Notas iniciais
Hey o/ Último capítulo da primeira temporada, e o que eu tenho a dizer é muito obrigada a todos que vieram comigo até aqui. Muito obrigada! Capítulo dedicado a Winry pela recomendação :D Boa leitura!

Naquela manhã de terça-feira, o garoto fora acordado pelo som agudo do alerta de mensagens de seu celular, às nove horas e trinta minutos, um horário que para ele era considerado muito cedo. Devido ao seu sono, julgado muitas vezes como “sem fim”, normalmente teria ignorado aquela mensagem. Apenas se remexeria na cama, sem abrir os olhos, incomodados com a luminosidade da tela do aparelho, e voltaria a dormir, como se nada tivesse acontecido. Mas aquela não era uma manhã normal.

Aquela mensagem poderia, quem sabe, se estivesse com sorte, pertencer a Lucy. A velha frase “a esperança é a última que morre” andava muito presente no cotidiano do rosado ultimamente. Ele a mantinha sempre perto de si, e nem mesmo o sono afastava-a. Assim sendo, ainda em estado de sonolência, Natsu estendeu o braço preguiçosamente até o criado-mudo, ao lado da cama, e pegou o aparelho. Apoiou-se na cama com o cotovelo e apertou os olhos, tentando fazer com que eles se adaptassem à claridade. Conforme sua visão melhorava, pôde ler o que estava escrito na tela do celular. A mensagem, formada apenas por palavras desconexas, era a seguinte:

“Lucy. Aeroporto. Voo. 10:30. Nagoya. Sua última chance. Boa sorte.”

Não era exatamente Lucy, mas podia ser considerado tão importante quanto se fosse. Mensagens como aquela não deveriam chegar àquele horário, quando seu cérebro ainda estava extremamente lento por culpa do sono. O rosado demorou três segundos apenas para decodificar o que todas aquelas palavras queriam dizer; e, quando finalmente as conectou, literalmente saltou da cama. Teve tempo apenas de trocar a calça que utilizada para dormir por uma jeans escura e vestir uma camisa de cor vinho. Tinha sorte por ganhar tempo não tendo que tirar uma camisa para colocar outra, já que gostava de dormir desnudo da cintura para cima. Correu até a sala, pegou sua jaqueta, deixada em cima do sofá, e atravessou a porta apressado.

O aeroporto regional de Magnólia ficava no extremo oeste da cidade, enquanto ele morava muito mais ao leste. A distância era grande, porém não tinha tempo para esperar por um táxi, portanto saiu correndo pelas ruas, o mais rápido que pôde, contando com sua sorte para não esbarrar em ninguém no caminho. Encontraria um táxi pelo caminho. Claro, se estivesse com sorte.

As pessoas na rua variavam seus olhares para Natsu. Algumas o olhavam com curiosidade, perguntando-se porque aquele jovem, de cabelos completamente bagunçados, estava correndo tanto por vias públicas; outras o olhavam com certa raiva, pois chegava muito perto de esbarrar-se nelas e isso as assustava.

Aquele era um dia indeciso para Natsu, não sabia se estava com sorte ou com azar. Por sorte, não demorou muito a encontrar um táxi. Por azar, o trânsito de Magnólia justamente naquele dia estava horrível. Era como se todos os motoristas da cidade tivessem resolvido sair com seus carros.

No banco de trás do veículo, o rosado olhava para fora com impaciência, enquanto resmungava e mexia a perna freneticamente.

― Vamos... ― Murmurou para si mesmo. O condutor, porém, pensou que aquela palavra se dirigia a ele.

― Não é minha culpa se o trânsito está parado, garoto. ― Respondeu, mostrando certa irritação na voz. Natsu o ignorou. Se respondesse era provável que fosse grosso, devido à sua ansiedade. Preferiu ficar em silêncio.

Conferiu o relógio. 9h45min. Bufou. Nunca chegaria a tempo naquele ritmo. Só naquele momento enfim o rosado percebeu que, em sua pressa para sair de casa, não havia nem ao menos escovado os dentes, e não seria nada bom se caso conseguisse alcançar Lucy estivesse fedendo esgoto pela boca. Novamente por sorte, lembrou-se que havia no bolso de sua jaqueta um pequeno pacote de balas de menta, que havia comprado há poucos dias. Pegou uma e a colocou na boca, pensando que talvez também o ajudasse a se acalmar. Não ajudou, entretanto.

Sua impaciência não apenas o irritava, mas irritava também ao motorista. Justo em um dia como aquele tinha que ter pego um cliente estressado. Mal sabia ele da situação desesperadora na qual o garoto se encontrava.

Quando finalmente conseguiram se livrar do engarrafamento e chegar ao aeroporto, faltavam exatos cinco minutos para as 10h e 30min da manhã. Natsu saltou do carro, atrapalhando-se na hora de pagar o condutor e se sentindo na obrigação de dobrar a velocidade de seus passos para compensar o tempo perdido. Atravessou a porta correndo, parando na entrada do enorme saguão. Olhou para os lados. Havia muita gente ali, nunca conseguiria encontrar Lucy em cinco minutos, se é que ela ainda estava naquela parte do aeroporto. Não, precisava de um plano, e rápido.

Examinou o local por alguns segundos. Seus olhos se prenderam em uma escada, a nordeste. Subiram-na vagarosamente, até avistar uma pequena sala. A sala de controle do aeroporto, as instalações administrativas. Era essa sua chance. Era loucura? Bem, talvez o amor o tivesse deixado louco, mas aquele era o único modo que conseguiu encontrar para não deixar que o amor o abandonasse. Precisava daquilo mais do que de oxigênio, e não o deixaria escapar.

Correu o máximo que pode até a escada, e subiu os degraus dois a dois. Quando chegou à porta, o segurança, parado ali feito um poste, tentou impedi-lo de entrar, dizendo que aquela era uma área restrita. Mas quem poderia impedir um louco de amor? No momento em que aquele homem imenso tentou segurá-lo ele apenas respondeu, imediatamente abrindo a porta:

― É urgente!

Em sua infância, Natsu amava aviões e tudo o que fosse relacionado a isso devido à sua paixão por dragões. Naquela época, acreditava que aquelas máquinas eram na verdade grandes bestas de metal, como as das histórias medievais. E seu pai sempre o incentivou a amá-los. Certa vez, com a ajuda de um amigo, que dirigia o aeroporto da cidade em que moravam, seu pai conseguiu levá-lo a uma grande visita por todo aquele complexo lugar. Lembrava-se até hoje da sala de comando e de para quê servia cada um dos botões. Nunca pensou que isso seria tão útil quanto naquele momento.

As mulheres dentro da sala o olharam assustadas quando ele entrou de supetão. Imediatamente o rosado correu até um dos painéis, praticamente expulsando a jovem que ali trabalhava e arrancando dela um “Mas o que é isso?!”. Sabia que aquele era o local onde se anunciavam os voos. O microfone também deixava isso bem claro.

― Me desculpe. ― disse à mulher. Respirou fundo e pressionou um dos botões, ainda sem ter a mínima ideia do que dizer. Mas aquela era sua última chance, as palavras teriam que surgir em sua mente, de um jeito ou de outro, ou nunca se perdoaria por deixá-la ir embora sem fazer nada. ― Lucy Heartfilia, eu não sei se você ainda está neste aeroporto, ou se cheguei tarde demais, como sempre acabo fazendo, aliás. Chegando muito tarde, percebendo as coisas muito tarde... Mas, independente se você irá me ouvir ou não, eu preciso ao menos tentar. Eu sei que talvez você não queira mesmo me ouvir, depois de tudo e após já ter dito praticamente tudo o que eu podia. Mesmo assim, eu preciso dizer novamente. Direi quantas vezes for preciso para ter o seu perdão.

Natsu esperou que algum funcionário fosse expulsá-lo dali, porém nenhum deles se moveu. Ele então continuou:

Eu sei que não sou uma pessoa perfeita, e estou longe de ser. Há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito. Sabe, eu ainda estou aprendendo como é amar tanto outro alguém. Mas, se tem uma coisa da qual eu não me arrependo é de ter me apaixonado por você. Aliás, mesmo que eu não quisesse, seria impossível que isso não tivesse acontecido. Eu sinceramente não sei como alguém pode não te amar, você é a pessoa mais incrível que eu já conheci em toda a minha vida. ― Natsu fez uma pausa. Sorriu interiormente. Era verdade o que dizia, sobre Lucy ser a pessoa mais incrível que já conhecera. ― Eu nunca quis fazer aquelas coisas com você, nunca tive a intenção de te magoar. Por isso eu preciso dizer, antes que você vá. Eu apenas quero que saiba que você mudou quem eu costumava ser. Não apenas uma vez, mas duas.

“Eu tenho que conviver todos os dias com o fardo que é saber que fui eu a causa de algumas das suas lágrimas, com o fato de que por minha causa uma das maiores e mais belas maravilhas do mundo se escondeu. O seu sorriso. E toda a dor que eu te fiz passar, eu queria poder retirá-la completamente. A tomaria para mim se fosse preciso para não te ver sofrer. Eu gostaria de ser aquele que apanha todas as suas lágrimas, mesmo que isso não seja possível por culpa de todas as decisões idiotas que eu tomei, não aquele que as causa.

Só preciso que você me escute, e se mesmo depois de ouvir você nunca mais quiser olhar para a minha cara eu entenderei. Mas eu preciso de ao menos uma chance. Apenas mais um suspiro, caso reste apenas um. Lucy, eu encontrei uma razão para mudar quem eu costumava ser, encontrei algo que sei que nunca quero perder, e que, mesmo assim, acabo sempre colocando em risco e perdendo. É estranho, não é? Como as pessoas só se dão conta do quanto não podem viver sem algo quando o perdem. Enfim, essa razão que eu encontrei é você. Eu não me importo que todas as pessoas presentes neste aeroporto ouçam o que eu estou dizendo, porque a única que me interessa é você. A única pessoa que eu vejo é você. Porque eu te amo, Lucy Heartfilia. Eu te amo como nunca amei ninguém; como eu nunca pensei ser possível amar. Te amei o tempo todo. E mesmo que você não me perdoe, eu vou continuar te amando.”.

Era tudo o que ele tinha para dizer. Realmente não se importava que os outros ouvissem, se aquelas palavras chegassem aos ouvidos dela já seria suficiente. Tudo o que dissera era apenas o seu coração gritando o sentimento torturante que só deixava de torturá-lo na presença dela.

Sentou-se na cadeira, respirando pesado. Havia dito tudo aquilo sem nem ao menos recuperar o ar perdido.

Todos os momentos que passou ao lado dela vieram à sua mente, todas as vezes em que salvou-a; ou quando ela dizia odiá-lo. A noite inesquecível que tiveram, que fora ao mesmo tempo a melhor de sua vida e a que o arruinou. Todos os momentos valeram a pena, sem exceção, não se arrependia de nada, exceto daquela maldita aposta.

Despertou de seus devaneios quando sentiu o toque da mão de uma das mulheres em seu ombro. A olhou. Seus olhos brilhavam. Talvez de pena. Talvez de compaixão.

― Qual era o voo em que a tal Lucy deveria estar? ― Perguntou.

― Para Nagoya, às 10h00. ― Natsu respondeu, sem entender exatamente o motivo da pergunta. A mulher o olhou novamente, e dessa vez era definitivamente um olhar de pena.

― Garoto, o voo para Nagoya decolou há dez minutos. Sinto muito.

O rosado a olhou incrédulo. Jogou a cabeça para trás, com vontade de batê-la em uma parede qualquer por tudo ter sido em vão. Todo o seu esforço, todas as suas palavras, tudo. No fim, a perdera. Não saberia quando a veria novamente ou se sequer a veria. Lucy não ouvira o que ele havia dito, e talvez nunca mais ouvisse. Ele era um completo idiota. Chegara tarde demais, e devido a isso perdera a coisa mais importante que possuía.

Levantou-se da cadeira, cabisbaixo. Não havia mais nada a fazer ali. Além do mais, estava atrapalhando aos outros.

― Obrigado por não te me expulsado daqui.

A mulher lhe deu um fraco sorriso, ainda com um olhar de pena. Natsu desceu a escada sendo seguido pelo segurança. Talvez tivesse medo de que o rosado fosse aprontar outra coisa. Uma multidão estava reunida no saguão, observando-o. Curiosos que haviam escutado tudo o que ele dissera. Mas o mais importante: Lucy não estava entre eles.

O garoto chegou até o piso e parou, observando cada um dos rostos. Até parar em um em especial, que tentava a todo custo atravessar a multidão, parando em frente a ele, a alguns metros de distância. Natsu pensou que estivesse talvez tendo uma alucinação, ou sua mente estava tentando lhe pregar uma peça fazendo com que ele visse o rosto dela em uma daquelas pessoas. Mas não era uma peça, e aquele rosto molhado de lágrimas pertencia mesmo a ela.

Os dois ficaram parados, se encarando em silêncio, até que ela o quebrou.

― Eu te odeio tanto, sabia? ― ela disse, olhando para o lado e rindo, negando com a cabeça como se nem ela mesma conseguisse acreditar em suas palavras ― Você é imaturo. Nunca pensa nas consequências de seus atos, sempre achando que tudo ficará bem no fim, como em um conto de fadas onde você sempre se dá bem. Você é egoísta. Sempre acha que pode facilmente comprar as pessoas com palavras. Você me faz rir e me faz chorar, e eu não sei qual dos lados prevalece.

― Se veio até aqui para dizer isso, não precisa, porque eu-

― Você disse tudo o que queria, agora é minha vez! ― Lucy o interrompeu, finalmente olhando-o nos olhos. Continuou a falar, aproximando-se dele a passos lentos, aumentando gradativamente a velocidade. ― Mas, quer saber qual é a coisa que eu mais odeio em você, Natsu? É que, mesmo apesar de todas essas coisas, eu não consigo deixar de te amar. Eu simplesmente não consigo, seu idiota.

E ela andou o mais rápido que pôde em direção a ele. E, quando estava perto o bastante, colocou suas mãos no pescoço de Natsu e o beijou. Um beijo carregado de saudade.

Demorou alguns segundos até que o garoto entendesse o que estava acontecendo; porém, quando entendeu, colocou as mãos na cintura de Lucy e agarrou sua blusa, como se caso não a segurasse alguma coisa a levaria embora. Era tão bom sentir os lábios dela nos seus novamente. A sensação era de estar novamente em casa, após uma longa viagem. Uma viagem de sete dias e de infinitas saudades. Que tortura fora aquele período de tempo.

Entre o beijo, mal ouviam a multidão de curiosos que permanecia ali, aplaudindo os dois. Quando Lucy se afastou, continuou com a testa colada na dele; e quase teve certeza de que ele deixara escapar uma ou duas lágrimas. Os olhos dele estavam fechados, e os dela o miravam fixamente.

― Me perdoe, por tudo. ― ele disse, finalmente abrindo-os.

― Não diga nada. ― Lucy pediu.

― Não. ― Natsu a contradisse, com a voz fanha. ― Eu preciso de você. Preciso ouvir isso. Você me perdoa?

A loira moveu o olhar para baixo. Não sabia se deveria ou não dar uma nova chance a Natsu, ainda. Seu coração dizia que sim, sua razão dizia que não. Mas, sinceramente, naquele momento estava com vontade de mandar sua razão para um lugar não muito bonito. Vivia presa ao passado e estava cansada disso. Amava Natsu e não conseguiria mais passar um segundo do dia sem que ele soubesse disso.

― Eu te perdoo. ― Respondeu finalmente. Viu Natsu sorrindo timidamente, o sorriso mais sincero que já vira em toda sua vida.

― Então, me dá mais uma chance? Uma chance a qual eu irei me agarrar e de forma alguma deixarei escapar.

Lucy sorriu, com a resposta na ponta da língua quando foi interrompida por um dos homens de sua “plateia”.

― Ei, rapaz! Faça isso direito! ― O homem gritou, oferecendo a Natsu uma das rosas que levava para um concurso, em Tókyo. Natsu entendeu imediatamente o que ele estava querendo dizer. Caminhou até o homem, aceitou a rosa, e então voltou até Lucy. Ajoelhou-se em frente a ela, observando enquanto as bochechas da loira coravam e um enorme sorriso se formava em seu rosto. Segurou sua mão e lhe ofereceu aquela nova rosa.

― Lucy Heartfilia, você aceitaria dar mais uma chance a esse pobre idiota que te ama muito mais do que jamais imaginou que amaria alguém, e que não consegue mais viver sem sua presença?

Lucy riu, desconcertada. A resposta era óbvia. Estava escrita tanto em sua face, quanto em seu coração.

― Sim. Eu aceito, seu idiota.

Natsu abriu ainda mais seu sorriso. Ergueu-se e beijou a loira apaixonadamente, como tinha vontade de fazer há vários dias. Seu sofrimento aparentemente havia acabado. Aparentemente.

O beijo apenas foi interrompido por uma voz estridente. Seu dono estava claramente muito irritado.

― Que confusão é essa no meu aeroporto?!

Bem, toda loucura possuí um preço. E Natsu estava prestes a pagar o dele.

***

― Você é maluco, sabia? ― Lucy comentou, rindo. O braço forte de Natsu envolvendo sua cintura lhe proporcionava novamente a sensação de proteção da qual tanto sentiu falta. Estavam do lado de fora do aeroporto, sentados em um dos bancos de madeira, aproveitando-se da companhia um do outro. ― Não acredito no que fez. Invadir o aeroporto desse jeito...

― Louco de amor. ― Natsu respondeu, brincalhão, assumindo ao mesmo tempo um tom sério. ― Mas valeu a pena. Apesar de jurar que não sabia que era possível ser banido de um aeroporto. Quer dizer, isso é como ser banido do metro, certo? É um meio de transporte.

― É, acho que sim. E você conseguiu esse feito.

― Uma conquista histórica, se quer saber. Quantas pessoas podem dizer que foram banidas de um aeroporto? Nenhuma que eu conheça, ok? Mas eu posso dizer isso. Você pode dizer que seu namorado já foi. Veja só que sorte, namora um bad-boy gato, extremamente sexy e gostoso, além de incrivelmente carismático.

― Claro, Natsu. ― A loira riu, acomodando-se no peito do garoto. Fechou os olhos por um instante, ouvindo os batimentos cardíacos do rosado. Seu sorriso aos poucos foi morrendo. ― Você sabe que eu ainda terei que ir, não é?

Assim como o de Lucy, o rosto de Natsu se fechou. Como um céu azul que repentinamente é coberto por uma tempestade. Ela ergueu o rosto, olhando-o nos olhos.

― Tem mesmo que ir? Não pode cancelar a viagem? ― Natsu perguntou.

― Eu já dei uma resposta afirmativa ao Sr. Urahara. Não posso voltar atrás.

O rosado encostou novamente sua testa na dela. Fechou os olhos por um segundo e os abriu novamente. Estava feliz por tê-la novamente ao seu lado, e triste por saber que isso não duraria muito tempo. Não fisicamente, pelo menos.

― Quanto tempo?

Mesmo não sendo uma pergunta muito clara, Lucy entendeu o que ele queria dizer: Quanto tempo ainda tinham juntos, antes que ela partisse?

― Meia hora. O Voo sai às 11h45min.

Natsu suspirou. Meia hora era tão pouco tempo para matar a imensa saudade que sentia.

― Vou sentir sua falta. Muito.

― Também sentirei a sua. Mas não é como se fossemos estar completamente afastados, não é? Ainda poderemos conversar, e Nagoya não é tão longe daqui. ― A garota tentou consolá-lo, mas não convencia nem a si mesma.

― Eu fui banido do aeroporto, lembra? ― Natsu sorriu tristemente. Mesmo que não tivesse sido, não teria dinheiro para pagar uma passagem. Também não possuía um carro para viajar até Nagoya por conta própria e um táxi sairia muito caro. Dinheiro andava sendo um grande problema para ele.

― Esse parece um detalhe importante agora. ― Lucy comentou.

― Sim, parece. ― os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Segundos estes que Natsu percebeu serem muito preciosos. Nunca uma medida de tempo considerada tão pequena lhe pareceu tão importante. ― Eu acho que devemos pensar no momento apenas nessa meia hora. O que vem depois, virá depois. É o tempo que temos juntos agora que importa, não é?

Lucy concordou.

― Tudo bem. Então vamos tentar não pensar no futuro. Apenas no presente.

A loira voltou a acomodar-se no peito quente de Natsu. Em um dia frio como aquele, o rosado era o melhor aquecedor que se poderia querer.

― Posso te fazer duas perguntas? ― Disse Natsu. Lucy assentiu. ― Eu pensei que seu voo partisse às dez e meia. Pensei que eu tivesse chegado muito tarde. Por que você ainda estava no aeroporto?

― O trânsito. ― Lucy respondeu. ― Cheguei tarde demais e acabei perdendo o voo.

Realmente aquele era um dia de sorte para Natsu. O azar que tanto amaldiçoara momentos antes agora se transformara em um ponto à seu favor.

― Qual era a outra pergunta? ― A loira o questionou.

― O que mudou? ― a pergunta direta deixara Lucy confusa, e, percebendo isso, Natsu a continuara. ― O que mudou para que você me perdoasse?

― Nada mudou. Eu apenas decidi que não queria partir com essa indecisão. Ter ou não ter você na minha vida.

― Isso significa que, se sua resposta foi sim, você me quer na sua vida. ― Natsu comentou, sorrindo. Era uma afirmação, não uma pergunta. Feita mais a si mesmo do que para Lucy.

― Sim. Mas não fique se achando demais por isso. ― A loira riu, mesmo que em seu interior estivesse chorando por pensar que em pouco tempo estaria longe dele.

É incrível como o tempo tem a capacidade de passar dez vezes mais rápido quando tudo o que queremos é congelá-lo. Aquela foi a meia hora mais rápida que ambos já haviam tido em toda sua vida.

Quando o momento chegou, Lucy se levantou, acompanhada por Natsu, e o abraçou na entrada do aeroporto. Queria ser forte o suficiente para conter as lágrimas de saudade antecipada que já se acumulavam em seus olhos. Porém não era.

― Ei, não fique assim. ― o rosado murmurou carinhosamente, enquanto secava com o polegar as lágrimas no rosto de Lucy. ― Desse jeito eu não vou conseguir te deixar ir embora. Vou te prender a mim e nunca mais vou te soltar.

― É só que... isso é injusto. Quando as coisas ficam bem entre nós, eu tenho que ir embora. ― A loira respondeu, afundando-se na jaqueta de Natsu e inalando profundamente o seu perfume. Não sabia quando voltaria a senti-lo, portanto queria deixá-lo completamente impregnado em suas narinas.

― Eu sei, não é nada justo. Mas, quer saber? Não importa o quão longe você esteja, ainda estará comigo. E eu estarei com você. ― Natsu segurou o rosto de Lucy com suas duas mãos, obrigando-a a olhá-lo nos olhos. ― Você é minha, entendeu?

Lucy assentiu.

― E você é meu. ― a loira conseguira ao menos conter o fluxo de lágrimas. Olhando nos olhos do garoto, percebeu que não era apenas ela quem sofria com a separação. Teve uma ideia repentina, para selar aquele momento e para garantir que Natsu não se esqueceria de sua promessa. Tirou o cachecol que usava e o enrolou no pescoço do rosado. ― Está frio aqui.

Natsu sorriu. Aquele cachecol era muito parecido com o que ganhara de seu pai, na infância. Porém havia uma grande diferença entre os dois: Aquele não lhe trazia dor.

― Obrigado.

Ela se inclinou alguns graus, colando seus lábios nos dele em um beijo que pareceu durar uma eternidade, ou que pelo menos deveria ter durado. Os beijos de despedida sempre eram os piores e melhores ao mesmo tempo. Eram aqueles que não seriam sentidos por muito tempo, e ao mesmo tempo aqueles que seriam lembrados por muito tempo.

A loira se afastou, sofrendo ao soltar a mão de Natsu. Tentou evitar olhar para trás enquanto carregava a mala para dentro do aeroporto. Tinha medo de olhar para ele e voltar correndo, atirando-se em seus braços. Não podia deixar que seu sentimento a controlasse novamente. Ao invés de Natsu, manteve seus olhos fixos na rosa que trazia na mão esquerda. Era mais fácil olhar para ela e lembrar-se do rosado, do que olhar para o próprio.

Ao vê-la desaparecer, Natsu se afastou. Foi até a rua e apoiou-se em um dos postes de iluminação. Ajeitou o cachecol, que cobria praticamente todo o seu pescoço. Quinze minutos depois viu um avião decolar, levando consigo seu coração. Lucy estaria distante, era verdade, há muitos quilômetros de distância, mais precisamente, mas ela era dele, e ele era dela. E isso era tudo o que importava.

Fim. (1ª Temporada)

Notas finais
Gente, eu queria pedir um favor a vocês. Todos os que leram esse capítulo poderiam, por favor, deixar um comentário, independente do que seja, pode ser uma letra apenas, eu só preciso saber que vocês leram, quantas pessoas leram esse capítulo, porque algo me assustou muito. Aparentemente mais de 90% dos leitores deixaram de ler a fic, as exibições por capítulo foram de 200 para 20, e eu realmente fiquei muito preocupada com isso. Por isso quero saber se isso é um problema no contador de acessos, ou se eu perdi mesmo todos esses leitores, se algo aconteceu, enfim. Por favor, me ajudem. Bem, e aqui acabamos a primeira temporada. Espero que tenham gostado e, acreditem, tem muita coisa reservada para a segunda temporada. E para deixar um gostinho de "quero a segunda temporada logo", ouçam essa música ( http://www.kboing.com.br/boyce-avenue/1-1285757/ ), que será a trilha sonora da segunda temporada, e imaginem um trailer com esses pequenos trechos, prévias do que os aguarda ;) "- Você é o meu presente. O melhor que eu já ganhei em toda a minha vida" "- Lucy? Há quanto tempo. - Ryan?" "- Você não dirá nada, Lisanna... Mortos não falam." "- Eu estou doente. Uma doença incurável, muito diferente de qualquer outra existente no mundo, surreal. Uma doença que irá acabar te matando também se ficar perto de mim. E eu não posso nem ao menos te dizer o que eu tenho, porque você duvidaria da minha sanidade se descobrisse." "- Eu não quero perdê-lo, Gray. - Nenhum de nós quer." Então é isso. Vejo vocês no especial o/