Onde Tem Ódio Tem Amor
56 Ao seu lado
Notas iniciais
Naquela noite, as nuvens punham-se cruelmente à frente das estrelas, restando nenhuma ilesa, nenhuma simples que fosse para iluminar a vida das pessoas que caminhavam ao luar. Mesmo a lua não podia ser vista devido ao tempo nublado. Independentemente, pouco importava a Lucy. Sabia que as estrelas estavam lá. Sendo possível vê-las ou não, estavam lá, brilhando em algum lugar por detrás daquelas nuvens, e apenas aquele fato já era o suficiente para fazer brotar um sorriso em seu rosto quando pôs os pés fora do prédio, em um vestido preto e casaco de mesma cor, e avistou Natsu, esperando-a de braços cruzados na calçada enquanto observava os carros passando. Pois, tal como as estrelas, por muito tempo não pôde vê-lo, tendo que contentar-se somente com o fato de saber que ele estava lá e que não mais tardar o veria novamente. E tal como ele, as estrelas voltariam a brilhar no céu amanhã ou depois. O tempo que levaria pouco importava quando sabia-se que voltariam.
Sem paciência suficiente para esperar a loira terminar de se aprontar dentro do apartamento fechado, dissera-lhe que esperaria em frente ao prédio. O ar fresco lhe fazia bem e desde o pesadelo estava anormalmente agitado. Quando a viu caminhar suavemente em sua direção, ergueu o canto dos lábios e lhe ofereceu o braço, casualmente aceito.
― Que sexy ― a loira comentou, analisando-o desde os sapatos, passando pela calça e camisa sociais, ambos na cor preta, e parando nos fios propositalmente bagunçados quase ruivos a luz da iluminação artificial da rua, que supria as necessidades, mas não chegava nem perto de igualar-se ao esplendor das estrelas. “Elegantemente sexy” era a expressão que melhor definia Natsu, com certeza. Havia uma grande compatibilidade entre trajes sociais e ele.
― Eu sou sexy, ok? ― respondeu, como se não estivesse igualmente com os olhos fixos em cada curva do corpo de Lucy. O que poderia fazer? Os dois formavam literalmente um lindo casal, em cada sentido da palavra.
― Não posso discordar de você, senhor Dragneel.
Caminhando de braços dados em plena noite pelas ruas de Magnólia, e mesmo que causada por simples fatos, a alegria que instalava-se dentro de si não poderia ser medida. Levaria cerca de cinco a dez minutos para chegar ao restaurante que haviam marcado com Gray e Juvia. Segundo Natsu, não era longe, portanto não havia problema em ir a pé. Os trajes sociais deviam-se ao fato de aquele ser um dos mais chiques restaurantes da região.
― É bastante conhecido por ser a opção mais escolhida para pedidos de casamento, o “La plaza” ― Natsu comentou durante a caminhada.
― Então escolheria esse lugar para me pedir em casamento algum dia? ― a loira indagou, mais em tom de brincadeira do que sendo aquela uma pergunta séria. O garoto riu seco.
― Qual é, acha que eu seria tão previsível? No momento em que você soubesse que estamos indo ao restaurante já preveria o pedido. Qual a graça? ― ele fez uma pausa, olhando por breves segundos para o céu nublado, voltando seus olhos ao chão ao dar de cara com nuvens sem graça. ― Não, eu faria algo diferente. Algo que fosse único. Que coubesse apenas a nós dois, que fosse especial para nós e possuísse algum significado, entende?
― E o que seria isso? ― indagou outra vez, agora com uma pontada a mais de curiosidade.
― Espere para saber quando chegar o momento, apressada. ― carinhosamente tocou o nariz de Lucy com a ponta do dedo. Casar, constituir uma família, a ela parecia uma ideia tão clichê. Isso é claro, se não houvesse certo “Natsu” envolvido no meio. Porque a vida com ele jamais seria um clichê.
Mais alguns passos e haviam chegado ao “La plaza”. A fachada era coberta de vidros, possibilitando já de fora ver o interior rústico, completamente de madeira, dando um clima aconchegante e um toque arcaico ao ambiente. A iluminação dava-se inteiramente por grandes lustres e velas colocadas nas mesas. Belo lugar.
Natsu assim que entrou foi de encontro ao recepcionista e pediu pela mesa reservada em nome de Gray Fuulbuster. O elegante rapaz os guiou até o centro do restaurante, retirou uma pequena placa de uma das mesas e fez sinal para que se sentassem. E assim fizeram, com Natsu à esquerda e Lucy à direita.
A noite não estava propícia à beleza daquele lugar. Se o céu estivesse límpido, poderia enquanto jantava observar as estrelas, já que o teto também era de vidro. Imaginou como seria estar ali em uma noite sem nuvens e a ideia lhe pareceu extremamente agradável. Um dia daqueles voltaria ali com Natsu para degustar a experiência.
― Não se pode ver céus tão bonitos em Nagoya, não é? Mesmo com as nuvens atrapalhando hoje ― perguntou Natsu, notando o olhar de Lucy para o teto. ― Com todos os prédios e tal.
― Entende porque senti tanta falta desse lugar ― a loira respondeu sorrindo, juntando a mão de Natsu à sua. ― Magnólia é uma cidade pequena, mas seu tamanho é inversamente proporcional à sua beleza.
― Então quer dizer que voltou por causa da cidade, e não por mim? ― questionou, franzindo a testa. ― Agora me magoou, Lucy. Por todo esse tempo pensei que fosse por mim, e só sentiu falta da cidade.
O tom de brincadeira o denunciou. Era óbvio que não passava de mais uma de suas pirraças.
― Dramático.
Enquanto Gray e Juvia não davam sinal de vida, Natsu pediu ao garçom uma garrafa de champagne, para molhar a garganta seca e matar o tempo. Passou a admirar tanto Lucy quanto as bolhas que subiam pelo líquido. Era curioso como aquela simples reação prendia sua atenção, sem se dar conta do porquê, apenas preocupando-se em observá-la. Tão distraído que estava com as bolhas, mal percebeu Gray chegar e cutucá-lo nas costas.
― Começaram sem nós, é? ― brincou, cumprimentando tanto Natsu quanto Lucy, o mesmo com Juvia. Após cumprimentos feitos, foram sentar-se do outro lado da mesa. Natsu entendia o motivo de Gray estar se esforçando tanto para conquistá-la outra vez, a jovem moça estava linda, e talvez um tanto quanto envergonhada, pois suas bochechas possuíam uma leve coloração rosada, se bem que Natsu não se lembrava de um dia tê-la visto sem estar corada, especialmente perto de Gray. ― Como vai o casal?
― Muito bem, obrigado ― Natsu respondeu por ambos, tomando um gole de champagne.
O garçom, ao perceber a chegada dos outros dois, veio até a mesa anotar o pedido do prato principal. Todos concordaram que a melhor opção seria a sugestão do chefe e uma nova garrafa de champagne, pois a anterior já estava perto do fim. No geral, a noite estava agradável, exceto a total falta de habilidade de Gray para com Juvia e a vergonha desta, que corava cada vez mais sempre que encostava no moreno.
De repente, o rumo da conversa tomou o caminho dos sonhos de cada um. Juvia contara que gostaria de ser estilista, mas que desistira da profissão quando percebeu que não possuía talento algum para desenho; Lucy revelou o que para Natsu não era revelação alguma, queria seguir os passos do pai com a empresa, se maravilhava com o mundo dos negócios que entediava a tanta gente; parecia uma espécie de aventura na vida real, na qual não podia falhar, pois muitas outras pessoas dependiam dela, um tipo de jogo de estratégia em que um movimento errado poria tudo a perder, e não podia perder. Era emocionante em sua concepção. Só tinha certeza de que faria uma coisa opostamente ao pai: colocaria a família, e não o trabalho, em primeiro lugar.
E então chegou a vez de Gray, cujo desejo interligou-se a Natsu de forma que o rosado não queria.
― Havia vários olheiros no último jogo da temporada quando estávamos no colégio. Fiquei esperando por um bom tempo que um deles tivesse percebido algum potencial para jogar em um time grande, mas não tive a mesma sorte que Natsu. ― o garoto então lhe lançou um olhar ameaçador, que dizia praticamente “não deveria ter mencionado isso”. Lucy franziu a testa e perguntou:
― Mesma sorte que Natsu? Como assim?
― É ― o moreno continuou, sem ter certeza se devia. Mas, já que havia começado, era melhor terminar. ― Um olheiro gostou das habilidades de Natsu e o convidou a assinar contrato com um grande time nos Estados Unidos alguns meses depois que você foi embora, mas ele recusou. Não tinha contado a ela?
― Não.
― Por que recusou? ― a loira perguntou, olhando para Natsu.
― Porque eu não queria. Simples. ― respondeu levemente irritado, sem olhar diretamente para Lucy.
― Eu não entendo. Por que jogou fora a oportunidade única de trabalhar em algo que realmente gosta?
― Gostaria que eu tivesse ido? ― indagou seco, finalmente olhando-a. Para Lucy, parecia uma pergunta um tanto cruel. Estava perguntando se ela gostaria de ficar longe dele? Nesse caso, era óbvio que não, mas se aquilo fosse fazer bem a ele, não gostaria de ser ela uma corrente que o prenderia.
― Se fosse o que você quisesse fazer, então sim.
― Mas não era o que eu queria, ok? ― Natsu ajeitou-se na cadeira, e Gray chamou a atenção de ambos, pigarreando.
― Desculpe ter feito vocês discutirem. ― disse o moreno.
― Não estamos discutindo ― a loira respondeu. ― Só debatendo sobre algo, apenas isso. Não é?
― Claro ― Natsu concordou, beijando rapidamente Lucy para reforçar sua afirmação. Estava tudo bem, realmente. Havia sido apenas uma pequena e rápida discussão sem importância. ― Só isso.
Gray novamente pigarreou, ajeitando a gravata desconfortável. Considerava-se culpado por aquele momento tenso.
― Alguém aceita mais um pouco de champagne?
Juvia, que até então permanecera calada, fora a única a erguer sua taça.
― Por favor, Gray.
Nervoso e tremendo como estava, ainda mais naquele momento, o resultado não poderia ser outro. Desajeitadamente o moreno acabara por derramar o líquido no vestido de Juvia.
― Ah, me perdoe! ― exclamou, ainda mais preocupado do que antes. Aquela definitivamente não era sua melhor noite. Rapidamente pegou um guardanapo de cima da mesa e tentou secar a mancha. ― Foi sem querer, juro.
― Não se preocupe, Gray, não foi nada. Eu já volto ― a jovem se levantou e caminhou até o banheiro para tentar consertar o ligeiro estrago. Enquanto o moreno, ainda mais culpado, apoiou a cabeça nas mãos e bufou.
― Cara, o que está acontecendo com você? ― Natsu o questionou.
― Juvia. Juvia foi o que aconteceu.
Quando se tratava de qualquer outra mulher, as coisas eram diferentes, muito mais fáceis. Mas com Juvia... Gray parecia perder toda a sua “habilidade”. Desde que ela decidira se valorizar mais e parar de correr atrás dele, justamente quando ele percebeu que a queria mais do que qualquer outra, as coisas começaram a andar mal com relação aos seus sentimentos.
― Vou tentar dar um jeito nisso. Volto logo. ― Lucy avisou, levantando-se também. E mesmo sem a menor noção do que dizer, foi até o banheiro conversar com Juvia. O plano era auxiliar Gray, correto? E o que até então tinham feito para ajudá-lo? Nada. E se haviam prometido ajudar, era isso que ela tentaria fazer.
Juvia encontrava-se em frente ao espelho, com um pano descartável molhado em mãos esfregando a mancha, que, apesar de incolor, era muito visível no vestido roxo. Para disfarçar, a loira pegara um batom em sua bolsa e começara a retocar os lábios.
― Gray está bastante nervoso ― comentou sem olhar diretamente para Juvia.
― Não entendo por que. Ele não costumava ser assim.
― Os homens vivem dizendo que as mulheres são complicadas, mas eles são tão complicados quanto ― terminou, guardando o batom na bolsa. ― Ele só está apaixonado e com medo de acabar fazendo besteira.
Era incrível como aquele tipo de medo era o mais contraditório possível. Ao temer ações que poderiam desencadear vergonha, essas ações acabam involuntariamente acontecendo, na maior parte das vezes.
― Mas por que antes ele não demonstrava estar apaixonado? ― Juvia perguntou, jogando o pano no lixo.
― Acho que Gray esperava que você desse mais valor a si mesma ao invés de parecer tão obcecada por ele. Mas quando isso aconteceu, não soube lidar com a situação e se perdeu. Sabe, aquilo que as pessoas dizem, as pessoas só se dão conta do valor de algo quando não os tem mais.
― Lucy, posso te perguntar uma coisa? ― a loira assentiu. ― Quando Natsu ainda não tinha se declarado abertamente, ele também ficou assim?
― Natsu era um pouco diferente. Mas, se quer saber, o modo de Gray demonstrar é melhor do que o dele era. Natsu costumava me irritar muito. Se falta confiança para o Gray, sobrava ao Natsu. Mas acho que todos eles são diferentes demais para serem comparados. Por mais irritante que fosse, eu gostava. E de certa forma, é fofo o modo como Gray fica todo bobo perto de você. Se quer uma dica, tente fazer com que ele perceba que não precisa temer.
Juvia sorriu.
― Obrigada, Lucy.
― Não precisa agradecer. Agora vamos, se os deixarmos muito tempo sozinhos tenho medo de que acabem se matando.
***
― Lucy, o que está fazendo? ― o rosado perguntou, indagando-se sobre o fato de estarem escondidos atrás de uma van estacionada perto da entrada do restaurante ao invés de estarem indo embora, como deveriam.
― Verificando se nosso trabalho foi um sucesso ou um fracasso completo. Silêncio, apenas observe.
Natsu bufou, juntando-se a Lucy no fim das contas. O que ela tanto espionava era a conversa entre Gray e Juvia à porta do restaurante, a qual apenas olhava, pois era impossível ouvir o que diziam.
― Você é tão curiosa, sabia?
― Não diga que também não é, porque é ― e então, no segundo seguinte, um sorriso brotou no rosto de Lucy ao ver Juvia inclinar-se e beijar Gray. Ela tomara a atitude, afinal, e não poderia ter feito coisa melhor, na opinião da loira. Não tendo mais o que ver, virou-se para Natsu e segurou sua mão, pronta para ir embora. ― Pode me chamar de cupido, senhor Dragneel. Sucesso completo.
O garoto sorriu, pondo-se a caminhar acompanhado da loira. A empolgação da loira era contagiante.
― E quais serão seus próximos alvos?
― Não sei... que tal Gajeel e Levy?
― Difícil.
― Difícil sim, mas não impossível. ― argumentou, apoiando a cabeça no ombro de Dragneel. ― Natsu, falando sério, por que não aceitou aquela proposta?
― De novo esse assunto, Lucy?
― Só quero uma resposta mais específica. O jeito que você respondeu foi muito vago.
Natsu suspirou e olhou para o céu.
― Eu teria que me mudar para os EUA, e para quê? Só para ganhar dinheiro? Não queria me mudar e ficar longe de todas as pessoas que eu amo. Dinheiro não é minha prioridade. Ganhando o suficiente para viver já está ótimo para mim. Meus amigos, minha família, vocês sim são.
A loira permaneceu em silêncio. Não sabia se se sentia lisonjeada ou mal. Não gostava de ser um dos que o prenderam ao Japão. Apesar de ser o que o garoto queria, era um empecilho em uma grande oportunidade. Mas enfim, talvez fosse a influência de sua família, onde aprendera que o poder monetário era algo de extrema importância, que a estivesse fazendo pensar daquela forma.
Soltou-se de Natsu e passou a caminhar à frente enquanto pensava. A rua estava completamente deserta, de certa forma era assustador, ainda mais mal escutando os passos de Natsu atrás de si. Então as coisas pioraram ainda mais, quando as luzes da rua se apagaram um breu instalou-se no local. Parou imediatamente, assustada e sem ouvir o rosado.
― Natsu?
Nenhuma resposta. Seu coração passara a palpitar mais rápido, e sentiu como se fosse ter um enfarto quando mãos agarraram de supetão sua cintura. Não teve outra reação senão gritar e deixar que lágrimas de medo escorressem por seu rosto.
― Ei, calma, sou eu, Lucy. A energia só deve ter caído ― respondeu rindo o rosado, virando-a para si e cessando a risada, mas não o sorriso, ao perceber lágrimas caindo por seu rosto. ― Desculpe, quis apenas te dar um susto para cortar o clima tenso de antes. Não foi minha intenção te assustar tanto.
― Idiota ― murmurou, enterrando seu rosto na camisa de Natsu e tentando controlar a respiração. Quando percebeu que a iluminação havia voltado, se afastara e continuara a caminhar sozinha.
Passou todo o resto do caminho em silêncio. Era frágil demais quando se tratava de levar sustos, assustava-se com qualquer coisa boba. Detestava aquela fragilidade, tornava-a vulnerável demais.
Chegou ao apartamento ainda sem dizer uma palavra, com Natsu em seu encalço.
― Está brava comigo? ― silêncio. ― Está brava comigo. Lucy, fala comigo. ― pediu em tom manhoso. Novamente sem obter resposta, decidiu partir para a ação, já que palavras pareciam não funcionar. Deu alguns passos à frente e a abraçou por trás, encostando seus lábios no pescoço da loira e sugando a pele do local.
― Natsu! ― Lucy exclamou, virando-se quase que imediatamente, oportunidade que não foi desperdiçada por ele para prendê-la em seus braços de frente para si. Aquela marca em seu pescoço demoraria a sumir, sem dúvida.
― Melhor assim ― o garoto sorriu de forma cafajeste. Com Lucy de frente para si, pôde direcionar seus lábios para onde realmente desejava: a boca de sua amada. E pronto, estava feito o estrago. Parte nenhuma de Lucy conseguiria resistir aos encantos de Natsu. Ele a prendera novamente em uma armadilha impecável.
Mas afinal, não era como se estivesse mesmo brava com ele. Fazia pirraça para irritá-lo e coagi-lo a não assustá-la mais, porém era apenas isso. Logo estava totalmente entregue ao beijo, com as mãos desabotoando os botões da camisa de Natsu enquanto ele tratava de arrancar o vestido da loira e guiá-la ao quarto.
Aquele feitiço que ele lhe lançava sempre que tocava seus lábios com os dele parecia inquebrável. Esperava que fosse, ao menos. Voltou a um estado mais lúcido apenas no momento em que ele deixara seus lábios para direcionar os beijos ao pescoço da loira.
― Me perdoe pelo susto. ― o rosado murmurou entre beijos.
― Não sei...
― Vamos ― disse, ainda continuando com os beijos, que agora haviam descido para perto dos seios da garota. ― faço qualquer coisa para me perdoar.
― Talvez eu te perdoe se me fizer um favor.
E foi então a vez de Natsu voltar a si, ao ouvir a palavra “favor”. Afastou-se para poder observá-la melhor.
― Que favor?
― Preciso que vá comigo a Nagoya no próximo fim de semana ― o rosado desviou o olhar, claramente desinteressado pela ideia. ― Por favor, Natsu. Vai haver uma espécie de baile com sócios importante e não quero voltar sozinha. Preciso de você comigo.
― Eu não me encaixo nesse tipo de evento, Lucy. ― rebateu.
― Não me faça voltar para lá sem você. Não quero ter que aguentar aquelas pessoas sem ninguém. ― Natsu bufou, ainda relutante. ― É só por um fim de semana. Mas, se não quiser, posso pedir para Jun me acompanhar.
A última cartada de Lucy funcionou muito bem, como esperado. Sabia que o ciúmes de Natsu o faria ceder. O rosado logo concordou.
― Ok, ok. Eu vou. ― bufou outra vez e se jogou de costas na cama, com os braços cruzados sob a cabeça. ― Você acabou com o clima, Lucy.
Com um sorriso malicioso, que, aliás, havia aprendido com Natsu, a loira rastejou até metade da cama, abriu o cinto de Natsu, desabotoou a calça que ele vestia e deslizou sua mão para dentro da vestimenta. Sentiu logo o membro ereto do rapaz e tratou de deixá-lo ainda mais “animado”, escorregando sua mão por ele repetidas vezes enquanto tratava de observar Natsu tentando manter sua face neutra.
― É mesmo? Porque parece que ele ainda está bem acordado.
Não demorou até que Natsu desistisse de resistir e desse o bote, como um animal selvagem. Jogou-se por cima de Lucy, obrigando-a a deitar-se por baixo dele, ambos muito próximos um do outro.
― Você ainda vai me deixar louco, Heartfilia.
Com o intuito de provocá-lo ainda mais, Lucy deslizou seu dedo indicador pelo lábio inferior de Natsu, olhando-o sedutoramente.
― Errado. Eu te deixo louco, Dragneel. No presente. E continuarei deixando no futuro.
Natsu sorriu pelo autoconvencimento de Lucy. Amava ser provocado, mas ela havia passado dos limites e acordado o lado mais selvagem do garoto. Logo já havia voltado a atacar os lábios de Lucy vorazmente, e iniciava-se uma batalha para decidir qual dos dois conseguiria resistir mais ao outro.
Em um rápido movimento ele tirou do caminho todas as peças de roupa que separavam suas intimidades, suas e a dela. Com uma pressa quase que absurda, quebrou todo o espaço que os separava e os uniu como se fossem um só corpo, o prazer preenchendo a ambos com o roçar de seus corpos. Fê-la dele outra vez, imaginando que mesmo milhares de vezes nunca seriam suficientes.
O júbilo perdurou-se por bons minutos antes de atingirem o ápice de seus prazeres. Ambos tentavam conter as demonstrações de exaltação, mas eram todas tentativas vagas. Ao fim, fez-se maior a vontade de gritar ao mundo a ótima sensação de sentirem um ao outro daquela forma.
Mesmo quando Natsu encerrou o contato mais íntimo, não deixou afastar-se completamente. Deu um tempo de alguns segundos para recuperar o fôlego perdido e voltou a beijá-la, sentando-se na cama com Lucy em seu colo, agarrada ao seu pescoço, espremendo seus lábios aos dele e ouvindo o único som que conseguia, que era os beijos terminando e recomeçando outra vez.
― Isso é tudo que você tem, Dragneel? Está me decepcionando ― sussurrou ao pé do ouvido de Natsu, provocando-o outra vez, ofegante.
― Você não viu nada, Heartfilia.
Sem dar qualquer aviso prévio, ele novamente a invadiu, com ainda mais desejo do que da vez anterior, superando também o cansaço deixado por ela. Mas, ela o havia subestimado, e não gostava quando duvidavam de suas capacidades, mesmo por brincadeira. Precisava provar que estavam errados.
Natsu estava tão determinado em sua tarefa que não poupou esforços para ouvir Lucy gritar de prazer, gritar por seu nome, bem ali, perto de seu ouvido, onde poderia escutar com perfeição, agarrada aos seus fios de cabelo e pressionando seu corpo contra o dele. Levaria outra advertência provavelmente, mas quem ligava? Ele não, com certeza.
Novamente a onda de prazer veio, mais intensa do que há minutos antes, deixando ambos em êxtase completo, gemendo o nome um do outro quando chegaram ao ponto máximo juntos. O cansaço dominou cada parte de seus corpos e despencaram na cama, com o corpo molhado de suor.
Lucy recuperou-se rapidamente. Levantou-se da cama e vestiu a peça íntima inferior outra vez. Natsu encontrava-se tão exausto que sequer se deu ao trabalho de mover-se ou perguntar aonde ela iria, apenas a acompanhou com o olhar até a porta.
O movimento lhe dera sede e fora até a cozinha beber um copo de água. A noite, como tinha previsto quando começou, havia sido ótima. Sorriu ao, enquanto bebia a água, sentir braços rodeando sua cintura e uma cabeça apoiar-se em seu ombro.
― Por que não voltamos para lá? ― Natsu perguntou, virando Lucy para si. O rosado havia vestido uma cueca boxer preta.
― Seu fogo nunca acaba? ― a loira revidou com outra pergunta, apoiando as mãos nos ombros de Dragneel.
― Não, acho que eu tenho uma espécie de gás infinito ou coisa assim, sabe?
Lucy até poderia tentar acreditar que a animação de Dragneel naquela noite em especial se devia apenas ao desejo, mas sabia muito bem que havia algo a mais naquela história.
― Sei. Ou apenas está com medo de dormir por causa do pesadelo que teve noite passada ― Natsu desviou o olhar, o sorriso em seu rosto morrendo. Lucy não precisava de uma afirmação, a própria reação do garoto já confirmava sua teoria.
― Não estou com medo.
― Está exausto, Natsu. Dá para perceber só de olhar para você. Se não for por medo, então por qual outro motivo não iria querer dormir? ― o rosado não respondeu. ― O que havia de tão ruim nesse sonho para te deixar assim? Pode confiar em mim para me dizer.
Natsu olhou para os lados, para baixo, olhou para qualquer canto enquanto podia evitar o olhar de Lucy. Mas infelizmente não podia evitar para sempre.
― Você ― respondeu. ― Você morrendo em um incêndio. Acontece que nem em sonho consigo pensar em perder você.
Claro que não era apenas aquilo. Havia também a voz e seus pais, mas não revelaria aquelas partes a Lucy. Ela o acharia louco, e aquilo era a última coisa que precisava no momento.
A loira o olhou com compaixão e afeto e o trouxe para seus braços, o mais forte que pôde.
― Natsu ― afagou os cabelos do garoto, sentindo a respiração dele contra sua pele. ― Eu estou bem aqui, e não vou a lugar algum. Não precisa se preocupar com isso. Precisa descansar e relaxar. Já sei, tenho uma ideia.
A loira se afastou. Foi até o quarto e quando voltou trazia nas mãos um edredom e um travesseiro, os quais colocou no sofá. Pegou o controle da televisão e a ligou.
― O que vai fazer? ― Natsu perguntou.
― Deite-se ― ele obedeceu, mesmo que duvidoso, e logo ela também deitou sobre o garoto. ― Se você não dorme, eu também não durmo.
― Lucy...
― Não discuta, Natsu.
E Dragneel obedeceu.
A loira não se deu conta quando adormeceu, mas na manhã seguinte, a primeira coisa que viu ao acordar foi Natsu dormindo. Sorriu e o beijou no peito. Começara a pensar nas palavras que dissera na noite anterior, sobre não ir a lugar nenhum. Esperava que pudesse cumpri-las, pois a vida era muito mais divertida ao lado de Natsu, e por isso não conseguia imaginar-se sem ele.
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