Onde Mora o Coração

6 Por favor, me salve


Notas iniciais
Olá, meninas! Desculpem não ter postado ontem. Eu estava com um enxaqueca daquelas, eu tentei revisar, mas minha cabeça não deixou. Eu ia postar de manhã, só que de manhã teve a final da superliga masculina de vôlei e eu como amante, fascinada desse esporte, não podia perder e foi um jogão mesmo. Porém o importante é que estou postando agora. Agradeço a quem comentou e favoritou, obrigada mesmo. Boa leitura!

Palo Alto (Califórnia), 10 de Agosto de 2015 (Segunda-feira).

— Aaron, por que as coisas tem que serem tão difíceis entre a gente? — perguntou Emily.

— Emily, eu te fiz uma pergunta simples, você só precisa responder sim ou não — retrucou Hotch.

— Pra que, Aaron?

— Eu vou entender como um não, que você não o ama.

— Eu me casei com você por amor e olha como as nossas vidas estão hoje.

— Dessa vez vai ser diferente, eu prometo ser mais presente — disse ele segurando a mão dela entrelaçando seus dedos nos dela.

— Aaron, você sabe que só está mentindo para si mesmo. Você sabe que as coisas nunca poderão ser assim, sempre haverá mais casos e você sempre precisará se ausentar. E eu não te culpo por isso... é o que você faz.

— É o que eu sou — respondeu ele a encarando — você se separou de mim pela Wendy. Ela já está grande hoje, com certeza vai entender meus motivos. Eu só preciso de uma chance.

Nesse momento Philip chegou e pareceu incomodado com a cena que vira, mas manteve a calma. Emily rapidamente soltou a mão de Hotch.

— Estávamos falando de Wendy... — falava Emily tentando se explicar.

— Vamos para o hotel, querida — disse Philip.

— Não, eu quero ficar aqui aguardando notícias da minha filha — retrucou Emily.

— Mas você não pode fazer mais nada e estou cansado, Emy — falou ele.

— Então vá você descansar, eu não quero — Emily levantou-se — eu não vou conseguir descansar. Será se não entende?

— Certo, eu entendo — falou ele um pouco irritado e demonstrando uma certa aflição.

***

— E quem alugou esse cofre? — perguntou Reid — a própria Wendy?

— Ai você achou minha kriptonita — respondeu Garcia — não tem essa informação e não consigo achá-la. Mas uma coisa é certa, Wendy era menor de idade quando o aluguel foi feito, então o aluguel com certeza foi feito por um adulto responsável por ela.

— Tudo bem, Garcia.

— Não se preocupe, geniozinho, que a Super Garcia vai continuar procurando — disse desligando o telefone.

Reid estava com os pensamentos a mil, muitas coisas vinham ao mesmo tempo, por isso ele precisava se acalmar para raciocinar direito. Ele saiu da sala a procura dos demais agentes, logo encontrou Emily, Hotch e Philip.

— Hotch, podemos conversar um minuto — pediu Reid — vocês dois também, Senhor e Senhora Froster.

— Alguma pista da minha filha? — perguntou Emily aflita.

— Acredito que sim, vamos conversar na sala — pediu Reid, os três concordaram e acompanharam o rapaz.

Chegando lá, Reid falou sobre o aluguel do cofre em nome de Wendy.

— Eu nunca aluguei cofre nenhum para Wendy — disse Emily.

— Eu também, não — falou Hotch — toda a ajuda financeira que mandei durante esses anos eu depositava diretamente na sua conta.

— Mas algum adulto responsável por Wendy fez isso — completou Reid.

Emily e Hotch ficaram se encarando sem nada entender, depois ambos olharam para Philip que havia ficado um pouco distante, demonstrando uma certa inquietação.

— Philip — disse Emily virando-se para ele.

— Emy, eu sinto muito — disse Philip.

— O que tem nesse cofre? — perguntou Emily demonstrando irritação.

— Querida, eu juro que não queria envolver Wendy nisso — tentava se explicar Philip deixando Emily e Hotch irritados.

— Diga logo o que tem naquele cofre? — insistiu Hotch bem irritado.

— Era um dinheiro que estava guardando para Wendy — respondeu Philip.

— Philip, por favor, não minta — falou Emily mais irritada ainda — Wendy não precisa do seu dinheiro.

— Por isso mesmo, Emily, você nunca deixou eu ajudá-la financeiramente, então fiz às escondidas.

— Por que isso é obrigação minha e do Aaron, que somos os pais dela — retrucou Emily.

— Está vendo como sempre arruma um jeito de me excluir da sua vida...

— Philip, não aja como se eu fosse o monstro aqui. Eu só não queria jogar uma responsabilidade em você que não é sua, Wendy tem pai e o pai dela é o Aaron, não você.

— Pai? Quem ia para as reuniões do dia pais na escola? Quem dançou com ela na festa de 15 anos? Quem ficava acordado te dando apoio quando a menina ficava doente a noite toda? Quem botou correr um primeiro rapaz que veio querer namorá-la? Quem foi em todas as estreias dos campeonatos que ela disputou? E você está dizendo que ele é mais pai do que eu?

— Eu posso não ter sido um pai presente, mas eu continuo sendo o pai de Wendy — retrucou Hotch.

— Ah certo — disse Philip aplaudindo com ironia — você ficou com a parte mais fácil, que foi fazer Wendy, mas e depois? Eu sou muito mais pai dela do que você.

Aaron ficou calado, pois não tinha respostas, se tinha uma coisa pela qual ele se culpava era de ter sido um marido e um pai ausente.

— Eu acho que devemos viajar para Miami — disse Reid sem jeito devido ao clima pesado que ficou — ele ou eles já devem estar com Wendy lá, com certeza amanhã eles estarão no banco para abrir o cofre.

— Eu vou falar com Rossi — falou Hotch — partimos em trinta.

Hotch saiu.

— Eu vou com ele — disse Reid — com licença.

Emily ficou a sós com Philip ainda muito irritado.

— Quanto tem em dinheiro nesse cofre? — perguntou Emily.

— Acho que uns duzentos mil dólares — respondeu Philip.

— Quem sabia desse dinheiro?

— Eu achava que ninguém sabia...

— É, mas alguém sabia — retrucou Emily com agressividade.

— Tudo bem, eu mereço isso, pode me xingar, pode me bater, fique à vontade... descarregue sua raiva em mim. Mas eu só fiz o que fiz pensando no bem dela.

***

Hotch e Reid depois de muito procurarem, acharam os demais agente na copa e lá mesmo conversaram. Hotch contou tudo que Reid havia descoberto.

— Mas sabe o que é mais estranho? — indagou Reid.

— O que? — perguntou Morgan.

— Eu consegui achar o número do cofre através da moeda deixada na cena do crime — respondeu Reid — então a moeda na cena do crime faz sentido para o Froster e com certeza era um recado para ele, pode ser que desde o início ele já soubesse quais eram as intenções do sequestrador.

— E por que ele não denunciou? — indagou Elle.

— Talvez a moeda tenha sido deixado como uma forma de chantageá-lo — respondeu JJ.

— Mas chantageá-lo por que? — perguntou Morgan.

— Que tipo de pessoa usaria uma moeda como referência para colocar uma identificação num cofre? — indagou JJ.

— Uma pessoa fascinada por moedas — respondeu Hotch.

— Quer dizer que Philip Froster pode ser o assassino da moeda? — perguntou Elle.

— Calma pessoal — disse Morgan — o assassino da moeda está sem agir há 7 anos.

— Há quanto tempo Froster está em Londres? — perguntou Rossi.

— Eu não sei bem — respondeu Hotch ficando muito pensativo — mas vai fazer sete anos que ele e Emily estão juntos.

— Na época o perfil do assassino era homem branco, mais de 30 anos, meticuloso, organizado, que possuísse algum cargo de autoridade... — dizia Hotch.

— Philip se encaixa perfeitamente no perfil, e ele ainda é daqui da Califórnia — respondeu Elle interrompendo Hotch.

— Quem sequestrou Wendy, sabe quem é ele — retrucou JJ.

— Com o sequestro da minha filha e a possível descoberta da identidade dele pode ser que ele esteja ficando estressado e se ele for mesmo o assassino pode voltar a matar — falou Hotch — e nós não podemos confrontá-lo até sabermos o paradeiro de Wendy.

— Só que a moeda na cena do sequestro de Wendy, não são as mesmas dos crimes anteriores — retrucou Reid.

— Pode não ser uma moeda da qual ele se livraria, já que a moeda faz sentido para ele — completo Hotch.

— Tenho que concordar com Reid, não podemos nos precipitar, ainda temos muitas perguntas sem respostas para podermos rotular Philip — falou Rossi — eu já pedi para Garcia o dossiê completo dele, vamos analisar com calma e depois tiramos uma conclusão, mas vamos mantê-lo por perto e sob vigilância. Por ora vamos dividir a equipe, em quem vai para Flórida e quem fica na Califórnia.

— Eu já sei que tenho ficar mesmo — disse JJ — afinal, a imprensa já deve estar vindo com todo fôlego.

— Certo — respondeu Rossi — Morgan fica com ela caso ela precise de apoio e para o caso de aparecer mais alguma evidência do sequestro de Wendy. O restante da equipe vai para Flórida, inclusive Hotch... Emily e Philip também vão.

Dentro do tempo estipulado, eles partiram para a Flórida.

***

Miami (Flórida), 11 de Agosto de 2015 (Terça-feira).

Wendy dormia no chão quando a Senhorita Bello chegou a chutando, não com muita força, mas o suficiente para acordá-la.

— Vamos, garota, acorde!

Wendy levantou-se rapidamente ficando rente a Senhorita Bello.

— Tire a roupa — falou a morena.

— O que? — perguntou Wendy abraçando o próprio corpo.

— Não se preocupe, não vamos fazer nada de mau para você, pelo menos por enquanto — respondeu a maléfica, Wendy hesitou, então ela partiu para cima dela, as duas começaram a travar uma luta corporal, Jason ouvindo o barulho correu para ver o que era e ficou parado olhando as duas brigarem — me ajuda, idiota.

— Por favor, Jason, me ajuda — pedia Wendy.

— Ela rejeitou você quando se declarou para ela, lembra-se — disse a Senhorita Bello — segure ela para darmos continuidade ao nosso plano.

— Certo — disse Jason Cutt, segurando Wendy que começou a gritar desesperadamente.

— Ninguém vai lhe estuprar, garota fresca — falou a Senhorita Bello — quero só que tire o casaco e a camiseta.

***

Era por volta de 8 horas da manhã e os agentes já estavam do lado de fora do banco, dentro de um carro esperando a hora que os sequestradores iriam com Wendy pegar o dinheiro. Hotch estava na direção, Rossi no banco do carona e Reid e Elle atrás. Por volta de 10 horas eles tiveram o primeiro sinal, Wendy entrava no banco sozinha, ela ainda estava com o uniforme do time e com o casaco por cima.

— Estranho — disse Rossi — por que eles a mandariam sozinha, ela pode fugir se quiser, pedir ajudar lá dentro... tem muitas possibilidades.

— Mas para eles terem a mandado sozinha, é por que tem certeza que ela vai voltar — falou Hotch — Elle entre lá e veja se consegue falar com ela, mas tente não parecer tão policial, com certeza eles devem estar observando-a.

— Sério, Hotch? — falou Rossi — está escrito na testa de Elle “Sou uma agente do FBI”.

— Vou considerar isso um elogio — disse Elle.

— Acho melhor Reid — sugeriu Rossi.

— Eu? — estranhou Spencer.

— Sim — respondeu Rossi — não é você mesmo que uma vez disse que sem uma arma fica parecendo um assistente de professor?

— Foi, eu disse isso na última vez que fui reprovado na prova de tiro — concordou Reid — mas o que eu vou fazer?

— Você vai falar com ela, tentar ganhar a confiança dela — disse Hotch — ela deve estar desesperada, se sentir segurança em você, ela vai pedir ajuda.

— Sobre o que eu vou falar com ela? — perguntou Reid nervoso.

— Imagine que vai a um encontro — respondeu Elle — faça primeiro perguntas amplas, como por exemplo, como ela está, como o dia está belo, se ela é daqui... essas coisas, para ir ganhando a confiança dela, mas primeiro se apresente, pergunte o nome dela. Nós vamos ligar para o gerente do banco e pedir para ele enrolar o máximo que puder.

— Eu ainda estou inseguro — falou Reid

— É só fazer isso que a Elle disse — disse Hotch — menos na parte do encontro.

— Não liga para ele — disse Elle para Reid — é só um ciúme bobo de pai. Se você se sair bem, quem sabe depois de tudo isso ainda descola um encontro.

— Elle! — falou Hotch em tom de repreensão.

— Calma, chefinho... só estou brincando — respondeu Elle

— Tudo bem, eu vou — se convenceu Reid, respirando fundo. Ele tirou a arma e tudo que o pudesse caracterizar como agente federal e saiu do carro.

— Como diria Morgan: vai lá, garanhão — brincou Elle mais uma vez recebendo um olha mortal de Hotch — e não se meta com a filha do chefe, ele carrega duas armas e você no momento está sem nenhuma.

— Dar pra parar, Elle — pediu Hotch.

— Tudo bem, já não está mais aqui quem falou — se desculpou Elle.

Spencer entrou no banco nervoso, logo que entrou viu Wendy falando com o gerente e recebendo um papel, em seguida ela se sentou nuns bancos que haviam lá para esperar. Reid foi se aproximando lentamente.

— Oi, tudo bem? — disse Reid sentando-se do lado da garota

— Tudo.

— vi pelo seu uniforme que é da Universidade George Washington.

— Sim, sou — respondeu ela tensa.

— Doutor Spencer Reid — disse ele estendendo a mão.

— Wendy Hotchner — respondeu ela segurando a mão dele.

— Pensei que era Prentiss — retrucou ele.

— Que? — estranhou ela.

— Seu uniforme diz que é W. Prentiss — respondeu ele com um sorriso sem graça.

— Sim, mas hoje eu sou Hotchner.

— O dia está belo hoje, não está? — perguntou Reid sem jeito percebendo a tensão dela.

— Sim, está.

— Está com algum problema?

— Não.

— Estou vendo que está um pouco tensa.

— Impressão sua.

— Tem certeza?

— Sim.

Um silêncio tomou conta e ambos ficaram calados. Reid sabia que tinha que ganhar a confiança dela e por isso quebrou o silêncio.

— Você é britânica?

— Não, mas morei quase minha vida toda na Inglaterra.

— Você tem jeito mesmo.

— Está dizendo que não tenho bom humor? — perguntou Wendy em tom de brincadeira, esquecendo por alguns segundos dos problemas que se passavam.

— Não, que você não gosta muito de conversar — brincou Reid já mostrando mais à vontade.

— Hye, mas eu estou aqui, conversando com você.

— É, só que algumas vezes está sendo monossílaba.

— Você está perguntando muitas coisas ao meu respeito e eu não sei nada a seu respeito.

— Pode me perguntar, se quiser.

Wendy ficou calada.

— Vamos, pergunte — insistiu ele.

— Certo, você me disse que é doutor: médico ou advogado?

— Nenhum dos dois. São Ph.D’s, três deles para ser mais exato.

— Nossa, tão jovem. Você é um gênio ou algo assim?

— Não acredito que inteligência possa ser quantificada corretamente, mas eu tenho um QI de 187, memória fotográfica e consigo ler 20 mil palavras por minuto.

Reid recebeu um olhar estranho da garota.

— Sim, sou um gênio.

— Deve ser muito bom saber de tudo — disse a garota agora demonstrando um olhar de admiração.

— Eu não sei de tudo, apesar da maioria das pessoas acharem que eu sei. Mas estou sempre procurando aprender mais.

— Você é o primeiro gênio que eu conheço que não é excêntrico... gostei de você — Wendy sorria e demonstrava confiança em Reid — é bom conversar com pessoas muito inteligentes, a gente acaba aprendendo muitas coisas.

Spencer percebendo que a garota já confiava nele, achou que era o momento certo de abordá-la.

— Eles podem nos ouvir? — perguntou Reid recebendo o olhar surpreso de Wendy.

— Não, eles estão lá fora me esperando sair... mas como você sabe?

— Eu sou agente especial do FBI, Spencer Reid, seu pai está lá fora...

— Meu pai? — os olhos de Wendy lacrimejaram — incrível, meu pai está ai fora? Não sei se isso é bom ou ruim.

— Sim, ele está e quer muito falar com você. Vamos lá onde ele?

— Eu não posso — respondeu Wendy chorando muito.

— Por que não?

— Eles vão me matar.

— Eu posso te proteger.

— Não pode — respondeu Wendy o encarando — vem aqui comigo.

Wendy foi em direção ao corredor que dava acesso aos banheiros e Reid a seguiu. Quando chegou na porta dos banheiros, ela olhou para os lados e viu que ninguém vinha. Então começou a descer o zíper do casaco lentamente, o que deixou Reid um pouco nervoso sobre o que ela queria mostrar. Quando ela abriu, estava com um top e um colhete bomba.

— Se eu tentar alguma coisa, eles vão me explodir — disse Wendy — por favor, diga que você pode me ajudar a tirar isso.

Notas finais
Agradeço a quem leu e deixem suas impressões e sugestões. Amanhã postarei a noite. Obrigada e até lá!