia apenas buscar por uma distração, uma conversa que fosse que pudesse animar a noite.
Ofereceu a bebida que segurava às duas. Lucy aceitou, ao contrário de Levy. O gosto que o líquido possuía era estranho, diferente das bebidas que provara antes, mas era bom.
― Levy, eu já volto. ― A loira disse, estava se sentindo um pouco mal, zonza.
O corredor onde ficava o banheiro estava vazio. A loira realmente não se sentia muito bem. Talvez tivesse exagerado na bebida, estava sentindo como se estivesse bêbada. Porém tinha certeza de que não havia exagerado tanto.
― Lucy, onde você estava? Eu te procurei em todo canto. ― Era aquela voz tão conhecida por ela: A voz de Natsu. Lucy ainda segurava o copo, e o deixou cair quando cambaleou para o lado. Teria caído também se Natsu não a tivesse segurado pelo braço. ― Você está bêbada?
― Não... ― Respondeu mole, aumentando a desconfiança do rosado. Ela com certeza estava bêbada, e não seria nada bom se voltasse para a festa naquele estado.
― Vem comigo. ― Disse, jogando Lucy em cima de seu ombro, não dando escolhas a ela.
― Natsu! Me solta.
― Sabia que não deve exagerar na bebida, Lucy?
― Eu não exagerei.
― Sei, estou vendo.
Natsu a levou até o banheiro, colocando-a sentada na pia. Ela começava a sentir enjoos, e a claridade incomodava seus olhos. Sentia também calor, muito calor. O garoto pegou a toalha de rosto e a molhou na pia, passando-a no rosto de Lucy cuidadosamente.
Lucy não conseguiu conter a inquietação em seu estômago por muito tempo. Aliviou-se ao perceber que Natsu notou rapidamente o estado da loira e a ajudou a chegar ao vaso sanitário.
― Parece que não estamos com muita sorte hoje. ― O rosado comentou, quando Lucy já estava melhor, apesar de continuar muito zonza.
― Natsu, Lucy, o que aconteceu? ― Perguntou Erza, vendo o estado em que a loira se encontrava. A anfitriã estava indo até o seu quarto quando viu a porta do banheiro aberta e os dois lá dentro.
Para tirar o gosto ruim da boca, a loira se levantou e caminhou até a pia, com a ajuda de Natsu, já que quase não conseguia se manter em pé.
― Lucy está passando mal, achei que fosse a bebida, mas não tenho mais certeza. Erza, será que ela poderia passar a noite aqui? O apartamento é perto, mas acho que ela não irá conseguir caminhar até lá bem, mesmo com ajuda. Não vale a pena chamar um táxi e não há ônibus que façam esse trajeto a essa hora.
― Claro, sem problemas.
Natsu a carregou até o quarto, onde Erza preparou uma cama improvisada para a loira. Ele a deitou no colchão colocado no chão, tirando os sapatos da loira e colocando um travesseiro sob sua cabeça e um lençol sobre seu corpo. Ela ainda não se sentia bem, seu estômago continuava inquieto, e a tontura não havia passado.
― Vou chamar a Levy, as duas estavam conversando antes, acho que ela pode estar preocupada. ― Erza disse, antes de se retirar do quarto.
O rosado se sentou ao lado de Lucy, tenso e a olhando preocupado. No início da tarde, havia sido ela quem se encheu de preocupação por causa dele. A situação se invertera.
― Como está se sentindo?
― Zonza, com ânsia e nada bem. ― Respondeu com dificuldade. Àquela altura, Erza já havia voltado com Levy.
― Erza, tenho quase certeza de que ela foi drogada.
― Drogada? Como assim? ― Perguntou Levy, tão preocupada quanto Natsu.
― Olhe para ela! Está tonta, com ânsia, mas continua tendo noção das coisas que acontecem! Ela sabe o que está fazendo e dizendo, não está bêbada.
― Como assim me drogaram? ― Disse com os olhos fechados, assustada com o que Natsu dissera.
― Mas como... ? ― Começou Erza.
― Não sei, talvez tenha tomado algo. Levy, sabe de alguma coisa?
― Um cara ofereceu bebida a nós duas, eu não aceitei, mas a Lucy...
Natsu se levantou em um salto, com raiva daquele que colocara drogas na bebida de Lucy. Não conseguia pensar no porquê de alguém querer drogá-la... ou talvez sabia, ou melhor, sabia quem poderia querer aquilo. Mas aquela era uma possibilidade quase improvável, ou pelo menos pensava que era.
― Com certeza a drogaram! Levy, como era esse cara?
Levy o descreveu, porém o garoto não foi encontrado na festa. Provavelmente havia ido embora. Não importava, no dia seguinte o rosado acertaria as contas com aquele que pensava ser o culpado por tudo aquilo. No dia seguinte, claro, porque nem em sonhos deixaria Lucy sozinha naquela noite.
(...)
― Como assim você falhou?! ... Ah, aquele idiota de cabelos rosa sempre atrapalhando tudo, quando puder vou acabar com ele... Eu sei que temos que agir com calma, mas já demoramos demais... Esse pode ser um negócio milionário, tem noção da quantidade de dinheiro que aquela família tem?! Muito cara! Muito! E eu estou ansioso para botar a mão nesse dinheiro. Bem, já que vocês incompetentes não conseguem fazer nada, deixem isso comigo. Logo estaremos nadando em um mar de grana!
Notas finais
Reviews? Please? Digam o que acharam do capitulo, por favor! Uma palavra que seja, mas digam, ok? São muito importante.
É isso pessoal, quero ver todo mundo nos reviews, hein, hum.
Até o próximo o/
Fale com o autor