Once upon a time
8 De volta para casa.
Notas iniciais
– Minha senhora pare de ler – a menina pediu – te proíbo de ler se for para terminar de uma maneira triste.
– Espere – A senhora estava sorrindo – quer dizer que quer que esse final seja como um conto de fadas? Com felizes para sempre?
Cath parou um instante, estática na cama, A velha senhora tinha razão, a pegara bem no ato, ela ficou em silencio por uns momentos, ponderando sobre qual deveria ser sua atitude.
– tem razão – falou por fim – acho que me equivoquei.
– ótimo – A senhora sorria – posso continuar? As horas já estão avançadas.
– sim, sim –ela pediu – continue, por favor.
“– você está pronta”? – Joshua perguntou assim que terminei meu dejejum.
– Sim – confirmei me levantando.
O sol já nascera trazendo consigo o agouro do que se aproximava, eu estava prestes a voltar para casa, antes daquele dia se findar eu estaria de volta ao palácio, de volta a realidade.
– não pense nisso – Joshua parecia ler meus pensamentos – isso só tornara a viajem mais dolorosa.
– não tem como ela se tornar agradável meu querido – murmurei.
– eu estou aqui – ele me ajudou a subir no cavalo- isso não lhe soa agradável?
– não quando me lembro do motivo de estar aqui.
Ele ficou silencioso o resto da viajem e não teria como negar, nossos destinos não foram feitos para estar entrelaçados, eu o amava mais do que tudo, só não mais do que meu povo, não tinha permissão para amar ninguém além dele, nem a mim mesma.
A viajem foi relativamente calma, e como ele disse chagamos ao palácio no fim da noite, não ouve grande coisas no caminho, graças a deus não teríamos mais surpresas, mas meu pai sim.
Assim que nos apresentamos ele ficou completamente vermelho, como se estivesse tendo um ataque fulminante, todos ficaram muito preocupados comigo, fui tirada dos braços de Joshua e não o vi pelo resto do dia, pois fui submetida a ficar na sala de banhos, retirando todas as impurezas do meu corpo, e depois senhor meu pai mandou que eu fosse direto para meus aposentos descansar, ele me tratava como uma garotinha que não sabe se defender, como se aquela experiência tivesse sido demais para que eu aguentasse.
A cama me parecia macia demais, quase ao ponto de ser desconfortável, fiquei olhando para a janela, me lembrando dos momentos que passei do lado de fora, momentos de quase morte, momentos lindos, e mesmo assim, aqui estou eu, longe do único homem que eu amei.
Na manhã seguinte quando acordei havia novas damas de companhia me esperando, não queria fazer desfeita delas, mas todas as vezes que olhava para elas me lembrava do que minhas amigas haviam feito para me proteger, mandei um barco buscar seus corpos, eu as enterraria dignamente.
Deixei que me banhassem e me vestissem, o senhor meu pai me aguardava na cozinha para o dejejum, ele me olhava com uma extrema preocupação, como se de repente eu fosse desaparecer bem a sua frente, tentei sorrir para ele mas isso ficava cada dia mais difícil.
– como está se sentindo minha querida? – meu pai pegou minha mão sobre a mesa.
O que dizer naquele momento? Estou bem? Eu não estava.
– não se preocupe senhor – falei calmamente.
As portas foram abertas com um estrondo, Henri entrou parecendo furioso e ofegante, como se tivesse corrido até aqui.
Como de costume, me levantei e fiz uma pequena reverencia, e ele fez o mesmo.
– Eu nem consigo imaginar o que a senhorita pode ter passado – ele disse com seu estranho sotaque. – não posso me perdoar por não estar ao seu lado nesse momento de dor.
Respirei fundo, Henri aparentava ser um bom homem, e como ele mesmo disse, devíamos tornar isso o mais agradável possível.
– não é culpa sua meu senhor – me aproximei — aqueles homens tentaram tirar minha vida para impedir nossa união.
Não sei que ficou mais surpreso Henri ou meu pai.
– A senhora aceitaria minha proposta? – ele perguntou.
– sim meu senhor — concordei – vamos unir nossos reinos.
– E eu lhe prometo minha senhora que pretendo ir nessa guerra e arrancar o coração de cada soldado inimigo que eu ver no meu caminho, só para ter no prazer de vingar sua honra.
– eu agradeço – sorri de canto.
– mais isso é uma benção – meu pai gargalhou – teremos um casamento afinal.
Nosso noivado foi marcado para a noite seguinte e o casamento na noite depois disso, meu pai estava com pressa, tudo para que o Rei Felipe enviasse seu exercito para ajudar nessa batalha, e agora mais do que nunca, os ânimos de todos os homens estavam alterados, pelas minhas experiências de quase morte, e meu pai ficou furioso quando descobriu que havia soldados dinamarqueses infiltrados no nosso território, começaram imediatamente a investigar quem era o traidor, que havia delatado onde eu estaria.
Henri me convidou para passar a tarde com ele para nos conhecermos melhor, fomos de braços dados até o jardim e tivemos uma ótima tarde, se eu tirasse a parte do sotaque e o fato dele não usar calças, Henri era um homem incrível.
– veja isso – ele se aproximou.
Na sua mãos havia uma pequena joaninha, branca com pequenas pintinhas pretas.
– que linda – coloquei o dedo e ela subiu em minha mão sob a luva.
– sim, ela é albina, é difícil de se...
Eu parei de prestar atenção nesse momento, Joshua estava passando com outros três soldados, eu não o vira desde que voltamos e de repente ele me vê assim, nossos olhares se encontraram e notei que ficou surpreso, ele parou no meio do caminho os soldados pararam também, não percebendo que ele olhava para mim, seu olhar se desviou para Henri ao meu lado, que ainda falada um monologo alegre.
Ele pegou minha mão e soprou da leve para o inseto voar.
Ao longe Joshua fez uma pequena reverencia e continuou andando.
Ele deveria está bravo, não, com certeza estava bravo.
Depois disso não consegui me concentrar direito na nossa tarde, eu tentava sorrir, tentava parecer atenta ao que ele dizia, mas não podia evitar.
Fui dormir aquela noite transtornada, se Joshua me odiasse, eu não sei bem o que eu faria, naquele momento mais do que qualquer outro eu precisava dele.
Quando o dia amanheceu eu estava com olheiras profundas embaixo dos olhos, todo o castelo estava completamente em um frenesi enorme todos estavam completamente ocupados e corriam de um lado para o outro.
Naquela noite fui vestida com um vestido creme, segundo meu pai, ele pertencera a minha mãe, ele era quase num tomara que caia, mas havia uma pequena alça que lhe caia como detalhe, sua saia era armada e na frente havia uma faixa decorada com perolas e diamantes, meu cabelo foi preso em um coque alto com minha franja jogada na frente, formando pequenos cachos, colocaram o diadema da minha mãe sobre meus cabelos, eu também usava sua gargantilha de ceda negra, o único detalhe escuro na minha roupa.
O castelo estava abarrotado de pessoas nobres, todos tiveram que correr para chegarem a tempo, e quem morava longe demais para chegar a tempo do noivado com certeza viria para o casamento.
Meu noivado na verdade foi apenas um jantar, com muitas pessoas, comida e vinho, o único momento que me pareceu com noivado foi quando Henri me entregou o anel de noivado, ele era lindo, de aro fino e com um enorme diamante, ainda estava sorrindo quando uma voz me assustou.
– Majestade.
Me virei para me deparar com um Joshua completamente lindo, ele usava sua roupa do exercito, mas essa parecia mais elegante, como se preparado exatamente para momentos especiais, o que ele acabara de fazer era completamente inadequado, ele falara com o rei em pessoa sem que o rei o chamasse.
Meu pai sorriu abertamente assim que o avistou, pareceu não se importar.
– meu amigo – ele apertou a mão de Joshua – Que bom que pode vir.
– Esse é o soldado que salvou minha noiva? – Henri perguntou.
– General – Joshua sorriu para ele – sim meu senhor eu a trouxe sã e salva.
– então parece que lhe devo muito meu mais novo amigo – Henri apertou a mão dele.
– É apenas o meu dever – ele olhou pra mim de soslaio – prometi ao meu rei que a cuidaria dela, e cumpri minha promessa.
– É verdade – concordei – lhe devo muito General.
– Não me deve nada –seu tom era completamente formal – será uma rainha maravilhosa, só fico contente que você esteja bem, para assumir seu papel.
Engoli em seco, e tentei sorrir.
– se me permite a ousadia minha senhora – ele fez uma pequena reverencia – está muito bela.
– ela é sempre bela meu bom amigo – meu pai parecia nas nuvens.
– sim – ele concordou – mesmo num dia quente consegue ser imensamente bela, mas cuidado com a noite, pode ser abafada, e os beija-flores não podem entrar.
– não acho que os beija-flores voem durante a noite – Henri interveio.
– tem razão, acho que me equivoquei – Joshua sorriu – Se me dão licença.
Henri franziu a testa sem entender, mas meu coração batia rápido, eu havia entendido o recado, eu não sabia como, mas naquela noite eu deveria deixar minha janela aberta, pois Joshua iria ao meus aposentos.
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