Notas iniciais
Boa leitura! : )

Após passar a noite desacordada, Lucy acordara misteriosamente deitada em um sofá, sem saber como havia ido parar ali, desnorteada e confusa, sentindo dores musculares e com a impressão de que sua cabeça iria explodir.

As lembranças da noite anterior vieram à sua mente como um clarão, assustando-a. Sentou-se bruscamente no sofá e sentiu uma ardência no lado direito de seu abdômen.

― Ei, você não deveria se esforçar. Fique deitada. ― Disse Natsu assim que viu a loira acordada e se movimentando. Correu até ela e se aproximou, tentando delicadamente fazer com que se deitasse novamente.

― Fique longe de mim! ― Lucy exclamou, sentindo seus olhos lacrimejarem.

― Eu estou tentando te ajudar, ok? ― respondeu levemente irritado.

― Era você... eu sei que era você! ― o acusou, se encolhendo no sofá enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto. ― Eu sei que foi você quem me atacou ontem...

― Não. Não mesmo! Muito pelo contrário. Eu te salvei! Escuta, Lucy, não era eu, ok? Eu nunca faria algo assim. Me deixe explicar tudo o que aconteceu. ― Lucy assentiu, incentivando-o a continuar. ― Você estava demorando e eu fiquei preocupado. Eu não sou esse monstro que você pensa, está bem? Sai para te procurar e no caminho escutei alguém gritando no beco, então fui ver o que era. Sabe, caso fosse algo sério, tipo alguém sendo assassinado ou coisa do tipo. E realmente era algo sério: Você sendo atacada por um bêbado. Eu pratiquei alguns esportes de luta por um tempo. Karatê, Judo, Jiu-Jitsu, entre outros. E o cara estava bem mal, não seria difícil derrubá-lo. Chamar pela polícia demoraria tempo demais, então resolvi agir por mim mesmo e consegui te salvar antes que ele fizesse algo a você. Bem, só não cheguei a tempo de evitar esse corte aí.

Lucy se silenciou por alguns segundos enquanto processava aquela história, que, para si, ainda parecia muito confusa. Confusa até demais...

― E você quer que eu acredite que você me salvou? ― Perguntou, duvidando da palavra do rosado. ― E se isso tudo foi um plano seu para se fingir de herói no final?

― Você pode acreditar ou não, isso é problema seu, mas não me acuse de algo assim sendo que nem sequer me conhece. ― Natsu respondeu claramente irritado. ― Francamente, eu te digo para tomar cuidado e você quase morre? Você é louca, sabia?

― Você luta com um cara armado com uma faca e eu é que sou a louca?

― E o que você queria que eu fizesse? Tê-lo deixado te matar? Não, obrigado, mesmo você estando totalmente irritante eu não faria isso. Além do mais, nada iria me acontecer, eu sou bom em lutas, é um dos motivos que me levou a conseguir uma bolsa naquela escola.

― É claro, por inteligência é que não seria, com certeza.

― Você devia me agradecer ao invés de me ofender. Se não fosse por mim poderia estar morta agora.

― O-Obrigada ― Lucy agradeceu em tom baixo. O orgulho falava alto demais.

― O que você disse? Eu não ouvi direito ― Ah, ele havia ouvido muito bem. Apenas queria ter o prazer de ouvir novamente.

― Eu disse obrigada. Sabe, por você ter me salvado.

― De nada. ― Natsu respondeu sorrindo discretamente. ― Não foi tão difícil assim, foi?

Lucy apenas o ignorou. Era o melhor a se fazer, caso contrário acabaria se estressando ainda mais.

― Que horas são? ― Perguntou. Natsu pegou seu celular, depositado sobre a pequena mesa de centro, para conferir o horário.

― Nove horas. Por quê?

― Preciso ir. Talvez dê tempo de chegar antes da terceira aula. ― Lucy tentou se levantar, porém o garoto a impediu, segurando-a no sofá forçadamente. ― O que está fazendo?!

― Você é louca?! Não vai a lugar algum no estado em que está. Perder um dia de aula não irá te matar.

Lucy bufou e se ajeitou novamente no sofá. Talvez o rosado tivesse razão, mas realmente não queria faltar. Era apenas seu segundo dia.

― E você? O que está fazendo aqui? Não deveria estar na escola?

― Não vou te deixar sozinha aqui. ― Natsu respondeu sem olhar para a garota. Pegou o controle da televisão e a ligou, ignorando todos os olhares de Lucy.

O tempo passou rapidamente. Nenhum dos dois ousou dirigir a palavra um ao outro. Mantinham toda sua atenção fixada no programa transmitido no momento. Bem, Natsu fazia isso, já que Lucy não conseguia parar de pensar na noite anterior. Não sabia o porquê, mas o fato de o rosado tê-la salvo incomodava-a de alguma forma. Talvez fosse porque repudiava a ideia de dever algo a ele. A cada segundo que se passava o odiava mais.

No dia seguinte as coisas continuavam iguais. Natsu novamente não deixou que a loira saísse de casa, o que a deixava realmente irritada. Próximo às três horas da tarde alguém tocou a campainha do apartamento. O rosado, mesmo que sem vontade alguma, atendeu a porta. Era Levy.

― Hey, baixinha. O que foi? ― Levy fez uma careta pelo apelido, apesar de nem se importar. Já havia se acostumado.

― Bom dia Natsu. Vim falar com a Lucy.

O garoto apontou para o sofá e Levy esticou o pescoço para dentro do apartamento, avistando a amiga.

― Oi, Levy-chan. ― A loira a cumprimentou.

― Lu-chan, você não foi para a escola hoje, e nem ontem, então fiquei preocupada. O que aconteceu? ― Perguntou Levy, entrando e se sentando ao lado de Lucy no sofá.

― Longa história. ― Respondeu.

― O que aconteceu foi que essa irresponsável estaria morta se não fosse por mim. ― Natsu as interrompeu.

― Como assim? O que foi que aconteceu? ― Insistiu Levy ainda mais preocupada do que antes. Não imaginava que era algo tão sério. Natsu, interrompendo novamente e após uma breve discussão com Lucy, que insistia em que era ela quem deveria responder, contou toda a história a Levy ― Lu-chan, eu realmente deveria ter insistido mais para que você passasse a noite na minha casa. Deveria ter imaginado que seria perigoso sair àquela hora.

― Não se preocupe, Levy-chan. Eu estou bem.

― Bem o caramba! ― Natsu protestou. ― E esse corte aí? Esqueceu-se dele por acaso?

― Isso não é nada de mais.

Natsu bufou contrariado.

― Tudo bem se eu ficar aqui para te fazer companhia, Lu-chan? ― Levy perguntou.

― Claro. Seria ótimo, Bem melhor do que ficar sozinha com esse alienígena rosa aí.

― Alienígena que te salvou. Não se esqueça disso.

― Com você me lembrando a cada minuto, isso é impossível.

As horas se passaram e, quando a noite chegou, Natsu encomendou a comida japonesa de um restaurante não muito distante dali. Um dos melhores da região. E o melhor era que os preços eram muito acessíveis. O tempo todo Lucy dizia estar bem, porém a região próxima ao corte a estava incomodando. Latejava demais e ela mal conseguia se mexer sem sentir dor. Começou também repentinamente a sentir frio e dor de cabeça.

― Lu-chan, você não parece estar muito bem. ― Levy comentou ao perceber que a garota tremia. Checou a temperatura da loira e confirmou o que pensava. ― Lu-chan! Você está queimando.

Natsu, apenas para confirmar, fez o mesmo que Levy e o resultado fora o mesmo.

― Por que não nos disse nada?! ― Perguntou irritado.

― Eu não queria preocupar vocês.

― Natsu, vamos levá-la ao hospital. ― Disse Levy, levantando-se.

O rosado concordou, porém havia um problema, não seria bom se Lucy fosse andando por si própria. Ele tinha uma ideia do que poderia fazer, mas sabia que ela não gostaria nada.

Sem nenhum aviso prévio Natsu pegou a garota no colo, ignorando seus protestos.

― Não reclame. ― disse. ― Pelo contrário. Sinta-se sortuda, são poucas as que têm o privilégio de serem carregadas por mim.

― Cala a boca, Natsu.

Notas finais
Reviews?