Onde É Que Fica Nárnia?!
3 Capítulo 3 - A moça estranha
Notas iniciais
Aproveitem!
Pontos brancos e pretos dançam nos meus olhos quando os abro. Aos poucos, volto a focalizar normalmente. É quando finalmente eu posso distinguir a figura á minha frente que me encara com ar de preocupação.
Era uma moça de olhos muito verdes. Quero dizer, tão verdes que mal se via sua pupila. Os cabelos eram cor de madeira e sua pele era tão pálida que ,dependendo da posição,parecia levemente tingida de verde.
—Oh! Finalmente você acordou!—comemora ela se inclinando sobre mim e analisando meu rosto, como se eu fosse a estranha por aqui.
—Uh — digo pondo a mão na cabeça, ainda tonta — Você me salvou?Tirou-me do lago?— pergunto
—Não — responde a moça intrigante—Eu vim aqui pra beber um pouco de água,e quando percebi,você estava deitada na beira do lago,molhada.Eu presumi que você tinha se banhado,mas quando não acordou eu fiquei preocupada.
—E ficou aqui me esperando acordar por quanto tempo?— pergunto, tentando levantar, ainda com a cabeça girando.
— Não muito, —responde — apenas algumas horas.
—Algumas horas?— falo num pulo — Ah que infortúnio! Dona Angelina nuca mais vai me deixar sair daquele orfanato empoeirado! Isso se eu sobreviver para contar história!
— Orfan o quê? —pergunta confusa
—Orfanato— respondo meio intrigada. Quem não sabe o que é um orfanato? — É onde eu moro. De onde você é pra não saber o que é um orfanato?
—Eu sou daqui mesmo. Moro bem ali, naquele carvalho — diz apontando pra árvore.
— Você mora numa árvore?!— pergunto abismada — Oh pobrezinha! Se quiser, te levo comigo, tenho certeza que as freiras vão te ajudar.
—Freiras? É algum tipo de ninfa que eu não conheço?— pergunta me encarando com os olhos perguntões — A propósito, como devo chama-la?
—Melly, Candlewhere— eu não sabia quem estava mais confusa, ela ou eu — E você?
—Eu sou Dâmara. Sou a única dríade desse bosque. Mas eu bem que gosto de morar sozinha.Minha antigas irmãs ficavam sempre se gabando de suas folhas verdes e ...
— Espera, espera aí!—interrompo — Você quer dizer dríade como aquelas fadas mitológicas?
— Eu não sou uma fada! Fadas não existem!— responde ofendida
Ignorando a grande explicação que Dâmara começa a dar a respeito da diferença de dríades e náiades e todo o resto, eu finalmente presto atenção a onde eu estou. Definitivamente não é a estrada que leva ao orfanato. Aqui nem sequer tem uma estrada. Estou na beira de um enorme lago, que fica entre um vale florido e um bosque extremamente verde. De repente o pânico toma conta de mim e eu agarro Dâmara pelos braços graciosos e digo com voz alterada:
— Dâmara!Onde estamos?
— Estamos no Lago das Flores!— responde como se fosse a coisa mais óbvia do mundo
—E como exatamente eu faço pra voltar pra Nottingham, Inglaterra?
Ela me olha confusa, balança a cabeça algumas vezes e responde.
— Não faço ideia de que lugar é esse.
—Então em que país estamos? —pergunto soando desesperada
— Estamos em Nárnia ora essa!— responde
— E ONDE É QUE FICA NÁRNIA?! — eu grito
Ela me encara por alguns instantes, claramente tentando encaixar os pontos neste grande quebra-cabeça que se formou. De repente, ela faz uma cara de terror,misturada de fascinação enquanto exclama:
— Oh! Você é uma filha de Eva!
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