Notas iniciais
Oi, pessoal!

Aposto que vocês pensaram que eu ia demorar mais para postar esse capítulo, né? Bem, vou tentar postar mais rápido nessa fanfic, pelo menos durante as férias.

Como a maioria disse sim, aí está. Foi bem difícil escrever esse capítulo, e sinceramente não sei se ficou bom, mas...

Boa leitura!

“Foi em uma quinta-feira que tudo começou, quando meu pesadelo se iniciou. Os dias anteriores já não haviam sido nada agradáveis, para falar a verdade, não eram agradáveis há muito tempo. Mas aquele dia foi diferente.

Uma tempestade havia sido anunciada no jornal da tarde, as nuvens escuras já cobriam toda Nagoya e alguns reles trovões podiam ser escutados ao longe. Eu tinha quinze anos na época.

Meu pai havia me chamado para uma conversa em seu escritório, o assunto era o mesmo de sempre: meu mau comportamento. Desde a morte da mamãe eu mudei completamente, para pior. Pode-se dizer que virei o que chamam de “delinquente”. A verdade é que não era bem uma opção, não havia com quem conversar, com quem desabafar toda aquela dor contida no meu peito. Meu pai mal olhava na minha cara, pensando que a culpa pela morte da minha mãe era minha. Bem, se pensar, realmente era.

O melhor modo de extravasar os sentimentos que encontrei foi nos maus feitos, nas rebeldias. Não havia outra forma, não aguentava guardar tudo aquilo, estava em um estado terrível, quase entrando em uma depressão profunda.

A “conversa” daquela noite acabou se transformando em uma discussão, coisa que se tornou muito comum entre meu pai e eu. Nossas conversas sempre tomavam rumos indesejados, sempre. Aquela discussão foi ainda pior do que as outras. Ele nunca dizia que me achava culpada pela morte de sua esposa, minha mãe, estava escrito no seu rosto e por isso eu sabia, mas naquela noite, ele me disse isso com as exatas palavras:

“― Layla estaria viva se não fosse por você! Você matou sua mãe, sua dor foi causada por você mesma, então não venha usando isso como desculpa para os seus atos!”

Logo em seguida ele se calou, assim como eu, e as lágrimas que eu antes prendia começaram a escorrer livremente pelo meu rosto. Sai correndo, irritada demais para continuar a olhar para aquele homem. Irritada demais até mesmo para continuar naquela casa. Eu fugi. Pulei a janela e escalei a árvore plantada em frente ao meu quarto para chegar ao chão, e corri como nunca havia corrido antes, desejando fugir de tudo o que me afligia.

As lágrimas embaçavam a minha visão. Não tinha um destino certo, nem ao menos sabia se voltaria para aquela casa, a raiva e a tristeza eram as únicas coisas presentes no meu coração e na minha mente naquele momento, me impediam de pensar racionalmente.

Uma válvula de escape, qualquer coisa que pudesse aliviar, qualquer lugar que fosse me trazer algo assim já seria suficiente. Meus passos talvez me guiassem para isso, pois sem olhar por onde ia acabei esbarrando em um homem.

― Ei! Ande com mais calma. ― Ele segurou meus punhos para impedir que eu caísse, e assim que viu meu rosto molhado e meus olhos inchados arregalou os seus olhos. ― O que foi?

Devia ter seus dezessete ou dezoito anos, era um pouco mais alto do que Natsu e possuía um porte físico atlético. Os cabelos negros e curtos penteados de forma bagunçada davam a ele um ar atraente. Seus olhos eram de um tom azul mais escuro do que o mar, e me encaravam com tal intensidade que pensei que poderiam estar tentando ler minha alma. Usava uma camiseta preta simples, calça jeans e um colar prateado que, observado com mais atenção, parecia ser herança de família.

Ele ainda segurava meus punhos. Eu não pensei muito antes de reagir, instintivamente o abracei, só queria alguém que pudesse me entender. Minha reação o deixou atônito, mas mesmo assim, e mesmo sem me conhecer, retribuiu o gesto.

― Qual é o seu nome? ― Perguntou, quando eu já estava mais calma.

― Lucy. ― Me afastei dele, enxugando os olhos ― Me desculpe por isso.

― Está tudo bem. Eu sou Ryan, prazer em te conhecer ― Ele estendeu sua mão em cumprimento sorrindo, e eu o cumprimentei. Sua voz era calma, transmitia certa segurança. ― Acho que você está precisando se distrair Lucy, vem comigo.

Aceitei o seu convite cegamente. Nem por um segundo pensei nos riscos que envolviam aceitar um convite de alguém totalmente estranho, meu coração apenas queria uma salvação, e se ele pudesse dar isso a mim, então que fosse assim.

Ryan me levou até um bar de esquina e pediu duas bebidas alcóolicas, uma para ele, outra para mim. Como permitiram que menores de idade entrassem lá e ainda por cima bebessem, eu não faço ideia. Peguei a garrafa, mas hesitei em dar um primeiro gole.

― Beba. Não sei o que é que te fez ficar assim, mas vai ajudar.

A bebida não deveria ser a solução, mas eu estava tão desesperada. Entornei todo o líquido para dentro da minha boca. Desceu queimando pela minha garganta. Nos primeiros goles o gosto era amargo, nem um pouco agradável, mas depois de um tempo comecei a me acostumar, e Ryan tinha razão, realmente ajudava, superficialmente, mas ajudava. Aos poucos o gosto passou a nem me incomodar mais.

― E então, o que aconteceu para você sair correndo, chorando, às dez horas da noite pelas ruas de Nagoya? ― Perguntou, quando eu já estava quase secando a segunda garrafa.

― Tantas coisas... ― Respondi, tomando o último gole daquela garrafa e já pedindo outra ao garçom.

― Bem, tenho a noite inteira, se quiser me contar.

A necessidade de desabafar e encontrar alguém que entendesse o que se passava comigo dominou minha mente, por um segundo ele pareceu ser esse alguém. Eu confiei em Ryan, contei toda a minha história, desde a morte da mamãe até minha última briga com meu pai.

― Nossa, deve ter sido horrível passar por tudo isso. Desculpe dizer, mas seu pai é um babaca.

― Não precisa se desculpar, afinal isso é mesmo verdade.

Eu não sei quanto tempo se passou desde que o encontrei, quanto ficamos conversando, e sinceramente não ligava para as horas. Ele tinha algo que me fez esquecer dos problemas, e não era a bebida. Riamos, conversávamos, nos distraímos. O tempo todo eu permaneci consciente, mesmo após beber algumas garrafas.

Ele me levou para sua casa, a meu pedido, já que não queria voltar para a minha e encarar meu pai novamente. Pedi se conhecia algum lugar onde eu pudesse passar a noite, e ele me ofereceu abrigo, simplesmente aceitei. Já disse, não agia com a razão, apenas com a emoção.

Apesar de tudo, eu voltei para casa, e a única pessoa lá que percebeu minha ausência foi Virgo. Na época eu não percebia, mas ela era a única que realmente se importava comigo, apenas tinha medo de se aproximar, pensava que eu queria a distância.

Quando a noite chegou, eu novamente fugi, para encontrá-lo mais uma vez, e isso se repetiu por muito tempo. Há tempos não me sentia tão bem quanto me senti na noite em que o encontrei. Ryan era bem conhecido no bar aonde íamos todas as noites, todos o cumprimentavam quando chegava. Algumas vezes apenas conversávamos, em outras jogávamos os famosos “jogos de bar”. Qualquer opção que fosse, superficialmente me fazia bem, somente por estar com ele.

Devido às muitas noites frequentando o bar, ouvi das pessoas de lá a fama que Ryan tinha de ser um mulherengo, mas não liguei para isso, na verdade, não me importei nem um pouco, contanto que ele estivesse comigo. Eu era uma garota tão tola.

Quando queríamos uma conversa mais reservada, íamos até o seu apartamento, no centro de Nagoya. Ryan morava sozinho, pagava as contas com um emprego de meio período e estudava pela manhã. Não fazia muito o estilo “frequentador assíduo de bar”. Observando-o superficialmente, parecia apenas um estudante comum. Ele nunca falou sobre seus pais, também nunca perguntei. Falávamos sobre qualquer coisa, menos família.

E aos poucos, eu me via cada vez mais necessitada da presença dele, cada vez mais apaixonada por um garoto que encontrei no meio da rua, em uma quinta feira chuvosa, e que me deu esperanças de que as coisas poderiam melhorar.

― Cansada? ― Ele perguntou, ao me ver estirada em sua cama.

― Apenas pensando.

― Cuidado, pensar demais faz mal.

― Sim, eu sei, mas é inevitável. ― Disse, novamente me sentando. Ryan se sentou ao meu lado, observando-me minuciosamente. Já fazia quatro meses desde o dia em que o conheci. Ele pegou uma caixa, colocada em baixo da cama, e a entregou a mim. ― O que é isso?

― Seu presente de aniversário.

― Obrigada ― agradeci sorrindo, enquanto abria a caixa. Era um colar, com um pequeno pingente em forma de coração. ―. Não precisava ter gasto tanto dinheiro comigo.

― Tudo bem, você merece. Posso? ― Assenti e entreguei colar a ele. Ryan cuidadosamente o colocou em mim. ― Ficou lindo em você, Lucy. Sabe, você se tornou uma pessoa muito importante para mim. ― dizia, enquanto acariciava meu rosto, já extremamente corado. ― Eu ainda me lembro do dia em que te encontrei, você estava chorando tanto. Aquela lembrança me faz mal, ao mesmo tempo em que me faz bem, porque foi o dia em que te conheci, mas lembrar desse pequeno rostinho molhado por lágrimas, isso corta o meu coração. Eu prometo, Lucy, ficarei ao seu lado em todos os momentos, quando você chorar eu irei secar as suas lágrimas, porque eu te amo, então, por favor, me dê a oportunidade de te ter ao meu lado.

Ele se aproximou e colou seus lábios nos meus. O sentimento que guardava dentro do meu peito com relação a Ryan transbordou para fora do meu corpo, eu retribui seu beijo sem pensar duas vezes. O que no início era calmo se tornou cada vez mais ardente. Eu não controlava meus atos, agia apenas por instinto, e me entreguei a ele.

Depois daquela noite tentei procurar por Ryan, mas ele nunca estava no bar, nem em seu apartamento, era como se tivesse sumido, desaparecido sem deixar vestígios. Ninguém sabia para onde havia ido, ou o que havia acontecido. Até que um dia, eu o encontrei em seu apartamento...

― Lucy? O que está fazendo aqui?

― Você nunca mais me deu noticias, nunca mais me procurou, eu fiquei preocupada.

Ryan, pode voltar logo para cá? Já estou com saudade do seu beijo. ― Uma voz feminina disse, de dentro do apartamento. Meu corpo congelou, e com muito esforço consegui controlar as lágrimas. Já ele, simplesmente riu, de mim.

― Aquilo foi apenas uma noite, como tantas outras para mim. Acha mesmo que teve alguma importância a mais?

― Mas... Você disse que me amava. E, depois de tudo o que passamos.

― É como um grande jogo, Lucy, você joga as cartas certas para conseguir o prêmio, e confesso que você foi um jogo bem difícil. Você é uma garota tão ingênua, foi só te dizer que eu te amava para vencer, mas sabe, isso tornou as coisas ainda mais divertidas.

Meu corpo se moveu instantaneamente, deixei as marcas dos meus cinco dedos no rosto de Ryan, enquanto algumas lágrimas escorriam livremente. Até tentei dizer algo a mais, porém tudo o que consegui fazer foi sair correndo. Estava completamente arrasada, pensei que havia encontrado alguém que me compreendesse, e pensei que eu fosse diferente para ele, mas tudo o que encontrei foi mais dor.

Passaram-se meses desde meu último encontro com Ryan. Comecei a me sentir mal, ter desmaios repentinos, enjoos. Suspeitava do pior, e tentava esconder do meu pai. Porém não consegui. Ele chamou um médico após um dos meus desmaios, e meus temores se confirmaram.

― O que ela tem, doutor? ― Meu pai perguntou. Talvez fosse impressão minha, mas ele parecia realmente preocupado.

― Ela está grávida.

A noticia foi um grande choque para o meu pai, e não deixou de ser para mim também. Só me lembro dele tapando a boca com a mão e olhando para o lado, logo após agradecendo ao doutor e se despedindo dele. Pediu para que Virgo cuidasse de mim, não aguentando nem ao menos olhar para sua própria filha.

Minha decisão foi de ter e cuidar daquela criança, mesmo que ela crescesse sem um pai. E, ao contrário do que eu pensei que aconteceria, meu pai pagou todas as despesas, apesar de continuar a não conseguir me encarar.

Tudo correu bem, até os cinco meses de gestação. Houve complicações e o nascimento do meu filho teve que ser adiantado. Durante o parto, mais complicações. Os médicos poderiam salvar apenas um de nós. Coube ao meu pai decidir qual seria a vida salva, já que eu era menor de idade e estava inconsciente durante tudo aquilo. E ele escolheu salvar a mim.

Quando acordei, meu pai estava sentado na cadeira ao lado da cama, os olhos vermelhos de tanto chorar. Olhou para mim e deu um sorriso triste.

― Lucy, eu sinto muito.

― O meu filho... ? ― Perguntei, já temendo a resposta.

― Eu tive que escolher, entre você e ele... Me perdoe, eu quase te perdi por minha própria culpa, eu não percebia... ― Ele voltou a chorar, tentando cobrir as lágrimas com as mãos. E eu também não consegui aguentar. ― Eu tinha medo de te encarar, não sabia como agir após a morte da Layla. Fui um péssimo pai, eu sei. Quando você precisou de mim eu não estava lá, e por causa disso todas essas coisas aconteceram... Sei que percebi tarde demais o quanto estava te fazendo mal, mas eu prometo, minha filha... Eu prometo, irei mudar, irei tentar ao máximo recuperar o tempo perdido. Se essa é uma nova chance dada a nós, não irei desperdiçá-la. Se foi necessário todo esse sofrimento para que eu percebesse que você é tudo o que eu tenho, então não vou deixar passar. Me perdoe, Lucy.

Depois de tudo, meu pai e eu nos tornamos verdadeiramente pai e filha. Ele me ajudou a superar o passado e viver o presente. Talvez não tenha sido de todo o mau o que aconteceu, pois só assim voltamos a ser unidos.”

― Nossa, que história, Lu-chan.

― Entende agora, Levy-chan? O porquê de eu não querer, e nem poder me aproximar tanto do Natsu? Ele me lembra tanto o Ryan que tenho medo de me aproximar e viver tudo aquilo novamente.

― Bem, o Natsu pode ser mulherengo, e todas essas coisas, mas não acho que ele faria algo assim.

― Mesmo assim, prefiro não me arriscar.

― E o tal Ryan, o que aconteceu com ele?

― Eu não sei, nunca mais o vi, e nem quero ver.

― Falando no Natsu, onde ele está? Está tarde. Estou começando a ficar preocupada. Foi uma discussão muito boba a que vocês tiveram, Lu-chan, principalmente da sua parte.

― Eu sei, Levy-chan, eu sei. Também estou preocupada. Tomara que não tenha acontecido nada com ele.


...

Lucy, tem uma coisa que eu não entendi. Quando fomos a Nagoya, havia um quarto de bebê vazio. Seu pai me disse que eu deveria perguntar a você o que significava. De quem era?

― Isso não interessa a você, Natsu! ― A loira respondeu em um tom grosseiro. A pergunta despertou as antigas memórias desagradáveis. ― Por que não vai cuidar da sua vida ao invés de ficar se metendo na dos outros, hein?

― Ei! Foi só uma pergunta, por que ficou tão estressada?

― Eu já disse que não te interessa, Natsu! ― respondeu do mesmo modo, abrindo a porta da casa e saindo, porém, antes que Lucy saísse Natsu a segurou pelo punho.

― Onde você vai? Está chovendo muito lá fora! Não pode sair agora!

― Me larga, Natsu!

Com certo esforço, Lucy conseguiu se soltar e desceu as escadas do prédio, sendo seguida por Natsu. Como o rosado havia dito, chovia muito, porém isso não a incomodou, aparentemente. Ele novamente a segurou, quando já estavam na calçada, virando-a para si.

― Qual é o seu problema, hein, Lucy?! Uma hora está normal, no outro... assim! Eu só fiz uma pergunta, se não queria responder era só ter dito, eu não iria insistir!

― Pode, por favor, me deixar em paz?!

A rua estava totalmente deserta, excerto pelos dois jovens que discutiam em alto e bom som.

― Natsu, Lucy? O que estão fazendo aqui fora? ― Perguntou Levy, que havia acabado de chegar. Planejava fazer uma visita aos amigos, mesmo que o clima não favorecesse muito, quando os encontrou no meio da calçada, discutindo.

― Se é isso que você quer. ― Disse Natsu, soltando o punho de Lucy e se pondo a caminhar pela calçada, sem dar atenção a Levy.

― Ei! Natsu! Onde está indo?! ― Gritou Levy.

― Andar por aí, deixar a Lucy em paz, como ela quer.

...


Após a discussão, Lucy contou toda a sua história a Levy, e também o que aconteceu para que Natsu saísse daquela maneira. Confiava na pequena amiga quase tanto quanto confiava em Virgo e em seu pai.

Quando o relógio marcou nove horas da noite, Natsu retornou, completamente encharcado.

― Natsu! Onde você estava? Quase nos matou de preocupação! ― Exclamou Levy, se levantando subitamente assim que Natsu adentrou o apartamento.

― Só... andando. ― Respondeu sem nenhuma expressão no rosto, olhando de relance para Lucy.

― Natsu, me desculpe por hoje. Foi uma atitude idiota a minha. ― Lucy disse.

― Não se preocupe, está tudo bem. ― Disse, sorrindo discretamente.

Lucy ainda não havia se decidido se aquele garoto a sua frente era totalmente igual, ou totalmente diferente ao que lhe causou tantos problemas anos atrás, mas não queria se arriscar. Se magoar novamente estava totalmente fora de cogitação, e o melhor modo de prevenir isso, era mantendo seu coração fechado para Natsu.

Notas finais
Então? Mereço reviews por ter postado mais rápido? Lembrem-se, quanto mais reviews, mais rápido o capítulo vem, porque é mais fácil ter inspiração.

Digam o que acharam do capítulo, ok? E o que acharam da história da Lucy também.

E querem uma boa noticia? Peçam nos reviews que eu digo o que é ; ) (sim, é sobre a fanfic)

Ps: Logo respondo aos reviews do capítulo anterior.