Once Upon a Time - Frozen -

8 Capítulo 8 - O Pastor de Ovelhas -


Anna continuava a dialogar com aquele pastor mostrando que ele iria perder mais se caso não lutasse, ser escravo da Betty era se esconder, desistir. Eles debateram até que ele resolveu contar que quando tinha seis anos ele acordou uma vez ouvindo os pais discutindo, geralmente, o assunto era o mesmo. A bebida. Porém, dessa vez ele sentiu que algo estava diferente, o pai não estava gritando, ele estava chorando. E David ouviu palavras que jamais iria esquecer, o pai disse para Ruth " Eu vou vencer isso. Tenho que ser o melhor para esse garoto. Eu tenho que ser diferente, tenho que parar." Anna o encarava com ternura ao ouvir aquela história. Ele prosseguiu contando que a família sempre precisara de mantimentos e era uma viagem de duas semanas, duas semanas de pura bebedeira. Mas o pai prometeu que não colocaria uma gota de álcool na boca e que em duas semanas estaria de volta. Todas as manhãs durante duas semanas David acordava com um sorriso esperançoso de que seu pai voltaria para casa, sendo ele mesmo! E seriam uma família. Então, no décimo quarto dia ele levantou animado, porque bateram na sua porta e pensara que era seu pai. Porém, o homem que estava parado em sua porta, não era seu pai, era um guarda local. Contou que por treze dias, treze dias seu pai não bebeu, estava sóbrio. Mas no décimo quarto dia ele havia passado a noite inteira em uma taverna e haviam encontrado seu corpo nos destroços da carroça no fundo de uma ravina. Então ele se levantou e disse que certas batalhas não se vencem. Anna tentou persuadi-lo alegando que ele não teve um pai muito bom que ele era fraco. Sucumbiu aos prazeres passageiros da bebida.

– Você é forte! — ela disse.

– Você não sabe se eu sou! — ele exclamou.

– Eu espero que seja.

– Você tem que ser forte garoto, por você e por sua mãe. — Elliot disse e saiu deixando Anna com David. Anna prosseguiu dizendo que ela e sua irmã precisavam apenas de uma noite ali. Mas se ele quisesse, de manhã cedo elas o ajudariam com o treino caso contrário elas seguiriam seu caminho. Elliot pegava pesado nos treinos mais era ótima para ensinar, um rápido flashback passou por sua mente. Anna deu um meio sorriso ao lembrar de quando era pequena e a mais velha fazia questão de ensina-lhe tudo. A tocar piano, a lutar, a manejar a espada, a desenhar, aprendeu algumas coisas sobre como sobreviver na floresta graças a Elliot e com algumas dicas de Kristoff. Mas fora a irmã que sempre esteve ali ao seu lado, a preparando para cada situação e estava feliz de poder contar sempre com as duas irmãs que tinha. Esse rapaz precisava de um apoio, um empurrão e ela estava disposta a fornecer esse empurrão. Ela seguiu o mesmo caminho de Elliot e entrou guardando a espada. Logo anoiteceu e as duas estavam recolhidas no celeiro, deitadas sobre um monte de feno.

– Elliot? Está acordada?

– Sim. — Elliot respondeu ao lembrar da mania das irmãs de questionarem-na se ainda estava acordada. Essas palavras traziam uma certa nostalgia.

– Eu falei para o David que se ele quisesse, antes de seguirmos viagem pela manhã, você e eu iriamos ajuda-lo com o treino.

– Você disse bem. Ele precisa de um empurrão enorme. Aquela velha de bengala irá acorrenta-lo e chicoteá-lo como um cachorrinho. Não pode viver amordaçado. Ainda mais por aquela mulher. Mas e o que ele disse?

– Ele nada respondeu. Está cego por sua definição ludibriosa de viver. Sobreviver não é jeito de viver.

– Sabemos disso muito bem. Eu, você e a Elsa travamos muitas batalhas impossíveis. E estamos aqui nessa missão secreta travando mais uma.

– Porém, Eu sei que no fundo aquilo no diário da mamãe foi só um engano. Não conta toda a história, saber da metade é como não saber nada. Precisamos descobrir o enredo todo.

– Eu sei que sou uma vampira Anna e é medonho para muitas pessoas aceitar a ideia de que eu me alimento de sangue. Eu preciso de sangue para ficar forte, assim como um humano precisa de nutrientes. Com certeza nossos pais tiveram medo com isso, principalmente naquele ano.

– Se refere naquela noite no sótão?

– Sim. Foi a primeira vez que matei dois humanos... Eu tive tanto medo. Tive medo por você, por Elsa, por nossos pais e por mim. Eu queria tanto ficar com todos vocês, mas eu não conseguia me controlar. Lembro que feri vários guardas quando traziam minha comida. Eu não vi outra escolha, além de fugir de Arendelle. Acho que entendo o pai do David... Você quer se controlar, você quer tentar... Mas uma força te puxa...

– Mas você lutou e venceu! Você não foi fraca. Você travou uma batalha impossível e conseguiu vencer. Se esforçou para isso.

– O problema é que eu não venci Anna...

– Como? Você disse que depois daquela missão não havia mais bebido sangue de nenhum humano. Estava começando a se controlar na floresta do norte.

Elliot lembrou daquela estranha missão. Era daquela missão que conhecia o nome "Floresta Encantada" como pode esquecer disso? Trincou os dentes.

– Você está certa, comecei a me controlar daquilo em diante.

– Então... Como não venceu a batalha?

– Essa é uma batalha eterna Anna. Eu luto todos os dias. Vou te contar um segredo. Nem a Elsa sabe disso, eu não quero assusta-la e não quero te assustar. Mas ela não imagina o quanto é difícil para mim, suportar a vontade. — Elliot se sentou olhando para Anna que fez o mesmo encarando a irmã. — Eu sinto o cheiro de todo mundo.

– É, você disse que eu era a única pessoa no mundo que possuía cheiro de chocolate. — sorriu a caçula.

– E realmente é a única. Porém, não é o cheiro que os poros exalam. Não é o seu corpo, Além desse cheiro, eu sinto o cheiro do sangue. E esse é o aroma hipnótico para um vampiro. O sangue dos animais tem um gosto diferente dos humanos. É como ser vegetariano, comer tufo ao invés de carne. E quanto mais ligado o humano for a você, quanto mais importante, o seu sangue é como o manjar dos deuses. O seu sangue e o de Elsa... São os que eu mais luto todos os dias para não sucumbir. Eu tenho medo do que o pouco que tem naquele diário esteja certo sobre mim.

– Elliot você não irá nunca nos ferir! eu sei disso.

– E como sabe?

– Sabendo... Instinto.... Tá... Pode não ser o suficiente. Mas eu sei, porque eu confio em você e a Elsa também confia. Você é forte e vai vencer um dia essa batalha. — Anna abraçou a irmã tentando consola-la. — Não tem que temer isso. O queijo tufo pode ser preparado com outros ingredientes. — Elliot sorriu com a irmã.

– Você tem razão. Vamos deixar isso pra lá. — Anna se deitou novamente e Elliot a chamou de repente. — Anna obrigado por sempre acreditar em mim.

– Somos irmãs e eu sempre vou acreditar em você, não importa o que digam ou a situação. Bom, não importa o que ocorra eu estarei aqui, acreditando e confiando em você. — Elliot deu um beijo na irmã.

– Eu compreendi trancinhas. Antes de sairmos amanhã eu vou caçar alguns animais está bem? A senhora Ruth me deu alguns bolsas de água para eu encher com o meu "tônico". Você espera aqui e claro trarei carne para seguirmos nossa viagem.

– Isso é muito bom. Sabe qual é o bom de se ter uma irmã vampira?

– Você tem sempre uma caçadora a sua disposição?

– Isso também. Mas não importa onde eu esteja, você sempre vai me encontrar.

Elliot sorriu para a caçula. — Mesmo se eu fosse humana eu sempre iria te encontrar! É a única humana com cheiro de chocolate lembra?

– Eu sei. — sorriu e em pouco tempo ela adormeceu. Elliot demorou um pouco a pegar no sono, pensava no que a loira estava fazendo agora. Fazia tanto tempo que elas não se afastavam. Mas era por uma boa causa. Quando o alvorecer surgiu Elliot fora a primeira a acordar e Anna continuava dormindo. — Sempre gostou de dormir. — Observou a caçula dormindo e sorriu. — Não se meta em encrenca enquanto eu estiver fora. — Elliot saiu para outra parte das campinas, uma parte mais profunda da floresta perseguindo um cervo robusto que encontrou. Enquanto isso David foi até o celeiro abrindo a porta.

– Laila, Joan? Eu sinto muito mais não vamos vencer isso. Vocês devem partir antes que a Betty volte. — ele abriu a porta e o celeiro constava somente o seu cavalo. — Vão embora vocês podem se salvar. — Adentrou mais aquele entorno repleto de feno e uma silhueta saiu de uma parte escura. Era uma mulher.

– Não... Elas não podem. — Betty estava ali com seu cajado. Segurando o colar de Anna. David ficou preocupado, aquela mulher tinha ido longe de mais. Pegou duas garotas que não tinham nada a ver com seus assuntos. Betty contou que as garotas estavam marcadas por seu cajado e que a localizaria a onde elas fossem, eternamente. Ela cobrou novamente o seu pagamento ou David deveria entregar a fazenda. Saiu levando o colar de Anna. David se viu com uma faca de dois gumes nas mãos. Elliot voltou para a fazenda de David com um cervo gordo, duas lebres e duas bolsas cheias de sangue. Foi uma bela caçada como ela costumava dizer. Ela estranhou o fato de não sentir nem o cheiro de David e nem o de Anna. Entrou na casa e Ruth estava sentada na cadeira.

– Senhora Ruth eu trouxe esse cervo para você e pro David como gratidão por nos deixar dormir no celeiro. — Elliot o deixou na mesa e reparou que a senhora estava desolada.

– Obrigada minha jovem. Não precisava. Mas e o David voltou com você?

– Não, eu estava na floresta caçando. O que aconteceu Ruth?

– David foi ao encontro de Betty. Ela disse que estava com você e com a sua jovem irmã, Joan.

– Aquela velha desprezível. Eu vou para lá agora!

– Mas não sabe onde ela mora.

– Não se preocupe eu tenho bom faro! — Elliot saiu correndo e apenas escutou ao longe a senhora dizer "Deveria pegar o cavalo, correndo nunca chegará a tempo" Mas quando tomou a distancia necessária, Elliot começou a farejar e a sentir um leve aroma de chocolate e ovelhas no ar. Começou a voar o mais rápido possível.

David estava como o combinado. Estava na presença de Betty ao meio dia. Ela estava sentada no interior de uma construção semelhante a uma cúpula com suas laterais abertas, dois soldados estavam em sua lateral. David levou sua espada que encontrava-se presa em sua cintura. Betty perguntou pelo dinheiro e o rapaz disse que não estava com ele, a mulher de cajado riu achando a hipótese do jovem lutar a mais absurda possível. Os dois jagunços desembainharam as laminas e encararam o camponês, pastor de ovelhas. Elliot chegou e avistou a luta de seu amigo, David.

– Isso David! — ela queria ajuda-lo. Mas o amigo deveria aprender a nunca desistir. Ela estava orgulhosa por ele sair de sua casa para "salva-las" já como a Betty mentiu ao dizer ter capturado as duas. David derrotou os dois soldados e Betty, deixando-a amarrada, retirando o colar de Anna que ela exibia no pescoço enrugado. Elliot saiu por trás dos arbustos e sorriu. — David! — Ele se virou surpreso.

– O que está fazendo aqui? Achei que Betty havia a levado.

– Levou a Anna, eu estava caçando quando tudo aconteceu. — Ele pegou o cajado e o mesmo mostrou que ela estava no celeiro de Betty. — Vamos lá! — Os dois correram em direção ao celeiro. David quebrou as correntes que prendia o local. Sendo o primeiro a entrar. Elliot farejou novamente e sorriu. David caminhou na frente enquanto Elliot estava atrás olhando para cima. — David? — Quando ele se virou fora surpreendido por Anna pulando sobre ele, derrubando-os no chão. — Cuidado, eu ia avisar. — sorriu a vampira.

Os dois caíram no chão e Anna estava com um rolo de massa nas mãos.

– Anna, o David veio te resgatar. É incrível que eu só te deixo por algum tempo e você se mete em encrenca.

– Ops... Eu pensei que fossem eles. — Anna o ajudou a se levantar. — Por quê você não avisou?

– Eu queria saber se tinha coragem de pular ali de cima. — A vampira apontou para o teto.

– Quer dizer que você a viu e não me avisou. — David disse ao se levantar com as costas doloridas.

– Ops... — sorriu Elliot ao imitar a irmã.

– Eu recuperei o seu colar. — David entregou para Anna que ficou surpresa, estava feliz por ele ter lutado e vencido. Ele disse que seguiu os conselhos que ambas deram e que elas tinham razão. Era uma batalha impossível, mas que ele só conseguiu, porque lutou. Ele contou que quando Betty confessou que levou as garotas, Anna o interrompeu dizendo que ele mau conhecia ela e a irmã. Ele sorriu e continuou dizendo que estava conhecendo as garotas. Ele admitiu que a história sobre a irmã das duas, a terceira irmã o ajudou muito. Ele podia sobreviver, mas não iria continuar vivendo uma vida que não queria e agradeceu as duas garotas.

– Sabe garoto, até que para um pastor de ovelhas você foi incrível hoje! Obrigado por salvar minha irmã. — Elliot disse ao apertar a mão dele. — E você trancinhas eu não posso tirar os olhos de você, que simplesmente desaparece. Sabia que eu te deixei dormindo? — Elliot saiu daquele lugar com a irmã, bronqueando-a, o que fez David sorrir.

As garotas e David voltaram para casa, Anna e Elliot estavam prontas para seguirem viagem. A mãe de David forneceu alguns suprimentos para as garotas. A caçula convidou ambos para o seu casamento e a mãe agradeceu o convite e agradeceu mais uma vez a Elliot pelo enorme cervo que havia capturado.

– Você pegou aquele cervo enorme? — Anna perguntou.

– Sim, fiz algo enquanto você brincava de esconde-esconde. — Sorriu para a irmã. Ruth agradeceu novamente as garotas dizendo que elas haviam mudado o seu filho e Anna disse que ele sempre fora assim, só não sabia. Elliot mudou rapidamente de assunto, questionando a senhora se era comum a presença de magia assim como a da Betty e seu cajado. A mãe de David admitiu que sempre teve magia na floresta e Anna contou que os pais das garotas tiveram um problema com magia e se ela conhecia alguém que poderia ajudar com isso. A mãe disse que conhecia alguém, mas não ousava falar o nome dele, as garotas pediram para ela anotar o nome e ela entrou dentro de casa enquanto David surgia ao lado do cavalo da fazenda.

– O que é isso? — Anna indagou.

– É para vocês.

– Achei que nunca abriria mão dele. — Elliot acariciou o focinho do alazão. — Bom garoto.

– Ele é uma lembrança de sentimentos que eu já não tenho mais. Ele era do meu pai.

– Eu agradeço David. — Ele estendeu a mão e ajudou Anna a montar no cavalo. Ruth retornou segurando as mãos de Elliot e entregando um papel amarelo. — Obrigado. — Elliot montou na parte de trás e se despediram. Anna começou a cavalgar e quando estava longe da fazenda falou:

– O que Ruth te entregou?

– O nome do mago... é Rumple, Rumplestiltskin. — Elliot leu e fez uma careta. — Que nome mais gozado para um mago. Só espero que ele possa nos ajudar.

– Eu também espero.