Notas iniciais
Olá! :D Capítulo dedicado à Hinatinha pela recomendação. Muito obrigada!!! Pessoal, acho que acabei deixando uma coisa não muito clara quando falei da segunda temporada. Vi que muitas pessoas ficaram com medo de que na segunda temporada Natsu e Lucy ainda não fossem um casal. Fiquem tranquilos, eu não vou fazer vocês esperarem mais 40 capítulos para ver esses dois juntos, kkk. Até eu não aguento mais esperar para ver os dois como um casal! rs. A segunda temporada será focada, principalmente (haverá outras coisas. Muitas outras. Diríamos que essa temporada está 90% planejada e possivelmente será maior que a primeira), nos mistérios que envolvem o Natsu. Os pesadelos, suas dores, a voz que ele escuta, sua imunidade ao fogo, etc. Será basicamente o tema principal. Se Natsu e Lucy terão ainda muitos problemas envolvendo o casal? Com certeza! Mas será de uma forma diferente. Fiquem tranquilos, eu sei que esperar demais cansa, não vou fazer vocês esperarem tanto, kkk. Sobre esse capítulo: Ele é muito importante para a fic por um motivo que não irei contar ;) kkk. Bem, acho que é isso. Boa leitura! E finalmente um capítulo betado o/

Durante as semanas que se seguiram, Lucy mudara completamente. Tornara-se mais fria, mais solitária. Recusava a companhia de qualquer um, até mesmo de Levy e Natsu. Todas as vezes em que alguém tentava iniciar uma conversa, a loira apenas trocava três ou quatro palavras e encontrava um jeito de encerrá-la o mais rápido possível. Passara a se sentar nas carteiras mais próximas à frente da sala durante as aulas, longe dos amigos; e no horário de almoço se isolava em locais diferentes. Ficava até mais tarde no colégio, estudando ou escrevendo. Era tudo o que fazia para se distrair: Estudar e escrever. Natsu mal a via mais devido a isso e aos treinos de Rugby.

Nas primeiras semanas, o rosado também não tentara forçá-la a conversar. Imaginava que aquele comportamento se devia ao período de luto. Além do mais, aquilo com certeza estava sendo muito mais difícil para Lucy do que seria para uma pessoa comum, após tudo pelo que ela passara. Obviamente a recuperação seria mais lenta. Mas não se podia negar que a preocupação de seus amigos para com a loira apenas aumentava a cada semana que se passava. E após três meses vivendo naquela situação essa preocupação atingira seu limite.

Para Natsu, aquilo já havia ido longe demais, e apenas não discutira com Lucy por causa de sua atitude por insistência de Levy, que lhe dizia para dar mais tempo à loira, para que ele a deixasse voltar a ser quem era por conta própria. Mas após aqueles três meses, Levy passara a concordar com o rosado, e a isso se deveu seu pedido a ele.

No horário da saída, após Natsu ter acabado de atravessar o portão, a pequena garota de cabelos azuis o chamou e o parou, correndo em sua direção.

― O que foi, Levy? ― Perguntou enquanto a esperava recuperar o fôlego. Ao mesmo tempo em que Lucy ficara mais distante naquele tempo, Levy se tornara mais próxima do rosado. Com a loira evitando-o, assim como andava evitando a todos, ele não tivera escolha senão pedir ajuda com os estudos à outra pessoa mais inteligente que conhecia.

― Fale com a Lucy, por favor. ― pediu. ― Resolva as coisas do seu jeito.

― Não era você quem dizia para dar tempo a ela? ― Comentou, ajeitando a mochila nas costas.

― Três meses, Natsu! Três meses! Isso já passou dos limites. E acho que há muito mais chances dela escutar a você do que qualquer outra pessoa.

― Por que? Por que ela me ouviria?

― Porque você a conhece melhor do que qualquer um, melhor até mesmo do que eu. E porque ela gosta de você. E não finja que não notou, porque até um idiota notaria.

― É mesmo? Porque parece que o tratamento de choque foi ainda pior comigo. Por que ela fica até tarde aqui? Por que me ignora ainda mais do que os outros? ― Disse em um tom irritado.

A respeito do que Lucy ouvira de Gray no dia em que voltou à Magnólia, era um dos motivos de ter se afastado ainda mais do rosado, realmente. Não havia contado o que ouvira a ninguém, nem mesmo a Levy, e questionava-se o motivo de aquilo tê-la irritado tanto. No começo sua lógica era a seguinte: Ele já havia lhe beijado diversas vezes, mesmo que não tivessem nenhuma relação concreta, isso já não fazia dele, indiretamente, dela? Porém tão logo percebeu que aquela teoria não fazia sentido algum. Além do mais, ela lhe perturbava. Era como admitir interiormente o que tanto lutava para negar.

Não. Natsu era um homem livre, não devia nada a ela, podia ficar com quem quisesse. Era novamente o ciúmes que a atacava... A ideia de Natsu beijando outra garota a magoava, de certa forma. Por mais que insistisse em tentar se convencer de que não deveria sentir nada pelo garoto, não conseguia evitar. E, portanto, se não conseguia evitar seus sentimentos, decidiu evitar o causador deles.

Mas não era apenas isso. A morte de seu pai a fizera repensar sobre algumas coisas, e foi isso que a levou ao novo comportamento.

― Bem, tente pelo menos. Por favor, Natsu. É um pedido de todos. É doloroso para todos nós ver Lucy dessa maneira. Queremos vê-la bem, e você é nossa melhor esperança. ― Levy insistiu. Natsu lhe lançou um último olhar e virou-se para continuar seu caminho. Deu alguns passos e então parou.

― Eu tentarei, mas não posso garantir que ela irá me escutar.

Pelo caminho, o rosado parou em um uma praça localizada próxima do prédio em que morava com Lucy e se sentou em um dos bancos de madeira. Não tinha a menor pressa, pois sabia que a garota não viria para casa antes das dez da noite. Ela sempre permanecia no colégio o máximo que podia, e o estabelecimento só fechava suas portas às onze. Ele também não teria treino naquele dia, o que lhe dava tempo de sobra.

Olhando para as crianças que brincavam correndo ali por perto, lembrou-se da época em que fora ele a passar pelo que Lucy passava. A perda de entes queridos. Não podia julgá-la pelo seu tempo de luto, afinal, o dele, quando perdeu seus pais, fora muito maior. Durou anos, não meses.

Não a julgava pelo tempo que estava demorando a superar aquilo, mas sim pela atitude que tomara. Ele esteve sozinho por muito tempo após o terrível acidente que matou seus pais. Ao contrário de Lucy, que com tantas pessoas para apoiá-la continuava preferindo sofrer sozinha, sem notar que tudo poderia ser muito mais fácil com a ajuda de seus amigos. Quando viera para Magnólia, tudo o que o garoto tinha era a tia rancorosa que o odiava e que não se importava nem um pouco com o sobrinho. Conheceu Erza e Gray um ano depois de ter se mudado, e sua relação com os dois no começo não era nada boa, porém com o tempo aprendeu a vê-los como amigos.

Natsu apoiou os cotovelos nas pernas, entrelaçando as mãos, e moveu o olhar para o chão, abaixando a cabeça. Ajudava-o a pensar, olhar para um ponto fixo. Sua mente não se distraía tão facilmente desse modo.

― Moço, o que aconteceu com o seu cabelo? ― Perguntou um garotinho, chamando a atenção de Natsu. Sentou-se ao lado do rosado e Natsu ergueu o olhar para olhá-lo. Devia ter por volta dos dez anos. O cabelo preto estava bagunçado e as roupas um pouco surradas, mas não parecia viver na rua.

― Não aconteceu nada com ele. Por que?

― É rosa. ― O garoto respondeu, apontando com o dedo para o cabelo de cor exótica de Natsu. Ele sorriu, assentindo.

― É, é sim. Sempre foi.

― É diferente. ― Comentou. Ficaram em silêncio e, poucos segundos depois, ouviram a barriga do garoto roncar.

― Está com fome? ― Natsu perguntou. O garoto assentiu colocando as mãos sobre a barriga, como se tentasse acalmá-la. ― Onde estão seus pais?

― Meu pai está tentando conseguir dinheiro para comprar comida para mim e para minha irmãzinha.

― E sua mãe?

― Eu não tenho mãe. Ela foi embora quando minha irmãzinha nasceu.

Natsu murmurou um “hum” movendo o olhar para a frente novamente. Imaginava o quanto aquilo deveria ser tão ruim quanto, ou talvez pior, do que perder um ente para a morte. Quando seus pais morreram, ele ao menos sabia que os dois o amavam. Mas ser abandonado... era uma situação completamente diferente.

Pegou sua mochila e vasculhou os bolsos. Tinha certeza de que não havia comido o lanche que levara para o colégio. Por fim o encontrou embrulhado em frente ao seu caderno de física e ofereceu-lhe ao garoto, que negou com a cabeça.

― Papai diz para não aceitarmos coisas de estranhos.

Natsu sorriu.

― É, acho que você não deve desobedecer seu pai. Qual o seu nome?

― Romeo. ― O garoto respondeu desconfiado.

― Eu sou o Natsu. Pronto. Agora não somos mais estranhos. Somos amigos.

― Somos? ― O garoto perguntou arqueando as sobrancelhas, ainda mais desconfiado.

― Somos. E, como sou agora seu amigo, você pode aceitar isto. ― Natsu ofereceu-lhe novamente o lanche. Dessa vez Romeo o aceitou, mesmo que cauteloso.

― Obrigado, Natsu! ― Agradeceu sorrindo. Natsu se levantou, colocou a mochila nas costas e bagunçou ainda mais o cabelo do menino enquanto sorria.

― De nada, Romeo. ― o rosado se afastou e deu um leve aceno com a cabeça. ― Então, nos vemos por aí.

Romeo assentiu. Ficou observando Natsu se afastar enquanto segurava o lanche em suas mãos com firmeza. Seria o jantar de sua família naquele dia, o dividiria com sua pequena irmã de três anos e com o pai, tendo a certeza de que aquele era o melhor jantar que teriam desde muitos dias, muito melhor do que os pães velhos que habitualmente comiam. Natsu era um cara legal. Esperava realmente poder encontrá-lo novamente um dia, Romeo pensava.

O rosado, ao chegar em casa, tomara um banho, passara uma hora revendo as matérias do dia ― obrigação dada a ele por sua nova professora particular, Levy. ― e então sentou-se em frente à televisão para esperar as horas passarem. Estava nervoso, mas não sabia exatamente o porquê. Era Lucy, afinal de contas. A garota podia estar agindo de modo diferente de meses para cá, mas ainda era a mesma pessoa.

O tempo demorou a passar devido a esse nervosismo, que aumentava a cada minuto contado. Quando a garota finalmente chegara, passara direto pelo rosado, como sempre havia fazendo, e fora para seu quarto. Natsu decidira esperar alguns minutos antes de iniciar a conversa já parcialmente planejada em sua mente.

Quando finalmente reunira coragem suficiente, entrou no quarto sem bater na porta. Lucy estava concentrada na leitura de mais uma de suas recentes aquisições em livros. O barulho da porta se abrindo chamou sua atenção e ergueu o olhar, encarando Natsu.

― Precisamos conversar. ― Disse o rosado em tom sério.

― Eu não estou com a mínima vontade de conversar agora, Natsu. Estou cansada. ― A garota respondeu secamente. Ameaçou mover o olhar novamente para o livro, porém a voz de Natsu interrompeu sua ação.

― Não foi um pedido. ― retrucou indo se sentar ao lado de Lucy na cama. ― Está deixando a todos muito preocupados com você, sabia? Seus amigos, pessoas que se importam verdadeiramente com você. Está simplesmente ignorando a todos, tendo uma atitude muito infantil e sem razão. Eu sei que perder alguém nunca é algo fácil, mas acha que irá ajudar em alguma coisa o que está fazendo? Não, Lucy, não irá ajudar.

― Não fale algo sobre o que não consegue entender. ― Lucy respondeu. Fechou o livro e o colocou ao seu lado.

― Eu não entendo?! ― exclamou irritado. ― Não sei se você se lembra, mas eu também já passei por algo assim. Mas não fui tão idiota quanto você está sendo.

― Não. Você não entende, Natsu! ― Respondeu igualmente irritada.

― Ah, é? Então me explique.

― Você não entende como é perder alguém sempre que se aproxima dessa pessoa. Como é sempre que as coisas estão bem elas começarem a desmoronar. Sempre acabar, no fim, apenas se magoando. Sempre! Eu cansei disso, Natsu. As pessoas imploram por amor, mas, se quer saber, esse é o sentimento mais doloroso dentre todos.

Então era aquela a verdadeira causa do comportamento recente da garota. A morte do pai fora apenas o estopim para que toda a mágoa acumulada durante anos após todos os acontecimentos que a garota viveu viesse à tona. A morte da mãe, a rejeição do pai, Ryan, e até mesmo Natsu. Todas as decepções que vivera foram se acumulando durante anos até chegar a um ponto em que não podiam mais ser guardadas. E esse ponto fora atingido com a morte de seu pai. Natsu compreendia isso.

― A solidão também é dolorosa. ― Disse, muito mais calmo do que antes. Moveu seu olhar para os olhos de Lucy. Estavam cheios de água. Ela se segurava o máximo possível para conter as lágrimas.

Dizem que os olhos são a janela da alma. Se isso era mesmo verdade, então o garoto chegou à conclusão de que a alma de Lucy estava profundamente ferida.

― Menos do que o amor.

― Não. É muito mais dolorosa do que o amor. O amor não é doloroso. Perdê-lo, é. ― Natsu suspirou. Fechou os olhos e voltou a olhar para Lucy. ― Não pode continuar assim, Lucy. O que está fazendo é como tentar evitar um resfriado vivendo em uma bolha. É impossível. Amor não é algo que se pode simplesmente evitar depois que já o conheceu. É uma necessidade humana. Pessoas precisam de amor para viver. Imagine como seria o mundo sem ele? Um caos total. Não se afaste de pessoas que se importam com você para tentar evitar se magoar. Isso só irá te ferir ainda mais.

Lucy tentou dizer algo, porém o nó em sua garganta não permitiu. Não conseguia nem ao menos olhar nos olhos de Natsu. Temia desmoronar novamente ali, nos braços dele.

O garoto se levantou e estendeu sua mão para a loira.

― Vem comigo. Quero te mostrar um lugar.

Mesmo que sua mente dissesse não, seu corpo disse sim. Olhou nos olhos do rosado e segurou sua mão, deixando que ele a guiasse.

Natsu chamou um táxi, que não demorou a chegar, e sussurrou o endereço ao motorista, para que Lucy não o ouvisse e soubesse que lugar era aquele para o qual ele queria levá-la. O carro parou em frente a um velho parque abandonado. E, se a garota não confiasse em Natsu, teria ficado com medo.

Ele a guiou por entre as grandes árvores até chegarem a um campo aberto. Tinha o formato de um semicírculo de diâmetro não maior que 20 metros, coberto por uma grama rala. Parecia ser o único lugar que se mantinha cuidado ali. Ou talvez a natureza se encarregava de fazer isso sozinha. Nos limites do campo, várias flores floresciam. E no fim dele um lago de águas quase cristalinas se formava.

Natsu caminhou até próximo do lago e se sentou bem em frente a ele. Lucy o seguiu, sentando-se do lado direito do rosado.

― Que lugar é esse? ― Lucy perguntou.

― Meu local preferido no mundo inteiro. É muito calmo, não é? Eu o encontrei uma vez quando andava sem rumo por Magnólia. Esse parque está fechado há anos, ninguém cuida dele, talvez nem saibam mais de sua existência. Mas mesmo assim esse lugar continua impecável. Ninguém nunca vem aqui. Devo ser um dos únicos que o conhece.

“Eu costumava vir muito aqui. Me ajudava a pensar sobre as coisas. Sabe, não é uma cidade muito grande. Quando me mudei para cá, metade da cidade já sabia a minha história, sabiam sobre a morte dos meus pais num terrível incêndio acidental. Todos quando me viam na rua me olhavam com um olhar de pena. É horrível, não é? Quando te olham desse jeito. ― ele perguntou olhando para Lucy. A garota assentiu, voltando a olhar para o lago. ― “Pobre garoto, não tem ninguém no mundo agora que perdeu os pais.”. Eu só queria que eles cuidassem das suas próprias vidas ao invés de se preocuparem com a minha! Queria ser normal, esquecer a história do incêndio. Mas era impossível se cada vez que eu saia na rua as pessoas me lembravam dela.

Então eu decidi que iria mudar o modo como me viam. Precisava fazer isso, ou não iria aguentar viver aqui. Comecei a ser um idiota. Um baderneiro mirim. Fazia arruaças e aprontava todo tipo de coisa só para que as pessoas mudassem o olhar de pena para um olhar de desgosto. Era o melhor que podia fazer. Mas não funcionava. O olhar deles não mudou, mas o pensamento sim. Mudou para “Coitado, olhem o que a ausência dos pais causou nesse garoto.”. Eu sentia raiva disso. Muita raiva.

E então um dia encontrei este lugar. Se tornou meu refúgio. O lugar para qual eu ia quando queria clarear a mente e esquecer os problemas. Gostava de ficar olhando para a água, ver os peixes nadando livremente, ouvir os pássaros. Essas coisas me acalmavam. Eu vinha aqui praticamente todos os dias.”

― Eu não sabia desse seu passado. ― Lucy comentou.

Natsu sorriu olhando para o céu.

― Eu nunca contei isso a ninguém, nem mesmo a Gray e Erza. Eu fui um idiota por muito tempo. Esse lugar me acalmava, mas não me mudou. Eu só percebi o quanto minhas atitudes eram idiotas quando uma garota me mostrou isso. Inconscientemente, ela acabou por mudar minha vida de uma forma muita simples: Apenas com simples palavras. Não que nunca tivessem dito a mim antes que eu deveria mudar, mas as palavras dela surtiram um efeito diferente. Me fizerem perceber mais do que qualquer outro poderia fazer.

― Você parece gostar muito dessa tal garota. ― Disse Lucy. Havia um leve tom de ciúmes em sua voz. Natsu sorriu novamente

― Por muito tempo eu pensei estar apaixonado por ela. Mas agora não tenho mais certeza disso. ― O rosado se virou para Lucy, ficando muito próximo do rosto da garota. ― Este é meu lugar especial, Lucy. Nunca o dividi com ninguém antes, mas estou dividindo-o com você agora. Faça bom uso dele. Sempre que se sentir mal, venha até aqui. Tenho certeza de que ele irá te ajudar tanto quanto me ajudou.

Ele continuava sorrindo, e Lucy inconscientemente também deu um fraco sorriso. Entendia porque não conseguia se afastar de Natsu. Sua presença lhe fazia bem. Ele era um ótimo amigo. Apenas queria que fosse apenas isso. Queria ver Natsu apenas como amigo, não queria sentir o que estava sentindo por aquele garoto. Sua companhia era tão boa, se não estivesse apaixonada por ele seria perfeito. Mas, como sempre, seu coração tinha que trai-la.

Enquanto observava-os, Natsu ficou preso naqueles olhos de cor castanha. Não conseguia de maneira alguma desviar o olhar, por mais que tentasse. Estava completamente aprisionado neles, e questionava-se se não acontecera o mesmo com seu coração. Aos poucos o sorriso em seu rosto morreu e ele fora puxado por uma força magnética incontrolável, lentamente, até que seus lábios se encontraram com os de Lucy.

Apenas um leve encostar de lábios. Um singelo e inocente beijo sem qualquer segunda intenção que não fosse o necessitado contato entre dois apaixonados temerosos. O que temiam? O amor que sentiam um pelo outro.

Corações se aceleraram. Mentes entraram em conflito com aquele teimoso órgão, dizendo a ele que deveria parar com aquela bobagem, pois o que ele estava fazendo era errado. Mas ele era realmente teimoso demais para obedecer. Faria o que queria fazer, e convenceria a mente de que aquilo que ele fazia era sim o correto.

Natsu se afastou alguns centímetros poucos segundos depois. Olhou para os lábios de Lucy, que continuava imóvel, com a boca entreaberta e o olhar baixo, e tentara processar em sua mente o recente acontecimento. Agiu sem pensar, como se seu corpo houvesse sido tomado por algo e não tivesse mais controle sobre ele. Deu um leve sorriso e disse:

― E este lugar acaba de se tornar ainda mais especial.

Afastou-se ainda mais e se deitou na grama, apoiando preguiçosamente a cabeça nas mãos entrelaçadas enquanto observava o céu e esperava uma reação de Lucy. Esta veio alguns minutos depois.

― Deveríamos ir para casa. ― Lucy disse repentinamente, atraindo a atenção do rosado. ― Temos muitas aulas particulares atrasadas para colocar em dia.

Natsu sorriu contente. Aparentemente, havia conseguido trazer a antiga Lucy de volta.

“Cause I don't wanna lose you now (Porque eu não quero perder você agora)

I'm lookin' right at the other half of me (Estou olhando bem para minha outra metade)

The vacancy that sat in my heart (O vazio que se instalou em meu coração)

Is a space that now you hold” (É um espaço que agora você guarda)

Notas finais
Então? O que acharam do capítulo de hoje? Coloquei a música no final porque achei que combina MUITO com OTOTA, principalmente com esse capítulo. Acham o mesmo, ou eu viajei demais quando pensei nisso? kkkk. Boas noticias! Aos meus leitores mais pervertidos, a cena que tanto esperam está a aproximadamente uns três capítulos de distância ;) Pergunta de hoje: O que vocês mais gostam e o que menos gostam no Natsu e na Lucy de OTOTA? Pode ser fisicamente ou alguma característica da personalidade. Eu estava pensando sobre isso hoje e senti vontade de saber a opinião de vocês. Bem, aqui vai minha resposta: Natsu: O que eu mais gosto nele é o seu sorriso. Ao mesmo tempo em que é brincalhão é misterioso e galanteador. E o que menos gosto é o modo como ele age sem pensar nas consequências, sempre pensando que tudo ficará bem para ele. Lucy: O que eu mais gosto nela é o seu olhar. Sempre demonstra certa determinação e inteligência. O que menos gosto é sua teimosia. E então? Quais suas respostas? : ) Deixem reviews, dêem suas opiniões sobre o capítulo. É realmente importante para mim! Beijos :* Até o próximo o/