Notas iniciais
Espero que gostem, pois eu gostei muito de escrever... Boa leitura :)

Estava frio em Londres naquele dia. O céu estava nublado, e gotículas de água quase invisíveis caiam do céu a todo momento.

Glenn realmente não sabia esperar. De todas as pessoas em Londres, ela deveria ser a mais impaciente e abusiva de todas.

Estava sentada numa poltrona de um estofado estupendamente esplendoroso de coloração bege, e bebericava uma xícara de chá com paciência, com se nada nesse mundo pudesse incomodá-la ou irritá-la.

Trajava um casaco de vison realmente impressionante, e uma roupa por debaixo dele quase mais assustadora ainda. Era uma mistura de casacos e mais casacos de diferentes tipos de peles. Seus olhos eram negros como a noite, e seu cabelo era um dos aspectos mais estranhos nela.

Metade dele era de um branco fantasmagórico, enquanto a outra metade era negra feito seus olhos. Eles estavam bagunçados, arrepiados. Ela não se importava com o cabelo. Só com as roupas. Só com as peles. Só com o glamour.

—Senhora, ela está aqui. — Disse a voz apreensiva do mordomo. Ele morria de medo de Glenn, que tinha plena consciência disso. Ela amava meter medo nas pessoas.

—Mande-a entrar, imbecil… — Disse Glenn, rindo logo depois. Gargalhando, para ser sincero. A vida era simplesmente engraçada, e ela queria simplesmente rir.

Não demorou para uma figura toda vestida de preto entrar. Usava um véu preto que cobria o rosto, um vestido preto que cobria o pescoço, os braços e os pulsos, as pernas e os pés. Era uma figura “negra”, por assim dizer.

Glenn a olhou com cenho franzido, e depois zombou descaradamente:

—Creio que esse vestido seja… Bem, de alguns séculos atrás? E esse véu no rosto, realmente é um desperdício de dinheiro… Se não fosse quem diz ser, não deixaria você entrar em minha adorável casa. — Disse Glenn, entre gargalhadas. A mulher de preto não respondeu, simplesmente ocupou a cadeira ao lado da de Glenn.

—Então você sabe quem sou… — O tom da mulher de preto era baixo, um sussurro. Glenn achou isso engraçado.

Glenn assentiu. A mulher então despiu o véu, revelando sua face.

—Vim para te avisar que chegou a hora.

Glenn assentiu, pressionando tanto sua xícara de chá que a mesma quebrou.

—A Lua de Sangue finalmente está chegando…

UM ANO DEPOIS…

Emma não acreditava estar reunida novamente com sua família. Não conseguia acreditar que sua memória tivesse voltado, e não conseguia entender o que estava acontecendo.

Há um ano atrás, ela, sua mãe, seu pai, Gancho, Regina e Rumplestilskin haviam voltado da busca para salvar Henry das garras de Peter Pan, em Neverland. Ela achava que tudo tinha dado certo quando colocou novamente os pés em Storybrooke. Mas não deu.

Pan tinha, na verdade, trocado de corpo com Henry. Assim, ele se infiltrou facilmente em Storybrooke e ficou sob o disfarce por tempo suficiente para conseguir lançar uma poderosa maldição que escravizaria a todos na cidade.

Mas com o sacrifício de Rumplestilskin e a ajuda de Regina, a maldição tinha sido impedida. Em compensação, Storybrooke foi apagada do mapa e todos os seus habitantes voltaram ao local de origem, a Floresta Encantada. Emma, por ser o fruto do verdadeiro amor e a Salvadora, pode sair da cidade com seu filho Henry, só que sem suas lembranças de Storybrooke, e com novas implantadas por Regina.

Mas agora ela estava ali. Suas memórias tinham voltado após um Gancho desesperado ter aparecido em Nova York e insistido para ela tomar um estranho líquido roxo, que provou ser uma poção para fazer as memórias retornarem.

E em um piscar de olhos, ela estava novamente em Storybrooke, com seus pais e com todos os outros.

Infelizmente, isso não era motivo de comemoração. Uma nova maldição tinha sido lançada, apagando todo o ano passado na Floresta Encantada. Ninguém tinha noção de quem havia lançado a maldição, pois suas lembranças... Bem, se resumiam até Regina impedindo a maldição de Pan de se concretizar.

Emma estava preocupada. A poção de Gancho só era suficiente para uma pessoa se lembrar. Portanto Henry não tinha a mínima noção do que estava acontecendo.

E era isso que Emma queria. Simplesmente esquecer de tudo e dormir envolta num sono profundo e irrevogável. Queria esquecer as maldições, as bruxas, as confusões de árvore genealógica. Queria voltar ao ano em Nova York, onde tinha vivido “feliz para sempre” por tempo suficiente para dar saudades só de pensar.

Ela não tinha noção de que só iria piorar.

***

Ashley estava muito cansada.

Seu corpo doía muito depois de mais um dia de trabalho árduo. Ela simplesmente não se conformava com tudo aquilo: com o fato de ter sido obrigada a passar 28 anos amaldiçoada, sem se lembrar de quem era e de tudo que havia passado. Sem se lembrar de que estava grávida não de um homem qualquer, mas sim de seu marido.

Mas então a maldição foi quebrada, e ela se lembrou. Lembrou de que Ashley não existia realmente, e Cinderella era quem habitava seu interior. Sean, um homem que ela achou por 28 anos ser apenas um jovem comum, era na verdade o Príncipe Thomas, seu marido. E ela finalmente acreditou que o tão esperado final feliz viria.

Mas não deu tempo de usufruir da vida com Thomas e Alexandra, sua filha, pois antes que percebesse, Storybrooke novamente estava em perigo. Ashley não sabia muito da história, mas se lembrava de que Branca, o Príncipe, sua filha, a Rainha Má, o Senhor das Trevas e mais alguns desconhecidos para ela tinham se unido para salvar Henry, o neto da Branca de Neve, algo que acabou trazendo um perigoso maníaco para a cidade e que, posteriormente, lançou uma nova maldição.

Ashley não sabia de nada, só sabia que, de repente, o Anão Zangado apareceu gritando pelas ruas sobre a nova maldição. E então, mais nada. Quando ela acordou, estava novamente em Storybrooke, como se a maldição não tivesse atingido ninguém. Então os rumores começaram. Disseram que a maldição não atingiu a cidade pois a Rainha Má tinha impedido-a com sua magia, o que resultou na destruição de Storybrooke e no retorno de todos para a Floresta Encantada.

Um ano havia se passado, segundo alguns, e algo aconteceu nesse tempo. Algum outro poder maléfico lançou uma nova maldição, e tudo recomeçara.

Ashley estava cansada. Ela não se lembrava, mas tinha certeza que nesse tempo de um ano, ela, Thomas e Alexandra deveriam ter sido muito felizes. Deviam ter retornado ao seu castelo, deviam ter tido o final dos sonhos. Mas ela não se lembrava. Não tinha a mínima idéia do que havia acontecido nesse um ano.

—Ella… — Disse uma voz atrás dela. Ashely se assustou, virando para trás rapidamente. Mas era só Thomas, segurando Alexandra no colo.

—Oh, Thomas… Você me assustou! — Ashley estava lavando roupas, e, no susto, uma quantidade bem grande de água tinha molhado ela.

Ele segurou seu braço, olhando para ela.

—Você está bem?

Ashley sorriu, embora não estivesse feliz.

—Sim, claro… É que… Sabe, eu estou cansada de sempre estar em perigo. Primeiro foi a Rainha, lançando aquela maldição e nos forçando a viver 28 anos sem memórias, sem nos lembrarmos da nossa vida… Thomas, nós quase nos separamos!! Quando eu me lembrei, eu pensei que… — Ela recuperou o fôlego.

—Pensei que viveríamos nossa vida como um casal normal. Que seríamos… Felizes para sempre. Mas agora, com a nova maldição… Todos dizendo que uma nova bruxa chegou, que ela já está instalada entre os habitantes de Storybrooke…

—Eu estou com medo, Thomas. Medo dessa bruxa, dessa nova maldição… Medo de ser quem eu sou...

Thomas beijou sua testa.

—Tudo vai ficar bem, Ella. Nós vamos ficar bem.

Ashley assentiu, sorrindo, e logo em seguida disse que tentaria não se preocupar mais. Mas não importava o que Thomas dissesse. No fundo, ela sabia que algo ruim estava prestes a acontecer.

[FLASH]

—Thomas… Nós voltamos! — Disse Cinderella ao olhar a paisagem em volta. As árvores, a grama macia roçando em seus pés, a magia no ar. A princesa suspirou, aliviada, olhando admirada ao redor.

—Sim, amor… Nós voltamos!! Ella. NÓS VOLTAMOS!! — Thomas a abraçou, rindo. Cinderella percebeu que estava novamente com seu vestido azul, enquanto Thomas tinha voltado a usar seus trajes nobres.

—Thomas… Onde está Alexandra? — Perguntou Cinderella, olhando desesperada ao redor. Mas a bebê não tinha ido longe. Está numa cesta, enrolada em panos, rindo e brincando com um pedaço de grama. Cinderella sorriu, satisfeita. Alexandra podia ser apenas um bebê, mas provavelmente ela sentia que sua família tinha voltado ao lar.

Mais tarde, depois de um breve momento de apreciação, Thomas e Cinderella puseram-se a andar, a princesa carregando a filha no colo. Então apareceu um anão, dizendo-lhes que estavam convidados a se juntar ao grupo de Encantado e de Branca que seguia diretamente para o castelo da Rainha.

Thomas concordou que deveriam seguir diretamente para esse grupo, mas só depois de visitarem seu antigo reino. Ele queria ver o quê havia restado, mesmo que fossem apenas ruínas.

Passou-se um tempo enquanto Ella e Thomas andavam por entre as árvores, saltando córregos e evitando desviar do caminho. Eles quase não falavam, até Cinderella decidir cortar o silêncio:

—Thomas… Lembro de só uma vez estar tão feliz quanto estou agora.

Thomas sorriu, curioso.

—Posso saber qual foi?

—No dia do nosso casamento. Eu estava vibrando, ansiando pelo meu final feliz… E agora, nesse momento, eu percebi que depois de tantos anos, nós finalmente viveremos felizes, Thomas. — Thomas sorriu ao perceber que o sorriso estampado no rosto de Ella era inapagável.

Mal sabia ele que mais cedo do que ele imaginava esse sorriso seria apagado por completo de seu rosto.

***

—Ella!!! Ella!!! — Alguém batia na porta de sua casa, gritando seu nome. Estava no meio da madrugada, e Ashley dormia ao lado de Thomas. Depois que eles a maldição foi quebrada e Ashley lembrou que na verdade era a Cinderella, ela foi morar na casa do pai de Thomas, Mitchell. Ele dormia na parte térrea da casa, enquanto Ashley, Thomas e Alexandra ocupavam os quartos do primeiro andar. Ele era um homem um pouco rígido, que não gostava de barulho à noite.

Ashley não tinha uma história muito boa com aquele homem. Nos primeiros dias depois do casamento, ele e Ella eram bem próximos, e uma amizade começava a surgir. Mas depois que ele descobriu que a garota tinha feito um acordo com o Senhor das Trevas para conhecer o seu filho, o clima entre eles pesou. E depois, quando eles estavam sob o efeito da maldição, ele queria tudo, menos que seu filho assumisse a criança dele e de Ashley.

É, não era a relação perfeita entre um sogro e sua nora. E o fato de uma pessoa gritar a plenos pulmões por Ashley no meio da madrugada não ajudava em nada.

“Provavelmente ele está me xingando mentalmente”, pensou Ashley enquanto se levantava. Ela olhou pela janela para enxergar quem lhe chamava, mas não conseguiu ter uma visão ampla de nada por causa da escuridão.

—Quem é? — Perguntou Thomas, sonolento. Ashley alegou não saber quem estava lhe chamando naquele momento, e fez menção de descer para receber a pessoa.

—Não, Ella, pelo amor de Deus!!! Há uma bruxa na cidade, uma bruxa que nos amaldiçoou novamente. Hoje mesmo, ainda de manhã, você me disse estar com medo, e agora quer ficar atendendo pessoas não-identificadas e…

Ashley beijou-o na boca e sorriu para ele.

—E hoje mesmo, ainda de manhã, você me disse para não ter medo, pois tudo ficaria bem. Se eu não consigo nem atender uma pessoa que grita a plenos pulmões na porta de minha casa, como você espera que eu haja perante todas essas maldições e perigos?

—Aliás, seu pai não vai ficar contente se os gritos continuarem por mais tempo. — Ela sorriu para ele e desceu as escadas. Thomas a seguiu pois, embora tentasse convencer a si mesmo de que não havia perigo algum, algo lhe dizia que não. Nunca o perigo deixaria o mundo. Maldições poderiam ser quebradas, outras surgiriam, mais fortes e mais complicadas de se resolver. Vilões seriam derrotados, mas outros surgiriam, mais fortes e mais perigosos. Os empecilhos surgiriam, e quando fossem resolvidos, seriam substituídos por outros ainda maiores e mais duros.

Quando Ashley abriu aquela porta, Thomas sentiu que todas as maldições, os empecilhos e os vilões enfrentados até agora eram apenas o começo de algo ainda maior e mais complicado.

[FLASH]

Cinderella só encontrou destroços quando chegou ao local onde deveria estar seu palácio. Todo o seu reino, todas as casas, as plantações, tudo tinha sido destruído pela maldição da Rainha.

—Thomas… Acho que não temos mais um lar. — Disse Ella, com os olhos marejados. Um peso se instalou em seu coração ao ver tudo aquilo destruído. Um peso que a arrastava para baixo. Cada vez mais baixo.

Thomas assentiu.

—Achei que isso fosse acontecer. Bem, Ella, então acho que vamos ter que nos unir com Branca e Encantado…

Cinderella assentiu lentamente, a pequena esperança de seu castelo ainda existir sendo destruída lentamente.

—Não fique assim, Ella. Nosso final feliz apenas começou. — Thomas disse, sorrindo e arrancando um sorriso de Ella.

—Eu acho que não contaria com isso… — Disse uma voz. Cinderella se assustou, olhando ao redor. Alexandra, que estava no colo do pai, parou de sorrir.

—Quem está aí? — Vociferou Thomas, com raiva.

—Sou apenas eu... — Então a dona da voz saiu de trás de uma das árvores. Thomas sacou sua espada e apontou-a para ela ao reconhecê-la.

—Lady Tremaine… — Disse Thomas, estupefato. A madrasta de Cinderela sorriu ao ouvir seu nome ser pronunciado pelo príncipe.

—É um honra que Vossa Alteza saiba meu nome — Disse Tremaine, sorrindo secamente. Ela não era feia para sua idade. Seus cabelos eram todos grisalhos e estavam desgrenhados, como se um furacão tivesse se instalado nele. Sua roupa se limitava a um longo vestido vermelho que estava sujo, rasgado… Um verdadeiro trapo. Suas unhas estavam pretas de tanta sujeira, e a pele de seu rosto estava vermelha, como se tivesse acabado de levar um tapa.

Cinderella quase não reconheceu Tremaine. Antes seus cabelos eram alinhados e arrumados, e ela nunca teria admitido um resquício de sujeira em seus trajes.

—Olá… Madrasta. — Disse Cinderella. Ela pôde sentir Thomas segurando Alexandra com mais força ainda, como se estivesse com medo do quê Tremaine pudesse fazer.

—Gata Borralheira. — Disse ela, olhando para Cinderella com nojo.

—O quê você veio fazer aqui? — Disse Thomas, apontando novamente a espada. Tremaine riu secamente e avançou na direção de Thomas.

—O de sempre… — Thomas então foi lançado metros para trás. Cinderella se desesperou ao perceber que Tremaine tinha usado magia.

Um baque surdo foi ouvido por Ella quando seu marido caiu no chão. Alexandra, que estava sendo segurada por Thomas, agora levitava, seu corpo sendo usado pela magia. A bebê chorava, desesperada.

—Alexandra… — Sussurrou Cinderella, tentando andar. Mas ela não conseguia. Era como se algo estivesse prendendo-a no chão.

Tremaine riu, encostando a boca no ouvido da princesa e sussurrando:

—Anos atrás, uma pessoa me disse que eu nunca seria feliz. — Havia raiva em sua voz. O corpo de Tremaine tremia enquanto ela falava. — Disse que eu nunca conseguiria o quê eu sempre quis na vida. E em partes, admito, ela estava certa. Eu fracassei. Nada do que eu quis deu certo. Eu nunca fui feliz, Gata Borralheira.

Ela fez uma pausa.

—Nunca tive o “final feliz” dos sonhos — Cantarolou ela.

Cinderella tentou olhar ao redor. Sua filha continuava levitando, só que agora ela chorava. Thomas não dava sinais de vida, provavelmente tinha desmaiado. E agora a princesa estava sozinha, nas mãos daquela que ela menos gostaria de estar.

—Eu sempre fui, possamos dizer, uma infeliz. Minha vida sempre foi cheia de… Infortúnios. O coração do infortúnio é o coração do infeliz. — Disse Tremaine. Cinderella conhecia a última frase dita pela mulher. Era um antigo provérbio, vindo de Agrabah. Significava que um problema só iria realmente ter peso na vida de uma pessoa se ela fosse infeliz. A princesa pessoalmente nunca entendeu a lógica daquele provérbio.

—E enquanto eu viver, Cinderella, eu posso te garantir… Você nunca será feliz.

De repente, o chão começou a tremer. Algumas raízes grossas de árvores surgiram do chão, começando a serpentear pelos pés da princesa, enquanto iam subindo cada vez mais. Trovões começaram a ribombar, e as raízes subiam cada vez mais depressa pelo corpo de Cinderella.

—Chegará um dia que seu coração marcado pelos infortúnios. Chegará um dia que só restará a infelicidade para você. Seu coração será infortúnio, e seus infortúnios farão de você infeliz.

As raízes estavam apertando cada vez mais. Já tinham preenchido todo o tronco, e agora estava cobrindo seu pescoço.

Num último esforço de parar aquilo, Cinderella tentou gritar, desesperada: “O que foi que eu te fiz?”.

Mas o grito nunca saiu. As raízes cobriram totalmente a princesa, transformando-a numa árvore. Tremaine riu.

—Oh, pobre Gata Borralheira… — Ela então soltou Alexandra da magia que a prendia no ar, pegando a bebê no colo.

—Mas não precisa entristecer, garotinha… Logo, logo, você, o papai e a mamãe estarão… Juntinhos.

***

—R-Ruby?

Ashley tinha aberto a porta e dado de cara com sua amiga, Ruby. Ou Chapeuzinho Vermelho, se preferir.

—Ashley, que bom que me atendeu. — A garota estava suando, arquejando sem parar.

—Hummm… Você quer entrar? — Perguntou Thomas, abrindo a porta. Ruby assentiu, entrando rapidamente e sentando-se no sofá.

—Não vou demorar, é coisa rápida. Só queria pegar a Cinderella emprestada por um tempinho. — Disse Ruby, piscando para Thomas. Ele assentiu.

—Eu vou preparar algo para nós comermos. — E saiu.

Ashley estranhou um pouco a atitude de Ruby. Era realmente pouco usual ver Ruby lhe chamando de Cinderella. Geralmente, ela só lhe chamava de Ella ou Ashley.

Ruby sorriu para a garota.

—Você quer me dizer algo? — Perguntou Ashley. Ruby assentiu.

—Só gostaria de lhe dizer que acho que Thomas é tão retardado quanto você, Gata Borralheira. — Disse Ruby, sorrindo. De repente, uma força impeliu Ashley contra a parede. A garota sentiu uma ou duas costelas se quebrarem no impacto. Pode sentir também sua cabeça bater contra um quadro, que se quebrou logo depois.

Uma nuvem roxa envolveu Ruby, e Ashley soube imediatamente o quê esperar. Magia.

Quando a nuvem se dissipou, não era mais Ruby que estava na sala de Ashley. Era sua madrasta, Tremaine. Alexandra começou a berrar no andar de cima. Estava chorando como se o mundo fosse acabar.

—Sabe, garota, você tem uma mania incômoda de sempre escapar de mim. — Então a mulher fez um gesto com a mão, fazendo uma nuvem negra envolver Ashley temporariamente.

Tudo o quê a garota viu foi escuridão e mais nada.

—ELLA, ELLA… — Gritou Thomas, correndo até a sala de estar. Tremaine riu, e com mais um gesto, a nuvem negra também envolveu o príncipe.

A mulher então olhou ao redor, satisfeita com seu trabalho.

E, antes que um Mitchell furioso descesse as escadas, perguntando se todos tinham esquecido que era madrugada e que haviam pessoas que queriam dormir, Tremaine sumiu.

E, antes que esse mesmo Mitchell percebesse que o choro de Alexandra tinha parado repentinamente, era tarde demais.

O ciclo de infortúnios havia apenas começado em Storybrooke.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado e... Comentem o quê acharam legal, o quê detestaram, e outros afins... Se puderem, é lógico. Até o próximo capítulo o/