Notas iniciais
Boa leitura õ/

~Killua's POV~

Já tínhamos acordado à cerca de três horas atrás, e estávamos procurando pistas sobre as tais relíquias que aquele velho ancião nos pediu para procurar, porém algo estava muito estranho.

Pelo menos era o que eu sentia.

Porque eles não podiam ir sozinhos fazer tal coisa? Eu já ouvi falar dessa tal vila, e eles tem ótimos homens para luta, a força de determinação dessa vila é mais alta do que tudo, eu sei porque já li isso em alguns livros históricos.

Algo muito ruim deve ter acontecido à ponto deles recuarem e pedirem ajuda para outro Reino.

O que será?

~Gon's POV~

Decidimos nos dividir em grupos, e como sempre eu acabei ficando com Killua enquanto Leorio e Kurapika formavam outro, eles foram investigar outras vilas mais próximas, e eu e Killua fomos para uma floresta que havia mais perto da Vila aonde aquele ancião ficava, quem sabe não encontramos algo lá.

— Eu já li sobre essa floresta! — Exclamei para Killua — Tem várias histórias envolvendo ela como...

Parei um pouco de falar, percebi isso desde manhã, Killua estava um pouco tenso, os olhos deles estavam perdidos, provavelmente ele estava profundamente dedicado aos seus pensamentos, o que me deixou curioso e também me deixou falando sozinho todo esse tempo, com Killua apenas respondendo um "hm" ou assentindo com a cabeça, dava para perceber de longe que não estava ouvindo nada.

Fiz bico e encarei ele.

— Killua, oque você está pensando? — Pergunto parando um pouco de andar, e Killua após uns dois segundos faz a mesma coisa e vira o rosto para mim.

— Nada demais. — Disse dando de ombros e voltando a andar.

— Mou, se tem algo te incomodando é só falar. — Disse apertando o passo para alcança-lo — Ah! É sobre aquilo que você comento ontem a noite?

Ele não respondeu, então decidi continuar a falar.

— O que você acha que está estranho nessa missão, Killua? — Disse ficando lado à lado dele, e desta vez ele que parou de andar.

— Eu. — Falou dando uma leve pausa — Só estou com um mal pressentimento, Gon.

— Hmm. — Fiz pensativo — Por exemplo?

— Não sei explicar. — Disse — Como se algo estivesse prestes à acontecer, e mesmo pensando várias e várias vezes o que pode ser ou como resolver acaba me deixando pior ainda. Estou ansioso, e não sei o porque.

— E tem algo a ver com essa missão? — Perguntei e ele assentiu com a cabeça. — O que pode ser?

— Eu não sei exatamente — Falou — Mas talvez seja minha imaginação.

— Hm. — Afirmei sorrindo e comecei a andar novamente.

E assim mais um silêncio estabeleceu entre nós dois.

— Gon.

— Hm?

Não me incomodei em virar para fitá-lo, esperei ele voltar a falar. Porque estava demorando tanto para dizer algo?

— Você acredita no destino? — Perguntou, parei de andar um pouco e encarei ele incrédulo, e rapidamente puis minha mão em sua testa, verificando se ele estava com febre ou algo relacionado a isso.

— Para que essa reação, aho?! — Gritou comigo batendo em minha mão afastando-a de seu rosto.

— Ufa. — Suspirei aliviado. — Achei que você tinha sido abduzido, ou ...

— Mas eu estou falando sério, Gon.

— Bom, eu nunca parei para pensar nisso. — Disse olhando para cima enquanto voltava a andar sobre aquela extensa floresta. — Mas eu acredito que tudo que acontece com um propósito, seja para o bem ou para o mal — Sorri comigo mesmo e puis a mão na nuca. — Então posso dizer que acredito no destino, não é?

Ele sorriu de lado e voltou a andar também.

— E você, Killua? Acredita no destino? — Perguntei olhando de lado para ele.

— Antes eu achava uma baboseira. — Disse

— E agora?

— Posso dizer que sim. — Falou não dando muita importância.

— O que te fez mudar de idéia? — Perguntei novamente, só para não cairmos de novo no mais profundo silêncio.

— Não é muita coincidência? — Perguntou aumentando um pouco sua velocidade e ficando alguns passos à minha frente. — Bem no dia em que fui para Ilha da Baleia encontrei Leorio e me juntei à ele em menos de uma noite para te salvar, e bem no dia que fomos à torre encontramos o Kurapika, que estava lá com o mesmo propósito. Tudo foi tão rápido, mas aconteceu na melhor hora e lugar possível, e também com as pessoas certas. — Parou de andar um pouco para que eu pudesse alcança-lo — Foi tanta coincidência que chega até ser ridículo. E agora depois de todo esse tempo estamos aqui.

Cocei a cabeça sem entender muito o que ele quis dizer.

— Mas isso não foi bom? — Perguntei — Digo, conhecer a gente foi bom, não?

Um pouco hesitante ele me respondeu.

— Eu. — Disse após respirar fundo. — Eu não sei, Gon.

— E-eh? — Gaguejei — Porque? Você não se diverte com a gente? Killua se tem algo que aconteceu você pode-

— Não é isso. — Disse com um tom mais sério, oque me assustou no começo. — Desculpa.

Assenti com a cabeça me concentrando na caminhada em que percorríamos, no momento esquecemos até o objetivo de estarmos naquela floresta.

— O que eu quis dizer foi, — Voltei minha atenção à ele. — Não que não seja bom, porém não sei se foi o certo a se fazer.

— Killua não somos nós que decidimos isso. — Disse, ele me olhou confuso. — Claro, nós escolhemos nossos amigos, mas isso simplesmente acontece. Que nem se apaixonar, não sabemos quando ou com quem iremos nos apaixonar, porém quando chega a pessoa certa na hora certa isso acaba acontecendo.

Olho para meu amigo albino que estava até agora ao meu lado. Na verdade ex-albino, porque no momento ele estava vermelho que nem um tomate.

— O-o-oque v-você q-quer dizer c-com a-apa....- Falou gaguejando enquanto apontava para mim, deveria estar com dificuldade para se expressar. — Apa...apa..

— Apaixonar? — Disse inocentemente, e ele pois a mão na cara enquanto gritava coisas sem nexo. — Eu só relacionei isso com o caso de amizade, Killua. — Sorri divertido.

Suspirou, parecia aliviado.

— Não diga esses exemplos, idiota. — Deu ênfase no 'idiota'.

— Gomen — Falei — Não achei outro exemplo melhor. E esse parecia descrever bastante como eu me sinto.

— V-você ta apaixonado por alguém? — Gaguejou novamente se afastando um pouco de mim, deveria ser pelo susto. Achei divertido então continuei a brincadeira.

— Quem sabe? — Mostrei a língua para ele, senti uma aura negra e triste saindo dele enquanto ele cambaleava em minha direção, achei engraçado e comecei a rir dele sem parar de caminhar, porém ele me segura pelo pulso.

Me viro para ele e vejo que está cabisbaixo.

Será que disse algo de errado?

— Gon. — Falou — Eu preciso te contar uma coisa.

— Hm, tudo bem. — Falei um pouco tenso.

— Gon, eu. — Vejo que ele toma um fôlego — Sabe o reino de Yorkshin? — Tentou reformular sua frase, ainda fitando o chão.

Ponderei um pouco.

— Ah, sim sim! — Falei — Neon possuí uma pequena parte de Yorkshin também, porém ela disse que é mais liderado por aquela outra família, qual o nome...? — Fiquei pensando.

— Zoldyck. — Disse ele em uma voz mais fraca.

— Isso! — Falei — Mas o que tem eles, Killua? Não está pensando em ir para lá, né? Dizem que é bem perigoso, aliás eu conheci um membro da...

Sinto que ele aperta meu pulso com mais força, tento olhar para o seu rosto mas como ele estava de cabeça baixa não dava para ver muito bem qual era sua expressão facial no momento.

— Gon, eu. — Dizia ele com uma voz trêmula, queria abraçar ele e dizer que estava tudo bem, mas preferi deixar que ele terminasse de dizer oque queria. — Eu sou o herde...

Antes que ele pudesse acabar, mesmo eu não conseguindo ouvir o resto da frase incompleta de Killua, nós dois rapidamente nos afastamos um do outro por causa de uma árvore caindo bem aonde estávamos parados.

— O que foi isso?! — Perguntei olhando para todos os lados, e vendo que várias árvores caíam, e para ser mais preciso, todas as que estavam ao nosso redor estavam despencando.

— Gon. — Grita Killua do outro lado. — Acho que se seguirmos desde a primeira árvore que caiu conseguiremos achar o responsável que está por trás disso

— Mas está caindo de vários lados. — Disse me esquivando de outra que caía quase em cima de mim. Como alguém consegue fazer isso?! Com certeza não é humano.

— Temos que nos separar por hora. — Disse se afastando um pouco, porém elevando a voz para que eu pudesse ouvir. — Nos encontraremos no lugar marcado aonde Kurapika disse, ok?

— HM! — Afirmei e segui o outro lado, havia várias árvore caídas. Deve ter sido mais de uma pessoa que fez isso. Ignorando um pouco segui a "trilha de árvores desmoronadas" até chegar num mini acampamento aonde havia uns três caras bem metidos a 'vilão clichê' e atrás deles eu via um baú cheio de tesouros, alguns pareciam de ouro e outros de prata. Provavelmente deveria ser aquilo que aquela vila denominava 'relíquia' de geração por geração.

— Foram vocês que fizeram isso, não foram ? — Encarei eles com um pouco de raiva, eles apenas sorriram enquanto pegavam barras de aço e outras de madeira para me atacar.

Não durou muito nossa 'batalha'. Consegui nocautear eles facilmente. Foram eles mesmo que roubaram as relíquias?

Pergunta besta, se estou vendo elas bem na minha frente então é claro que foram eles.

Provavelmente do outro lado deveria haver a outra parte das relíquias, então provavelmente Killua já derrotou o resto do bando que sobrou com mais facilidade do que eu, só espero que ele não tenha exagerado muito.

Sem me importar com os três desmaiados no chão, peguei o baú, que por sinal era bem pesado e havia um monte de coisa dentro, e fui para o lugar aonde Kurapika havia indicado.

Chegando lá após uns dez minutos vejo que Leorio e Kurapika já estavam lá, e ficam surpresos ao me verem.

— Aonde está Killua? Se separaram? — Pergunta Kurapika.

— Eeh? — Fiz — Killua ainda não volto? — Olhei para os lados. Será que ele teve algum problema na luta ?

Mas contra aqueles caras tão banais.

— O que aconteceu? — Pergunta Leorio enquanto pegava o baú de minhas mãos, e sem mais delongas expliquei tudo à eles, e em torno desta explicação, nenhuma sombra do albino.

— Estranho. — Disse Kurapika pensativo. — Melhor voltarmos ao lugar aonde vocês estavam, talvez ele esteja lá. Não acredito que Killua tenha sido derrotado tão facilmente para qualquer um.

E assim fizemos; fomos de volta para aquela floresta aonde eu e Killua estávamos a algum tempo atrás, segui o lado oposto no qual eu não tinha seguido da última vez quando havia me separado de Killua.

Ainda me lembrava de sua voz trêmula.

O que ele queria me dizer aquela hora?

Ao chegarmos do outro lado aonde as árvores caídas nos indicavam, vimos algo escrito com um pouco com sangue, mas não estava completo, nem dava para entender o que estava escrito, mesmo que incompleto.

Arregalei os olhos, senti minhas pernas tremerem e assim caí no chão, Leorio rapidamente vai até mim me segurando e chacoalhando.

Porém eu não ouvia oque ele dizia.

— Oe, Gon! — Leorio me da uns tapas nas costas para que eu voltasse à realidade, minha visão estava embaçada mas consegui ver que Leorio estava me segurando e ao lado dele um Kurapika de pé me fitando um tanto preocupado.

— Se acalme, Gon. — Dizia Kurapika — Não faz tanto tempo, então creio que Killua possa estar ainda por essas redondeza, não temos tempo à perder. Precisamos voltar à aquela vila e ver o que podemos fazer, e rápido.

Assenti um pouco com a cabeça, claro que ainda estava chocado, e além de tudo me sentia culpado.

Muito culpado.

Não deveria voltado sem ver se Killua estava bem. Não, eu não deveria ter me separado dele.

Eu sabia que ele não estava bem, mas mesmo assim...

Como eu sou egoísta.

Killua, espero que você esteja bem.

Por favor, aguenta firme.

Esse é meu único desejo.

Notas finais
Espero que tenham gostado 'u'/ Até a próxima...